Trabalho Sujo - Home

Depeche Mode ♥ David Bowie

depeche-mode-heroes

O Depeche Mode vem homenageando David Bowie em sua atual turnê pelos Estados Unidos ao revisitar o clássico hino “Heroes”, que completa 40 anos em 2017, e aproveitou a proximidade do aniversário da canção para registrar sua versão em estúdio.

Ficou demais. E não custa lembrar que ano que vem tem Depeche Mode no Brasil.

Nina Becker 2017: “Pra gente poder respirar”

nina-becker-2017

A sensação que o Acrílico de Nina Becker é coisa séria já havia se materializado no primeiro single, “Voo Rasante” – e essa sensação torna-se palpável no segundo single, “Despertador”, que ela lança em primeira mão no Trabalho Sujo. “‘Despertador’ é a única canção do disco que traz uma referencia mais direta à ideia de bossa-jazz e eu desejava que em algum momento isso aparecesse deliberadamente nesse disco”, ela explica sobre a nova canção e sobre o conceito do álbum. “Estávamos em Buenos Aires com a Orquestra Imperial e convidei o Kassin para fazer uma música no nosso dia de folga. Demorei para chegar no lugar onde havíamos combinado e quando cheguei a melodia já estava pronta, com a colaboração do Pedro Sá.”

“Despertador” reflete essa atmosfera cinquentista que Nina quis puxar para o disco, trazendo à tona a cultura transformadora do Brasil nos anos 50, da poesia concreta, da concepção arquitetônica de Brasília, de um novo cinema e da bossa nova. “A ideia de fazer o Acrílico surgiu quando fiz uma trilha em que me pediram para compor uma bossa-jazz contemporânea. Para essa gravação tive a oportunidade de montar uma banda com contrabaixo acústico, piano, bateria e guitarra e fiquei maravilhada com essa experiência. Estava prestes a começar a produção de outro disco, mas mudei meus planos, porque eu precisava fazer um álbum inteiro explorando a sonoridade dessa formação. Um trio com uma guitarra acoplada, trabalhando com linhas sobrepostas de piano”, explica a cantora. Essa sensação é traduzida também visualmente na estética do disco, como podemos ver nas fotos de divulgação e na capa de Acrílico, também mostrada em primeira mão para o Trabalho Sujo.

nina-becker-acrilico

“Segui com a ideia da bossa-jazz como uma projeção luminosa que banhasse o ambiente das novas canções que vinham surgindo. Uma luminosidade mais opaca ou mais translúcida conforme a natureza de cada uma. Quando já estava no meio do processo de formação de repertório, percebi que nenhuma das canções já compostas para o disco se apresentava naturalmente como uma bossa nova, estilo através do qual eu comecei a aprender a tocar violão, estudar música e cantar e que de alguma forma costuma aparecer nos meus trabalhos de forma difusa. Deixei de lado a preocupação que sempre tive com o anacronismo estilístico e mergulhei no conforto da minha cama macia, onde dedilhava meus primeiros ‘acordes-aranha’.”, ela continua.

Nina comenta sobre a letra de “Despertador”: “Ela fala do dia a dia como algo bonito e necessário de se viver plenamente em uma época em que tudo converge para a exposição midiática de uma vida idealizada, com um ritmo imposto por máquinas e gadgets eletrônicos, que atropela pequenas e preciosas coisas do cotidiano e faz com que passem despercebidas. A letra também coloca a ideia do amor como um filtro de proteção da alma pra barra pesada geral que estamos vivendo. Mas a crítica vem de uma forma leve, sem rancor, porque ‘Despertador’ é para ser uma música-abraço, aconchegante, ensolarada, no meio de tanto breu.”

O disco será lançado no mês que vem com shows na Casa Natural Musical (dia 19 de outubro), em São Paulo, e no Teatro Ipanema (dia 8 de novembro) no Rio.

Cinco grandes momentos do segundo fim de semana do Rock in Rio

rock-in-rio-5-2017

Encerrando a cobertura que fiz do Rock in Rio para o UOL, segue a lista dos cinco melhores shows do segundo finde do festival, que postei lá meu blog no portal.

Passei os dois últimos fins de semana andando feito um camelo pelo Rock in Rio, submetido a uma maratona de shows uns épicos, outros insuportáveis e mesmo que a exaustão final ainda se abata, é possível lembrar dos grandes momentos do festival. Havia publicado a lista com os cinco melhores shows do fim de semana anterior neste link, abaixo refiro-me aos cinco melhores do fim de semana passado.

thewho-rock-in-rio
1) The Who
O melhor show de todo o festival e uma apresentação que já entrou para a história tanto do festival quanto dos grandes shows internacionais no Brasil. Pagando uma dívida de meio século sem nunca ter vindo ao país, os remanescentes do grupo original – seu vocalista Roger Daltrey e o guitarrista Pete Townshend – mostraram-se em plena forma mesmo com mais de setenta anos de idade.

baianasystem-rockinrio
2) BaianaSystem
O melhor show do Brasil atualmente não se conformou com o espaço reduzido do Palco Sunset e misturou o climão de carnaval de rua ao de festas jamaicanas e show de punk rock, inflamando o público como poucas apresentações durante todo o festival. A presença da MC angolana Titica, flerte que o grupo já acalentava há anos e que o Rock in Rio conseguiu proporcionar, apenas temperou a massa sonora com uma pimenta estética forte, bem ao gosto da conexão Salvador-Luanda.

alicecooper-rockinrio
3) Tears for Fears
Ninguém poderia prever o arrebatamento emocional causado pela dupla formada por Roland Orzabal e Curt Smith, mesmo com a quantidade de hits no repertório. Uma apresentação precisa, cujo timbre cristalino dos vocalistas ajudou o público a lembrar porque eles foram uma das principais bandas pop dos anos 80, fazendo aquilo que os Pet Shop Boys deveriam ter feito no fim de semana anterior.

ceelo-rockinrio
4) Ceelo Green
Que vocalista, que showman, que carisma! Metade da dupla Gnarls Barkley, Ceelo conquistou o público apenas com sua presença, chacoalhando seu corpo compacto enquanto alcançava vocais agudos que arrebatavam as canções para um nível acima. Com uma banda da pesada, ainda recepcionou a brasileira Iza em dois duetos (entre eles uma canção de Michael Jackson) e a vocalista quase roubou a cena, encantando a todos com sua presença magnética. O melhor ficou para o fim, quando o saxofonista da banda roubou o holofote para tocar a melodia do hit carioca “Deu Onda” pouco antes de cair numa versão arrasa-quarteirão para “September”, do grupo Earth Wind & Fire.

tears-for-fears-rockinrio
5) Alice Cooper
A idade só faz bem para Alice Cooper e longe de acelerar sua decadência artística, a transforma em trunfo: o vocal mais grave, o rosto mais cheio de rugas e a presença mais ranzinza no palco só ajudam a aumentar a personalidade insana do pai do rock de horror. Os elementos cênicos certamente são metade do show e toda a banda que o acompanha (incluindo aí a sensacional guitarrista Nita Strauss e uma palhinha bem-vinda do aerosmith Joe Perry) também não faz feio, mas todo o show está concentrado no contato visual e vocal do público com Cooper, que rege expectativas e refrãos como um maestro do inferno. Que figura!

Outras fases de Angel Olsen

phases

Angel Olsen aproveita o fim do ciclo de seu excelente My Woman, um dos melhores discos do ano passado, para fazer um apanhado de suas gravações que não chegaram ao disco. A coletânea Phases (da capa acima), que será lançada no início de novembro e já está em pré-venda, reúne, portanto, uma série de lados B de singles, raridades e demos que cobrem os sete primeiros anos de sua carreira fonográfica. entre elas a inédita “Special”, de raro groove hipnótico indie, que deve ter ficado de fora de My Woman devido aos seus extensos sete minutos (porque é uma musicaça!):

Ela também adiantou as outras faixas do disco (que você vê abaixo), entre elas o hino anti-Trump “Fly On Your Wall”:

“Fly On Your Wall”
“Special”
“Only You”
“All Right Now”
“Sans”
“Sweet Dreams”
“California”
“Tougher Than the Rest”
“For You”
“How Many Dreams”
“May as Well”
“Endless Road”