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Yo La Tengo é tradição

O Yo La Tengo também fez bonito festival da Balaclava neste domingo, sempre imprevisível, mas sempre com deixando aquelas brechas pro Ira Kaplan desossar a guitarra, como essa versão de quinze minutos de “I Heard You Looking”, que ainda teve o Tim Gane do Stereolab nos teclados. Também escrevi sobre esse show pro Toca UOL.  

Big day coming!

Yo La Tengo e Stereolab num mesmo domingo foi um presente que a Balaclava deu aos indies brasileiros que poucos poderiam esperar – e pelas apresentações que os dois grupos já estão fazendo pelo continente vai ser uma noite de chorar.  

Dua Lipa ♥ Soda Stereo e Miranda!

Dua Lipa começou a perna latino-americana de sua turnê mundial com duas datas no estádio do River Plate, em Buenos Aires, e, como tem feito, pinçou duas canções portenhas para celebrar o público argentino, cantando cada uma em uma de suas apresentações. Ela começou nessa sexta-feira, quando arrebatou a todos com o gigantesco hit do Soda Stereo, “De Música Ligera” (que foi hit até no Brasil, graças às versões feitas pelos Paralamas e pelo Capital Inicial). E no dia seguinte, preferiu uma canção mais fofinha, quando escolheu “Tu Misterioso Alguién”, do grupo Miranda!, igualmente cantada em uníssono pelo público. Só lamento que ela não convidou nenhum artista local para subir ao palco com ela – tomara que não seja uma regra para essa parte da turnê…

Assista abaixo:  

“You don’t love me…”

A volta das Noites Trabalho Sujo, que aconteceu no Mamãe nesta sexta-feira, só não foi melhor porque o irmão Luiz Pattoli não pode comparecer à discotecagem que fiz com o Danilo Cabral, mas outras virão! Antes da pista começar, chamei mais uma vez as duas Soxy pra, mais uma vez acompanhadas pelo guitarrista do Marrakesh Lucas Cavallin, mostrarem suas primeiras composições no formato cru de vozes e guitarras. E aproveitaram para mostrar ao vivo a versão que fizeram para o clássico do reggae de Dawn Penn, “You Don’t Love Me (No, No, No)”, que elas já haviam dado uma palhinha online anteriormente. E isso foi só o esquenta antes da festa começar…

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De volta ao Chaos A.D.

O superlativo Chaos A.D., clássico do heavy metal mundial feito pela banda brasileira Sepultura, ganha duas novas leituras ao ser revisitado pelos irmãos Cavalera na abertura do show que o Massive Attack faz no Brasil e pelo compadre Vina Castro, que assina o novo volume da coleção Livro do Disco da editora Cobogó sobre essa joia de 1993 do som pesado. Conversei com Vina e com Max Cavalera sobre a importância do álbum em mais uma colaboração que faço para o jornal Valor Econômico.  

Avalanche de som

Quando os dois shows do Mogwai no Brasil foram anunciados, eu tive as mesmas certezas – de que o show de São Paulo ia ser frio e distante e o do Rio ia ser quente e intenso. Mas isso não tem nada a ver com público e sim com os ambientes. O primeiro show da banda escocesa este ano no Brasil aconteceu no Parque do Ibirapuera domingo passado. A céu aberto e dentro de um festival não precisa ser muito sagaz para perceber que qualquer show de rock perde o impacto sonoro quando feito ao ar livre e por mais que a organização do evento tivesse a boa vontade de colocar o grupo para tocar no horário do crepúsculo (um por do sol foda seria um bom contraponto para a falta de força sônica), mas mesmo um espetacular ocaso brasiliense (o mais bonito do Brasil, desculpe) não compensaria o ataque brutal aos sentidos que é o espetáculo do grupo (quem foi no Sesc Vila Mariana no começo do século sabe bem do que eu estou falando). E sem contar que o show carioca, além de acontecer num lugar fechado, era no Circo Voador – um dos melhores lugares pra se ver um show de médio porte no Brasil. Passada a bonita e esforçada apresentação paulistana do grupo, saí caçando companhia para me acompanhar num bate-volta pela Dutra e, uma vez que rolou (deu certo, Mariah!), pudemos comprovar a suspeita no anúncio na prática. Além do grupo ter feito um show mais longo (com quarenta minutos a mais e contemplando músicas de vários discos, ao contrário do show de São Paulo, que ficou em só nos quatro álbuns mais recentes e teve apenas uma música do século passado), veio com uma avalanche de som que só quem estava lá sabe da bordoada física, que inevitavelmente embargou os olhos de todos com litros de emoção. O público reduzido também manteve o alto nível da apresentação, que quase sempre contrapunha o volume gigantesco com silêncios delicados, passagens em que ninguém na plateia dava um pio – ao contrário de São Paulo, em que, além dos pássaros e aviões do som ambiente, ainda contava com um público conversador, que esperava o Bloc Party ou o Weezer). Foi o melhor show do Mogwai que já vi na vida e sem dúvida um dos melhores do ano. Nota 10.

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Geese ♥ New Radicals e Beatles

Vocês estão acompanhando a ascensão do Geese? A banda nova-iorquina existe há quase dez anos, mas só após o lançamento do primeiro disco solo de seu vocalista Cameron Winter, Heavy Metal, no fim do ano passado, começou a chamar atenção da mídia alternativa nos EUA, que começou a perceber que a banda vinha conquistando um público cada vez maior com músicas longas e difíceis, um vocalista de timbre estranho, um baterista animal e apresentações fulminantes. Seu quarto e recém-lançado disco, Get Killed, está dividindo opiniões entre as pessoas que não acham que eles sejam tudo isso, gente que tem certeza que eles são os próximos Strokes e outros que acham que a banda é uma armação. O fato é que eles são a primeira banda da geração Z a ganhar destaque nos Estados Unidos e isso conversa com um movimento que está acontecendo no mundo todo – novos adolescentes que, um pouco antes ou durante a pandemia, descobriram o prazer de tocar juntos sem que isso fosse pensado como uma carreira formal ou uma forma de ganhar dinheiro – e a energia desse encontro atrai cada vez mais gente da mesma faixa etária encantada com esse superpoder que é ter uma banda de rock que parece ter caído no esquecimento do mercado e da mídia. É o mesmo movimento que tenho registrado aqui no Brasil no Inferninho Trabalho Sujo, uma das inúmeras iniciativas – entre selos, casas noturnas, festas, sites e fanzines – que tentam acompanhar essa novidade que a mídia convencional literalmente ignora. O disco novo não me bateu tanto quanto o solo de Cameron, mas o caso do Geese não é só questão de gosto: eles estão cada vez mais populares e o hype tem gerado notícias constantes sobre o grupo, que acaba de gravar uma improvável versão para o único hit dos New Radicals, “You Get What You Give”, na rádio BBC. Dá uma sacada…  

E vazou o disco da Rosalía…

E vazou o disco da Rosalía. Esta quarta-feira está marcada como o dia em que Lux, o quinto disco da cantora espanhola, seria revelado em audições fechadas em 18 cidades pelo mundo, depois que a própria Rosalía compareceu nas duas primeiras, dia 29 de outubro na Cidade do México e dia 1º de novembro em Nova York. Vazamentos de discos eram comuns no início do século, quando a pirataria digital comia solta na internet, fazendo fãs conhecerem discos novos de seus artistas favoritos com dias de antecedência – às vezes, horas! A era das plataformas de streaming – que tornou o download obsoleto para pelo menos duas gerações -, reduziu esses vazamentos, mas a especulação em torno do novo disco de Rosalía reacendeu a velha arte pirata e de repente temos um disco que pode ser ouvido antes da hora (mas também, depois que descobriram que a senha da rede de segurança do Louvre era… “louvre” – cês viram isso? -, não dá pra confiar em sigilo online). Com o lançamento marcado para a sexta, o vazamento inevitavelmente aumentará ainda mais o hype ao redor deste novo disco, que já ia ser amplificado pelas audições da quarta. Fãs mais alvoroçados já estão procurando versões completas do álbum (algumas faixas estão em falta dependendo de onde você conseguir ouvir o disco) e estão dissecando as inúmeras referências do novo disco em fóruns e redes sociais pela internet. Mas isso não é um problema para Rosalía. Porque Lux é tudo isso mesmo. Equilibra-se entre a dramaticidade esparramada (por vezes ampliada pela epicidade da música clássica – e os instrumentos de orquestra surgem todos ao mesmo tempo ou às vezes isolados, como o emocionado piano que abre o álbum) e a introspecção melancólica, criando uma região emocional ao mesmo tempo familiar e alienígena. Rosalía está cantando mais do que nunca e a produção reforça a desenvoltura de sua voz, seja cantando solitária baixinho ou rasgando-se entre centenas de timbres de instrumentos acústicos. Em raros momentos (nos timbres eletrônicos de “Porcelana” e “Jeanne” ou no vocal irônico de “Novia Robot”) ela nos lembra que pertence ao nosso século, mas entre valsas e baladas, chansons e rumbas ela prefere focar musicalmente o disco entre o século 19 e o século 20 e o faz com canções lindíssimas, especialmente na segunda metade, quando enfileira a romântica “Sauvignon Blanc”, a tocante “La Jugular”, o lindíssimo fado “Memória” (e seu dueto com Carminho é de chorar) e a exuberante “Magnólias”, que encerra o disco como poucas música conseguem fazer. Rosalía se superou de novo – e vai abalar a paisagem musical do mercado pop de forma com a mesma força e grandiosidade que Bad Bunny fez no início do ano, mas com muito mais coração, sensibilidade e paixão. Prepare-se para chorar. Muito. Discaço.