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Cine Doppelgänger: O Diabo Mora ao Lado

15 de setembro: O Bebê de Rosemary (1968) e Corra! (2017)

15 de setembro: O Bebê de Rosemary (1968) e Corra! (2017)

Na programação da terceira edição da sessão Cine Doppelgänger, eu e a Joyce, do Cinemascope, vamos exibir dois filmes tensos na Sala Cinematógraphos da Casa Guilherme de Almeida: primeiro o clássico O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski (às 11h), e depois o hit moderno Corra!, de Jordan Peele (às 14h) – dois filmes de terror que lidam com o aspecto corriqueiro da maldade e que levantamm questionamentos sobre feminismo e racismo, refletindo suas épocas. Eu e Joyce conversamos sobre os dois filmes logo em seguida do segundo filme, às 16h30, e as inscrições para o debate podem ser feitas no site da Casa Guilherme de Almeida (mais informações aqui). Abaixo, você assiste ao debate que rolou logo depois da última sessão, A Paranoia por Dentro, que exibiu Rede de Intrigas e De Olhos Bem Fechados.

Eis Paula Satisteban

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Conheci a Paula Santisteban na primeira turma de um dos cursos que ministrava no saudoso Espaço Cult, na Vila Madalena. O Ecossistema da Música era uma série de conversas com diferentes pessoas do meio em que eu fazia a mediação dos bate-papos tentando entender o que estava mudando neste mercado. Tinha a intenção de terminar as aulas com alguns exemplos para mostrar que não existia mais uma forma de ser bem sucedido neste meio e sim várias formas, cabendo ao artista descobrir aquela que melhor dialoga com seus anseios e com o público. Mas quando soube da história do Música em Família, que Paula tocava com o marido Eduardo Bologna, levando música para escolas de todo o país, vendendo discos e reunindo fãs que chegavam na casa das dezenas de milhares, não tive dúvida – pedi para que ela contasse sua história como o exemplo que eu queria dar na conclusão do curso.

Graças ao Música em Família que Paula conseguiu fazer seu primeiro disco solo exatamente do jeito que queria – e para isso chamou meu amigo Carlos Eduardo Miranda para produzi-lo. Ela já o conhecia de outros momentos, mas foi na aula que ele deu sobre produção musical que ela entendeu que ele que deveria ser o produtor de seu disco. Miranda falava que o disco era um “encontro de almas” e reforçava a importância do contato e do calor humano na produção de uma obra de arte. Por várias vezes ele me falou do trabalho que estava conduzindo com Paula, dizendo que “na hora certa”, ele iria me mostrar. E o descrevia com adjetivos minuciosos e precisos que raramente associava aos discos que produzia: maduro, sério, sofisticado, fino, emocionante.

Na última vez em que conversamos, ele me falou que o disco estava finalmente pronto e que chamaria Paula e Edu para uma conversa comigo. Queria que eu o ajudasse a pensar em como lançar não apenas o novo álbum, mas a carreira solo de Paula. Horas depois, soube da notícia de sua morte. Dias depois, a própria Paula me escreve, me chamando para conversar.

Queria dar continuidade ao trabalho que Miranda havia começado – e, como havia falado comigo, também disse que gostaria de me ver atuando ao seu lado para lançar o disco. Numa conversa no meio do semestre passado, ela me mostrou as faixas ainda sem a masterização final de seu disco de estreia. O disco era tudo aquilo que Miranda havia aguçado minha curiosidade. Um disco de baladas, adulto e sensível, pop e popular. Conduzido pelo Edu, seu diretor musical, o álbum entrelaça cordas, metais e madeiras à musicalidade crua e quente de uma banda composta por baixo, guitarra, teclados e bateria, criando um ambiente mágico para a voz de Paula desabrochar, cantando suas próprias composições. O disco parece que encarna a palavra “clássico” mas sem os clichês relacionados ao termo – inspira classe, postura, refinamento, elegância, ao mesmo tempo sem distanciá-la da vida real, do cotidiano. Ao ouvir três músicas sabia que estava diante de algo completamente diferente na música brasileira atual.

Originalmente faria uma consultoria, dando dicas sobre como ela poderia acertar melhor o disco, mas naquela mesma tarde eu soube que não era um trabalho distante. Que inevitavelmente iria me envolver de forma mais intensa naquele trabalho e o quanto aquilo também era uma incumbência e um legado que o próprio Miranda havia me passado. Depois de algumas reuniões, chegamos à conclusão que o trabalho que eu faria a seu lado não era o de uma simples consultoria e sim a direção artística de sua carreira. E quis o destino que este trabalho chegasse ao público exatamente uma semana depois de eu ter assinado o meu primeiro trabalho de direção artística, com o espetáculo Professor Duprat.

De lá pra cá, vivemos uma montanha russa de emoções que é característica deste disco. Desde que começamos a trabalhar juntos, ela fechou o lançamento do disco no Auditório Ibirapuera (no próximo dia 30), assinou contrato com a gravadora Warner, conseguiu que Bob Wolfenson fizesse as fotos da capa de seu disco, o masterizou no Sterling Sound e enquanto teclo estas palavras, ela está finalizando a capa de sua estreia, que tem apenas seu nome e que sairá em duas semanas. Muitas outras novidades estão por vir. Por enquanto, temos apenas uma das principais joias desta obra, o primeiro single do disco, “As Janelas da Cidade”, lançado nesta sexta-feira. É exatamente aquilo que Miranda me contava. Valeu compadre! E obrigado Paula – tem sido uma linda viagem.

Gustavo Da Lua 2018: “Como se dançasse uma ciranda”

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Um dos fundadores do Sheik Tosado e percussionista da Nação Zumbi, Gustavo Da Lua começa a revelar seu segundo disco solo, o sucessor de RadianteSuingaBrutoAmor, de 2015. Batizado apenas com o nome do músico, o disco segue sua busca por uma sonoridade ao mesmo tempo nordestina, caribenha e africana, como dá para perceber pelo primeiro single “Ponte Sinai”, que ele lança em primeira mão no Trabalho Sujo.

Jaloo e MC Tha celebram Miranda

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O segundo show em homenagem ao saudoso velhinho acontece no CCSP nesta quinta-feira, a partir das 21h, e ainda tem a participação especial de Gaby Amarantos. Toda a bilheteria arrecadada nesta data será doada pelos artistas à família do Miranda (mais informações aqui).

Lana Del Rey 2018: “I’m your man”

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Lana Del Rey dá o primeiro sinal de vida após chamar Jack Antonoff para ajudar-lhe na produção de um novo disco: “Mariners Apartment Complex” é folk, existencial e psicodélica na mesma medida, abrindo uma dimensão anos 60 que não existia no imaginário da cantora e compositora. Será que vem aí uma fase hippie de Lana Del Rey?

Boogarins celebra Miranda

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O grupo goiano abre a série de shows Noites Bacaneza em homenagem ao grande Carlos Eduardo Miranda nesta quarta-feira no Centro Cultural São Paulo, quando realiza o show Sessão Ampla de Cura e Libertação, que terá participação do novíssimo Edgar. Toda bilheteria será revertida para a família do saudoso Miranda (mais informações aqui).

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Sociedades secretas e a sociedade do espetáculo

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Eis a íntegra do bate-papo que tive com a Joyce do canal Cinemascope no mês passado na segunda sessão do Cine Doppelgänger, quando revisitamos De Olhos Bem Fechados do Kubrick e Rede de Intrigas do Lumet em um sábado de graça na Casa Guilherme de Almeida.

Lembrando que neste sábado, a partir das 11h, acontece a terceira sessão, reunindo os filmes O Bebê de Rosemary e Corra! As inscrições podem ser feitas no site da Casa Guilherme.

Professor Duprat capturado

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O site bootlegger Olvécio Estava Lá registrou em áudio a apresentação em homenagem ao maestro da invenção que fizemos na semana passada no Sesc Pompéia.

“Futurível”
“Lindonéia”
“índia”
“Não Identificado”
“Deus Vos Salve Essa Casa Santa”
“6 Pequenas Peças Para Violoncelo”
“Coração Materno”
“Tuareg”
“Ave Lúcifer”
“Domingo No Parque”
“Fuga N° 2”
“Enquanto Seu Lobo Não Vem”
“Baby”
“2001”
“Irene”
“Cabeça”
“Construção”

Vida Fodona #570: Mr. Catra (1968-2018)

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Um programa em homenagem a um dos principais nomes da música brasileira deste século.

Mr. Catra – “Cadê o Isqueiro? (Bonde dos Maconheiros)”
Mr. Catra – “Adestrador”
Mr. Catra – “Mercenária”
Digitaldubs + Mr. Catra – “Fala Que é Nóis”
Mr. Catra – “Vacilão”
Mr. Catra – “Índio Quer Apito”
Mr. Catra – “Rap Capô de Fusca”
Mr. Catra + MC Tati Quebra-Barraco – “Quebra o Meu Barraco”
Mr. Catra – “Vai Começar a Putaria”
Mr. Catra – “Mama Me Olhando”
Mr. Catra – “Antes, Durante e Depois”
Mr. Catra – “Tipo Uma Cavala”
Mr. Catra – “Vem Todo Mundo”
Mr. Catra – “Adultério”
Mr. Catra – “Maconha”
Mr. Catra – “Vem Quicando”
Mr. Catra – “O Retorno de Jedi”
Mr. Catra – “Se Meu Pau Não Parar de Crescer”
Mr. Catra – “Bonde do Justo”
Mr. Catra + Os Templários- “Filhos da Puta”
Mr. Catra – “Eu Fui de Todas Elas”

Na alma de In Utero

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“Há tempos não estava vendo muito sentido em prosseguir no rolê da música”, desabafa Rodrigo Lemos, um dos fundadores da Banda Mais Bonita da Cidade que passou a lançar seus trabalhos com o nome solo Lemonskine e o grupo Naked Girls and Aeroplanes. “Rolou depressão mesmo após o meu último lançamento. Ainda sem saber como proceder, fui cavoucar o que tinha acontecido comigo ao longo dos anos, tipo terapia mesmo! Passei por um monte de coisa desde o meio da década passada e as coisas vão mudando. O panorama atual não é meu lugar de fala.”

Foi pensando nisso que optou por o que ele chama de “regressão” ao seu primeiro contato com o rock, o trio Nirvana. “Eu devia ter em torno de 12 anos; já havia mudado do Rio de Janeiro para Curitiba e lembro de ter comprado meu primeiro disco com dinheiro economizado de “mesadas” nessa época, o acústico da MTV americana, que aqui no Brasil chegou quase junto com a notícia da morte do Kurt”, lembra. “Foi um período em que eu vivi isso muito intensamente. Como adolescente, não conseguia exatamente compreender o sentido daquilo tudo, mas encontrava ecos internos já apontando pro interesse em música, em formar uma banda… Aí, me aprofundando no Nirvana, naturalmente cheguei ao In Utero e não larguei mais. Foi, com absoluta certeza, o disco que mais ouvi durante a juventude.”

rodrigolemos

Ao se deparar com o início de sua educação musical e o momento de sair de cena para dar voz a outras vozes (“por hora, prefiro participar do momento como produtor musical, e me coloco numa posição de empatia e apoio às novas vozes que realmente importarem, ainda mais no contexto do Brasil”, completa), Lemos capitaneou uma versão cheia de soul justamente para o disco-epitáfio de Kurt Cobain – lançado meses antes do suicídio de seu autor, Kurt Cobain. “A princípio, não houve um grande planejamento em torno do In Utero especificamente, mas sempre tive curiosidade com essas versões que buscam outro sentido na obra original”, continua Lemos. “Aí fui arranjando as versões em casa e em estúdio, dando os pontos de partida e convocando pessoas que eu admiro e que, já sabia, teriam alguma identificação com essa obra.”

“Inevitavelmente, tenho como referência projetos como Easy-Star All Stars, por exemplo – que já lançou releituras dub e reggae para Michael Jackson, Radiohead, Pink Floyd… Recentemente, tocando em casa, achei que estivesse compondo uma progressão de acordes bem funkeada, quando comecei a cantar uma melodia que, minutos depois percebi, era igual à de ‘Heart-Shaped Box’. Foi quando veio o clique”, lembra da origem soul do projeto.

O resultado é um disco bonito, com momentos inspirados e contrapontos interessantes, que às vezes desliza para o clichê, mas sempre mantém uma linha de raciocínio que nunca desanda, no máximo se repete. Heart-Shaped Tracks – A soulful tribute to Nirvana’s In Utero, primeiro lançamento do selo de Lemos Mezcla Viva Records reúne nomes como Blubell, Francisco El Hombre, Tuyo, Michele Mara, Letrux e os projetos autorais do idealizador num tributo essencialmente coeso e bem executado.

“A vida colocou um monte de fãs de Nirvana em volta de mim”, brinca. “Eu não pedi, mas quando vi já sabia quem poderia me ajudar a tornar isso realidade. Acho que o fato de ser um remake cantado majoritariamente por vozes femininas foi a maior surpresa. E ir encontrando a universalidade das letras do álbum, sobretudo. Pisei em ovos, por exemplo, pra convidar a Michele Mara para interpretar a versão de ‘Rape Me’. Por outro lado, fiquei muito à vontade com ela enquanto gravávamos!”

“Cada encontro foi muito especial à sua maneira, até os encontros à distância, como foi o caso da Leticia Novaes, do Letrux, que tem toda uma relação pessoal com Nirvana também, e encontrou tempo em meio à sua correria para transbordar em ‘All Apologies'”, continua.Um destaque que observo com carinho, foi o debut da Isabela Cafefortesemaçúcar. Ela participa em ‘Tourette’s’, que é uma música bem menos popular no álbum original mas, aqui, foi uma surpresa entre a equipe que a conhecia pessoalmente sem nunca ter ouvido sua voz cantante.”

É o primeiro projeto do selo, que Rodrigo imagina como ponto de partida para o envolvimento de seu trabalho com algumas das pessoas que participaram do projeto, mas por enquanto seu foco é mostrar o disco fora do Brasil. “Esse foi um projeto piloto pra sacar qual a substância disso em vendas digitais – que é só o que estou licenciado para fazer. Sacar se as pessoas estão interessadas nesse tipo de lançamento. Mas a idéia é que o selo possa lançar um remake por semestre, então o próximo já vai entrar no forno”, diz, sem contar quais nomes tem especulado.

HeartShapedTracks

Raissa Fayet + Bananeira Brass Band – “Serve the Servants”
Yuri Lemos + Igor Amatuzzi – “Scentless Apprentice”
Lemoskine – “Heart-Shaped Box”
Michele Mara – “Rape Me”
Francisco El Hombre + Bananeira Brass Band – “Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle”
Jan & Machete Bomb – “Dumb”
The Shorts – “Very Ape”
Blubell + Dopler Beatz – “Milk It”
Tuyo + Bananeira Brass Band – “Pennyroyal Tea”
Naked Girls and Aeroplanes + Bananeira Brass Band – “Radio Friendly Unit Shifter”
Isa Caféfortesemaçúcar – “Tourette’s”
Letrux + Bananeira Brass Band – “All Apologies”