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Tame Impala ♥ Geese

O senhor Tame Impala também pegou a febre Geese. Kevin Parker convidou o grupo nova-iorquino, que está passando com sua turnê pela Austrália, para fazer um som junto com alguns de seus conterrâneos num estúdio na cidade em que mora, Perth. O encontro se tornou notícia porque o tecladista que acompanha o Geese, Sam Revas, postou um vídeo de segundos que mostra o baixista Max Bassin e a guitarrista Emily Green tocando com Kevin Parker, que trouxe integrantes de outras bandas australianas talvez para não ficar em minoria, incluindo Nick Allbrook, Jay Watson e James Ireland da banda Pond e Ambrose Kenny-Smith do King Gizzard and the Lizard Wizard. E o vídeo foi seguido de alguns outros vídeos curtos na vertical que apareceram pelas redes sociais. O encontro não é propriamente inédito e os integrantes destas bandas já se conhecem – o próprio Geese já excursionou com o King Gizzard. Mas não dá pra saber se isso vira uma colaboração de fato ou é só uma tarde de som à vontade, que é o que parece. Nota-se principalmente a ausência do vocalista Cameron Winter, o que inevitavelmente tornaria uma colaboração entre os dois grupos uma bela experiência sônica, num dueto imaginário entre o timbre grave e desengonçado de Winter e o falsete quase moleque de Parker. A conexão foi feita… e registrada!

Assista abaixo:  

Centro da Terra: Março de 2026

Passou o Carnaval e agora não tem desculpa: 2026 começou de vez. E para deixar isso bem claro, eis a programação de música do Centro da Terra de março, que começa com a primeira temporada do ano, quando Sophia Chablau se apossa de todas as cinco segundas do mês para mostrar músicas com diferentes parceiros em uma temporada que batizou de Guerra. Na primeira segunda, dia 2, ela reúne seu grupo Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo para mostrar músicas que estarão no terceiro álbum da banda. A partir da semana seguinte, ela reúne duplas de feras sempre acompanhadas por ela na guitarra, Marcelo Cabral no baixo e Theo Ceccato na bateria. No dia 9 ela recebe Kiko Dinucci e Jonnata Doll, no dia 16 vem com Juçara Marçal e Dora Morelenbaum, dia 23 traz o casal Ava Rocha e Negro Leo e encerra esta Guerra ao lado de Vítor Araújo e Zé Ibarra. Na primeira terça do mês Paulo Padilho e seu filho Kim Cortada apresentam o espetáculo inédito Filho de Peixe, quando dividem o palco apenas com vozes, violão e percussão. Na terça seguinte, dia 10, Juliano Abramovay volta mais uma vez ao teatro, tocando seu violão de 7 cordas e alaúde ao lado da violoncelista holandesa Chieko e da cantora palestina Oula Al Saghir em uma noite batizada de Cartografias da Escuta. Depois, dia 17, é a vez do trio paulistano Saravá mostrar as músicas de seu disco de estreia no espetáculo Última Parada, quando receberão vários convidados. Dia 24 é a vez do produtor e multiinstrumentista L_cio mostrar a apresentação Vértice: Ato Único ao lado do percussionista e trombonista Bica e da cantora Nayra Costa. A programação encerra-se no último dia do mês, 31, quando o produtor e instrumentista Victor Kroner mostra pela primeira vez suas próprias canções no espetáculo Entrepulso. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

Orwell de olho…

A cena acima passa rapidamente no ótimo documentário Orwell: 2+2=5, de Raoul Peck, autor do brilhante Eu Não Sou Seu Negro, sobre James Baldwin (2016), e da arrasadora série Exterminate All Brutes, sobre colonização e genocídio (2021). Ao contar a história sobre como George Orwell criou seu 1984, ele acaba se aprofundando nos regimes autoritários do século passado ao mesmo tempo em que estes funcionam como aprendizado para regimes da mesma natureza que surgiram décadas depois. E quando disseca os lemas do Ministério da Verdade do romance, se aprofunda em como estes lemas evoluíram nos últimos anos: em Liberdade é Escravidão ele aponta para o neoliberalismo das últimas décadas, em Guerra é Paz fala sobre a máquina bélica onipresente em nossos dias e em Ignorância é Força mistura tanto desinformação quanto monopólios de comunicação modernos. É quando surge, entre outras, a singela imagem do grupo empresarial que bem conhecemos. Filmaço, mas prepare o estômago pra ir, porque apesar de falar sobre um livro de 1948 à luz de 2025, ele bate ainda mais pesado a partir das revelações estarrecedoras deste início de 2026.

Lana Del Rey entre um conto de fadas e um filme de terror

Eis “White Feather Hawk Tail Deer Hunter”, nova amostra do próximo disco de Lana Del Rey, que foi adiado algumas vezes e até onde sabemos se chamará Stove. Mas o que antes foi anunciado como um disco country parece estar tomando rumos inesperados, especificamente a partir da nova faixa, lançada nesta terça, em que ela aparece entre um conto de fadas e um filme de terror, rimando letras que fazem mais referência ao seu próprio imaginário autoral do que ao cânone da cultura caipira dos EUA. Ela difere completamente das duas músicas anteriores que havia lançado no ano passado – as belas “Henry, Come On” e “Bluebird” – e aponta mais dúvidas do que certezas em relação ao seu próximo álbum, o que é bom, principalmente quando falamos de Lana. Sua natureza rebelde e inconstante é parte de sua aura musical e com o novo single ela dá um cavalo de pau mental em seus fãs parecido com o que deu há dois quando lançou os sete minutos de “A&W” um mês antes do ótimo Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd. Talvez Stove (se é que realmente manterá esse título, apesar da palavra ser citada na letra da nova música) seja algo completamente diferente do que a expectativa do novo álbum parecia prever. O que, reforço, é sempre uma boa notícia.

Ouça abaixo:  

Carnaval fritação

Uma segunda de Carnaval tão improvável quanto insana – assim foi o Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita, quando reunimos duas amostras da melhor nova fritação musical paulistana atualmente. A noite começou com o prog jazz do Besta Fera, que reúne dois integrantes da Mee – o guitarrista Arthur Sardinha e o baterista João Pedro Dentello – ao tecladista André Damião e ao baixista absurdo Tom dos Reis, encontrando uma incerta encruzilhada instrumental entre o jazz funk, o prog metal e o fusion, com tempos quebrados e timbres pesados. E pensar que era só o começo da noite…

Depois veio o sexteto Pé de Vento, segundo show do baixista Tom dos Reis na noite, quando ele tocou ao lado do baterista Tommy Coelho, desta vez tocando guitarra, do impressionante Antonio Ito na batera, do ás das teclas Pedro Abujamra, o violão preciso de Arthur Scarpini e os sopros – e o carisma irrefreável – de Leonardo Ryo. Jazz brasileiro com “a” aberto e “j” maiúsculo, o grupo passeia por composições instrumentais próprias que abrem solos maravilhosos para todos seus integrantes, que comportam-se ainda mais afiados quando atacam ao mesmo tempo. Além dos próprios temas, o grupo ainda passeou por suas já conhecidas versões para Arthur Verocai (“Dedicada a Ela”) e Milton Nascimento (“Vera Cruz”), além de voltar com “Cissy Strut”, dos Meters, no bis. Absurdo!

#inferninhotrabalhosujo #bestafera #pedevento #aportamaldita #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 024 e 025

Jeff Tweedy ♥ Cameron Winter

Jeff Tweedy também é time Geese – e escolheu uma música do recente disco solo do vocalista da banda indie sensação da vez para comemorar o dia dos namorados nos EUA em sua newsletter. Dedicando sua versão de “Love Takes Miles” para sua esposa Sue Miller, ele enaltece também a canção de Cameron Winter, dizendo que ela é “comovente para uma pessoa tão jovem lançar no mundo”, além de defender o Geese apesar de dizer que “muita gente tem muitas opiniões sobre eles”. Tweedy despe a épica e atordoada balada de Winter de seu arranjo new wave tocando-a apenas no violão e revelando toda a doçura sob a assertividade da versão original. “É o tipo de amor que faz o chão sob seus pés ficar mais firme e as cores mais fortes”, escreve o vocalista do Wilco, desejando um feliz dia dos namorados, mesmo que seja uma data de mentira, “afinal amor nunca é mal, especialmente agora. Pode ficar pior e quase sempre fica. Sigamos.”

Ouça abaixo:  

R.E.M. nos Simpsons!

O R.E.M. é outra ex-banda que está só ciscando repercussão pra ver se vale a pena voltar aos palcos e dessa vez seu vocalista Michael Stipe voltou aos Simpsons depois de um quarto de século (quando participou do episódio Homer the Moe, em 2001) para cantar uma versão de sua baladaça “Everybody Hurts”. Depois de cruzar a barreira dos 800 episódios, o desenho animado encerrou sua 37ª (!) temporada com um desenho chamado Homer? A Cracker Bro? em que o pai da família amarela se une com o pai de Milhouse, Kirk Van Houten, para criar uma empresa de bolachas que não soltam farelos e o sucesso da empresa acaba por deixar o sócio de Homer deprimido. É aí que surge o próprio vocalista do R.E.M. Michael Stipe cantando uma paródia de sua música original com trocadilhos infames como “at night you snack alone”, “don’t let yourself choke just because your mouth is dry” e “Everybody Kirk’s, crumb times”. Volta, R.E.M.!

Assista abaixo:  

Pulp chegando perto…

Não brinca com a gente, Jarvis Cocker! O Pulp acaba de anunciar quatro datas na América Latina — dia 2 de junho na Cidade do México, dia 6 em Bogotá, dia 8 em Santiago e dia 12 em Buenos Aires —, mas nada do Brasil ainda. Não custa lembrar que a melhor banda do britpop já passou pelo nosso continente sem pisar por aqui em outra ocasião. Tomara que em breve eles anunciem um “VOCÊ MERECE MAIS” em português. Vem Pulp!