Papisa no Centro Cultural São Paulo
Rita Oliva lança seu primeiro álbum Fenda nesta quinta-feira, às 21h, no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui). Quem faz o show de abertura é a cantora Yma
Rita Oliva lança seu primeiro álbum Fenda nesta quinta-feira, às 21h, no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui). Quem faz o show de abertura é a cantora Yma
Que satisfação poder receber a cantora cearense Soledad no palco do Centro da Terra, nesta quinta-feira, 24 de outubro, a partir das 20h (mais informações aqui). Ela estende seu disco Revoada, lançado neste ano, num formato narrativo que vai para além do repertório do disco, com participações que incluem nomes como Alzira E, Fernando Catatau, Júnio Barreto, Bárbara Eugenia, Julia Valiengo e vários outros convidados. Conversei com ela sobre o que podemos esperar desta apresentação.
Depois de lançar o primeiro disco com vocais, Vox Populi, no meio do ano, a banda instrumental Nomade Orquestra agora faz o jogo de volta – e relê as mesmas músicas que compôs ao lado de Russo Passapusso, Juçara Marçal, Siba e Edgar sem os vocais. Vox Machina chega às plataformas digitais nesta sexta-feira e o grupo antecipou em primeira mão a faixa “Pinga Fogo”, que trazia Juçara na primeira versão do disco.
“O Vox Machina é o fechamento do primeiro volume da série Vox Populi / Vox Machina. Se no primeiro disco, através dos encontros com Russo, Juçara, Siba e Edgar, tínhamos a voz do povo, chegamos no desdobramento com a voz da máquina, uma imersão e um redescobrimento de nosso modus operandi revelados em oito faixas instrumentais”, explica o baixista Ruy Rascassi. “Foi desafiador chegarmos a esse resultado, pois desde o começo da concepção do Vox Populi com os cantores já estávamos certos que dali precisaria nascer um lado B, e foi aí que descobrimos um novo método de composição, onde fizemos versões instrumentais de nós mesmos”, ri. O grupo mostra seu novo disco domingo agora, dia 27, no Sesc Dom Pedro (mais informações aqui).
Morre um gigante da música de vanguarda brasileira. Walter Franco fez parte de uma linhagem da nossa música que expandiu os horizontes daquilo que foi cogitado pelo tropicalismo no final dos anos 60. Ao lado de artistas como Tom Zé, Jards Macalé, Itamar Assumpção e Jorge Mautner (que o tempo colocou na infame prateleira de “malditos”, coisa que felizmente está mudando), entortava a canção para formatos impensáveis à época, conseguindo atingir o grande público mesmo fazer experimentos que chocavam e confrontavam os padrões. Autor de clássicos como “Canalha!”, “Respire Fundo”, “Cabeça” e “Me Deixe Mudo”, ele compôs duas obras-primas que mantiveram seu nome entre os grandes, mesmo quando ele estava afastado dos holofotes: Ou Não (o disco da mosca, de 1973) e Revolver (1975). Este último – cujo título é o verbo e não a arma, não há acento – é um dos discos mais importantes da música brasileira do século passado e um dos meus discos favoritos. Walter havia sofrido um AVC no início do mês e estava internado desde então – preocupados, amigos e conhecidos esperavam que ele pudesse se recuperar, o que infelizmente não aconteceu.
Pude conhecê-lo no final de 2017, quando tive a oportunidade de agradecer sua importância ao conceber dois shows em sua homenagem no Centro Cultural São Paulo. Propus que ele tocasse seus dois principais álbuns ao vivo em duas apresentações distintas – a primeira dedicada a Ou Não, a segunda a Revolver. Ele preferiu não reler Ou Não pois é um disco essencialmente de estúdio – Walter chamou Rogério Duprat para arranjar o disco e o maestro preferiu picotá-lo e reeditá-lo, transformando-o em um dos primeiros discos cujo principal material foi concebido após a gravação. Assim, em vez de tocar Ou Não na íntegra, sugeriu que tocasse algumas músicas daquele disco – mais fáceis de tocar ao vivo – e outras de seu repertório que não estavam naqueles dois álbuns. Perfeito, assim contemplaríamos todo seu legado.
O fim de semana que chamei de Viva Walter Franco ainda teve a graça de ter uma das datas caindo em seu aniversário de 73 anos e, capricornianos de janeiro eu e ele, rimos da coincidência numérica: os shows festejavam 45 anos de carreira de um autor nascido em 1945 e o aniversário de 73 anos de um artista que lançou seu primeiro disco em 1973. Antes dos dois shows, o jornalista Thales de Menezes, que estava escrevendo a biografia do mestre, entrevistou Walter em frente ao público. Bonachão e tagalera, Walter terminou o segundo show em êxtase, quase sem conseguir falar direito – cercado pelo público no palco da mítica Adoniran Barbosa (na foto abaixo que até hoje está como imagem de capa de sua página no Facebook). Me chamou no canto, depois de cumprimentar os fãs um a um, enxugou os olhos, ajeitou os óculos e me disse baixinho: “Obrigado Matias, esse foi um dos dias mais felizes da minha vida. Que presente que você me deu.” Chorei junto.
Eu que agradeço seu Walter. Por tudo.
Abaixo, a íntegra dos dois shows.
No último encontro da série Sotaques YB que faz parte das comemorações dos 20 anos da gravadora Ybmusic, esta quarta-feira 23 de outubro verá o primeira momento em que o pernambucano Rogerman encontra a paulista Tika no palco do Centro da Terra. Cada um com seu violão, apontam para a introspecção em seus respectivos repertórios (mais informações aqui). Conversei com os dois sobre sotaques e o encontro, além de perguntar sobre a dupla a partir do maestro da gravadora YB, Maurício Tagliari.
Imenso prazer em receber a cantora e compositora moçambicana Lenna Bahule para o palco do Centro da Terra, nesta terça-feira, 22 de outubro, quando ela traz seu grupo Nômade, que ela formou ao lado das cantoras Camila Ronza, Luana Baptista, Victória dos Santos e Lilian Cordeiro e que terá participação do percussionista Kabé Pinheiros e pelo baixista François Muleka (mais informações aqui). O espetáculo A Caminho de Moçambique fala da pesquisa dela entre o Brasil e o continente africano – não apenas o seu país de origem – a partir “da música vocal em coletivo e corpos sonoros em movimento”, como ela me explica na entrevista abaixo.
Frank Ocean vinha dando pistas que lançaria algo novo por esses dias, subindo trechos de músicas novas no YouTube tocadas em sets ao vivo (com remix de Sango – para “Cayendo” – e Justice – para “Dear April“), e agora acaba de lançar um single surpresa, “DHL”, que sai exatamente do ponto em que ele parou no ótimo Blonde.
E muitos já começaram a teorizar que o MC e produtor estaria lançando um álbum aos poucos, a partir da capa do single, que traz um rodapé com algumas imagens que parecem ser silhuetas de Frank Ocean a partir de fotos que ele teria escolhido para representar cada faixa, sendo que a imagem assinalada, a quarta, é a silhueta da foto da capa deste novo single.
Ou seja: “DHL” seria a quarta faixa de um disco com treze canções que Frank já começou a lançar – um novo jeito de se lançar um disco.
O rapper paulistano Emicida dividiu seu próximo disco, AmarElo, em duas partes, e a primeira delas já tem data pra chegar: dia 31 de outubro nas plataformas digitais. Ele divulgou o nome das músicas, as colaborações e a capa dp disco, e impressiona o time que ele reuniu, que tem desde Fernanda Montenegro até Zeca Pagodinho, passando por MC Tha, Fabiana Cozza, Marcos Valle, Pabllo Vittar, Ibeyi e Dona Onete.
“Principia”, com Pastoras do Rosário, Pastor Henrique Vieira e Fabiana Cozza
“Ordem Natural das Coisas”, com MC Tha
“Pequenas Alegrias da Vida Adulta”, com Marcos Valle e Thiago Ventura
“Quem Tem um Amigo (Tem Tudo)”, com Zeca Pagodinho, Tokyo Ska Paradise Orchestra e Os Prettos
“Paisagem”
“Cananéia, Iguape, Ilha Comprida”
“9nha”, com Drik Barbosa
“Ismália”, com Larissa Luz e Fernanda Montenegro
“Eminência Parda”, com Dona Onete, Jé Santiago e Papillon
“AmarElo”, com Pabllo Vittar e Majur
“Libre”, Ibeyi
A capa do disco é uma foto de 1974 feita pela fotógrafa Claudia Andujar, conhecida como uma das principais especialistas na fotografia destas tribos, na aldeia Ianomâmi, em Roraima. “Em se tratando de fotografia, acho que a conquista maior é fazer um pedaço de papel com uma imagem se tornar uma janela”, escreveu sobre a capa nas redes sociais. “Isso faz com que a gente queira pular dentro dos retratos de catástrofes e ajudar de alguma forma, sentir o cheiro de campos cobertos de girassóis ou sentir os respingos de água que passeiam pelo ar após o salto encantador de uma baleia por cima das ondas do mar. Claudia Andujar, com sua imensa sensibilidade, consegue em seus retratos dar um passo além disso. Ela transforma seus retratos em espelhos, de maneira a nos encontrarmos no outro e consequentemente, ele também se encontrar em nós. Meu sonho é conseguir fazer isso com minha música. Ser um ponto de encontro, onde todo mundo se torna um. Foi por isso que escolhi um retrato dela para ser a capa de AmarElo.”
O grupo paulistano Pin Ups convida a banda mineira Miêta para uma noite cheia de melodia e microfonia neste domingo, no Centro Cultural São Paulo, a partir das 18h, quando lança a versão em vinil do ótimo disco que lançaram este ano, Long Time No See (mais informações aqui).