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Robocop – O Policial do Futuro

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Robocop – O Policial do Futuro (Robocop, 1987, EUA). Dir: Paul Verhoeven. Elenco: Peter Weller, Nancy Allen, Kurkwood Smith. 102 min. Por que ver: Parece um típico filme de ação dos anos 80, mas é muito mais do que apenas isso – apesar de não desapontar (longe disso) quem gosta de filme de ação. É o segundo filme feito nos EUA pelo diretor holandês Verhoeven, que entendeu a fórmula blockbuster e passou a usá-la como contra-ironia para cima dos americanos a partir deste Robocop. A premissa é simples e eficaz: um policial pai de família é assassinado por traficantes de drogas e seus restos mortais são usados como base para um novo projeto de sua corporação, o meganha ciborgue que batiza o filme. Por trás de uma equação óbvia (inserir o elemento robô no tema guerra de gangues, recorrente nos anos 80), há um subtexto bem menos simplista que é a crítica à política neoliberal de Ronald Reagan – o projeto Robocop é apresentado pela multinacional OCP, que comprou a polícia privatizada de Detroit e pretende transformar o centro da cidade em uma terra de ninguém, para depois reconstruí-lo como uma nova metrópole, o condomínio fechado em escala macro. O diretor iria além em sua crítica ao capitalismo americano em filmes como O Vingador do Futuro, Tropas Estelares, Instinto Selvagem e, em última instância, a bomba Showgirls. Fique atento: O humor cínico de Verhoeven rouba dos quadrinhos de Frank Miller a idéia do narrador da história ser um telejornal, que intercala notícias de um futuro bizarro com (ótimos) comerciais de produtos do futuro ainda mais improváveis. É ele quem dá o tom do filme – observando-o como linha-mestra faz com que sua ironia se sobressaia e toda a história ganhe um aspecto de caricatura. Tudo é motivo de riso involuntário, sublinha o diretor.

O Pecado Mora ao Lado

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O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, 1955, EUA). Dir: Billy Wilder. Marilyn Monroe, Tom Ewell. 105 min. Por que ver: Marilyn Monroe. É pouco? Marilyn Monroe, Marilyn Monroe, Marilyn Monroe. Quer mais? Pode-se listar o nome da atriz por toda a extensão deste guia que não se quer se chega perto da presença perfeita que é a aparição loira de Ms. Monroe neste épico dedicado à sua beleza. O título original (a coceira dos sete anos) faz referência ao tempo em que o homem consegue ser fiel no casamento e Wilder coloca qualquer espectador deste filme – criança, idoso, homem, mulher – no papel de Richard Sherman (Ewell, o ator mais sortudo do mundo), um respeitado marido que vê a mulher sair em férias ao mesmo tempo em que uma estonteante modelo muda-se para o apartamento em cima ao seu. Ao sermos apresentado à personagem – cujo nome resume-se à “The Girl” (“A Garota” – ênfase no artigo definido e no substantivo feminino) – entendemos perfeitamente suas dúvida, seu desalento, seu desespero e sua disposição. E assim o diretor destrói a instituição chamada casamento ao fazer qualquer ser que move-se na superfície do planeta estancar-se de emoção à imagem simples e icônica de Marilyn, de branco, tendo o vestido suspenso pelo ar quente do metrô. Não são apenas suas pernas e risinhos – é a mulher, a garota, plena em nossa frente. Fique atento: Nem preciso dizer para não tirar os olhos de Marilyn (psiu, presta atenção!), mas vale registrar a presença de outro personagem crucial para o filme: o calor do verão, cujo peso no ar faz a consciência de Sherman derreter e a libido da garota estourar o termômetro.

Mistérios e Paixões

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Mistérios e Paixões (Naked Lunch, 1991, EUA). Dir: David Cronenberg. Elenco: Peter Weller, Judy Davis, Ian Holm. 115 min. Por que ver: Da literatura beat, William Burroughs é certamente o nome mais difícil para se trazer à tela, mas ironicamente Mistérios e Paixões (título em português idiota para uma obra que já existe no Brasil há décadas, O Almoço Nu) é a melhor representação da alma beat no cinema, entre cinebiografias, documentários e adaptações livres. Não é o caso desta, que embora pouco fiel à obra em si, é obcecada não só pela natureza doentia do livro como de toda obra e do personagem – um mundo aparte em que heroína, insetos, homossexualismo e espingardas. Reconta a história de Burroughs – do assassinato de sua mulher ao exílio no Norte da África – e a mistura com elementos de sua literatura. Genial. Fique atento: Não bastassem as alucinações grotescas que habitam a ficção de Burroughs ganharem forma, sentido e textura (um ânus falante, uma máquina de escrever insectóide), é a atuação quase asséptica de Weller (o Robocop), que transforma o escritor beat de um personagem asqueroso e bizarro a um espelho para cada espectador.

Lolita

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Lolita (Lolita, 1962, Inglaterra/EUA). Dir: Stanley Kubrick. Elenco: James Mason, Shelley Winters, Sue Lyon, Peter Sellers. 152 min. P&B. Por que ver: Nenhuma adaptação de livro feita por Kubrick é fiel ao original e esta é a graça – embora Lolita seja a peça que mais se aproxime da obra original. Mas com Kubrick, Humbert Humbert (Mason) é uma alma penada num corpo de um adulto, assombrada pelo fantasma do próprio desejo, o pequeno demônio de 14 anos que batiza o filme e o livro de Nabokov. É ela quem o faz decidir alugar um quarto em uma casa de família, ao assistir à pequena filha da proprietária chupar um pirulito enquanto toma banho de sol no quintal – numa cena atordoante de tão bela. A partir daí, o protagonista embala numa espiral de instinto puro, que torna-se desespero crescente fundado sobre a culpa. Tempere isso com uma Shelley Winters fenomenal e um Peter Sellers arrogante e preciso, em um de seus grandes – e subestimados – papéis. Fique atento: A fotografia em preto e branco torna o tema mais denso e sério a cada passagem – e o elenco, afiadíssimo, gira em torno de Sue Lyon, a alma, o coração e a força sexual do filme. Não é pouco, para uma atriz de apenas treze anos.

Laranja Mecânica

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Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971, EUA). Dir: Stanley Kubrick. Elenco: Malcolm McDowell. 136 min. Por que ver: O grande filme de um ator feito por Kubrick, embora O Iluminado e Dr. Fantástico corram logo atrás, Laranja Mecânica é o espetáculo de um homem só – e este homem é a metamorfose da cabeça do diretor com a imagem de Malcolm McDowell. O ator ficou eternizado pelo personagem, mas a culpa é toda sua – as caretas, os trejeitos, a fala e o olhar são uma aula de atuação no cinema e estão para Hollywood como toda a carreira de Mick Jagger para a história da música gravada. Laranja Mecânica é puro Rolling Stones – tanto que o empresário da banda nos anos 60 comprou os direitos de filmagem do livro original de Anthony Burguess, revendido para Kubrick e que McDowell não se esforça um milímetro ao ridicularizar Jagger anos mais tarde na comédia Get Crazy. Em Laranja, Kubrick reforça mais do que nunca o papel da violência na sociedade atual e na evolução do ser humano, dividindo a obra em duas óperas – a violência do indivíduo, quando Alex (McDowell) e sua gangue apavoram o cotidiano de uma Inglaterra uma década e tantos anos no futuro e a violência do estado, quando Alex é aprisionado e submetido ao tratamento Ludovico para cura-lo de seus desvios delinqüentes. E é palco solto para McDowell visitar todo o espectro de emoções humanas, amparado pelos delírios visuais de Kubrick, compenetrado e irônico como um Dali. Fique atento: Ao casamento Kubrick-McDowell, combustão de emoções e imagens: ele estupra como se valsasse, aleija citando Gene Kelly, chicoteia Jesus Cristo, pede perdão para a mídia, vomita em frente a uma mulher nua, é torturado por policiais. Mas nenhuma dessas imagens evoca o clichê das palavras e se você viu o filme, elas nunca mais são as mesmas.

O Iluminado

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O Iluminado (The Shining, 1980, EUA/Inglaterra). Dir: Stanley Kubrick. Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers. 146 min. Por que ver: Terror, suspense, horror, thriller… Kubrick nunca quis se ater a rótulos cinematográficos, mas entrou neste jogo chamado O Iluminado para não precisar emitir mais uma palavra ou captar nenhuma imagem a respeito do tema medo. Ele embarca numa viagem aparentemente familiar que leva um escritor (Jack Nicholson em seu melhor momento) a se isolar do mundo exterior ao servir de caseiro de um hotel luxuoso nas montanhas, fechado durante o inverno. Com sua mulher (Duvall, irrepreensível e a melhor scream queen de todas!) e filho (Lloyd, a criança mais assustadora do cinema – sem precisar revirar os olhos, vomitar ou esbanjar candura), passa a se envolver com a solidão de um pequeno castelo abandonado, que esconde histórias terríveis, capaz de trazer à tona fantasmas do passado e demônios interiores. Aí está o horror kubrickeano – são espíritos, mortos-vivos, serial killers, possessões, psicopatas, banho de sangue. Todos os clichês da história do medo no cinema embalados em uma bad trip criativa, que inverte todos os sentimentos naturais do homem: o filho é um mau presságio, a esposa é uma vítima e você mesmo é o assassino. Fique atento: Já falei mais de uma vez do show de imagens icônicas que é qualquer filme de Kubrick (“Redrum” lido pelo menino Danny no espelho, um rio de sangue, os travellings num triciclo, “Heeeere’s Johnny!”, o texto na máquina de escrever, espasmos de sensitividade, um labirinto na neve), mas vale ficar de olho na série de elementos indígenas durante O Iluminado. Descoberto pelo crítico Bill Blakemore, do San Francisco Chronicle, há um subtexto do filme que transforma a saga de Jack Torrance em uma parábola sobre o massacre da população nativa dos EUA, os povos indígenas. Além de detalhes que se tornam explícitos, como o fato de o hotel ter sido construído sobre um cemitério indígena (“Eles tiveram que lutar contra tribos enquanto o construíam”, explica o gerente que contrata Jack), a decoração do hotel e as duas cenas na despensa exporem latas de fumo indígena (com a cabeça de um cacique em evidência), o baile-fantasma acontece num quatro de julho e o pôster do filme, lançado antes na Inglaterra e depois nos EUA, trazia a frase “A onda de terror que arrasou a América” – sendo que o filme ainda não havia sido lançado lá! Mais que coincidência, esta nova leitura de O Iluminado dá novo sentido a diversas passagens, boa parte delas inexistentes no livro original de Stephen King.

Vida Fodona #085: 40 anos de Sgt. Pepper’s

…they’ve been going in and out of style, but they guaranteed to raise a smile.

– “Sgt. Pepper’s Paradise” – Jimmi James
– “With a Little Help from My Friends” – Joe Cocker
– “Você Ainda Pode Sonhar” – Raulzito & Os Panteras
– “Lucy in the Sky with Diamonds” – Elton John
– “Getting Better” – Gomez
– “Fixing a Hole” – Beatles
– “Fixing a Hole” – Big Daddy
– “She’s Leaving Home” – Brian Ferry
– “Being For the Benefit of Mr. Kite/ I Want You (She’s So Heavy)/ Helter Skelter” – Beatles
– “Within You Without You” – Patti Smith
– “Within You Without You” – Sonic Youth
– “When I’m Sixty Four” – Crazy Baldhead (feat. Vic Ruggiero)
– “Lovely NYC” – DJ BC
– “Lovely Rita” – Beatles
– “Good Morning Good Morning (Demo)” – John Lennon
– “Good Morning Good Morning” – Big Daddy
– “Concrete Pepper” – 2ManyDJs
– “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Take 5)” – Beatles
– “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” – Jimi Hendrix Experience
– “A Day in the Life” – The Fall
– “A Day in the Life” – Big Daddy
– “A Day in the Life” – Captain
– “A Day in the Life (Takes 1, 2 & 6)” – Beatles
– “A Day in the Life” – Beatles

I’d love to turn you on.