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Vida Fodona #642: Festa-Solo (18.5.2020)

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Este programa foi gravado ao vivo na segunda passada.

Rita Lee & Tutti Fruti – “O Toque”
Mangalarga – “A Merda Que Você Fez”
Stevie Wonder – “I Wish”
Funkadelic – “One Nation Under a Groove”
BNegão & Os Seletores de Frequência – “V.V.”
De Leve – “Eu Rimo na Direita”
Lorde – “Royals”
Joy Division – “She’s Lost Control”
Pere Ubu – “Navvy”
Gang of Four – “Damaged Goods”
Plebe Rude – “A Minha Renda”
Devo – “Whip It”
Talking Heads – “Cities”
David Bowie – “Let’s Dance”
Christina Aguillera – “Genie In a Bottle”
Shaggy – “It Wasn’t Me”
TLC – “Waterfalls”
Nelly Furtado + Timbaland – “Promiscuous”
Hot Chip – “Ready For The Floor”
Tame Impala – “Let It Happen (Soulwax Remix)”
Sarah Love – “Lets Get Physical”
Dua Lipa – “Break My Heart”
Daft Punk + Giorgio Moroder – “Giorgio by Moroder”
Sade – “Paradise”
Letrux + Lovefoxx- “Fora da Foda”
Portishead – “All Mine”
Rihanna – “Kiss It Better”

O “fogo” de David Lynch

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O mestre David Lynch, ativo nestes dias de quarentena mantendo seu próprio programa de meteorologia diário em seu canal no YouTube (falei disso lá no #CliMatias, não tá acompanhando não?) Nosso cineasta favorito publica online seu curta de animação de 2015, o esquisito e envolvente Fire (Pozar).

Escrito, desenhado e dirigido por nosso cineasta favorito, o filme cutuca uma série de elementos caros à sua filmografia, desde o título. Mas além do fogo, há o arco do topo do palco que ilustra seu canal e com o qual ele anunciou o curta num tweet, e que funciona como metáfora para o cinema como linguagem, unindo referências do lado sobrenatural de Twin Peaks ao Club Silencio de seu Cidade dos Sonhos. Neste palco, vemos a criação do fogo e sua influência em nosso imaginário, em que Lynch faz uma conexão abstrata e surrealista entre tecnologia e arte, como se reforçasse que a linguagem audiovisual – eis que surge apenas um olho e um ouvido – fosse o centro do legado humano, unindo estas duas pontas distintas.

É claro que isso é uma interpretação minha – como sempre na obra de Lynch, tudo está em aberto em Fire (Pozar) e é sua natureza experimental e abstrata que o torna tão específico. Com trilha composta pelo polonês Marek Zebrowski e animação feita pelo japonês Noriko Miyakawa, é uma versão artesanal e branda de sua mensagem, estranha e envolvente como sempre.

National solo

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O primeiro disco solo do vocalista do grupo norte-americano The National, Matt Berninger, foi anunciado há quase seis meses, mas só agora ele começou a mostrá-lo. E quem abre os trabalhos é justamente a faixa-título, Serpentine Prison, que deixa clara a interferência do inusitado produtor que o compositor chamou para conduzir este disco: ninguém menos que o mestre Booker T. Jones, tecladista que liderada o clássico grupo Booker T. & The MGs, a alma dos discos da gravadora Stax, um dos berços da soul music. Os arranjos de metais e os imortais teclados esparramados dão uma bossa e um groove, ainda que lento, que distancia este seu novo trabalho, embora o DNA inevitavelmente seja o mesmo das canções de seu grupo. Uma bela introdução.

O disco, cuja capa (abaixo) também foi mostrada junto com o single, será lançado em outubro, pelo selo Concord Records, fundado por Matt e Booker T. Nada mal.

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Mangalarga vem chegando…

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O casal Julia Debasse e Rian Batista resolveu assumir a dupla musical que já vinham incubando desde que morava no Rio de Janeiro. Mas a mudança para Fortaleza, em 2016, acabou acelerando este processo e o baixista do grupo Cidadão Instigado finalmente lança seu primeiro trabalho autoral depois de ano tocando com alguns dos principais nomes da atual música brasileira. Assumindo o nome de Mangalarga (“A Julia ama cavalos e me chama assim”, ri Rian), os dois lançam o primeiro single, “A Merda Que Você Fez”, em primeira mão no Trabalho Sujo e contam, numa troca de emails, a história deste processo criativo.

“O grupo nasceu no Rio de Janeiro, mas só atingiu sua configuração atual aqui em Fortaleza”, começa a recapitular Júlia. “Eu e Rian começamos a compor de forma bem descompromissada em 2011 ou 12, pouco depois de nos casarmos. Nós juntamos essas canções novas com composições mais antigas e começamos a brincar de arranjá-las no computador, usando sintetizadores do Garage Band.” Morando no Rio, Rian fez alguns trabalhos para a Globo, enquanto seguia com o Cidadão Instigado e depois de anos tocando com a banda do trio Instituto, liderada pelo maestro Ganjaman. “Vi nascer artistas que estão hoje aí com carreiras consolidas: Céu, Criolo, Karina Buhr, Emicida, Tulipa Ruiz, Vanessa da Mata”, além de passar treze anos tocando com Otto e do Mockers. Júlia, por sua vez, já havia dividido um disco com outro Cidadão Instigado, o guitarrista Regis Damasceno, em seu projeto indie folk Mr. Spaceman, Work For Idle Hands To Do, mas trabalha em artes visuais.

“Foi só quando nos mudamos para Fortaleza, em 2016, finalmente admitimos que precisávamos de ajuda para transformar aquelas ideias embrionárias em algo mais concreto”, continua a vocalista. “Falamos com o Daniel Groove que super comprou a bronca e juntamos a banda que ja vinha acompanhado o Daniel em algumas produções e da qual o Rian fazia parte: o compositor e guitarrista Bruno Rafael na guitarra, Beto Gibbs na bateria/SP-10, Rian no baixo. A ideia é que a banda tenha dois vocalistas mesmo, então tem músicas que eu canto, enquanto em outras o Rian canta. Eu também toco guitarra e violão.”

“Em Fortaleza reencontrei o Daniel Groove, que me chamou para coproduzir alguns artistas da nova cena cearense, como Ilya e Nayra Costa”, segue Rian. “A Julia é compositora desde adolescente, fez algumas gravações muito nova, tocou no Rio, mas nunca chegou a lançar nada, mas jamais deixou de compor. Tanto que nós usamos músicas dela que ela fez antes mesmo de me conhecer.”

“A Merda Que Você Fez”, mesmo sendo uma das músicas mais antigas da dupla, foi escolhida por conversar com a época que estamos vivendo. “É uma canção que funciona em dois níveis, como canção de amor e como canção de protesto, ou pelo menos essa era a intenção da compositora”, ri Júlia. “Eu acho que também mostra bem ao que viemos no sentido de que é uma canção inegavelmente pop, dançante, mas que tem algumas esquisitices, algumas quinas, arestas – seja na letra, seja nas guitarras do Catatau.”

Sem planos em relação a um álbum, eles planejam mais um single para daqui uns meses, uma canção romântica escrita por Rian, embora já tenham material para um disco. Sem poder fazer shows por conta da quarentena, vão se dedicar a divulgar o trabalho online. “Vamos fazer lives, que é o que se faz agora. Temos dois pequenos contratempos, um de quase 3 anos e outro de 9, mas vai dar certo. Eles são bonitinhos!”, brincam.

A importância do Felipe Neto no Roda Viva

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A entrevista que Felipe Neto deu ao Roda Viva nesta segunda-feira não é importante só pelas questões políticas que levantou. Esquece esse papo de “nova liderança política” ou que ele talvez seja de esquerda – ele mesmo se posiciona entre o Ciro e o Amoedo, o que o tira para longe de qualquer alinhamento ideológico vermelho. A entrevista foi importante do ponto de vista comportamental.

O Brasil é um país que finge que não fala palavrão e onde a imprensa não declara voto, o que torna a visão da realidade quase sempre turva, só para ficar em dois exemplos rasos. Com quase uma década de traquejo de vídeo, Felipe vestiu a carapuça de YouTuber bem sucedido para ser recebido pelo programa de entrevistas da TV Cultura e seu sucesso empresarial é crucial para trazê-lo para este debate – não apenas seu impacto cultural. E ele usou isso como seu cavalo de Tróia para levantar questões que, quando vemos sendo tratadas na mídia convencional, sempre vêm cheias de dedos ou são tratadas como nichos esquisitos.

Felipe Neto falou sobre chamar o fascismo e o golpe de 2016 por estes nomes, algo que fez vários jornalistas menosprezarem sua fala como se ele fosse apenas um adolescente – ele tem 32 anos. Ele também criticou o paywall destas mesmas empresas e falou sobre o problema da CNN Brasil com todas as letras. Contou como parou de comer carne, zombou da noção de meritocracia e atacou a intolerância, o machismo, a homofobia e o racismo.

Tudo parece óbvio e é exatamente este meu ponto – na imprensa comercial, não é. Tudo que o YouTuber falou é repetido por centenas de milhares de pessoas no Brasil rotineiramente, mas não encontra eco nos meios de comunicação. Ou quando aparece, são tratados de forma isoladas, como se fossem realidades separadas, não parte de uma mudança maior que já está em andamento. Fala-se muito – demais até – sobre a onda reacionária que invade o mundo, mas estas transformações personificadas em Felipe, e em vários outros influenciadores, digitais ou não, deste século, estão em andamento, mas não são reconhecidas pela mídia convencional.

TVs, rádios, jornais e revistas continuam tratando a internet como um mundo à parte, um parque de diversões virtual, uma vida paralela, quando é notório que foi ela quem elegeu o pulha que hoje ocupa o Planalto e vem desconstruindo completamente nosso dia-a-dia, para o bem e para o mal. Ao aparecer no programa como uma típica cria da internet – e mostrando que ele não é um esquisito, nem um nerd, nem um bitolado, Felipe Neto conseguiu furar a bolha da mídia tradicional para mostrar que a internet é maior do que este retrato frio e sem graça que a mesma retrata em suas páginas e programas, fingindo que nada mudou.

Mas tudo mudou.

Bom Saber #002: Roberta Martinelli

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Eis o segundo Bom Saber, programa semanal de entrevistas que estreei na semana passada, lá no meu canal do YouTube (não assina ainda? Assina lá!). E chamei minha querida comadre Roberta Martinelli para continuar o papo da primeira entrevista sobre as transformações que estão acontecendo em nossas vidas – e especificamente na cultura, mas não só – a partir deste caos que está nos atravessando em 2020. E além de falar das mudanças em sua rotina pessoal e profissional (com participação da minha sobrinha do coração Rosa), ela também fala de experiências que teve tanto em lives quanto em um curso via WhatsApp e uma peça que começa pelo telefone. Diga lá, Rô!

Não custa lembrar que quem colabora com o meu trabalho recebe a entrevista ainda no sábado (pergunte-me como no trabalhosujoporemail@gmail.com), mas toda terça, ele é aberto para todos.

Khruangbin ainda mais sussa…

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Conhecendo a natureza da sonoridade do trio norte-americano de funk dub psicodélico Khruangbin, era claro que seu próximo disco seguiria o clima tranquilo e despreocupado dos trabalhos recentes, mas a partir dos dois singles que anunciam o lançamento de seu terceiro álbum, Mordechai, que deve chegar para os fãs dia 26 de junho (e já está em pré-venda), o grupo mostra que consegue deixar as coisas ainda mais sussa. Além dos suingue sinuoso de sua formação, o grupo ainda flerta com sonoridades de todo o mundo – do oeste africano, do oriente médio, do leste asiático, das ilhas caribenhas – a partir de um tripé bem estabelecido: a guitarra clara e deliciosa de Mark Speer, o baixo encorpado e redondo de Laura Lee Ochoa e o peso funky e preciso da bateria de Donald Ray “DJ” Johnson Jr. As duas faixas que o grupo já mostrou do próximo disco (“Time (You and I)” e “So We Won’t Forget”), flagram o trio ainda mais tranquilo, contagiando qualquer ser vivo com seu groove doce e hipnótico.

Abaixo, a capa do novo disco e o nome das músicas do álbum.

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“First Class”
“Time (You and I)”
“Connaissais de Face”
“Father Bird, Mother Bird”
“If There Is No Question”
“Pelota”
“One to Remember”
“Dearest Alfred”
“So We Won’t Forget”
“Shida”

Falando sobre os anos 80…

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Os meninos do podcast Vamos Falar Sobre Música – Cleber Facchi, Isadora Almeida, Nik Silva e Helô Cleaver – me chamaram para participar do programa deles da semana passada, em que eles falam sobre a influência da década de 1980 no pop atual, a partir dos discos recentes da Dua Lipa e do Weeknd. O programa ficou ótimo, saca só:

Vida Fodona #641: Um filhote do Vida Fodona

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Ao vivo, com hora marcada: nesta segunda, às 21h – lá no twitch.tv/trabalhosujo.

Chromatics – “You’re No Good”
Mamhundi – “Outono”
Tulipa Ruiz – “Pedrinho”
N*E*R*D + Rihanna – “Lemon”
Childish Gambino + Ariana Grande – “Time”
Happy Mondays – “Step On”
David Bowie – “Sound and Vision”
Taylor Swift – “Out of the Woods”
Kate Bush – “Running Up the Hill”
Phoenix – “If I Ever Feel Better”
Metronomy – “I’m Aquarius”
New Young Pony Club – “Ice Cream”
Nicolas Jaar – “Mi Mujer”
Cassiano – “Onda (Poolside + Fatnotronic Remix)”
O’Jays – “Back Stabbers”
Evinha – “Esperar pra Ver”
Gal Costa – “Meu Bem Meu Mal”
Pepeu Gomes – “Sexy Iemanjá”
Rita Lee – “Jardins Da Babilônia”
Lionrock – “Rude Boy Rock”
Scientist – “African Daughter Dub”
Nação Zumbi – “Nebulosa”
Lauryn Hill – “Doo Wop (That Thing)”
Klaxons – “No Diggity”
T. Rex – “Bang A Gong (Get It On)”
Sublime – “Smoke Two Joints”
Aloe Blacc – “I Need A Dollar”

Mais uma de 1

Luke-Jenner

“‘If There is a God’ é parte desta meditação sobre vida e morte, amor e ideias, sobre quem somos como pessas e seres”, o líder do Rapture, Luke Jenner, explica na descrição do clipe da segunda faixa que mostra de seu primeiro disco solo, batizado apenas de 1. “É um pouco Beach Boys e um pouco Krautrock e um tantinho banal. Quem diabos sabe o que vai acontecer depois nessa vida?” Como o primeiro single do disco, a melancólica “You Are Not Alone“, esta nova faixa aponta para um disco mais intimista e com ares nostálgicos.

1, que já está em pré-venda, será lançado no final de julho.