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John & Yoko nos cinemas!

Único show que John Lennon fez em sua carreira solo, o concerto que fez ao lado de Yoko Ono no dia 30 de agosto de 1972 no Madison Square Garden, em Nova York, foi extensamente revisitado no ano passado, quando funcionou como ponto de partida tanto para o excelente documentário One to One e para a caixa Power to the People. Agora a íntegra do show ganhará lançamento à parte, quando chega aos cinemas com o nome de Power To The People: John & Yoko/Plastic Ono Band with Elephant’s Memory and Special Guests – Live at the One To One Concert, New York City, 1972. O show, remasterizado, também será lançado em mídias físicas, mas por enquanto só foi feito o anúncio de sua estreia nas telonas, em todo o mundo, embora não tenham dito quais países receberão o filme – pedindo para quem quiser saber mais para inscrever-se no site do filme. Mas certamente o Brasil está nessa. Assim que tiver mais informações aviso aqui.

Assista a um trecho abaixo:  

Gilberto Gil ♥ Charly García

Gilberto Gil está passeando com sua turnê Tempo Rei pela América Latina e nesta quarta apresentou-se em Buenos Aires, na Argentina, quando aproveitou para reencontrar o velho amigo Charly Garcia em um encontro nos bastidores. Que momento!

Assista abaixo:  

João antes do disco

Mais uma apresentação maravilhosa do espetáculo Marina Nemésio e Rodrigo Coelho estão fazendo em homenagem à fase pré-fonográfica de João Gilberto, quando ele começou a mostrar seu novo jeito de cantar e tocar para amigos e conhecidos antes de gravar seus primeiros discos. João 1958, que conta com a minha direção, visita clássicos da bossa nova que ele eternizaria em seus álbuns, mas também o encontra tocando temas sem título e canções da era do rádio que nunca mais voltaria a tocar. E ao apresentarem-se nas melhores condições de temperatura e pressão – a Sala B da Casa de Francisca parece que foi feita para receber esse show -, mostraram toda a sensibilidade do toque e do canto com requinte e detalhe, deixando o público que lotou a pequena sala emudecido e com a respiração presa, graças à entrada solene da noite, que fez todos prestarem atenção na delicada e precisa voz de Marina e no esmero e capricho do toque de Coelho ao violão. Mas à medida em que as canções passavam, a dinâmica sutil e suave entre os dois foi acolhendo a audiência graças à magia do velho baiano – que o pernambucano Coelho fez questão de frisar que ele não era pernambucano por uma ponte, em referência ao fato de João ter nascido na Juazeiro vizinha de Petrolina -, que os dois invocam com graça e carinho. Lindo demais.

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Rodrigo Coelho e Marina Nemésio apresentam João 1958 @ Casa de Francisca (11.3)

Marina Nemésio e Rodrigo Coelho mais uma vez voltam ao momento anterior ao marco zero da bossa nova, quando João Gilberto retorna ao Rio de Janeiro depois que inventou o jeito de tocar e cantar que mudaria a história de nossa música. O espetáculo João 1958, concebido pelos dois comigo na direção, chega à intimista Sala B da Casa de Francisca na próxima quarta-feira dia 11, quando os dois passeiam pelo repertório que o pai da bossa nova mostrou para os conhecidos logo que voltou à capital brasileira à época, momento que foi eternizado num gravador de fita pelo fotógrafo Chico Pereira quando João mostrou aquelas canções em sua casa. Marina e Coelho dividem-se nos dois instrumentos do mestre – a alagoana canta e o pernambucano toca violão – para reverenciar esse conjunto que canções, parte delas consagradas nos primeiros discos de João pela Odeon, parte delas inéditas, tanto temas de autoria do próprio que nem título têm, quanto velhos sucessos da era de ouro do rádio brasileiro. A casa abre a partir das 19h30 e os ingressos já estão à venda.

Delicadeza transnacional

Maravilhosa a apresentação que Juliano Abramovay conduziu nesta terça-feira no Centro da Terra, ao conduzir suas Cartografias da Escuta ao lado da violoncelista holandesa Chieko e da vocalista palestina Oula Al-Saghir. A apresentação foi dividida em três partes – na primeira, Juliano chamou Chieko para dividir canções com Chieko, passeando pelo leste europeu, pela América Latina e pela canção tradicional japonesa, alternando-se entre o alaúde e o violão de sete cordas enquanto sua parceira tocava seu instrumento e cantava. Depois, o músico fez algumas canções sozinho alternando os pinhos musicais que domina, passando por composições próprias de inspiração internacional a músicas de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. Depois, Oula subiu ao palco para soltar sua voz ao lado do instrumento de Juliano, numa parte definitivamente inspirada pela música árabe. Ao final, os três se encontraram no palco em números de pura inspiração e delicadeza transnacional, um bálsamo musical neste tenso início de 2026.

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Juliano Abramovay: Cartografias da Escuta

Há dois anos sem apresentar-se no Brasil, o músico e compositor Juliano Abramovay, que atualmente reside na Holanda, volta mais uma vez ao palco do Centro da Terra para mostrar suas músicas em três formações: sozinho, tocando violão e alaúde, quando atravessa a sonoridade do Mediterrâneo Oriental e da Ásia Ocidental; depois, ao lado da vocalista palestina Oula Al-Saghir, pega o alaúde para acompanhá-la pelo repertório da música árabe, e, finalmente, ao lado da violoncelista, cantora e compositora holandesa Chieko – de ascendência brasileira e japonesa -, ele saca seu violão para passear por um repertório que visita canções tradicionais da América Latina e do Japão, com direito a improvisos instrumentais entre os dois instrumentos.

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Country Joe McDonald (1942-2026)

Responsável por um dos momentos mais memoráveis do filme e do festival de Woodstock, o cantor estaduindense de folk Country Joe Macdonald, morreu neste sábado. Depois de desperdiçar três anos no exército de seu país (quando serviu em uma base norte-americana no Japão), voltou para os EUA no meio dos anos 60 e envolveu-se com o ativismo antiguerra, tanto em publicações independentes, passeatas e, finalmente, música. Uniu-se ao camarada Barry “The Fish” Melton e aos poucos a dupla acústica de folk Country Joe & The Fish tornaria-se uma banda de rock psicodélico. Ela foi escalada para tocar em vários festivais daquele período histórico, especialmente o Monterey Pop Festival em 1967 e Woodstock dois anos depois, logo após terem decidido terminar com o grupo. Naquele mesmo ano lançara seu primeiro disco solo, Thinking of Woody Guthrie, em homenagem a seu ídolo, pioneiro da folk music nos EUA. Foi esse espírito que o levou a entoar uma canção que havia composto em 1965 e que entrara no repertório de sua banda no formato eternizado por Guthrie, voz e violão. E assim transformou “I-Feel-Like-I’m-Fixin’-to-Die Rag” num dos grandes momentos do evento e num hino antibélico do período, com seu refrão cantando num tom mórbido: “1-2-3-4, por que estamos em guerra? Não me pergunte, não me importo, a próxima parada é o Vietnã. 5-6-7 abram os portões do paraíso. Não tempo pra se perguntar, todos nós vamos morrer!”. Após Woodstock engrossou ainda mais seu ímpeto na carreira solo, no ativismo e na gravadora Rag Baby, batizada em homenagem a uma das revistas independentes que publicava nos anos 60, além de voltar algumas vezes em reuniões do The Fish (que aconteceram em 1977 e 2004).

Oklou ♥ Plain White T’s

A francesa Oklou passou pelo estúdio da rádio australiana Triple J e como de praxe fez uma versão para o especial Like a Version da emissora. Escolheu uma música que não conhecia (“Hey There Delilah”, dos norte-americanos Plain White T’s) e mexeu pouco no arranjo original, deixando-a mais leve e menos brega. Fora que é sempre bom, quando ela resolve deixar os eletrônicos de lado, deixando sua voz soar doce ao natural, sem efeitos.

Assista abaixo:  

Esperando Clairo…

Não brinca com a gente não, Clairinho! Numa galeria de fotos publicada neste domingo, ela misturou imagens aparentemente aleatórias com uma foto de algo com uma fita adesiva escrita CLAIRO4 – e assim a aleatoriedade das fotos torna-se mais clara pois aparentemente ela já está trabalhando em seu quarto álbum…

Veja abaixo:  

Química natural

Sophia está surfando na temporada que está fazendo no Centro da Terra e a noite passada foi só a segunda das cinco apresentações que fará na casa. Mas ao apresentar-se ao lado da banda que a acompanhará nos próximos shows, antes mesmo de chamar os convidados da noite, ela já deu a medida de como será o resto do mês, já que o power trio que montou ao lado de Marcelo Cabral (entre o baixo e o synth bass) e Theo Ceccato (bateria) está azeitadíssimo. Ela começou a noite com os dois, tocou algumas músicas sozinha, misturando canções solo que ainda não têm disco, outras do Handycam que gravou ano passado com Felipe Vaqueiro, outras de sua banda Uma Enorme Perda de Tempo e algumas que compôs há pouquíssimo tempo. Mas o ouro da noite começou a acontecer quando ela convidou seus dois novos parceiros para subir no palco, primeiro Kiko Dinucci, que anunciou que tem disco novo vindo aí – que inclui “Água Viva”, parceria com Sophia que já está tocando em shows s- e depois Jonnata Doll, que entrou dançando no palco e logo chamou todos para acompanhá-lo em uma faixa inédita sua, “Vamos Dançar no Picles”, seguida de um atordôo sonicyouthiano quando os cinco engataram na hipnótica “Crack pra Ninar” do Kiko Dinucci, com Jonnata tocando guitarra. Uma noite maravilhosa, a primeira vez de um grupo tocando juntos que parecia que já tinham feitos inúmeros shows, tamanha a química no palco. Se você não foi a nenhum show dessa temporada da Sophia está perdendo, só tenho isso a dizer.

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