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O otimismo radical de Dua Lipa

3 de maio é a data que Dua Lipa marcou para lançar o sucessor do excelente Future Nostalgia, batizado de Radical Optimism. Além dos singles já lançados (“Houdini” e “Training Season“), o novo álbum, que já está em pré-venda, traz essa capa maravilhosa da inglesa encarando um tubarão, começa com uma canção chamada “End of an Era” e ainda traz outras batizadas com títulos como “French Exit”, “Anything for Love” e “Maria”. “Há alguns anos, um amigo me apresentou o conceito de otimismo radical, que achei tem a ver comigo”, contou a cantora. “Fiquei curiosa e comecei a brincar com isso, costurando-o em minha vida. E me bateu – a ideia de atravessar o caos com graça e sentir que posso ultrapassar qualquer tempestade.” O disco tem produção de Caroline Ailin, Danny L Harle, Tobias Jesso Jr. e do senhor Tame Impala, Kevin Parker. A cantora revelou em uma entrevista à Rolling Stone que o trabalho tem influência da cena dance inglesa do começo dos anos 90, citando o clássico Screamadelica, do grupo Primal Scream, como forte influência, além de mencionar bandas como Massive Attack, Gorillaz, Moby, Blur e Oasis. E não custa lembrar que seu ótimo segundo disco, um dos melhores discos de dance music deste século, foi lançado no mesmo ano em que a pandemia se abateu sobre nós – então de otimismo radical ela entende.

Veja abaixo a ordem das músicas:
 

Todos os singles do Pavement

O Pavement está vindo para o Brasil no que pode ser um dos últimos shows dessa safra de apresentações que o grupo tem feito desde 2022 (sua melhor fase ao vivo, fácil) e a gravadora Matador acaba de anunciar mais uma compilação dedicada ao grupo californiano. A caixa Cautionary Tales: Jukebox Classiques reúne os 18 compactos que a banda lançou na sua década de existência, entre 1989 e 1999, quando lançaram discos por gravadoras indies como Treble Kicker, Domino, Drag City e Big Cat, além da própria Matador. Além dos discos com suas capas originais e seus respectivos lados Bs (que incluem versões para músicas do Fall e Echo & The Bunnymen, demos, faixas ao vivo e versões alternativas), a caixa, que é limitada e só será vendida pela internet (por este link), ainda trará um encarte de 24 páginas. Veja abaixo toas as faixas incluídas na coletânea:  

Complementares

Foi bem bonito o encontro inédito que o baterista Pedro Fonte e a violonista Tori apresentaram nessa terça-feira, no Centro da Terra. Os dois reuniram seus repertórios e se acompanharam no espetáculo O Instante do Derretimento, em que o carioca e a sergipana puderam entrelaçar instrumentos, cantos e canções acompanhados do baixista baiano Toro. A apresentação ainda contou com a aparição surpresa do trombonista Antônio Neves – que também tocou trompete no show -, formalizando uma novidade que parecia já ter anos de convivência. Que sigam essa jornada juntos!

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Assista abaixo:  

Tori + Pedro Fonte: O Instante do Derretimento

Nesta terça-feira, no Centro da Terra, a sergipana Tori e o carioca Pedro Fonte fundem o repertório dos discos que lançaram no ano passado (respectivamente Descese e Late Night Light) no espetáculo intimista O Instante do Derretimento, em que tocam seus instrumentos – guitarra e bateria – enquanto passeiam por suas canções, acompanhados do baixista Toro e com uma atração surpresa. A apresentação começa pontualmente às 20h e ainda há ingressos à venda neste link.

Weezer de volta ao planeta azul

E quem está voltando pro passado é o Weezer, que acaba de anunciar uma turnê pelos Estados Unidos no segundo semestre, quando tocarão a íntegra de seu disco de estreia, o famigerado disco azul batizado apenas com o nome da banda, que completa trinta anos no próximo dia 10 de maio. A turnê Voyage to the Blue Planet começa no dia 4 de setembro e passará por mais de 20 cidades por seu país, com abertura de bandas como Flaming Lips e Dinosaur Jr., e certamente deve ter mais datas anunciadas pela Europa, Ásia e, torçamos, América do Sul (quem tem coragem de trazê-los?). Os ingressos começam a ser vendidos nesta quarta-feira, primeiro para os integrantes do fã clube da banda, e depois para o público geral a partir da sexta-feira, mesmo dia em que o grupo toca em um aperitivo da turnê ao passar o disco na íntegra no Lodge Room de Los Angeles, quando terá abertura da banda Dogstar (também conhecida como a banda do Keanu Reeves), num show que já está esgotado. E em entrevista ao site Audacy, o líder da banda, Rivers Cuomo, contou que uma caixa com material da época está começando a ser pensada: “Coisas bem do começo da banda”, contou o vocalista, mencionando gravações de shows da época e que ainda não há data para este lançamento, mas que deve coincidir com a nova turnê.

Cowboy Carter: o segundo ato de Beyoncé

Cowboy Carter é o nome do segundo ato da trilogia Renaissance, segundo a própria Beyoncé anunciou nesta terça-feira em um simples stories em sua conta no Instagram. O novo capítulo da saga é dedicado à country music e um dos singles lançados anteriormente, “Texas Hold’Em” (lançado no mesmo dia que “16 Carriages”), já entrou para a história ao colocá-la no topo da parada de singles country dos EUA, algo que nenhuma mulher negra havia feito. O disco está agendado para o dia 29 de março e já está em pré-venda. Ao anunciar o novo ato, ela mostrou uma imagem de uma sela de cavalo com decorada com uma faixa com o título do álbum, mas não sabemos se esta será a capa de fato, uma vez que em seu site o disco surge apenas com a cor preta, seu nome e o título do novo trabalho. E ainda há especulações que ela talvez tenha gravado (ou usado um sample) de “Jolene”, clássico da musa country Dolly Parton. Segura!

Eric Carmen (1949-2024)

Quem nos deixa agora foi Eric Carmen, um dos heróis do power pop à frente de sua banda os Raspberries, que, entre 1970 e 1975, forjou pérolas como “Go All The Way”, “I Wanna Be With You”, “Tonight”, “On The Beach”, “Don’t Want To Say Goodbye”, “Overnight Sensation (Hit Record)”, “I Don’t Know What I Want” e “Let’s Pretend”. Sua carreira solo foi deixando esse frescor de lado com os anos, aproximando-o daquele tenebroso terreno em que o soft rock se encontra com o hard rock, gerando as famigeradas power ballads, não sem antes emplacar dois hits imortais nessa seara, ambos inspirados em obras do compositor russo Sergei Rachmaninoff: a inesquecível “All By Myself” e “Never Gonna Fall in Love Again”. Ainda emplacou “Hungry Eyes” na trilha sonora de Dirty Dancing, gravando mais espaçadamente a partir dos anos 80, além de tocar na banda de Ringo Starr. Sua morte aconteceu no fim de semana e a sua esposa Amy Carmen acaba de anunciá-la no site oficial de Carmen.

Preces delicadas

Linda linda a segunda apresentação que Luiza Brina fez de sua temporada Aprendendo a Rezar no Centro da Terra. Dessa vez acompanhada apenas de seu violão e da MPC conduzida pelo produtor de seu próximo disco, Charles Tixier, ela descortinou canções inéditas emendando uma na outra, borrando o final de uma com o começo da outra apenas com seu belo violão, que casa perfeitamente com sua voz tocante. Tixier, por sua vez, em vez de simplesmente disparar samples e trechos da orquestra que os dois reuniram para acompanhar a cantora mineira em seu álbum vindouro, optou por uma versão minimalista, tocando percussões sintéticas que apenas ajudavam a criar uma calma macia o suficiente para Brina deixar suas canções deslizar.

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Assista abaixo:  

Karl Wallinger (1957-2024)

Mais um que se vai cedo: Karl Wallinger, tecladista do grupo irlandês Waterboys e ele mesmo dono do grupo de um homem só World Party, despediu-se deste plano no domingo. De origem galesa, ele foi um dos primeiros diretores musicais da versão em palco da peça de glamour decadente Rocky Horror Picture Show antes que ela virasse um filme. Entrou para os Waterboys em 1983, depois da formação da banda, mas é um dos autores de seu maior hit, a irresistível “The Whole of the Moon”. Montou seu projeto paralelo World Party em 1986 e com ele emplacou mais um hit, a ótima “Ship of Fools”, e seguiu com o grupo mesmo após o fim dos Waterboys, no início dos anos 80. Colaborou com o primeiro disco de Sinéad O’Connor, que por sua vez participou dos dois primeiros discos de sua banda, e fez a trilha sonora do clássico indie Caindo na Real, que revelou uma nova geração de atores norte-americanos, como Winona Ryder, Ethan Hawke, Janeane Garofalo, Steve Zahn, Ben Stiller, Renée Zellweger e Andy Dick. Também envolveu-se com a produção do filme Patricinhas de Beverly Hills, também cuidando da trilha sonora. Sofreu um derrame em 2001, o que fez com que o World Party não lançasse mais discos, embora continuasse fazendo shows. A causa de sua morte não foi revelada.

Zona de Interesse é sobre aqui e agora

O Oscar é um jogo de cartas marcadas, a voz da indústria e é bem provável que seus filmes e cineastas favoritos nunca foram agraciados com a estatueta, mas a premiação tem seus momentos, como este discurso do inglês Jonathan Glazer, autor do excelente Zona de Interesse, que ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro. Pra mim é o melhor filme da temporada e não apenas por mostrar a Segunda Guerra Mundial de um ponto de vista apenas sonoramente explícito ou por sua visão de vídeo-arte para um assunto tão delicado, mas mais especificamente por usar o Holocausto para metáfora para outros tempos, inclusive agora. E isso não diz respeito apenas ao genocídio em Gaza ou à ascensão do neonazismo, como o diretor fez questão de frisar em seu discurso, mas sobre todos nós que vivemos no conforto de nossos lares, vizinhos de torturas, tragédias, massacres e todo tipo de violência, fingindo que não perguntamos se aquele escapamento que estourou na rua não pode ser um tiro – esteja você em qualquer lugar do planeta. Se há um filme para ser visto atualmente, este é Zona de Interesse.

Assista abaixo: