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Vida Fodona #044: “Um certo número de bandas muito velhas”

Sigo em Natal (sol, camarão e rock’n’roll, coisa fina), mas deixei pré-gravado esse 44, em que o Amauri colou aqui nos suntuosos estúdios da Rede VF e mandar uma seqüência de hits que, apesar de sair da linha do tempo de seu programa de rádio em Londrina, ainda tem seu pézinho no folk.

– “Box of Rain” – Grateful Dead
– “I Found That Essence Rare” – Gang of Four
– “Vo(C)” – Video Hits
– “Meu Príncipe” – Lulina
– “Stuck Inside the Mobile with the Memphis Blues Again” – Bob Dylan
– “Holland 1945” – Neutral Milk Hotel
– “King Harvest (Has Surely Come)” – The Band
– “Smells Like Booty” – 2 Many DJs
– “Egg Man” – Beastie Boys
– “Dab” – John Oswald
– “Ninguém Verá” – Karine Alexandrino
– “Carteiro de Favela” – Wado
– “Cabidela” – Mombojó
– “She’s a Woman (And Now He’s a Man)” – Hüsker Dü

Partiu?

Natal na época certa

Povo potiguar, tou subindo aí. Fugir desse frio maldito (o inverno quente tava tão bom…) e ainda pegar um DoSol… Da próxima vez que vocês me lerem já estarei aí. Hasta!

Promíscua

E essa Nelly Furtado, hein… Já ia com a cara da mina (nada do platonismo nickhornbyano), mas essa dobradinha música/vídeo de “Promiscuous” (produça do Timbaland, né… O cara tem as manha) ficou uma delícia.

PS – Se alguém achar esse vídeo no YouTube, dá um alou.

Vida Fodona #043: Morte ao celular

Indie-Brasil na veia, momentos bucólicos folk em covers de hits gigantescos, trindade do Thiago, suingueiras novas de nanicos branquelos do groove, mashupmania, beats germânicos, brasileiros e canadenses na seqüência, lampejos de pop perfeito, Nelly sacana e o Wilde da geração pré-Prozac – aumenta o som!

– “SexyBack” – Justin Timberlake
– “Cell Phone’s Dead” – Beck
– “Crazy as She Goes” – The Legion of Doom
– “I Want You Back (Z-Trip Remix)” – Jackson 5
– “Friends of Mine” – Zombies
– “No Macio, No Gostoso” – Astromato
– “Sexism” – Brincando de Deus
– “The One I Love” – Surfjan Stevens
– “The House of Rising Sun” – Cat Power
– “Tell Me What You See” – Teenage Fanclub
– “Standing in the Way of Control” – The Gossip
– “Mandarine Girl” – Booka Shade
– “Promiscuous Girl” – Nelly Furtado com o Timbaland
– “Fakten Sind Terror” – Exkurs
– “Let’s Make Love (Spank Rock Remix)” – Cansei de Ser Sexy
– “Back it Up” – Peaches
– “Every Day is Like Sunday” – Morrissey

Vem pra cá, vem pro planalto.

Fúria de Titãs

Essa saiu na RockLife, essa revista que mudou de cara agora…

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Quase voltando

Com a apresentação no Live 8 no ano passado, o Pink Floyd voltou a dar sinais de vida. David Gilmour lança seu terceiro disco solo – o primeiro em quase vinte anos – e alimenta as especulações sobre uma última vinda do grupo

“Sem mais desculpas”, dizia o letreiro sobre o palco do Live 8 no Hyde Park londrino, quando, no dia 2 de julho do ano passado, Roger Waters, David Gilmour, Rick Wright e Nick Manson voltaram a repetir ao vivo algumas das músicas que os tornaram um dos nomes mais icônicos da história do século 20. Mesmo sem o carisma pessoal de seus companheiros de panteão, os quatro indivíduos que formam o Pink Floyd (cinco, pois Syd ainda gravita ao redor) vivem uma das mais intrigantes biografias da cultura popular contemporânea, que reúne nada menos que o maior efeito colateral da história do rock, a cara da psicodelia britânica, o início do rock progressivo, extravagâncias de rockstar, nerdismo megalômano, um dos discos mais vendidos de todos os tempos, turnês biliardárias, uma separação traumática e o disco The Wall. Fora o nome, enigmático e simples, que ecoa bicho-grilos e professores de história, solos de guitarra e um imaginário incrível, músicas intermináveis e letras existencialistas.

Foram quatro faixas, “Speak to Me/Breathe” e “Money”, ambas do disco Dark Side of the Moon e cantadas por David Gilmour, seguidas de “Wish You Were Here”, en que Gilmour dividiu os vocais com Roger Waters, e “Confortably Numb”, esta última da megaegotrip chamada The Wall. Pessoalmente, são sujeitos sem a menor vocação para astros pop – e isso é parte crucial em sua mitologia. Mesmo podendo ser considerado uma continuação natural do lado musical dos Beatles (arrendaram o mesmo estúdio e o engenheiro Alan Parsons seguiu nos controles, pense em “I Want You (She’s So Heavy)” e o lado B de Abbey Road regido por Paul McCartney), eles são o avesso carismático do quarteto de Liverpool. Não é nem que sejam feios (quer dizer, Waters furou a fila umas três vezes, antes de nascer), mas não têm o élan pessoal que torna pessoas normais extraordinárias, quando colocadas em certos pedestais com determinados sons e luzes. Waters parece um Odair José novo-rico, berrando as letras feliz por ver o nome da banda que moldou voltar a estar do seu lado. Manson, burocrático até quando mais agressivo, parece um publicitário de meia idade, daqueles que depois de um certo tempo começam a achar que são escritores. Wright lembra um lorde falido, o triste fim de uma dinastia secular – embora seus extratos bancários mostrem uma curva no rumo contrário. E Gilmour, ralos cabelos brancos, olhar quase esvaziado de cansaço, o duro rosto que já foi o posterboy da banda, parece finalmente aliviado por ter de carregar o fardo que lhe perseguia desde a última vez em que os quatro tocaram juntos, no palco do Earls Court, também em Londres, há quase um quarto de século, no dia 17 de junho de 1981. Nem Waters, o maior ególatra da história do rock com capacidade para sê-lo, agüentou a responsa e dividiu o fardo antes de começar “Wish You Were Here”: “É mesmo muito intenso estar aqui com esses três caras depois destes anos todos”, comemorava, ainda incrédulo, “mas, na verdade, estamos fazendo isso para todos que não podem estar aqui, e, particularmente, para Syd”.

Waters evocando Barrett num miniconcerto com imagens do porco da capa de Animals e do vinil de Dark Side com o triângulo preto no rótulo girando nos telões, ao seu lado, Wright e Manson, este, o único integrante de todas as formações do grupo. Mais do que surpreso, Gilmour parecia um profeta assistindo suas previsões se concretizarem, mesmo que esta incluísse o sorriso maquiavélico de Roger, aparentemente o dono da situação. Mas Waters já tinha lançado discos solo, tomado The Wall de vez para si na queda do Muro de Berlim (espetáculo que está saindo agora em DVD) e feito turnês tocando músicas de sua antiga banda, mas sem ter de carregar o peso do nome do grupo. Encerrado em 82 após o triste The Final Cut não contar com o tecladista Rick Wright como um integrante oficial da banda, o grupo voltou à ativa em 1986, quando Gilmour reuniu-se com Manson e Wright para compor um disco de inéditas – A Momentary Lapse of Reason – seguido de uma monstruosa turnê. A volta do grupo sem Roger deu origem a uma série de shows, turnês, discos ao vivo, reedições e novas coletâneas que atualmente continua no relançamento do duplo ao vivo Pulse (aquele, da luzinha piscando sem parar). Antes do lançamento da turnê de retorno dos Rolling Stones em 1989, o Pink Floyd de David Gilmour já estava começando a se tornar um dos maiores monstros do showbusiness mundial – como se já fosse pouco a década de 70 que assistiu uma banda sem rumo se tornar o maior grupo de rock do mundo. E o show no Live 8 deu início à última rodada de boatos sobre o retorno definitivo do grupo. Embora pouco conversado e muito tenha sido especulado sobre esta terceira vinda, oficialmente nada foi anunciado (Gilmour soltou um “Quem sabe?” em entrevista ao site da Billboard em fevereiro deste ano) – embora seja quase inevitável, como capítulo final de uma saga quase fictícia, de tão bem amarrada.

O show de volta, há um ano, liberou David Gilmour para criar tranqüilo. Sem o fardo do nome da banda sobre si, o guitarrista, que completou sessenta anos no último dia 6 de março, não precisava mais recriar a atmosfera épica ou existencialista associada à banda – que saía tão naturalmente de Waters. Assim, partiu para finalizar seu terceiro disco solo, dezoito anos depois do segundo, About Face, de 1984. On an Island, desde o título, parece refletir o momento isolado de alguém que sempre trabalhou em conjunto. Mesmo reunindo-se ao lado de nomes como Phil Manzanera, David Crosby, Jools Holland, Chris Stainton, Robert Wyatt e Graham Nash (além de convocar a mulher, Polly Samson, para ajudá-lo com as letras, que não são seu forte – algo que já havia acontecido no último disco de estúdio do Floyd, The Division Bell de 1994), o disco é um tributo fantástico a uma das guitarras bluesy mais significativas da história do rock inglês – e são os solos, derretendo-se como violinos, gemendo como gaivotas, a peça central do novo álbum. Esqueça todo o resto. E procure o primeiro MP3 que Gilmour lançou no final de 2005 em site oficial – “Island Jam”, excluída do disco –, que talvez seja a magnus opus de um disco quase tímido. E, dizem que já está certo, ele pisa no Brasil no final do ano, com sua Island Tour. Cruzem os dedos.

E faça a figa para o Floyd. Embora incerto, é bem provável que esta turnê se realize. Pois o grupo é conhecido por sua autoconsciência histórica, como os Beatles, Dylan e os Stones, e está o tempo todo dando retoques em sua própria discografia. Além dos DVDs do show de Berlim de The Wall e do disco P.U.L.S.E., o grupo ainda relançou The Final Cut no ano passado e planeja uma edição de 30 anos para Wish You Were Here. Roger Waters já está em sua próprio turnê floydiana, tocando músicas solo e clássicos da banda na primeira parte do show (“Shine on You Crazy Diamond”, “Have a Cigar”, “Set the Controls for the Heart of the Sun”, “Mother”, “Sheep”) e a íntegra do Dark Side of the Moon na segunda – a turnê começou em junho deste ano e segue até julho, quando recomeça entre setembro e outubro nos EUA (Brasil? Waters não soltou seu “Quem sabe?” ainda). Nick Manson assumiu as baquetas em algumas datas e Rick Wright foi convidado para fazer o mesmo, mas declinou.

Enquanto isso, Wright seguiu tocando na banda de Gilmour – chegaram a presentear o público de uma apresentação na Califórnia com uma impensável versão para “Arnold Layne”, o primeiro single do Floyd, ainda da fase de Syd, com Rick nos vocais. E Manson se juntou aos dois nas apresentações de Gilmour no Royal Albert Hall londrino para tocar “Wish You Were Here” e “Confortably Numb” – concerto que deve ser lançado em DVD também no final do ano. Manson, inclusive, é o mais otimista sobre o fim da treta legal entre Waters e Gilmour para dar início ao fim definitivo do Pink Floyd – ao menos, em carne e osso. Veremos.

Cinco Perguntas Simples: Daniel Ganjaman

1) O disco (como suporte físico) acabou?
Não acho que o disco tenha acabado e nem que vá acabar tão cedo. Ainda existe muita gente que da importância ao fator físico, de ter o disco com capa, informações e tudo mais. Acho que é um suporte que perdeu muita força, e principalmente, acho que a indústria fonográfica – especialmente as grandes gravadoras – continua instistindo em um formato de trabalho que já está falido a algum tempo. Estamos vivendo um momento de transição brutal e acho tudo isso muito interessante.

2) Como a música sera consumida no futuro? Quem paga a conta?
Essa é a pergunta que não quer calar. Algumas gravadoras já estão trabalhando com participação nos lucros dos shows das bandas contratadas, pelo simples fato de não terem competência o suficiente para recuperar o dinheiro investido na produção e marketing do disco e ainda lucrar com a vendagem. Acho que caminhos alternativos surgirão, dentro desses novos formatos de consumo de música – seja ringtone, download, podcast e oque mais vier a ser inventado.

3) Qual a principal vantagem desta epoca em q estamos vivendo?
Acho que a principal vantagem é a democratização de arquivos e programas ligados a música, que possibilitam o acesso a um vasto material a qualquer pessoa conectada e interessada no assunto – coisa que já foi um desafio enorme a uns 15 anos atrás. Hoje em dia, qualquer moleque com algum talento e alguma vontade pode fazer boa música com qualquer computador barato e ter acesso a praticamente qualquer música – em programas que compartilham arquivos entre usuários. No começo dos anos noventa, se me dissessem que em 15 anos tudo isso aconteceria, eu com certeza não acreditaria.

4) Que artista você só conheceu devido às facilidades da epoca em que estamos vivendo?
Ah, muita coisa. Quando instalei o Soulseek no meu computador, deixei-o ligado por mais de um mês direto. Devo ter feito download de uns 15 Giga de MP3 só nessa primeira leva. Fiquei maluco! Pra quem viveu a realidade de ter que comprar fita cassete gravada pelo dono da loja da galeria do rock, o soulseek é como um sonho.

5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Não digo a indústria musical em si, mas as facilidades que a tecnologia nos proporciona já me ajudou muito no meu trabalho. Um fato curioso foi durante a mixagem do disco da Mombojó, que não tivemos tempo suficiente para terminar o disco no estúdio da Trama – onde o disco foi gravado e quase todo mixado. Para trabalharmos com mais tranquilidade, resolvi mixar duas músicas em meu estúdio – o estúdio El Rocha – mas a banda não pode estar presente, pois tiveram que voltar para Recife. Usando um programa desses de conversa pelo computador, pudemos mixar as faixas como se eles estivessem presentes. Foi incrível!

* Daniel Ganjaman é um dos integrantes do Instituto. Sua entrevista não entrou na edição final da revista porque ele respondeu depois do fechamento, mas tá valendo.

Vida Fodona #042: ”É mais pelo groove”

Serjão visitou as instalações da corporação Vida Fodona e interferiu no mágico número 42 com dois pés na groovezeira – clássicos manjados, nomes gigantescos e hits imbatíveis caminham lado a lado com pérolas da discotecagem desse broder que, quando eu saí de Campinas era o melhor fotógrafo de rock do país, e agora é um DJ de black music de mão cheia.

– “No Surprises” – Easy Dub All-Stars com Meditations
– “Canto de Ossanha” – Jurassic 5
– “Rodésia” – Tim Maia
– “A Vida em Seus Métodos Diz Calma” – Di Melo
– “Não Adianta” – Trio Mocotó
– “Funky Train” – Poets of Rhythm
– “Mexerico da Candinha” – Wilson Simonal
– “Shake Your Rump” – Beastie Boys
– “Uma Vida” – Dom Salvador & Abolição
– “Fever” – Mungo Santamaria
– “Pusherman” – Curtis Mayfield
– “A Little Bit More” – Jamie Lidell
– “Dama Tereza” – Instituto + Sabotage
– “Charles Jr.” – Jorge Ben

Sigam-me os bons.

Milosevic Garage

Ondas rebeldes

“Rádio Guerrilha” narra a Guerra da Bósnia a partir das emissões de uma emissora alternativa

Era 1992 e o tempo fechava sobre a ex-Iugoslávia. Com seu comandante eleito, o ex-comunista Slobodan Milosevic a atiçar velhas rixas étnicas em nome do renascimento quase sagrado de uma Sérvia ancestral, um lento e doloroso Vietnã começava a ser desenhado no mapa do Leste Europeu, recém-ingresso no mundo capitalista após a falência do sistema soviético.

Na contramão dos países que antes formavam a Cortina de Ferro, o antigo império dos Balcãs entrava em uma ditadura arcaica, que fingia não interferir no nacionalismo extremo e no genocídio desenfreado, quando, na verdade, era seu principal incentivador. E sob aquele clima de paranóia, perseguição e proibição que acompanha qualquer guerra, uma pequena rádio jovem resistia bravamente à programação de mídia estatal e à agenda de Milosevic, intercalando relatos e depoimentos da linha de frente do campo de batalha com doses cavalares de Clash, Pixies, Public Enemy e Sonic Youth.

Versão chapa-branca
Até que, um dia, seus ouvintes se deparam com outra rádio, embora atuando sob o mesmo nome. Fora o pop barulhento vindo do exterior e o dedo na ferida de seu noticiário; em seu lugar, canções tradicionais e hinos militaristas se alternavam com versões chapa-branca para os acontecimentos no país.

A conclusão dos ouvintes foi inevitável: censuraram a rádio. E eles passaram a ligar para a emissora, quando eram atendidos por uma telefonista igualmente correta, que apenas dizia que a rádio era a mesma, mas havia mudado um pouco.

Depois de quase um dia inteiro de reclamações, o diretor da rádio, o jornalista Veran Matic, baixou a guarda e revelou que tudo não passava de uma brincadeira baseada nos rumores de que a rádio seria fechada.

Foco de resistência
Voltou a tocar, no dia seguinte, sua programação normal, incluindo os telefonemas dos ouvintes indignados com a mudança editorial de mentira. Só uma coisa mudou: seu slogan passou a ser “não confie em ninguém, nem na gente”.

Esse é um dos inúmeros “causos” reunidos no livro “Rádio Guerrilha – Rock e Resistência em Belgrado”, do inglês Matthew Collin, que conta a história da emissora B92 -depois, B2-92-, uma brincadeira de estudantes de comunicação que se tornou um dos principais focos de resistência política quando o horror da guerra assolou a velha Iugoslávia.

A rádio foi criada em 1989 como uma espécie de paródia às comemorações do aniversário do antigo líder comunista Tito, morto em 1980, para ter apenas duas semanas de existência. Mas a brincadeira deu gosto e logo a rádio continuaria com duas frentes que se bicavam: a do jornalismo independente e a da rádio rock. A fonte de atrito vinha do jornalismo da emissora, que achava que a rádio tinha uma programação musical extrema, que repelia ouvintes em potencial.

Mas prevaleceu a visão de Veran Matic, estudante de literatura que abandonou a vida acadêmica para dedicar-se ao jornalismo na prática. Ele acabou como uma das principais vozes do programa de rádio dos anos 80 “Ritam Scra”, que, ao lado do núcleo de jornalismo Index 202, tornou-se a base da B92.

Com pouco mais de 30 anos, boêmio e afeito ao amadorismo radiofônico por definição, Matic era um crítico de música respeitado que aos poucos se tornou um dos principais líderes de uma geração esmagada pela guerra -embora rejeitasse sempre esse papel.

Conglomerado de mídia
Cabeça da emissora, ele foi o responsável por mantê-la sempre à frente de sua época -tanto de seus detratores quanto de seus fãs- e por transformá-la num pequeno conglomerado de mídia alternativa, com editora, gravadora, emissora de TV e centro cultural.

Era um dos homens de mídia mais respeitados dos Bálcãs, a despeito das tentativas de interromper suas atividades. Ao acompanhar a saga da rádio, Collin, autor do ótimo “Altered State – The Story of Ecstasy Culture and Acid House” (Estado Alterado – A História da Cultura do Ecstasy e da Acid House), aproveita para contar a Guerra da Bósnia de uma forma simples e enxuta, ao mesmo tempo em que descreve a degradação e queda de Belgrado como amostra do que a guerra pode fazer a um país.

Mas tudo isso com um texto leve e bem-humorado -por vezes cínico- que equilibra tão bem as melhores qualidades da rádio: relatos pop disfarçados de jornalismo e jornalismo disfarçado de relato pop.

RÁDIO GUERRILHA – ROCK E RESISTÊNCIA EM BELGRADO
Autor: Matthew Collin
Tradução: Marcelo Orozco
Editora: Barracuda (tel. 0/xx/11/3237-3269)
Quanto: R$ 44 (336 págs.)

Essa matéria saiu na Folha de hoje, no Mais!. Vale ir atrás, o livrinho é istaile…