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E falando nela…

…quanto tempo você consegue assistir isso?

Alguém precisa dar um toque na menina, tem limite pra tudo…

On the Run 40: Esau Mwamwaya and Radioclit are The Very Best

Lançada no fim do ano passado, a colaboração inusitada do cantor malawiano Esau Mwamwaya e da dupla eletrônica Radioclit ficou a alguns milímetros da contagem dos melhores de 2008 que eu retomo sem falta a partir de amanhã. Colaborador de Evison Matafale, o Bob Marley do Malawi, que morreu em 2001, Esau morou na capital de seu país Lilongwe até 1999, quando mudou-se para Londres e abriu uma loja na mesma rua em que, anos mais tarde, a dupla franco-sueca Radioclit montaria seu estúdio. Até que um dos integrantes da dupla comprou uma bicicleta de Esau e, papo vai, papo vem, descobriram-se apaixonados por música e cogitam uma colaboração. Assumindo o nome de Very Best, lançaram alguns remixes ou releituras de hits indies da blogosfera gringa, quase sempre com Esau em primeiro plano, cantando na língua cinianja, de seu país. O resultado é mais uma grupo a engrossar o coro do revival de world music (no sentido quase pejorativo do termo) que vem acontecendo atualmente – um escopo que abrange bandas tão diferentes quanto o Vampire Weekend, Do Amor e Animal Collective e que resgata o tempo em que Bob Geldof, Paul Simon, Peter Gabriel e Sting tinham sua importância renovada ao mirar seus olhos e ouvidos para a música do terceiro mundo. A diferença é que os Very Best não sampleiam nem recriam ou citam: eles têm o elemento que é o “real deal”, o próprio Esau. E seu suíngue manhoso e presença sossegada é tão dominante quanto sua voz e idioma, que dança sobre bases da dupla européia que deita samples de M.I.A. e Cannibal Ox, reggaeton e kuduro, sugerindo refrões dos Beatles, de Michael Jackson e Santogold. E isso só é a mixtape – eles estão gravando material inédito. Vem por aí coisa finíssima.

Esau Mwamwaya and Radioclit are The Very Best

1) Kamphopo (vocals: Esau Mwamwaya, music: Architecture In Helsinki – Heart It Races)
2) Wena (vocals: Esau Mwamwaya & Bleksem, music: DJ Cleo – Wena)
3) Tengazako (vocals: Esau Mwamwaya, music: M.I.A – Paper Planes)
4) Chikondi (vocals: Esau Mwamwaya, music: Hans Zimmer – True Romance Theme)
5) Cape Cod Kwassa Kwassa (The Very Best Remix) (vocals: Esau Mwamwaya, music: Radioclit & Vampire Weekend)
6) Hide And Seek (vocals: Esau Mwamwaya & Teki Latex, music: TTC – Batards Sensibles)
7) Salota (vocals: Esau Mwamwaya and Blk Jks, music: Cannibal Ox – Life’s Ill)
8) Boyz (vocals: Esau Mwamwaya, Akon & M.I.A, music: M.I.A -Boyz)
9) Sister Betina (vocals: Esau Mwamwaya & Mgarimbe, music: Mgarimbe – Sister Betina)
10) Birthday (vocals: Esau Mwamwaya & The Ruby Suns, music: The Ruby Suns)
11) Funa Funa (vocals: Esau Mwamwaya, music: Radioclit)
12) Kada Manja (classic version) (vocals: Esau Mwamwaya, music: Radioclit)
13) Dinosaur Of The Lost Ark (The Very Best remix) (vocals: Esau Mwamwaya & Ben Brewer, music: Bermuda)
14) Get it Up (The Very Best Remix) (vocals : Esau Mwamwaya, Santogold, M.I.A & Northern Cree, music: Radioclit)
15) Will You Be There (vocals: Esau Mwamwaya & Michael Jackson, music: Michael Jackson – Will You Be There)

***

E assim a sessão “Mixtape de Sábado” muda de nome: “On the Run” é o nome da nova sessão, todo domingo, com músicas que ganham novo sentido ao enfileiradas uma atrás da outra. Como sábado agora é dia de folga, a seção veio para o domingo e eu não queria outra “seção do domingo” com o nome do dia da semana no título para atritar com as “Palavras para o Domingo“. O próprio termo “mixtape” não era de todo preciso – às vezes a obra é uma peça só como “45:33” do James Murphy ou uma sucessão de samples ou bases anônimas, venha como um imenso mashup ou como um DJ set. Fora que “On the Run” homenageia o Pink Floyd enquanto aciona nominalmente um meus dos planos para 2009. Mas a numeração continua a mesma. Simbora!

Radiohead, Kraftwerk e… Los Hermanos!?

A notícia já vinha circulando à boca pequena e o Bruno confirmou nesse domingo: a nova banda a entrar na escalação do show do Radiohead em março no Brasil é ninguém menos que o Los Hermanos fazendo seu primeiro show após o “tempo”, que o grupo se deu no meio do ano retrasado. Bom, hein…?

E ainda falando em Rita Lee…

Eis ela aqui de novo, ao lado da mesma Lúcia do Cilibrinas, mandando uma versão em inglês para “Mamãe Natureza” em um especial que a cantora fez para a Globo no início dos anos 80.

Cilibrinas do Éden

Falando em Rita Lee anos 70, muita gente já ouviu falar mas pouca gente ouviu o disco do primeiro projeto solo de Rita logo que saiu dos Mutantes. Enquanto os meninos brincavam de rock progressivo nos idos de 72, Rita, entediada, procurava o que fazer – e a idéia original de seu projeto paralelo era uma banda formada apenas por mulheres. Sem conseguir concretizar a idéia, ela juntou-se com a amiga Lúcia Turnbull e juntas formaram a dupla Cilibrinas do Éden, cuja estréia foi agendada para o dia da inauguração do palácio de convenções do Anhembi e o show foi um desastre, graças ao fato do público ser basicamente dos Mutantes (que tocavam rock pesado, longe do som light da dupla) e porque Lúcia, ao ver a multidão, travou de medo no palco.

Mesmo com o fiasco do show de estréia, a dupla gravou um disco que, depois de pronto, foi engavetado. O disco não é um primor como tudo que vinha com o selo de qualidade Mutantes da época e parece mais uma brincadeira de meninas com rock’n’roll do que propriamente um disco de verdade. O grande momento é, de longe, “Mamãe Natureza”, que Rita regravaria discos mais tarde, com o Tutti Frutti – banda que, aliás, é quem toca com as Cilibrinas em seu único álbum. Entre o glam rock, experimentalismo de araque (dá-lhe theremin!), musicalidade beatle e simpatia juvenil, Cilibrinas do Éden é um disco simpático e divertido, como deve ser um projeto paralelo. A lenda diz que o disco foi suspenso pelo próprio André Midani – o que levou Rita a juntar-se com outro recém-desafeto do produtor sírio-francês, Tim Maia, e destruir o escritório do executivo da gravadora. Mas boa parte do repertório do disco foi aproveitado por Rita em outras situações: “Nessa Altura dos Acontecimentos” apareceu em uma coletânea no início dos anos 80, “Bad Trip” virou “Shangri-lá” anos depois, “Mamãe Natureza” foi a única música aproveitada no disco seguinte de Rita, Atrás do Porto tem uma Cidade, “Gente Fina é Outra Coisa” virou “Locomotivas”.

Essa faixa, inclusive, tem uma história engraçada com a censura da época. Sua letra (“Não vá se misturar/ Com esses meninos cabeludos que só pensam em tocar/ E você escuta o papai dizendo/ Que gente fina é outra coisa… Hoje mesmo te vi/ pensei que fosse seu pai/ Não, não, não, mas que decepção/ Eu fiquei triste de ver/ A sua vida começando pelo lado errado”) foi interpretada da segunte forma pelo censor José do Carmo Andrade num documento de 30 de agosto de 1973: “Na letra em exame, uma jovem insurge-se contra o pátrio-poder, ao tentar persuadir um amigo a desacreditar de seu pai para juntar-se a um grupo juvenil de comportamento duvidoso. A mensagem é negativa e induz aos maus costumes”.

Mas não ter sido lançado oficialmente fez com que o disco ganhasse aspectos de culto e ares mitológicos, que não fazem jus à qualidade nada épica do disco – que foi relançado ano passado na Europa em vinil e em CD, graças à iniciativa de um grupo de brasileiros morando no exterior. O mesmo grupo também montou um MySpace para o disco, que ainda conta com informações sobre a banda Persona, o grupo de Lee Marcucci e Luís Carlini que depois se tornaria o Tutti-Frutti. O versão européia do disco das Cilibrinas ainda conta com duas faixas extra: uma demo para “Hoje é o Primeiro Dia do Resto de sua Vida”, do último disco que Rita gravaria com os Mutantes, e “Mande um Abraço para Velha”, da fase final do grupo, que só saiu em compacto.


Cilibrinas do Éden – “Gente Fina é Outra Coisa

Palavras para o domingo XXIX: “O Toque”

Rita Lee anos 70 é muito foda…

Abri a janela
Um som diferente entrou
Meus olhos mudaram, eu sei
Ou foi o sol que mudou, babe

O som das nuvens
A conversa do vento
A voz dos astros
A história do tempo

O som das estrelas
A música do luar
Contando em segredo, eu sei
Contando todo o meu medo, babe,

O som das flores
O murmúrio do céu
Me deram um toque
Quem tem ouvidos que ouça

Você é uma criança do universo
E tem tanto o direito de estar aqui
Quanto as árvores e as estrelas
Mesmo que isto não esteja claro para você
Não há dúvidas
Que o universo segue o rumo
Que todos nós escolhemos


Rita Lee & Tutti Frutti – “O Toque

Hoje só amanhã: a primeira semana de 2009

Eu falei que a partir desse ano não tem Sujo no sábado, lembrou?

Lost
[REC]²
Gomorra
Angelitos
Jaydiohead
Heidi Klum
Nova do Franz
Zumbis nazistas
Nova do Eminem
Plágio do Justice?
Apple & Nintendo
Entrevista: Angeli
O que a Apple fez
Vida Fodona #138
Jay Z + Studio One
Pintando no iPhone
Trabalho Sujo 2009
Reforma ortográfica
O que indies dançam
Justice nos Simpsons?
Plágio do Kanye West?
Little Joy em São Paulo
Paul McCartney reggae
A história do videogame
Bastidores do Watchmen
Easy Riders, Raging Bulls
Ron Asheton (1948-2009)
Computador sem teclado?
Paul McCartney tecnobrega
20 anos de Paul’s Boutique
Britney + Madonna x Pixies
Trailer japonês do Watchmen
Midnights Juggernauts remix
A Decade Under The Influence
Beastie Boys – Paul’s Boutique
Documentário sobre o Paebirú
O que a Apple poderia ter feito
Watchmen lido por Alan Moore
The Pains of Being Pure at Heart
Alan Moore fala sobre Watchmen
Metronomy remixa Cansei de Ser Sexy
Pedro Bial e o cúmulo da vergonha alheia
Metronomy remixa Midnight Juggernauts