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Olho Seco no Centro Cultural São Paulo

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A segunda edição do ciclo Concreto, que reúne bandas clássicas e novas da cena punk e pós-punk de São Paulo no Centro Cultural São Paulo, recebe as presenças do mítico Olho Seco, uma das principais bandas da história do faça-você-mesmo paulistano, e do grupo Cankro, neste domingo, a partir das 18h (mais informações aqui).

Leandro Lehart no CCSP

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Maior prazer em receber o fundador do Art Popular, Leandro Lehart, neste sábado no Centro Cultural São Paulo, quando, a partir das 19h, ele volta no tempo para homenagear uma de suas maiores influências: o grupo Fundo de Quintal, cujos integrantes remanescentes participarão da apresentação (mais informações aqui).

Ave Miranda!

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Criador do rock gaúcho, produtor dos Raimundos e jurado na TV: Miranda foi fundamental na música brasileira, como eu descrevo neste tributo que escrevi para o UOL. Um trecho:

Jornalista ativo, detectava as pautas ao mesmo tempo em que as fazia acontecer de fato, e assim mudou a cara da música brasileira. Como o próprio Carlos Imperial ou Nelson Motta anos depois, Miranda está umbilicalmente envolvido com a cena de seu tempo e inventou esse pop bizarro e torto que hoje sobrevive à margem da música mais despudoradamente comercial produzida no Brasil.

Tive a felicidade de ser seu amigo e conversei com ele nesta quinta-feira mesmo, quando ele me ligou para falar da péssima fase de saúde que, acreditava, estava saindo. Passamos uma hora no telefone, quando ele me falou do que estava ouvindo (amou a música que a MC Carol lançou homenageando a vereadora assassinada Marielle Franco) e dos planos para após sair daquela má fase. Quase desabei quando, no meio de um show, fiquei sabendo que ele havia morrido, subitamente, entre seus familiares.

É um dos nomes mais importantes da música brasileira dos últimos trinta anos e uma das cabeças mais abertas – e gentis – que pude conhecer. Além de um exímio gozador e de gostar de ver o circo pegar fogo. Fui ao seu velório e ver seu corpo ali sem vida inevitavelmente mexeu comigo, mas logo pensei em sua vozinha contorcida fazendo troça comigo: “Tira um selfie agora comigo, Matias”. Chorei e sorri. Sorri ainda mais ao sair da cerimônia e, na esquina, me deparar com o mesmo Maksoud que Miranda quase havia posto abaixo há um quarto de século. O dia estava claro, o sol forte e bateu uma alegria de saber que ele havia vivido a vida que quis. Sorte nossa.

A íntegra do texto está aqui.

Noites Trabalho Sujo no Clube V.U. | 23.3.2018

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Um pouco de soul music, um pouco de indie rock, um pouco de rock clássico, um pouco de música pop. New wave, grunge, doo wop, samba rock, funk e rock dos anos 80 se misturam na pista comandada por mim, conduzindo o alto astral e as boas vibrações madrugada adentro, a partir da meia-noite de sexta para o sábado. Quem conhece, sabe… 😉

Noites Trabalho Sujo no Clube V.U.
Toda sexta-feira, a partir das 22h
No som: Alexandre Matias
Rua Lavradio, 559, Barra Funda
R$ 10 ou R$ 50 de consumação
Entrada gratuita até à meia-noite
Tel. 3661-2095

Carlos Eduardo Miranda (1962-2018)

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Era uma longa conversa. Miranda ligava e continuava o papo como se não tivéssemos ficado horas, dias ou meses sem se falar. “Matias, velhinho, a gente tem que…” e disparava falando sobre o que estava lhe incomodando e seu plano para contornar esse incômodo, recheando o papo de causos, opiniões e notícias que lhe vinham à cabeça. Conheci Miranda quando ele havia acabado de dar o principal golpe de sua vida – sua transformação de jornalista em produtor musical, no começo dos anos 90, é um dos capítulos mais divertidos tanto do jornalismo quanto da indústria fonográfica brasileira. E apesar de ter se tornado um dos principais produtores do país, nunca deixei de vê-lo – e tratá-lo – como jornalista. Ele fazia pouco, ironizava, mas dava aquela olhadinha de baixo pra cima, apertando os olhos como se estivesse sorrindo, conformado com a vocação de uma das profissões que exerceu em seus longos e bem-vividos 56 anos.

Miranda sabia de tudo que lhe interessava – e sabia da importância da troca, da doação, do contato próximo, dos vínculos afetivos, dos relacionamentos pessoais. Era assim que as notícias e as novidades chegavam para ele: através de uma intensa rede de amigos e contatos, ele era um para-raio de maluquices e de boas vibrações, captando frequências invisíveis ao olho nu e as retransmitindo para o mundo. Sabia que o segredo da vida residia nisso – e o camuflava (ou o cobria) – de cultura, arte, música, cinema, programas de TV, revistas em quadrinhos, bonequinhos, equipamentos, camisas floridas e histórias inacreditáveis. Sorte nossa.

Ele não era só um olheiro de novos artistas, puxando para o holofote bizarrices, maravilhas, estranhezas e talentos inusitados, mas também um sábio dos bastidores, se apropriando de brechas, reinventando a norma, desafiando o consenso, desdenhando dinheiro. Tinha raros desafetos e, mesmo sobre esses, raramente gastava saliva ou neurônio. Preferia espalhar boas novas. Não que gostasse de tudo e não criticasse nada. Miranda guardava seu lado ferino e maldoso para os poucos amigos próximos, destilando um delicioso fel em histórias que rendiam gargalhadas altas. Dois dos milhares de ensinamentos que tive com ele se confundiam numa lógica bem particular: “bata no forte e ajude o fraco” era uma linha de raciocínio irmã de “elogie para todos, critique para poucos”, um credo que deveria ser seguido por todos em um país que não sabe a diferença entre opinião e fato, em que a maioria das pessoas confunde “é bom/é ruim” com “eu gosto/eu não gosto”.

Sabia que ele andava mal de saúde mas não tinha a noção da gravidade. “Vi que tu tinha me ligado, mas naquele dia não dava”, continuou a conversa na manhã desta quinta-feira, quando passamos mais de uma hora ao telefone. Passei-lhe um considerável sabão sobre o péssimo hábito que tinha de sumir quando estava mal e ele dissecou todo o processo que culminaria com sua morte súbita, no fim daquele mesmo dia. “Mas agora tá tudo bem, ontem pela primeira vez saí sozinho, fui cortar o cabelo, aparar a barba”, contava feliz, depois de falar que passou semanas sem conseguir levantar da cama ou mudar de posição no sofá. Tinha sido seu aniversário e ele comemorava a liberdade do dia anterior como um novo começo. “Agora passou a má fase, sempre passa”, disse, pouco antes de eu perguntar se não dava para a gente se encontrar logo – aquelas lorotas deliciosas e o abismo da morte abrindo-se à sua frente me deu uma saudade braba de vê-lo pessoalmente. “Espera passar a Páscoa, eu vou renascer com o Cristo”, ironizou.

Naquele instante, senti a vontade de agradecer-lhe por tudo, uma sensação que me veio logo após a morte de outro mestre e amigo, Kid Vinil. Quando Kid morreu no ano passado vi todos derramando lágrimas e louvando sua importância pelas redes sociais e fiquei pensando em como ele gostaria de ter sabido daquilo tudo. Lamentei não ter dito para ele pessoalmente isso e a sensação de fazer o mesmo com Miranda veio no instante em que ele falou sobre a possibilidade de morrer. Mas pensei que poderia causar uma má sensação, dar ideia de despedida (que eu nem cogitava, tamanha felicidade em sua voz), e deixei pra lá. Só não me arrependo mais porque pude dizer isso pessoalmente quando passei a conviver com ele diariamente no tempo em que trabalhei na Trama. Foi por essa época que Miranda deixou de ser um amigo e virou um irmão – foi por essa época em que a conversa deixou de ser pontual e virou um imenso diálogo, interminável, que não para de ecoar na minha cabeça e nunca terminará. Saíamos para banquetes que duravam horas, passeios de carro por todos os cantos de São Paulo e a pé por diversas cidades do Brasil, sempre puxando um disco, uma HQ, um filme e comentando como se tivesse descoberto a pólvora.

“Matias, velhinho, eu preciso escrever esse livro”, lamentou para mim inúmeras vezes, depois de lembrar, sempre às gargalhadas, de todas as merdas que fazia. “Escreve, porra!”, brigava. “Eu começo a escrever, paro pra ler e fico pensando: ‘mas esse cara se acha!’, se criticava. “Mas Miranda, tu se acha!”, brigava de novo. “Não, cara, você que tem que escrever esse livro, tu escreve bem melhor que eu, fora que tudo que tu escreve fica bonito, parece que aconteceu de verdade. Se eu escrever todo mundo vai ficar achando que é mentira”, gargalhava.

Tá bom, Miranda. Eu escrevo – um dia. Por enquanto vamos deixar a tristeza de lado e o vazio de ter perdido uma figura tão importante num outro plano e nos concentrar em fazer o que ele mais gostava: fazer coisas que se gosta. Essa simples regra pode ter tirado-lhe a vida mais cedo pois era afeito a excessos, mas ajudou-o a reinventar a cultura brasileira, que hoje é o que é muito por seu atrevimento, ousadia e alto astral. É a lição que devemos carregar.

MC Carol 2018: “Eu sou a preta que podia ser sua filha!”

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MC Carol não deixa barato e mais uma vez volta a botar o dedo na ferida, desta vez com a faixa “Marielle Franco”, em homenagem à vereadora carioca assassinada na semana passada, que transforma em um hino contra “o poder machista branco”.

Pesado – como 2018 vem pedindo.

Patife Band no CCSP

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Maior satisfação receber nesta quinta-feira, a partir das 21h, a banda pós-punk do mestre Paulo Barnabé (mais informações aqui).

Cultura como resistência

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“São muitas armas e acho que elas devem ser usadas, essa é a nossa função”, me conta Bia Bittencourt, criadora da Feira Plana, explicando o aspecto multimídia (e multicultural) de seu filhote, a Feira Plana, que agora se rematerializa como um festival para além da mera venda e troca de publicações impressas independentes. O evento chega à sexta edição neste fim de semana, apresenta-se como um festival mais do que uma feira e reúne diversas manifestações culturais, incluindo apresentações musicais, uma mostra de cinema e vários debates e palestras que reforçam a importância da arte e da cultura como ferramenta de resistência, principalmente nesta época que estamos vivendo. A Plana ocupa a Cinemateca nos dias 23, 24 e 25 deste mês (veja a programação completa no site do evento) e eu bati um papo com a Bia num café perto da Paulista (note o barulho) sobre a importância da realização deste evento.

Foto: Thays Bittar

Foto: Thays Bittar

A partir desta edição que a Feira Plana abrange além do impresso?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/plana-2018-a-partir-desta-edicao-que-a-feira-plana-abrange-alem-do-impresso

Como surgiu a ideia do tema desta edição, a volta ao nada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/plana-2018-como-surgiu-a-ideia-do-tema-desta-edicao-a-volta-ao-nada

Então a troca entre curadores acontece durante o evento?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/plana-2018-entao-a-troca-entre-curadores-acontece-durante-o-evento

A questão do consumo te incomoda?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/plana-2018-a-questao-do-consumo-te-incomoda

A Plana tenta buscar formatos menos “produtizáveis”?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/plana-2018-a-plana-tenta-buscar-formatos-menos-produtizaveis

Arte e produção artística é ativismo e resistência no Brasil em 2018?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/plana-2018-arte-e-producao-artistica-e-ativismo-e-resistencia-no-brasil-em-2018

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Como a Feira Plana se banca?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/plana-2018-como-a-feira-plana-se-banca

Qual o papel do artista nesta fase política que o Brasil está atravessando?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/plana-2018-qual-o-papel-do-artista-nesta-fase-politica-que-o-brasil-esta-atravessando

O público brasileiro é conservador? Como você o compara com o da Plana?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/plana-2018-o-publico-brasileiro-e-conservador-como-voce-o-compara-com-o-da-plana

Quais são os destaques desta edição?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/plana-2018-quais-sao-os-destaques-desta-edicao

Yo La Tengo e a calma antes da tempestade

There’s a Riot Going On, o recém-lançado décimo quinto disco do Yo La Tengo, é o álbum menos previsível da banda em anos, por amparar-se, principalmente, na faceta quieta e discreta do grupo. As ondas de microfonia tornam-se horizontais e o disco deságua num oceano de placitude típico dos momentos mais pacatos do trio de Hoboken, mas também acenando para os mares ambient da Europa continental (“Shortwave”, “You Are Here”) e da ilha britânica (“Dream Dream Away”), jazz (“Above the Sound”), doo wop (“Forever”, “Let’s Do It Wrong”), poesia beat (“Out of the Pool”), hinos tristes (“What Chance Have I Got”, “Ashes”, “Here You Are”), bossa nova (“Esportes Casual”) e as baladas típicas da banda (“Shades of You”, “For You Too”, “Polynesia #1”), rompendo, como de costume, as fronteiras entre a música pop, o rock clássico, o punk rock, o indie, o folk e o experimental. A atmosfera suave certamente tem a ver com a nova técnica de gravação que o grupo teve de aprender na marra, depois que a licença do programa de edição de som que usavam expirou e eles não sabiam mais usar a versão mais recente. Mas o mais notável aqui, principalmente em um disco batizado com o mesmo nome de um clássico funk carregado nas cores políticas, é como o aparente sossego sonoro de todas as faixas refletem uma espécie de tensão reprimida, uma espera à espreita mais que um momento de tranquilidade. Todo o disco aperta feridas, mas de leve, como se apenas a lembrança de sua dor fosse necessária para inibir qualquer reação. O trio formado por Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew já era vivo na época do disco original de Sly & the Family Stone e claramente faz os paralelos entre o final dos anos 60 e a época em que estamos vivendo hoje, como se Trump fosse uma versão turbo de Reagan e pudessem nos avisar para não repetirmos o mesmo erro de cinquenta anos atrás.