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“Tem aquela do cara que queria ser humorista…”

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Cissa e Bruno, no Literal, botaram Arnaldo, Allan e Leo pra entrevistar Jaguar e Nani. Entrevista nada, maior papo bom (dá pra ver em vídeo também): A foto é da Clarissa Pivetta e foi o portal quem liberou.

Nani. Tem uma história do Flávio Rangel ótima. Diz que tinha um tenente lá na Vila Militar e quando o Flávio Rangel chegou disse pra ele: “Ô, Flávio Rangel, vocês acham que só você são intelectuais? Pois fique sabendo que eu sou tenente e já li toda a obra de Dostoiévski”. “Ah é? Então me diz o nome do carcereiro de Dostoievski quando foi preso. Como é que é o nome dele?” “Eu não sei.” “Então, pois é, a história não registra o nome de carcereiro e não vai registrar o seu.” Hahahahaha [risos gerais].
Allan. Sensacional.
Jaguar. Parece que é brincadeira, mas foi o melhor período da minha vida. Eu ficava o dia inteiro lendo Guerra e paz, aquele calhamaço do Tolstoi, que você só lê na prisão. Subornava os guardinhas que me compravam cachaça, bebia o dia inteiro, e ainda era considerado herói, entendeu? Tortura, não houve.
Arnaldo. O Paulo Francis falou: “Você foi torturado?” “Fui, o carcereiro ouvia Wanderléa o dia inteiro.”
Jaguar. A única tortura física foi do Luis Carlos Maciel. Ele tinha o cabelo até aqui [bate com a mão no ombro], ele era o guru dos hippies na época, tinha aquela seção Underground [no Pasquim], e aí o cara falou, “corta o cabelo desse cara”. Aí cortaram a força e todo mundo falou “vamos fazer greve de fome”, e eu falei, “eu, não”. Hahahaha. “Eu vou furar a greve. Já tô preso, ainda vou ficar sem comer? Nem pensar.” E todo mundo ficou aliviadíssimo, porque eu era o furador de greve, entendeu? Aí o que aconteceu? O Maciel tava revoltado. “Ô, Maciel, você quer que eu te diga uma coisa? Você ficou muito melhor de cabelo curto. Tanto é que até hoje ele não deixou crescer o cabelo mais. Tá com o cabelo curto até hoje.

Só um aperitivo. O resto tá aqui.

“I always figured when I got older, God would sorta come inta my life somehow. And he didn’t. I don’t blame him. If I was him I would have the same opinion of me that he does”

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Já foram ver o No Country for Old Men, dos Coen? Obrigatório, filmaço (embora não chegue, por pouco, no panteão deles, que inclui O Homem Que Não Estava Lá, E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, Arizona Nunca Mais, O Grande Lebowski e Gosto de Sangue). Falei outro dia que Coen funciona na TV (não em TV de levar em churrasco, né?), mas esse é pra ver no cinema – a alternância entre paisagens enormes a céu aberto e quartos pequenos e mal-iluminados dá o ritmo perfeito para a história, que parece não se mexer. Parece – até surgir o personagem do Javier Barden (de novo, matando a pau). E em termos de elenco, não tem o que falar: todo mundo tá ótimo (os olhos tristes de Tommy Lee Jones transformam ele em outro sujeito). É só uma pena não contar com a fauna de atores que nos acostumamos a ver com os irmãos diretores (Macy, Turturro, Buscemi, Goodman), mas isso não diminui o filme.

E falando em Coen, os dois acabaram de pegar os direitos pra filmar outro autor ganhador de um Pulitzer (No Country… é um livro de 2005, escrito por Cormac McCarthy) – e desta vez o autor escolhido é ninguém menos que o Michael Chabon, do fantástico As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay (obrigatório pra qualquer um que se diga fã de quadrinhos). O livro escolhido foi The Yiddish Policemen’s Union, um thriller noir que acontece numa realidade paralela. Na história, Israel entrou em colapso e os judeus ganharam o Alasca como novo território – mas os EUA querem retomar seu estado de volta. Esse é o cenário em que um policial tem que desvendar um crime que inclui um menino gênio de xadrez que pode ser o messias!

Mas esse não é o próximo filme dos Coen. Em Burn After Reading, que deve estrear ainda em 2008, John Malkovitch é um agente da CIA que perde anotações confidenciais, que mais tarde aparecem em uma academia de ginástica. O casal dono do lugar (Brad Pitt e Frances McDormand) descobre o arquivo e tenta chantageá-lo. O filme ainda tem George Clooney no elenco.

E esta não é a primeira vez de Chabon no cinema (cujo livro Wonder Boys virou o Garotos Incríveis de Curtis Hanson). Kavalier & Clay também está em pré-produção há um bom tempo – e será dirigido pelo mesmo Stephen Daldry que fez Billy Elliot e As Horas. O filme tem previsão para estrear em 2009 – se não for adiado de novo.

Cinco Vídeos pro Meio da Semana – 31


“Videotape” – Radiohead


“Stronger” – Kanye West + Daft Punk


“Supernatural Superserious” – R.E.M.


“Menina Moça” – Móveis Coloniais de Acaju


“Vanguart” – Mallu Magalhães

Livin’ Wheel

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Ae, tou no Roda Viva agora (não sei quando vai pro ar) entrevistando o Steve Johnson. Comigo, estão o Ronaldo Lemos, o Juliano Spyer, o Tiago Dória, o Ricardo Anderaos e o Gustavo Villas-Boas, da Folha Informática. Se alguém quiser mandar perguntas, manda por esse link A entrevista foi ótima e deu pra pincelar um pouco de cada assunto dos que o cara aborda em seus cinco livros (o Brasil foi o único país a republicar os cinco livros do sujeito), mas ficamos mais em cima de internet, era eletrônica, videogame e educação. Afinal, Johnson veio como convidado do Campus Party, que está rolando no Ibirapuera. Amanhã vou ver se bato um papo melhor com o cara – e aproveita pra dar uma geral no que tá rolando no Pavilhão da Bienal…

Realidade paralela

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Uma breve passeado pelo site Not Starring já dá pra abrir uma janela de realidade paralela no cérebro. O site lista papéis que foram recusados por atores conhecidos e dá um certo nó na lógica imaginar que OJ Simpson podia ter sido o robô em O Exterminador do Futuro, Stallone pudesse ser Han Solo, Will Smith encarnasse Neo, Paul McCartney fosse o Romeu do Zeffirelli, Sammy Davis Jr. fosse Beetlejuice, Eric Stoltz fosse Marty McFl e Tom Selleck como Indiana Jones. E tem muito mais…

Leitura Aleatória 05

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1) Assassinatos, privação de sono, seqüestros e uma epidemia digital: é o inacreditável mundo dos games!
2) Amanhã pinta o primeiro trailer do novo Indiana Jones
3) E se o Office da Microsoft tiver links patrocinados?
4) Disney tenta o século 21
5) Nick Cave na Mercearia São Pedro (sério)
6) Sete vídeos virais e como eles foram feitos
7) O Guardian resenha Ruy Castro
8) Outro adolescente: este, suicida 🙁
9) “Real religion is about reducing our egos, whereas all the churches are interested in is egotistical activities” – John Cleese
10) A física de Hollywood

Black Kids

James Spooner, diretor do documentário Afro Punk (sobre como gostar de rock e ser negro, trailer aí em cima), tá fazendo uma espécie de continuação (pero ficcional) do primeiro filme, White Lies Black Sheep (trailer aí embaixo).

Spore: agora vai!

Will Wright, o criador de Sim City e The Sims, anunciou que seu aguardado próximo jogo, Spore, anunciado em 2005, finalmente sai esse ano – e a data marcada é o nosso dia da independência. Pra quem tá pegando o bonde agora, Spore leva o conceito dos outros jogos da empresa Maxis para o infinito: o jogador começa com uma pequena célula viva numa piscina de aminoácidos e, a partir disso, constrói uma civilização. Wright chama o game de MSPOG (massively single-player online gaming), pois é uma espécie de jogo online para ser jogado sozinho. Cada jogador cria seu próprio universo, que pode interagir com os universos dos outros. O jogo demorou para ser finalizado pois Wright adicionou elementos da geração de internet 2.0 (Facebook, Flickr e YouTube) no conceito de sua história, tornando, assim, a jogabilidade mais participativa. Spore sai ao mesmo tempo para PC, Mac, Nintendo DS e para telefones celulares e a Newsweek exagerou que ele será, ao mesmo tempo, “o Torá, o Origem das Espécies (de Darwin) e o 2001 – Uma Odisséia no Espaço do mundo dos games – ao mesmo tempo”. Leia a entrevista que eles fizeram com Wright aqui.