
No meu programa sobre quadrinhos, desta vez converso com Beatriz Shiro, que ao mesmo tempo em que lança seu primeiro Ugrito sobre seus personagens Dawgz também prepara o primeiro álbum destes personagens e um curta de animação celebrando um dos grandes nomes do nosso modernismo. Ela também fala como se envolveu com quadrinhos e dá dicas para quem quiser se arriscar nesta carreira.

Nesta terça-feira, Bruno Schiavo tira um atraso de dois anos levando seu primeiro disco solo, A Vida Só Começou, para os palcos depois do lançamento, que aconteceu no fatídico março de 2020. Mas quando o convidei para apresentar-se no Centro da Terra, ele preferiu desconstruir o disco original em vez de simplesmente reproduzi-lo – e assim nasceu o espetáculo Espumas, Ex-Peixinhos e Eu-Te-Amos, em que ele apresenta uma versão audiovisual do disco ao lado de três novos colaboradores, a violoncelista Chica Barreta, o beatmaker e multiinstrumentista Batataboy e o produtor Bernardo Pacheco, que o ajudam a reencontrar suas canções originais a partir de outro ponto de vista. Os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link e o espetáculo começa pontualmente às 20h.

O baiano Uiu Lopes é quem começa os trabalhos da temporada Tempo Presente, a primeira em que um selo, no caso, o Matraca Records, realiza por quatro segundas-feiras no Centro da Terra. Uiu está prestes a lançar seu primeiro disco solo e passeia por diferentes fases da sua carreira, convidando inclusive alguns artistas com quem colabora para participações surpresa (quem conhece, já sabe), entre eles o cantor e compositor César Lacerda. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link. E na próxima segunda quem se apresenta é a banda Pelados.

Dessa vez sou eu quem começo despejando a verborragia, fazendo Dodô ouvir minha lenta readmissão à boemia dos botecos que eu havia há quase duas décadas e que esse momento pós-pandemia está me trazendo de volta. Aproveitamos para falar do nosso encontro com Milton Nascimento e o significado deste nome para nossa cultura, além de mergulhar no volátil e genial novo filme de Jordan Peele, Nope.

Primeiro programa com um convidado, eu e Tomaz Paoliello recebemos o professor Paulo Pereira, colega de Tomaz no Departamento de Relações Internacionais da PUC de São Paulo, para conversar sobre o assunto de sua especialização: a questão sobre como governos do mundo todo lidam com o tema das drogas. Mas para contextualizar, optamos por voltar no tempo, às raízes do proibicionismo contemporâneo, para entender como ele deu origem à infame guerra às drogas, que tem desdobramentos muito mais complexos do que a simples forma como as pessoas expandem sua consciência e a relação deste direito com a repressão estatal.

Outra dívida pré-pandêmica: havia convidado a maestra e guitar heroine Lucinha Turnbull para apresentar-se no Centro da Terra há mais de dois anos, mas o coronavírus nos obrigou a adiar este encontro. Originalmente, o espetáculo teria outra formação e quando fui chamá-la para retomar os trabalhos, ela sugeriu a dobradinha que tem feito com o devoto Luiz Thunderbird num encontro de vozes e violões, com muita música e conversas sobre música. A apresentação Thunder & Turnbull acontece nesta terça-feira e começa pontualmente às 20h – e os ingressos podem ser comprados neste link.

O primeiro nome a subir no palco do Centro da Terra neste mês de setembro é outra dívida pendente desde 2020. Convidei o paranaense Giancarlo Rufatto para voltar a fazer shows no início daquele ano, quando ele ainda estava cogitando a possibilidade de voltar com uma banda, voltando a ensaiar coletivamente o que poderia ser o início de um novo disco. Aí aconteceu o que aconteceu e, recluso como todos naquele meio de semestre bizarro e ele começou a lançar suas Canções de Distanciamento Social, que o fizeram retomar os trabalhos artísticos de forma solitária. E é assim que ele finalmente chega ao palco do teatro, sozinho com sua guitarra, com apenas uma participação de um músico convidado em algumas músicas, mostrando seus Grandes Clichês, Grandes Hipérboles neste segunda-feira, a partir das 20h. Os ingressos para a apresentação podem ser adquiridos antecipadamente neste link.

Programa novo no meu canal: em Vida de Artista, convido gente de todas as áreas artísticas a discutir a relação entre sua produção criativa e sua vida pessoal, como uma interfere na outra e como arte é um trabalho interminável. Começo pela música e conversando com o meu compadre Maurício Pereira, a quem convido dar uma volta no passado e comparar o mundo independente quando ele lançou-se como artista solo e da realidade atual, fazendo um balanço tanto de sua carreira quanto de como amadureceu pessoalmente neste período.

“Eu não lembro bem quando foi a primeira vez que eu ouvi falar do Bendegó, mas em 2018 após o incêndio do Museu Nacional, eu ‘tropecei’ em um artigo de ciência na internet, meio pedagógico, bem simples na verdade, que contava a história do Bendegó desde o momento em que ele foi encontrado no interior da Bahia até a sua transferência ao Museu Nacional, e fiquei fascinado”, lembra o músico e compositor Arthur Decloedt, que está lançando um álbum dedicado ao mais famoso meteorito a cair em nosso território. “Logo depois li outro artigo sobre como a Imperatriz Leopoldina havia assinado a independência do Brasil 5 dias antes do 7 de setembro, no dia 2 de setembro, em seu Palácio Imperial, que veja só, veio a se tornar anos depois o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista. Foi ai que eu percebi essa coincidência absurda: o incêndio de 2018 do Museu Nacional ocorreu no mesmo dia 2 de setembro que a Imperatriz Leopoldina assinou a Independência do Brasil, exatamente no mesmo local. Imagine todo simbolismo desse fato histórico: uma personagem interessantíssima da nossa história, apelidada de ‘Imperatriz Cientista’, em grande parte esquecida por ser mulher, que assinou a independência do Brasil na mesma data do terrível incêndio, 196 anos depois. A presença insólita dessa gigante pedra extraterrestre no Museu falava por sí e naturalmente se tornou para mim central no que viria a ser esse álbum. Bendegó é um sobrevivente milenar que resistiu e segue resistindo a tudo, persistente em sua existência material e profundamente misterioso em relação a sua história. Quantos anos tem? Quando aterrissou no Brasil? Por quantos anos ainda existirá?” Arthur mostra a peça O Meteorito Bendegó, que será lançada nesta sexta-feira, em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.