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Olivia Rodrigo: “Fuck it, it’s fine”

E Olivia Rodrigo nos dá mais um gostinho de Guts, seu segundo disco que sai em setembro e a cada nova notícia o disco esquenta mais. O segundo single, “Bad Idea Right?”, vai para um extremo oposto da dramática e melódica “Vampire” e escolhe um pop confortável – e respirando rock – para falar de outro tipo de problema pós-relação: quando você toca o foda-se e decide que não tem problema voltar com aquela paixão que você achava que havia superado e se tornado só uma amizade. O clipe, mais uma vez dirigido pela parceira Petra Collins, aperta ainda mais essa ferida sabendo que tudo pode dar errado, mas…

Assista abaixo:  

Celebrassom!

Qualquer apresentação de Hermeto Pascoal é um choque fulminante de energia musical capaz de ligar qualquer ser vivo e conectá-lo ao mergulho sônico que convulsiona no palco. O bruxo rege tudo com seu magnetismo e todos os integrantes de sua banda não tiram o olho dele quando ele assume os teclados. Por vezes, senta-se apenas para apreciar seus músicos tocarem – e o entrosamento de Jota P., André Marques, Itiberê Zwarg, Ajurinã Zwarg e do filho Fabio Pascoal é de uma conexão única, que, à medida em que o show vai passando, vai sugando o público. Hermeto, lógico, é o principal foco de atração em toda Casa Natura Musical, onde aconteceu o show desta quinta-feira, e vai regendo tanto seu conjunto quanto o público como uma criança molda um boneco com argila, apenas brincando. Pede para os músicos solarem, mudarem o andamento ou o timbre do instrumento enquanto faz a audiência repetir frases musicais simples que vão se tornando cada vez mais complexas. O grupo ainda contou com a presença do trompetista Luís Gabriel, que apimentou ainda mais a parte final da noite. Uma celebração musical que mais tarde o próprio me corrigiria – “celebrassom!”, inventou a palavra para mostrar que as duas coisas – a festa e a música – são uma coisa só. Pura magia.

Assista aqui:  

De volta a 1989

E em sua sanha de regravar todos seus discos (que, sabemos, passa por questões jurídicas), Taylor Swift acaba de anunciar que finalmente revisitará seu álbum mais clássico, 1989. Puxado pelo hit “Shake it Off”, o disco de 2014 foi o responsável por repaginar a abordagem musical da antiga cantora country adolescente como usina de música pop que ergueria-se como uma tsunami nos dez anos seguintes. “O álbum 1989 mudou minha vida de inúmeras formas e me enche de ânimo anunciar que minha versão dele chegará no dia 27 de outubro”, disse a loira ao disponibilizar o link para reservar a compra do novo disco, “Para ser perfeitamente honesta, é meu disco regravado FAVORITO que eu já fiz porque as cinco faixas do arquivo são insanas. Eu não consigo acreditar que elas ficaram de fora. Mas não por muito tempo!”. A nova versão do disco (com essa capa maravilhosa) será lançada exatamente nove anos depois do lançamento original e um mês antes de sua passagem pelo Brasil. Fica a expectativa pra saber se ela cantará ao vivo por aqui “New Romantics”, única música deste disco que ela ainda não cantou em sua atual turnê, além das músicas novas.

Jamie Reid (1947-2023)

Morreu o designer que tornou os Sex Pistols – e o punk inglês e todo o movimento faça-você-mesmo do final dos anos 70, como consequência – ícones visuais de fácil acesso à sua mensagem de caos e destruição. Misturando elementos tradicionais da cultura inglesa (em especial a coroa britânica) à imagem agressiva da primeira safra de bandas daquele movimento naquele país através de colagens radicais, ele transformou suas obras – que foram parar nas capas de discos e singles da banda – em marcas registradas de uma transformação cultural que perdura até hoje.

Veja alguns exemplos de sua arte transgressora abaixo:  

Bom Saber #102: Maria Clara Parente

No meu programa de entrevistas Bom Saber converso com a jornalista, atriz e diretora Maria Clara Parente que está às vésperas de lançar seu documentário em três partes Regenerar, que traça um paralelo entre a crise climática e a modernidade colonial a partir de três ângulos, morte, sonho e vida. Com entrevistas com nomes como Bayo Akomolafe, Tainá de Paula, Sidarta Ribeiro, Aza Njeri, Aline Matulja, Márcia Kambeba, entre outros, o filme, que está passando em festivais e deve estrear em São Paulo em outubro, conecta as respostas para este problema às culturas ancestrais abordadas pela diretora. Maria Clara também aproveitou o período pandêmico para deixar aflorar sua veia poética e lançou os livros Empurrar o Chão e Nas Frestas das Fendas neste período.

Assista abaixo:  

Robbie Robertson (1943-2023)

Mais um integrante da Band parte deste plano, desta vez seu líder e guitarrista Robbie Robertson, que já tocava com Bob Dylan antes que sua banda, os Hawks, se tornassem a banda de apoio do bardo norte-americano para, aí sim, assumir o nome de The Band. Por oito anos, o canadense Robertson e seus compadres revisitaram o cânone da canção norte-americana à luz do rock de sua geração e o final da banda (imortalizado no clássico filme The Last Waltz), deu início à sua parceria com Martin Scorsese, com quem trabalhou em inúmeros projetos (O Rei da Comédia, Cassino, Gangues de Nova York, A Ilha do Medo, O Lobo de Wall Street, O Irlandês e o próximo filme do nova-iorquino, Killers of the Flower Moon, que será lançado no fim do ano).

Sixto “Sugarman” Rodriguez (1942-2023)

Morreu Sixto Rodriguez, cantor e compositor norte-americano de origem mexicana e indígena, que fracassou comercialmente ao lançar-se no começo dos anos 70 mas tornou-se muito popular em países como Austrália e Àfrica do Sul (onde chegou a vender mais que Elvis Presley no final daquela década). Tido como morto pelos fãs nestes países, Sixto foi redescoberto pelos realizadores do documentário Searching for Sugar Man, de 2012, que acompanharam sua volta a esses países quando, finalmente, foi reconhecido como o grande artista que foi.

Choque de realidades

O encontro de Kiko Dinucci e Lucio Maia no Centro da Terra nesta terça-feira mostrou como duas escolas musicais completamente diferentes podem se encontrar, se estranhar e se complementar numa noite de improviso que contrastou os efeitos psicodélicos e paisagens ambient desenhadas pelo guitarrista pernambucano com o violão punk e percussivo do músico de Guarulhos. Enquanto Lucio pilotava sua pedaleira que incluiu até uma inusitada talkbox, Kiko espetava seu violão rústico com pregadores de roupa, pedaços de papel e gravetos, além de cantar – seja em português ou iorubá – canções sobre bases apenas ruidosas. E ao mesmo tempo que pareciam terem vindo de planetas diferentes, se encontravam em complexas camadas de harmonia atonal e melodias esparsas. Bem foda.

Assista aqui:  

Lucio Maia + Kiko Dinucci: Arquitetura do Caos

Nesta terça-feira, o palco do Centro da Terra recebe o primeiro encontro de duas lendas-vivas da guitarra elétrica brasileira, quando Lucio Maia e Kiko Dinucci se encontram no espetáculo Arquitetura do Caos. Só os dois e seus instrumentos abrem caminhos para explorar possibilidades musicais inéditas cruzando a linhagem do samba punk noise do jovem mestre de Guarulhos às acrobacias psicodélicas do mestre pernambucanno. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente aqui.

E o Unknown Mortal Orchestra vem mesmo pro Brasil!

A Balaclava acaba de anunciar o elenco da edição 2023 de seu festival e, como se especulava, o grupo neozelandês Unknown Mortal Orchestra é sua principal atração. O festival acontece no dia 19 de novembro no mesmo Tokio Marine Hall em que foi realizada a edição do ano passado e, além do UMO, o selo ainda traz várias atrações norte-americanas (a estreia do American Football no Brasil, a segunda vinda do Whitney e o pequeno Thus Love), a australiana Hatchie, o trio inglês PVA e duas atrações de Curitiba, Terraplana e Shower Curtain. Os ingressos para o festival já estão à venda (neste link).