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O Brasil visto por Beth Carvalho

Corre pra ver no cinema o documentário Andança – Os Encontros e as Memórias de Beth Carvalho, que pode parecer mais uma biografia levada à telona a partir de registros inéditos e depoimentos de compadres da artista (o que já seria ótimo), mas é muito mais do que isso. Logo de cara, somos apresentados a uma Beth Carvalho que não conhecíamos – uma pesquisadora e arquivista de tudo aquilo que lhe emocionava. O tempo todo munida de uma câmera de vídeo ou de um gravador portátil (quando não eram os dois ao mesmo tempo), ela se revela uma autobiógrafa consciente não apenas de sua importância mas do trabalho que faz como agente cultural de seu tempo. O documentário de Pedro Bronz deixa as convenções cronológicas em segundo plano para nos apresentar não só a carreira de uma intérprete ímpar de nossa música como a forma como sua cabeça e coração funcionavam a partir de seus próprios registros, boa parte deles em vídeo. E daí que são velhos VHS e gravações em baixa resolução de telejornais locais do Rio de Janeiro? A verdadeira alta definição está na forma como Beth chegava em seus objetos de estudo, que logo tornavam-se seus camaradas, no momento exato, ouvindo em primeira mão pérolas de Cartola e Nelson Cavaquinho e tirando a cena do bloco do Cacique de Ramos do literal fundo de quintal para a história fonográfica do país, apresentando ao resto do Rio de Janeiro – e depois para o Brasil – nomes como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão e várias outras lendas do samba, no momento em que eles floresciam. E ela não separava seu ativismo musical do político, batendo sempre em várias questões que são discutidas até hoje, além de estar presente em momentos decisivos da história do país – ao lado de personalidades que é melhor nem comentar para manter a surpresa. O filme ergue um pedestal para sua musa a partir das cenas, diálogos, versos, canções, rodas e shows que ela conseguiu presenciar e amplificar, mostrando que a importância de Beth Carvalho para a cultura brasileira ainda nem começou a ser medida. E prepare-se para chorar, porque é muita emoção.
Assista ao trailer.  

Cine Ensaio: Filmes e séries favoritos de 2022

Eu e André Graciotti retomamos o Cine Ensaio em 2023 repassando os filmes e séries que mais gostamos no ano passado. Um ano fraco do ponto de vista audiovisual, em que alguns filmes e autores se destacaram por tentar sair da mesmice dos últimos anos, mesmo que estas experiências não tragam filmes memoráveis, mas ensine o público a fugir da forma como o cinema comercial vinha tratando a audiência na última década. Mesmo assim, destacamos filmes e séries que nos surpreenderam – entre azarões e obras-primas – mostrando que há um luz no horizonte blockbuster que parecia tornar tudo previsível.

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Carnaval 2023: Baile à fantasia Noites Trabalho Sujo com a Charanga do França

O Carnaval 2023 já está na rua, mas ele começa oficialmente na próxima sexta-feira, quando abro mais uma folia ao lado dos bambas da Espetacular Charanga do França. Desta vez nosso ponto de partida é no Cine Cortina, quando começo a discotecar no começo da noite, abrindo alas para a essência do Carnaval de nossos tempos encarnada na já clássica trupe liderada pelo doutor França. Aí tome mais de duas horas de folia até que volto na finaleira da noite pra não deixar ninguém parado. Os ingressos já estão à venda: e você sabe como eles vão embora rápido, então corre.

Esquadrinho: Sidney Gusman

Na primeira edição do meu programa sobre quadrinhos de 2023, finalmente trago o papo com o grande Sidney Gusman, que desde os anos 90 espalha a palavra sobre esta linguagem seja colaborando nos principais veículos do Brasil, seja no clássico site Universo HQ ou à frente da transformação que proporcionou na Maurício de Sousa Produções, onde criou as graphic novels inspiradas na turma da Mônica, aproveitando esse que é um dos melhores momentos dos quadrinhos brasileiros de todos os tempos. E começa a falar sobre seu primeiro quadrinho… Pois é…

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Lianne la Havas à brasileira

Em seu primeiro show em São Paulo, Lianne La Havas não precisou de muito esforço para dominar o público do Cine Joia, que cantou todas as músicas de seu repertório em uníssono, inclusive fazendo vocais de apoio para que ela pudesse solar sua magnífica voz. Passando do violão para a guitarra sem nenhum outro músico no palco, ela já tinha todo mundo na palma da mão quando puxou a inevitável versão para “Weird Fishes”, do Radiohead, e sacou duas armas secretas de altíssima periculosidade: a presença dos brasileiros Mestrinho e Pretinho da Serrinha, dois jovens mestres que, como Lianna, não precisam de nada além de sua presença e seu instrumento para encantar a audiência. E o tempero brasileiro levou o show a um outro patamar, deixando o soul britânico ao mesmo tempo forte e suave da cantora com um tempero irresistível, cuja melhor tradução era o sorriso gigantesco no rosto da dona da noite. Um show maravilhoso, assista abaixo:  

Anna Vis + Kauê + Caxtrinho: Mais que uma Canção, Menos que um Amor

Nesta quarta-feira também tem música no Centro da Terra, quando três violões autorais se encontram no palco do teatro no Sumaré. Mais que uma Canção, Menos que um Amor reúne canções de Caxtrinho, Kauê e Anna Vis que empunham seus instrumentos e repertórios, fazendo uma improvável conexão entre Mauá, São Paulo e Belford Roxo e desbravando as musicalidades uns dos outros. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Com a benção de Dolores Duran

Uma linda noite celebrando um dos maiores nomes da canção brasileira, Izzy Gordon reuniu uma banda feminina afiadíssima (regida pela baixista Beatriz Lima, que ainda tinha teclas de Ana Cruse, bateria de Yara Oliveirae guitarra de Luciana Romanholi) para reverenciar sua tia, a eterna Dolores Duran, e pode contar até com a presença de sua mãe, Denise, irmã de Dolores, para cantar alguns de seus clássicos em família.

Assista aqui.