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Yellow Submarine em quadrinhos

Quando os Beatles relançaram a versão pós-Anthology para a trilha sonora de Yellow Submarine, pensaram em uma série de itens de merchandising, incluindo os já clássicos brinquedos lançados pela McFarlaine Toys, e a Apple encomendou à editora Dark Horse, que por sua vez pediu ao ilustrador Bill Morrison, para que criasse uma versão em quadrinhos para o filme. Bill era – e ainda é – o coodenador editoral da Bongo Comics, o que, em outras palavras, é o mesmo que dizer que é ele quem transforma os Simpsons em quadrinhos (Matt Groenning é seu sócio) e, mais importante, beatlemaníaco. Recebeu o convite para fazer a revista, pensou mais em como teria uma chance de participar da história dos Beatles nem que fosse como uma nota de rodapé do que nas possibilidades do projeto dar certo. Assim, começou a desenhar as páginas da edição especial, até que soube pela Dark Horse que a idéia havia sido abortada. Dez anos depois, ele surge com seus originais da época, em homenagem a uma obra que não pode existir. Pena, olha o naipe:

Tem mais aqui.

“Uma mudança vem aí”

É o que pressente Bob Dylan, na primeira faixa de seu novo disco, Together Through Life, a dar o ar de sua graça online, “Feel a Change Comin’ On”.

“Já a mulher, nunca admite”

Do Mario Bortolotto:

Tava ouvindo um carcereiro de um presídio feminino. Ele soltou essa:

“Já trabalhei dez anos em presídio masculino e cinco em presídio feminino. Vou dizer: prefiro cuidar de 100 homens extremamente perigosos do que cuidar de uma mulher só. É que os homens em geral, por mais truculentos que sejam, quando você chama ele na responsa, o cara acaba admitindo o erro, abaixa a cabeça e fala “Sim, senhor”. Já a mulher nunca admite. A mulher tem estágios. No primeiro ela chora. Quando não funciona, ela passa pro segundo que é discutir com você. Quando também não funciona, ela vai pro terceiro estágio que é o de ficar agressiva. Quando nenhum deles funciona, ela então apela pro quarto estágio que é o da auto-mutilação. Ela se corta, bate a cabeça contra a parede, o escambau. Mas ela nunca admite que tá errada”.

Eu sei que muitas mulheres vão achar essa colocação machista. Eu particularmente, até acho um pouco controversa. Mas por experiência própria, acho que faz sentido sim, (eu já testemunhei esses quatro estágios – e não foi só uma vez não) embora conheça algumas mulheres que sabem admitir quando erraram, e conheço alguns homens que nunca admitem. Mas no momento que o carcereiro falava, eu vi os homens assentindo com a cabeça. E até algumas mulheres também. Qualquer semelhança com a vida aqui fora deve ser mera coincidência, né?

Vai mais uma horinha de Radiohead no YouTube aí?

Dessa vez com a banda se apresentando no programa de Jools Holland, em 2001.

Sente o repertório:

“National Anthem” {missing intro}
“Morning Bell”
“Lucky”
“Knives Out”
“Life In A Glasshouse”
“Packt Like Sardines In A Crushed Tin Box”
“No Surprises” {ending cuts off}
“Exit Music for a Film”
“I Might Be Wrong”
“Street Spirit” {audio buzzes hard, sorry}
“Paranoid Android”
“Idioteque”
“The Bends” {missing outro}

Os 50 melhores discos de 2008: 22) 3 na Massa – Na Confraria das Sedutoras

A inspiração original é Serge Gainsbourg, com seu pop de aparente baixa periculosidade feito para ser sussurrado por vozes sensuais de mulheres com personalidade. Mas em vez de simplesmente homenagear o bardo francês, o 3 na Massa alinha-se a projetos que, por linhas diferentes, também vieram buscar inspiração no bon vivant original – como o Stereolab, o Portishead, os projetos paralelos de Dan the Automator (o Lovage com Mike Patton ou o Handsome Boy Modelling School com Prince Paul), os Beastie Boys instrumentais e o projeto Vampyros Lesbos, pairando entre instrumentais viajandões (a tal “Massa” do nome do grupo), letras por vezes decorativas (mas sempre pingando duplo sentido), suíngue lo-fi e clima cinematográfico. Este último vem graças à presença de cantoras que também são atrizes e atrizes que poderiam ser cantoras – Cyz, Alice Braga, Pitty, Thalma de Freitas, Céu, Simone Spoladore, Nina Becker, Karina Falcão, Leadra Leal e Nina Becker. O trio, formado por Rica Amabis (do Instituto) e pela cozinha da Nação Zumbi (o baixista Dengue e o baterista Pupilo), ainda chamou outros cúmplices para cuidar do que essas meninas cantariam – e assim veio esse pelotão de canalhas românticos da ponte aérea Vila Madalena-Recife, com escala no Rio de Janeiro (como Amarante, Lirinha, China, Du Peixe, Alex Antunes, Catatau e dois Mombojós), escrevendo na primeira pessoa feminina, deixando o ar teatral e voraz das vocalistas ainda mais terreno e mundano, ar que o trio deixa torna caseiro, familiar, aconchegante. Tudo em casa.

22) 3 na Massa – Na Confraria das Sedutoras

3 na Massa e Cyz – “Quente Como Asfalto

Phantom Band – Checkmate Savage

O andamento começa mansinho, constante, quadrado, kraut: “The Howling” abre Checkmate Savage, o disco de estréia da Phantom Band, como se esgueirasse por um lugar escuro. O grave eletrônico distorcido que sai do teclado de Andy Wake marca o tempo com a bateria de Damian Tonner, criando o ambiente para o vocalista Rick Antony, de timbre grave e seco, começar a conversar a letra da música. Aos poucos surgem as guitarras de Duncan Marquiss e Greg Sinclair entrelaçadas ao baixo de Gerry Hart, primeiro soltando notas aqui e ali, até que o chamado sintetizador as libera para os riffs – e a bateria encontra os pratos, enquanto o vocalista canta o título da canção, acompanhado por diferentes vocais de apoio (uns sérios, outros paródicos). Eis o som da Phantom Band de Glasgow: uma certa monotonia pós-punk adocicada com canções folk, com tempero krautrock e alguma levada de noise, sem demonstrar respeito por cânones sisudos, embora seu tom seja quase sempre solene. Com um impecável disco de estréia, eles bebem de fontes tão diferentes quanto Neu!, Television, The Band e Velvet Underground e soam como uma espécie de primo cerebral do National. Vai na fé.


Phantom Band – “Throwing Bones