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Nedra Talley Ross (1946-2026)

Nedra Talley Ross, última sobrevivente das Ronettes, o grupo pop de garotas que estabeleceu este formato, morreu neste domingo. Mesmo não tendo a fama que suas primas Veronica e Estelle Bennett conseguiram, ela foi quem mais resistiu à volta do grupo aos palcos, que foi tentada várias vezes depois que o trio encerrou suas atividades em 1966. Apadrinhadas pelo mago da produção pop do início dos anos 60 Phil Spector, elas têm um lugar na história da música gravada graças ao clássico “Be My Baby”, mas seu repertório é um dos mais sólidos daquela primeira fase da soul music. Nedra deixou a banda depois que Spector queria tornar Veronica – que se tornaria sua esposa e adotaria o nome artístico de Ronnie Spector, inspirando musas de todas as épocas desde Diana Ross a Amy Winehouse – e sua conversão para a religião a distanciou da música pop, trazendo-a para a música evangélica, onde gravou um disco e alguns singles em 1978. Ela só voltou a reunir-se com suas ex-companheiras de banda em duas ocasiões: ao mover um processo contra Phil Spector no início do século e ao ser entronizada no Rock and Roll Hall of Fame em 2007, quando foram apresentadas pelo rolling stone e fã Keith Richards. Estelle morreria dois anos depois e Ronnie morreria em 2022.

“Drop Dead” só na voz e violão

Na semana passada ela estava no Coachella dividindo vocais com a Addison Rae, na sexta agora ela tocou só com sua guitarra no The Echo em Los Angeles e chamou a Weyes Blood pra uma música inédita e no domingo ela apareceu num pequeno clube de microfone aberto da vizinhança hipster de Nova York para cantar seu novo single “Drop Dead” acompanhada apenas por uma guitarra. E assim, com um show no minúsculo Pete’s Candy Store em Williamsburg, Olivia Rodrigo vai aumentando a expectativa para seu terceiro álbum, You Seem Pretty Sad For A Girl So In Love. Vai longe…

Assista abaixo:  

King Gizzard & The Lizard Wizard eletrônico!

“Álbum feito”, anunciou o grupo King Gizzard & The Lizard Wizard em sua conta no Instagram ao som de beats eletrônicos e com imagens de synths em fúria, o que indica que depois do soberbo e psicodélico delírio orquestral Phantom Island que lançaram no ano passado (um dos melhores de 2025, fácil), eles finalmente estão vindo aí com seu disco de techno! Em breve, online – com a exceção do Spotify, de onde o grupo tirou quase toda sua discografia no ano passado.

Assista abaixo:  

Hayley Willams no Brasil!

Oba lá vem ela! Hayley Willams acaba de anunciar que trará sua turnê The Hayley Williams Show para o Brasil no final do ano, quando se apresenta no Espaço Unimed no dia 12 de novembro, em São Paulo. Os ingressos começam a ser vendidos na semana que vem, mas ela já criou um site para os fãs se cadastrarem antes antes pra evitar ingressos falsificados – clique aqui para fazer a pré-inscrição.

Celebração no Dragão do Mar

Passei o fim de semana em Fortaleza, quando pude assistir ao festival de aniversário do centro cultural Dragão do Mar, um dos mais importantes do Brasil, que completa 27 anos que fez do grande evento um novo momento. O festival também aconteceu junto do 300º aniversário da capital cearense e do aniversário de 60 anos da secretária de cultura estadual, que gere o aparelho, e calhou também de ter como principal atração o show de lançamento do novo disco do Cidadão Instigado, que também fazia aniversário, com 30 anos de banda. Fernando Catatau trouxe ao palco uma formação novíssima de sua banda, incluindo os veteranos Dustan Gallas (baixo) e Clayton Martin (bateria), o baterista eletrônico Samuel Fraga (que vinha tocando nos shows solos de Fernando) e as novatas Anna Vis (sample, guitarra e vocais) e Rubi Assumpção (vocais e percussão) e tocou quase todas as músicas do recém-lançado álbum. O fato do show ter sido em Fortaleza trouxe uma carga emocional forte e o público que lotou a Praça Verde se jogou na apresentação, cantando tudo. A escolha de específicas músicas anteriores (como “Urubus”, ‘Contando Estrelas”, “Lá Fora Tem” e “Te Encontra Logo”, entre outras) ajudaram o público a entender ainda mais o salto do novo trabalho. O festival ainda contou com a primeira apresentação do recém-lançado novo disco de Buhr, Feixe de Fogo, que, como o Cidadão, priorizou as músicas novas (incluindo uma participação soberba de Moon Kenzo, que cantou “70 Cigarros” com Buhr e sua “Não é Carnaval”) e trouxe músicas dos dois discos anteriores (como “Pic Nic” e “Dragão”) para equilibrar a apresentação fulminante. O festival ainda teve o projeto Iracema Sounds, que trouxe novas vocalistas cearenses, como Ayla Lemos, Joana Lima, Zabeli, Di Ferreira e Mumutante (esta o destaque da apresentação). E entre os vários outros shows do festival, vale falar da apresentação da pernambucana Priscilla Senna, ex-vocalista da banda Musa do Calypso, que trouxe o hino da sofrência “Alvejante” para delírio do público que lotou o Dragão do Mar. Em breve falo mais.

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Depois das Coisas Estranhas…

Os catarinas tão vindo… de bike! Depois de um EP celebrando Daniel Johnston, o grupo florianopolitano Exclusive Os Cabides acaba de anunciar que viram a página do ótimo disco Coisas Estranhas com o anúncio de mais um EP, este autoral, que será lançado em maio e vem puxado pela música “Bicicleta”. Com inspiração sydbarretiana e uma pegada mais rock do que o indie sossegado dos dois primeiros discos, o novo single parece apontar um futuro interessante para o grupo de Santa Catarina.

Ouça abaixo:  

O segundo passo da Tubo de Ensaio

A promissora banda prog paulistana Tubo de Ensaio começa a preparar seu segundo momento. Depois do ótimo Endoefloema lançado no ano passado, o sexteto formado por Manuela Cestari (vocais), Lorenzo Zelada (guitarra), Lorena Wolthers (teclados e synth), Francisco Barbosa (baixo), Gabriel Gadelha (sopros) e Gabriel Ribeiro (bateria) começa a ir além de suas raízes psicodélicas para abraçar influências eletrônicas e começam a mostrar essa nova fase a partir deste domingo, quando lançam o primeiro momento desta nova fase com o single “Tristes Cadeiras”, que antecipam em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Uma marca fundamental das novas músicas é a utilização e experimentação dos instrumentos e pedais construídos pelo guitarrista Kabeça de Lâmpada, o Lorenzo Zelada, em específico a maleta drummachine analógica apelidada de Júpiter” me explica a vocalista Manu, que diz que o disco será gravado, produzido e mixado por eles mesmos e o novo single traz tanto o influência de jazz fusion dos anos 80 (explicitado na hipnótica linha de baixo do Fran) e com o pezinho no drum’n’bass, sem perder a aura de sonho do disco de estreia. Coisa fina.

Ouça abaixo:  

Olivia Rodrigo + Weyes Blood?!

Logo após o lançamento do single alto astral que inaugura a nova fase de Olivia Rodrigo e de Weyes Blood vir a público dizer que está vindo com disco novo, as duas se reuniram no palco do The Echo para cantar uma música inédita em uma apresentação intimista que Olivia fez na casa de shows em Los Angeles, nos EUA. A apresentação aconteceu nesta sexta-feira, quando Olivia convidou poucos fãs e amigos para o show, em que todos tiveram que guardar seus celulares e que ela tocou músicas de seus dois discos, o novo single “Drop Dead” duas vezes e uma música ainda sem título, considerada pelas testemunhas sua música mais emocionalmente devastadora e que a própria Olivia disse que é boa para o karaokê se você estiver triste. E para esta música nova ela convidou Weyes Blood para fazer os vocais de apoio, mas não confirmou se ela estará no disco. E seguimos esperando…

Indie paulistano em dois tempos

Duas instâncias do novo indie rock paulistano passearam pelo Inferninho Trabalho Sujo nesta quinta-feira, no Picles. A noite começou com Isabella Sartorato subindo pela segunda vez no palco da festa e a evolução desde a primeira apresentação, em novembro do ano passado, quando fez seu primeiro show autoral da vida, pode ser traduzida pelo fato de que ela não só está lançando seu primeiro single (a grudenta “Os Meninos”, com a qual encerrou o show) como deixou de assinar com seu próprio nome, batizando a banda que a acompanha (formada, nesta ocasião, pelo baterista João Vítor Aredes, pelo baixista Fran Nogueira e pelo guitarrista João Di Pierro), com o nome que seus amigos se referem a ela, Isinha. E além da presença de palco que ela vai afiando aos poucos e de sua exímia condução musical do grupo através de seu instrumento (que ela domina), ela vai mostrando as pérolas pop que atravessam seu repertório e misturam indie rock, rock pesado com nu metal e música pop sem que isso soe indigesto como a descrição. A salada musical pode ser resumida pelas versões que ela escolheu para tocar no bis, quando deixou a guitarra de lado para cantar “Territorial Pissings” do Nirvana e “Meiga e Abusada” da Anitta.

Depois foi a vez da Celacanto voltar ao palco do Picles mais uma vez para comemorar o aniversário de seu disco de estreia, Não Tem Nada Pra Ver Aqui, e é muito bom ver como a banda formada por Miguel Lian (guitarra e vocal), Eduardo Barquinho (guitarra e acordeão), Matheus Costa (baixo) e Giovanni Lenti (bateria) está cada vez mais entrosada e como estão perdendo o pudor de tocar alto, o que abre uma nova dimensão para a amplitude musical de suas canções. Com o público cantando várias músicas junto, o quarteto ainda mostrou algumas músicas novas que estão trabalhando para um lançamento futuro, mas que ainda não está em seu horizonte prático. Showzão.

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