GB @ MTV
E por falar em Gente Bonita, a MTV procurou a gente pra saber melhor qualé a desse tal de mashup… Se liga na cara do Luciano na hora em que eu começo a, er, teorizar, hahahahaaha.
E por falar em Gente Bonita, a MTV procurou a gente pra saber melhor qualé a desse tal de mashup… Se liga na cara do Luciano na hora em que eu começo a, er, teorizar, hahahahaaha.
E por falar em Watchmen, Assisti aos tais extras do filme que acabaram de sair em DVD lá fora. Um é uma bomba gigantesca, já o outro…
Primeiro, a bomba. Contos do Cargueiro Negro, como eu já disse, é uma história em quadrinhos dentro da história em quadrinhos. No Watchmen original, ela é lida por um personagem mais do que secundário, mas sua narrativa aos poucos vai sendo superposta à história original, contrapondo aspectos do gibi de piratas com a saga de Watchmen. Toda a discussão sobre como ela poderia ser encaixada na versão para o cinema (será que, em vez de ler uma HQ, o tal personagem teria um DVD player portátil) ficou para trás depois que Zack Snyder anunciou que a transformaria em uma história à parte, num desenho animado. Aí a dúvida mudou: em vez de perguntarmos como ela coexistiria no filme, agora é a vez de saber se ela se sustenta sozinha.
Eu achava que não, mas a animação consegue ser ainda pior do que eu supunha. Pra começar, não existe relação nenhuma da história com Watchmen (a única sugerida, quando o sobrevivente do naufrágio ergue a vela de sua jangada mórbida, é de uma tosquice descomunal). Depois, principalmente, pelo fato da história ter sido completamente modificada. Se no quadrinho ela era um monólogo tétrico e sem esperança, no desenho surge personagens que dialogam com o protagonista. Qual o sentido dessas alterações? Não bastasse a falta de lógica, a mudança não melhora a narrativa – pelo contrário, piora e muito. E mesmo com trechos inteiros citados diretamente da obra de Alan Moore, ela agora é piegas e chinfrim, sem o peso depressivo que tinha originalmente. Para finalizar, a animação é um anime bem meia-boca e a voz do protagonista, cortesia do ator Gerard Butler, não passa sentimento algum.
Já Sob o Capuz é outra história. A princípio, o média metragem parecia ser mais um dos trocentos vídeos virais feitos para divulgar o filme, só que com a extensão prolongada. E é isso – mas não apenas isso. Os três capítulos da autobiografia do primeiro Coruja, Under the Hood, originalmente vinha no final das três primeiras edições de Watchmen, como se fosse um livro. Servia para contextualizar a história do time de super-heróis que precedeu Watchmen, os Minutemen.
Quando torna-se um filme, no entanto, a mudança de linguagem valoriza o novo formato. Assim, assistimos a um programa de TV nos anos 70 que, devido à recente lei que proibira heróis mascarados, resolve reprisar trechos de uma reportagem feita pelo próprio programa dez anos antes, quando Hollis Mason – o Coruja original – foi entrevistado devido ao lançamento de sua autobiografia – que, por sua vez, tem boa parte dos acontecimentos ocorridos nos anos 50.
Então temos um filme que superpõe três décadas – tanto em termos de comportamento quanto estética – com maestria televisiva (afinal, não é um filme, e sim um programa de TV), ao mesmo tempo em que se aprofunda na história dos Minutemen, que foi apenas aludida no primeiro filme. De fato, é um um vídeo da mesma natureza das dezenas de virais que apareceram antes do filme vir à tona. Mas também é parte crucial da história de Watchmen – se conseguimos entender a idéia geral de realidade levemente paralela cogitada no universo criado por Alan Moore no filme, em Sob o Capuz conseguimos ir além sem necessariamente tornar a história (ainda) mais densa. O extra é um filme leve e divertido, com algumas cenas e passagens que aludem à violência e depressão do filme de Snyder, mas que olha para os lados para tentar explicar o que aconteceria se super-heróis – com superpoderes ou não – realmente existissem em nossa realidade.
Sob o Capuz poderia ser, muito mais do que o Cargueiro Negro, tranqüilamente diluído na edição do filme original, tornando-o ainda maior do que as três horas e dez minutos proposta pela versão definitiva de Zack (que, se tudo der certo, chega aos cinemas no meio do ano ou, se tudo der errado, vai direto pro DVD). Intercalando cenas de um programa de TV com as diferentes histórias paralelas poderia dar um certo ar Frank Miller para o filme (vocês lembram do papel da mídia como narrador em O Cavaleiro das Trevas, que foi surrupiada por Paul Verhoeven no primeiro Robocop, né?), mas certamente funcionaria – incluindo seus comerciais setentões (meu favorito é o da Seiko, lançando o relógio digital).
Mas talvez seja melhor deixá-lo à parte. Assim o filme não torna-se ainda mais demorado e podemos entrar num hiperlink da história. E eis um salto narrativo considerável, primo do própria forma artesanal com que a história original foi concebida – escrita por uma pessoa, desenhada por outra, colorizada por mais uma para, só então, ir para o processo industrial. Sem querer, Watchmen abre uma possibilidade de ampliar ainda mais um único produto. Se a produção se esmerasse nisso, talvez teríamos ainda mais desdobramentos num leque de produtos e formatos ainda mais amplo do que o que está sendo usado.
Falando só em Watchmen: se o filme fosse um sucesso, poderia ver outros subprodutos ainda mais complexos da franquia, com a publicação da própria autobiografia de Hollis Manson, uma série de programas de TV sobre super-heróis nos anos 60 e 70 (e não apenas um extra), a transformação do New Frontiersman num blog com notícias de verdade, gibis pornô estrelando Sally Jupiter (referido no filme e sublinhado em Sob o Capuz) até a materialização de uma franquia do restaurante Gunga Din (ou, se sua megalomania não pode conceber isso, a transformação mensal de uma franquia de fast food em um Gunga Din).
O mesmo poderia ser feito em relação a Lost – todos os personagens poderiam ter subprodutos com suas vidas anteriores ao acidente com o vôo 815. Na verdade, a própria ABC já ganha um bom dinheiro vendendo vários produtos com a marca Dharma (uma grife fictícia). Battlestar Galactica vai além – após o uso de determinadas roupas, cenários e apetrechos, eles vão simplesmente à leilão através do site Sci-Fi Channel.
O pop do futuro será consumido em camadas cada vez mais profundas e interconectadas, seja ficção ou não-ficção. Fora do material ficcional é fácil desdobrá-las: afinal os personagens de reality shows todos têm suas próprias vidas e as receitas e hotéis em programas de gastronomia e turismo existem de verdade. Mas é na ficção que reside o maior desafio: se antes Tolkien ou Roddenberry eram considerados excêntricos e nerds por inventarem as linguagens élfica e klingon, no Senhor dos Anéis e em Jornada nas Estrelas, respectivamente, hoje essa é a regra para quem quiser começar a conceber ficção. O começo, meio e fim têm de estar arquitetados de tal forma que explorar o universo fictício não seja apenas possível, mas inspire o leitor/espectador/ouvinte a mergulhar cada vez mais e, claro, participar. Lost, Watchmen e Battlestar Galactica (entre muitos outros) são apenas alguns degraus no rumo disso – a década seguinte, aposto, será dedicada a este tipo de descobrimento.
Há alguma chance de os fãs acreditarem que “o sonho não acabou”?
Não, não. (Enfático) Não. Se você com isso quer saber se a banda voltou, a resposta é não.
Camelo, em entrevista à Tribuna, de Vitória, sobre o estado das coisas com o Los Hermanos (pra ler a entrevista, você tem que entrar no site do jornal e procurar pelo PDF da página 8 do dia 25 de março deste ano – ou ler nestes JPGs aqui)
Parece que vai ser melhor que o Código Da Vinci – mesmo porque é melhor até no livro.
Inspirados nos Beatle Juices, a Bistrô lançou a versão tupiniquim para o pop frutífero – e os personagens escolhidos vêm da Bahia.
E, como no original, no site dá pra baixar o PDF e fazer sua caixinha em casa.
O Bruno fala mais sobre a ladeira cada vez mais íngreme do Rio de Janeiro… :-/
A Folha, a Veja, o Fasano, a Daslu, a Sala São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa – tudo isso faz pensar em quanto Sampa é influente e interessante. O Oficina, Os Titãs, Os Racionais, a poesia concreta, o Hurtmold, o Nouvelle Cuisine, Céu, Tiê, Mariana Aidar, mil coisas fazem pensar que Sampa hoje é, como dizia John Lennon sobre Nova Iorque, “where it’s at”.
Caetano discorre sobre o papel central de São Paulo ma cultura brasileira. A foto é do post do Michael Azerrad, o autor de Our Band Could Be Your Life, sobre a cidade, em que ele diz:
It’s modern primitive here — modern enough, for instance, for everyone to have cars and pollute the air and water on a grand scale, but primitive enough that they don’t have the funds, diligence or will to clean it up, much less build a comprehensive mass transit system. (They do, however, use alcohol-based fuel.) No wonder that a horrible brown haze, visible within 200 yards, constantly enveloped the city. The mind-boggling thing is, there are São Paulos all over the planet: ever-spreading behemoths like Beijing, Cairo, Mexico City, Calcutta, Jakarta, Los Angeles, Karachi, Manila, and on and on. I have seen the future, and it is São Paulo.
E em um minuto. Contém spoilers (hehe).
Da mesma forma que o Cearenses Internacionais foi inspirado no Men Who Look Like Old Lesbians, o Coisa de Idiota – o terceiro blog de Mauro A, do Wagner & Beethoven – também é uma apropriação abrasileirada (paulistanizada, melhor dizendo), do Stuff White People Like. Com acidez pingando em cada linha, os posts não perdoam ninguém – da turma da Mercearia à de órfãos do Notícias Populares, passando pelo Humberto Finatti, cotas para minorias, o Museu da Língua Portuguesa, filmes com Morgan Freeman, grafiteiros e motoboys, pelo dito humor inteligente no Brasil, camisetas regata e a Livraria Cultura, hábitos, personalidades e eventos são devidamente escarnecidos e humilhados. E como ando numa correria, em vez de descrever o trabalho do sujeito, resolvi sampleá-lo. Vale a visita:
Ah, não. Isso não era coisa só de carioca? Por que é que agora todo mundo, inclusive em São Paulo, fala “Sampa” com a maior naturalidade, como se não fosse o apelido de cidade mais hediondo da história? “Floripa”, por exemplo, não deixa de ser também dolorosamente ridículo – mas lá as pessoas são ou surfistas ou tenistas, e não se pode exigir que elas articulem qualquer palavra com mais de três sílabas. Mas “Sampa”? Não, não. Primeiro, que falar “São Paulo” não é exatamente o maior desafio do mundo; segundo, que quando uma pessoa fala “Sampa” na minha frente ela automaticamente assume a forma do Otávio Mesquita de bermudão e fazendo mini-hang-loose, mesmo que na realidade ela esteja de fraque e cartola, ou mesmo que ela seja a Juliette Binoche. “Sampa” é coisa de coroa excessivamente extrovertido, usando roupas que obviamente não foram feitas para ele. “Sampa” é uma dessas palavras (como “blogosfera” e “desigualdade”) que nunca foram ditas por alguém que não fosse idiota.
Não tenho a menor idéia de qual é o futuro das publicações impressas, não sei se as pessoas algum dia vão preferir ler tudo na tela do computador ou não, mas por favor não diga que o e-book ou algo parecido está fadado ao fracasso simplesmente porque a humanidade sempre vai preferir levar livros ou jornais para ler no banheiro. Vamos lá, deve haver um argumento melhorzinho. Sem falar que essa tese faz qualquer um involuntariamente visualizar você sentado no vaso, de calças arriadas e lendo uma antologia de crônicas bem-humoradas da Danuza Leão, ou mais um contundente artigo do Sérgio Augusto sobre as eleições americanas no Estadão, e se você não quer que isso aconteça, tenha certeza de que ninguém mais quer.
O problema nem está nos filmes dele, mas nas idéias que esses filmes despertam em idiotas que fazem muita força para parecer cinéfilos: “Na minha festa só vou tocar música dos filmes do Tarantino, inclusive intercalando com os diálogos mais legais, na íntegra”. Para um idiota, não basta ligar o DVD, apertar o play e, de preferência, manter a boca fechada: “Quer passar lá em casa amanhã à noite? Vou colocar umas cadeiras de praia no quintal, chamar uma galera e projetar Kill Bill 1 e 2 seguidos no telão”.
Mas não são só os filmes do Tarantino que deixam esses oligofrênicos com vontade de fazer eventinhos ou performances. Não faltam imbecis dispostos a assistir à filmografia completa de Stanley Kubrick de ponta-cabeça ou a sincronizar a imagem de “Weekend à Francesa” com o som do LP dos Saltimbancos. Só existe um jeito, aliás, de ver filme do Godard sem parecer afetado: dormindo.
Ele fala “porra” o tempo todo, né? Puxa, que loucura, que vontade de conversar horas sobre isso.
Ninguém normal faz isso. Nenhuma criatura sã, quando ouve uma coisa engraçada e começa a rir, sente o impulso de bater palmas. Ninguém, ninguém. Essa doença social foi inventada a certa altura da Grande História de Idiotice e parece se tornar a cada dia mais freqüente e intensa. A prova de que isso não faz parte da expressão natural do riso é que as palmas são típicas de ambientes onde a graça passa longe, como o Terça Insana ou apresentações de auto-declarados stand-up comedians brasileiros. O problema é que o hábito se espalhou para fora desses espetáculos de humor constrangedor, e é possível que você, numa inocente reunião de amigos, amigos que você pensava conhecer, faça uma gracinha e seja surpreendido por alguém gargalhando e aplaudindo ao mesmo tempo a sua piada, o que estragaria irremediavelmente a graça dela. Afinal, como sabe todo ser humano mentalmente saudável, a risada com palmas destrói de forma definitiva qualquer vontade genuína de rir. Porque é coisa de idiota.
Warren Beatty, Porfírio Rubirosa, Errol Flynn, cada um deles levou para a cama um número de mulheres superior ao total de mulheres que já pegaram metrô e ônibus junto com você em toda a sua vida, e eles jamais se rebaixariam a sequer saber pronunciar sordidezas como forró, show da Ivete, livro do Leminski, violão clássico, Djavan, barba desenhada à laser, exposição de fotos de moradores de rua, cachorrinhos; portanto, na próxima vez em que você inventar de passar o carnaval em Salvador, ter aulas de dança de salão, ver uma mostra de fotografia no Itaú Cultural, passear com o seu pug de estimação, ou for flagrado comprando uma coletânea de poesia de vanguarda, não tente justificar dizendo que tudo isso faz parte da sua infalível estratégia para atrair as mulheres, como se você fosse uma espécie de Casanova com sotaque mooquense, e reconheça que está apenas cedendo às imperiosas determinações do seu mau gosto.