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A força de uma mulher

Que beleza esse trailer do documentário Joan Baez I Am a Noise, que mistura a turnê de despedida que Joan Baez fez em 2019 com a trajetória de sua vida, misturando entrevistas, cenas de época e dos shows finais que a musa e força-motriz de uma geração realizou antes da pandemia. O documentário é conduzido por três diretoras (Karen O’Connor, Miri Navasky, e Maeve O’Boyle), é coproduzido por Patti Smith e estreia nos EUA no mês que vem, mas não tem previsão de ser lançado por aqui.

Assista abaixo:  

Uma curadoria única


Hélio Menezes,Grada Kilomba, Diane Lima e Manuel Borja-Villel (Foto: Divulgação)

Mais uma matéria que fiz para o site da CNN Brasil sobre a 35ª Bienal, que começou nesta quarta-feira, desta vez falando sobre o time curatorial da edição (os pesquisadores Diane Lima, Grada Kilomba, Hélio Menezes e Manuel Borja-Villel) e a relação deles entre si e em relação ao tema que propuseram, Coreografias do Impossível.

Leia abaixo:  

Chora, piano

Foi lindo o batismo de fogo de Paola Lappicy no palco do Centro da Terra nesta quarta-feira, em seu primeiro espetáculo autoral, Que Mágoa é Essa Que Me Chama?. Apresentando as músicas que se tornarão seu disco num palco pela primeira vez, ela deixou o lugar de instrumentista e musicista convidada para abrir seu coração com suas próprias músicas – e o resultado foi um show, literalmente, de chorar. Acompanhada de Dustan Gallas, Caio Chiarini, Léo Carvalho, Rogério Roggi e Luciana Rosa (além da participação surpresa e arrebatadora de Raquel Tobias), ela passeou por seu repertório quase todo ancorado na sofrência e na tristeza, com variações do termo “choro”, espalhadas pela noite, e deslizou pelo piano, seu instrumento-natal, mas também foi para o violão, sempre segurando com sua bela voz aquelas canções tão tristes, que ainda foram salpicadas por versões de outros temas de fossa, como a clássica “Espumas ao Vento” e a cortante “Alvejante” que reuniu Priscila Senna e Zé Vaqueiro, para encerrar sua apresentação. Chora, peito.

Assista aqui:  

Paola Lappicy: Que Mágoa é Essa Que Me Chama?

Que satisfação receber nesta quarta-feira, dia 6, no Centro da Terra a cantora, compositora e pianista brasiliense Paola Lappicy às vésperas do lançamento de seu primeiro disco solo. A convidei para apresentar as canções que a transformaram em autora antes que ela definisse como seriam suas versões definitivas ao vivo justamente para experimentá-las neste formato, canções que a acompanham desde a juventude, mas que só após o auge do período pandêmico, ela resolveu colocar para fora, depois de passar anos acompanhando artistas como Fernando Catatau e Bárbara Eugenia. São músicas que falam sobre este período intenso e mórbido que atravessamos muito a partir do ponto de vista do luto, da tragédia e da perda, daí ser batizado de Que Mágoa é Essa Que Me Chama? Junto com ela, Paola reúne uma banda que conta com Dustan Gallas (baixo e piano), Caio Chiarini (violão e guitarra), Rogério Roggi (percussões), Léo Carvalho (bateria) e Luciana Rosa (violoncelo), numa noite que pode verter lágrimas. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Os Fadas 2023: “Desencanto o desencontro”


(Foto: Filipe Vianna/Divulgação)

Enquanto não desenrolam seu disco de estreia, o quarteto paulistano Os Fadas (uma das atrações do Inferninho Trabalho Sujo desta semana) lança mais um single. “Revolto” será lançado nesta quinta-feira mas o grupo antecipa a música em primeira mão aqui para o Trabalho Sujo (ouça abaixo). Faixa mais angulosa e barulhenta que a nada branda Sei Lá Vie“, que o grupo lançou em julho. “‘Revolto’ foi uma música de parto difícil, o que acabou sendo coerente com a própria letra”, explica o guitarrista e vocalista Gabriel Magazza, que divide o grupo com Anna Bogaciovas (vocal e guitarra), Augusto Coaracy (bateria e voz), e Rafael Xuoz (vocal e baixo). “Passamos muito tempo sem saber para onde ir com ela e levamos alguns anos tocando repetidamente em ensaios, mudando, retirando partes, arranjando, para que ela tomasse a forma final que sai agora nesse single. É uma música que terminou tortuosa, um tanto cinematográfica, com um descompasso nos tempos que acaba expressando uma espécie de revolta contra o relógio, contra o nexo, a certeza, essas coisas. É um pouco sobre isso que a letra fala, algo de uma incerteza afirmativa, uma inadequação por opção.” O primeiro disco está na agulha e deve sair em pouco tempo…

Ouça abaixo:  

Rolling Stones vindo pro Brasil?!

Calma que ainda é cedo pra cravar, mas o sexagenário grupo inglês já deu uma pista de cara ao anunciar seu primeiro álbum de músicas inéditas em quase 20 anos em uma coletiva nesta quarta-feira. Hackney Diamonds é o primeiro disco com novas composições do grupo desde A Bigger Bang, de 2005. Desde então o grupo só entrou em estúdio para lançar Blue & Lonesome, um disco composto só por versões de blues, em 2016, e os outros discos que lançou eram de gravações ao vivo de diferentes épocas de suas seis décadas de carreira. O novo disco, cujo título faz referência à forma como os cacos de vidro após assaltos a joalheiras eram referidos, deve sair no dia 20 de outubro e já tem convidados de luxo como Lady Gaga, Paul McCartney e Stevie Wonder. O disco ainda conta com as últimas gravações do falecido Charlie Watts e o novo baterista, Steve Jordan, foi uma sugestão do próprio Watts, que morreu em 2021. O novo disco ainda conta com a participação do antigo baixista da banda, Bill Wyman, e deve ter mais convidados anunciados em breve – e resta aquela especulação de que uma das faixas traria McCartney no baixo e Ringo Starr na bateria, no maior supergrupo de todos os tempo. Por enquanto, o grupo – resumido agora a um trio formado por Mick Jagger, Keith Richards e Ron Wood – só apresentou a data de lançamento, a capa do novo álbum e o primeiro single, “Angry”, acompanhado de um clipe estrelado pela atriz Sydney Sweeney, que passeia num conversível entre outdoors que passeiam por diferentes fases da banda. E no finzinho da música, Jagger canta que “ainda tomo os remédios e estou indo pro Brasil”. Estamos esperando:

Assista aqui:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Os Fadas e André Medeiros Lanches

A semana começou quente, mas depois baixou esse frio nada a ver e a gente só sabe combatê-lo de uma forma: se acabando! Então toma mais uma Inferninho Trabalho Sujo que vem em dose dupla de rock deste século. Quem começa a noite é a explosão de ruído e melodia dos paulistanos Os Fadas, que são seguidos logo depois pelo quarteto de Juiz de Fora André Medeiros Lanches, enfileirando mais doses de canções e barulho na cabeça dos presentes. E depois eu e a comadre Francesca Ribeiro derretemos a pista com aquela mistura quente de dance music, R&B, hip hop, rock e música brasileira (e uma pitada de Kpop, por que não?) que deixa a pista cheia até o fim da madrugada. O Picles fica no no número 1838 da Cardeal Arcoverde e se você chegar antes das 21h não paga para entrar. Vem!

Duas horas de Blur! Uma hora e meia de Pulp!

Fora uma hora de Weyes Blood e outra de Warpaint. A versão chilena do festival Primavera – chamada Primavera Fauna – acaba de divulgar os horários e se eu não tivesse que ir à Flip no fim de novembro já teria comprado meus ingressos e minha passagem… Fora a possibilidade de esticar pra ver o Cure em Santiago na quinta seguinte (desse eu não desisti ainda).

Saca só:  

O equilíbrio do trio

“Tem um negócio aí nesse negócio de trio”. O formato trio tem uma força magnética que aproxima e afasta os envolvidos exatamente à mesma medida, fazendo com que a presença individual de cada um acabe buscando um equilíbrio a partir da ausência dos outros e a busca por essas lacunas acaba abrindo suas próprias aberturas para que tudo flua naturalmente. E não importa que tipo de trio, mas quando estamos falando de música, a fluência dessa conexão é exatamente o corpo que a torna possível, como se esse magnetismo se traduzisse em som. E assim foi a apresentação do Thiago França Trio nesta terça-feira no Centro da Terra, encontrando um ponto em comum entre as apresentações que fazia com o codinome de Sambanzo (quando tocava ao lado de seus dois compadres da percussa tanto de Xepa Sounds quanto da Charanga do França, Wellington “Pimpa” Moreira e Samba Sam, e de dois integrantes do Clube da Encruza, Kiko Dinucci e Marcelo Cabral, tocando baixo elétrico) e o trio de free jazz Marginals, composto por Cabral (tocando baixo acústico) e Tony Gordin. Reunindo-se apenas a Cabral e Pimpa, ele enxuga ainda mais o Sambanzo e abre novas janelas de ritmo com o formato trio, apresentando tanto temas que já gravou em seus dois primeiros discos solo (Etiópia e Coisas Invisíveis) e alguns inéditos que deverão materializar-se num novo disco (com outras formações) em breve, entre elas inspirada na coulrofobia do carnaval periférico do Rio chamada apropriadamente de “Fear of the Bate-Bola”. Mas não posso deixar passar minha empolgação ao ouvir um dos meus temas favoritos do saxofonista, a originalmente elétrica “Capadócia”, quase um Talking Heads com o dedo na tomada, vertida a instrumentos acústicos, com pouquíssima interferência elétrica. Foda demais.

Assista aqui: