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Vida Fodona #615: O último programa de 2019

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Raspando o tacho do ano.

Tulipa Ruiz + João Donato + Edgar – “Manjericão”
Fountains D.C. – “Big”
Tame Impala – “Patience”
Georgia – “About Work The Dancefloor”
Chromatics – “You’re No Good”
Ariana Grande – “NASA”
Stephen Malkmus – “Forget Your Place”
Caroline Polachek – “So Hot Youre Hurting My Feelings”
Clairo – “Bags”
Caribou – “You and I”
James Blake + Rosalía – “Barefoot In The Park”
Luiza Brina + César Lacerda – “De Cara”
MGMT – “In the Afternoon”
Yumi Zouma – “Right Track / Wrong Man”
Brockhampton – “Sugar”
Lil Nas X + Billy Ray Cyrus – “Old Town Road”
Sharon Van Etten – “Seventeen”
Luedji Luna + Attooxxa + Omulu – “Tô Te Querendo”
Charli XCX + Christine and the Queens – “Gone”
Mura Masa + Slowthai – “Deal Wiv It”
Lizzo – Juice
Francisco El Hombre – “Chão Teto Parede (Pegando Fogo)”
Dua Lipa – “Don’t Start Now”
Little Simz – “Boss”
Nill – “Mulher do Futuro Só Compra Online”
Michael Kiwanuka – “Hero”
The Comet is Coming + Kate Tempest – “Blood Of The Past”
Nomade Orquestra + Juçara Marçal – “Poeta Penso”

A orelha do Nino

O querido Bruno Capelas me chamou para fazer a apresentação de seu livro sobre o Castelo Rá-Tim-Bum, Raios e Trovões (Ed. Summus) e é claro que escrevi mais do que precisava – portanto, abaixo, segue a íntegra do texto que foi parar editado na orelha do livro.

raios-trovoes

Mais do que um sucesso comercial ou um bom sucedido programa infantil para as massas, “Castelo Rá-Tim-Bum” é um fenômeno cultural. Nasceu da experimentações que a contracultura paulistana passou uma década curtindo, dos laboratório de TVs de baixo alcance à performance e à dança, passando pelo Lira Paulistano, pelo cinema da boca do lixo, pela literatura marginal e pelo Teatro Oficina, de onde buscaram inspiração, corações e mentes para compor um programa ao mesmo tempo acolhedor e transgressor, ousado e divertido, metalingüíistico e direto.

“Raios e trovões – A história do fenômeno Castelo Rá‑Tim‑Bum” é um microcosmo de algo que sempre presente na história da cultura brasileira: o momento em que experimentações artísticas provam-se populares, acertando o coração do espectador ao mesmo tempo em que fisga sua inteligência. Sem menosprezar nem ser condescendente com seu público, “Castelo Rá-Tim-Bum” traz sua audiência para a tela, propondo uma cumplicidade inédita que só poderia ser obtida através da metalinguagem que o programa transpirava.

Como Oz, o País das Maravilhas, a Terra do Nunca, o Sítio do Picapau Amarelo e Hogwarts, o Castelo teoricamente é um lugar fictício e fantasioso, em que apenas crianças conseguem entrar por portais mágicos. Este portal é justamente a imaginação e a criatividade, que são colocados em xeque a cada aparição de novo personagem, novo cenário, nova canção. Para isso, foi preciso que uma geração inteira de artistas experimentasse os receosos anos pós-ditadura militar, em que a censura, o autoritarismo e o conservadorismo brasileiro escondiam as garras para fingir que estava tudo bem.

Castelo Rá-Tim-Bum também é mais um dos ingredientes da paulistanização da cultura brasileira, ao lado de fenômenos tão diferentes quanto o futebol paulista, a ida de Fausto Silva para a TV Globo, a ascensão dos Racionais MCs e a criação da MTV – todos estes, diga-se de passagem, umbilicalmente ligados ao espaço de liberdade aberto pelas vanguardas paulistanas dos anos 80.

É essa história que o jornalista Bruno Capelas conta em seu trabalho de conclusão de curso que agora materializa-se livro. Percorre das origens da criação de um programa infantil em uma rede pública de televisão (um ato por si só heroico – e há toda uma tradição nisso) à consolidação de uma linguagem moderna e ousada em grande escala. É o equilíbrio entre ser família e ser vanguarda que tornou Castelo Rá-Tim-Bum tão central no inconsciente coletivo brasileiro no final do século passado e é essa história que Capelas, um dos caçulas da geração do jornalismo pop da internet brasileira, conta tão bem em “Raios e Trovões”.

2020 mais caro

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Quase no finzinho de 2019, a revista da UBC pediu para que eu conversasse com empresários e produtores sobre o impacto da alta do dólar no mercado da música independente no Brasil – e conversei com Fabrício Nobre, Ana Garcia, Andre Bourgeois, Ricardo Rodrigues, Bruno Boulay e Gabriel Thomaz sobre como este cenário mexe com diferentes camadas do cenário em 2020. Confere lá no site deles.

Os melhores shows nacionais de 2019

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Tanto o Guia da Folha quanto o Divirta-se do Estadão me chamaram para votar nos meus shows brasileiros favoritos de 2019 – e o critério que usei foi não incluir os shows que pautei tanto no Centro da Terra quanto no Centro Cultural São Paulo. Assim, cheguei a estes três shows: Alessandra Leão no Auditório Ibirapuera, Thiago França convidando Tony Allen no Sesc Pompéia e Ana Frango Elétrico no Sesc Av. Paulista.

Alessandra Leão @ Auditório Ibirapuera
24 de outubro de 2019

“A percussionista pernambucana nos convida a uma viagem pela hisatória da música brasileira através do terreiro que é seu disco Macumbas e Catimbós.”

Thiago França + Tony Allen @ Sesc Pompeia
22 de março de 2019

Um embate entre dois pesos pesados do groove – um no sax e outro na bateria – que logo se transformou em uma nave espacial para a quinta dimensão.

Ana Frango Elétrico @ Sesc Av. Paulista
18 de outubro de 2019

Mutante hipster vintage bossa nova é o disfarce da vez da poeta, produtora e musicista carioca.

A foto da capa

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Teago Oliveira, Douglas Germano, Chico César, Alessandra Leão, Jards Macalé, Emicida, Rakta… Conversei com alguns dos autores das melhores capas de disco com fotografia de 2019 em uma matéria para a revista Zum – leia lá.