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Trabalho Sujo All Stars | 12.1.2024

E sigo as comemorações do meu aniversário este ano com mais uma festa, dessa vez na sexta-feira, no Bar Alto, quando reúno outros capricornianos para celebrar juntos na primeira Trabalho Sujo All Stars de 2024. Começo tocando às 19h e depois recebo, a cada hora, as digníssimas presenças de Pérola Mathias, Tomaz Paoliello e Bamboloki, todos filhos de janeiro no verão que me ajudam a tornar essa noite memorável, como sempre. A festa acontece ali no Bar Alto (Rua Aspicuelta, 194), na Vila Madalena, e não paga nada para entrar. Vamos?

De volta ao 1973 de João Gilberto – duas vezes

Nesta quinta e sábado, Cacá Machado e Laura Lavieri mais uma vez apresentam o espetáculo Melhor Do Que O Silêncio, dedicado ao clássico disco de 1973 de João Gilberto, em que assino a direção executiva. As apresentações desta vez acontecem em duas unidades do Sesc – nesta quinta-feira, às 21h, no Sesc Pompeia, e neste sábado, às 19h, no Sesc Jundiaí. Os dois são mais uma vez acompanhados do percussionista Igor Caracas e juntos desbravam o disco que também é conhecido como “o álbum branco de João Gilberto”, devido à cor de sua capa, que mostra o maior artista brasileiro no momento mais minucioso de sua voz e violão, registrados pela produtora Wendy Carlos com acompanhamento cirúrgico do baterista Sonny Carr. Os dois conversaram com o blog Farofafá sobre essa apresentação, que ainda conta com a luz de Fernanda Carvalho, a direção de arte de Amanda Dafoe e a produção de Guto Ruocco da Circus. Ainda há ingressos disponíveis para as duas apresentações, embora as do Sesc Pompeia estejam quase no final…

Moraes Moreira vive!

Um dos maiores nomes da música brasileira nos deixou precocemente no início do 2020 da pandemia: Moraes Moreira nos deixou com parcos 72 anos e vivendo sua carreira intensamente, como de praxe. Mas se por um lado sua vida foi interrompida de forma brusca, sua arte segue viva e cada vez mais presente, como registra o compadre Luciano Matos em seu blog El Cabong. Além de uma exposição sobre o cantor e compositor baiano (Mancha de Dendê não sai – Moraes Moreira, que já passou por Salvador e ainda passa pelo Rio de Janeiro, Fortaleza, Brasília e talvez Recife) e um disco de frevos inéditos que estava fazendo ao lado de seu filho, Davi Moraes, e do produtor e baterista Pupillo Oliveira (que além de arranjos escritos pelos maestros Spok, Nilson Amarante, Duda e Henrique Balbino, ainda conta com participações de Criolo, Céu, Lenine, entre outros), nove discos de carreira do velho Moraes chegam finalmente às plataformas de streaming, completando sua discografia online. Ainda há uma biografia escrita por seu irmão Walter Pires ao lado do cordelista e jornalista potiguar Crispiniano Neto, batizada de Moraes Moreira – De Cantor para Cantador, que será lançada pela editora cearense Imeph, que ainda pretende lançar outros dois livros inspirados em Moraes, o infantil A Lenda do Pégasus, escrito com Jorge Mautner com ilustrações de Silvana Menezes, e um livro de poemas. Além disso, a diretora carioca Cecília Amado (de Capitães da Areia e Reggae Resistência) está planejando uma série biográfica sobre a história do músico vai realizar um doc focado na vida e obra do artista. Luciano fala mais dessas novidades em seu site, além de resenhar cada um dos oito discos que começam o ano nas plataformas digitais: Moraes Moreira (1981), Coisa Acesa (1982), Pintando o Oito (1983), Mancha de Dendê Não Sai (1984), Tocando a Vida (1985), Mestiço é Isso (1986), Bahiano Fala Cantando (1988), República da Música (1988) e Cidadão (1991). Confere lá,

The Smile no cinema

Às vésperas do lançamento de seu terceiro álbum (se contarmos o disco ao vivo gravado em Montreux), o trio The Smile lança mais uma música de seu próximo trabalho, Wall of Eyes, que será lançado no próximo dia 26 (e está em pré-venda faz tempo). A balada “Friend of a Friend” leva a experimentação sonora do grupo formado pelos líderes do Radiohead Thom Yorke e Jonny Greewood (ao lado do baterista Tom Skinner, do grupo Sons of Kemet) para outros horizontes e o clipe abstrato e fluido, dirigido, mais uma vez, pelo cineasta Paul Thomas Anderson, reforça esse novo lugar sonoro dos três, com cores tingidas pela Orquestra Contemporânea de Londres e pelo saxofonista Robert Stillman. O novo single vem junto com o anúncio de uma pré-estreia do novo trabalho que acontece em cinemas de onze países. Wall Of Eyes, On Film é uma sessão de cinema que trará os clipes para “Friend of a Friend” e “Wall of Eyes”, além de clipes do Radiohead (“Dadydreaming” e duas gravações de Jonny e Thom na época do A Moon Shaped Pool, tocando “Present Tense” e “The Numbers” – podia ter os dois tocando “The Rip” do Portishead, da mesma época, hein…) e do Anima de Thom Yorke, todos dirigidos por Paul Thomas Anderson em versões em 35 milímetros e som surround. O evento ainda terá uma audição na íntegra do segundo disco de estúdio do grupo e imagens que o cineasta fez durantes as gravações do disco – e quem for ainda pode comprar merchandising exclusivo da banda, como fitas cassetes, camisetas e um fanzine. Infelizmente a sessão não passa pelo Brasil – o mais perto da gente é a Cidade do México… A relação dos locais que receberão essa sessão e o clipe da nova música você pode ver abaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Xepa Sounds

Prontos pra aumentar ainda mais o calor do verão 2024? Então te prepara que a primeira edição do ano do Inferninho Trabalho Sujo, que acontece nesta quinta-feira, como sempre no Picles, tá em chamas. Quem começa ateando o fogo – e já com os pés na fogueira do carnaval – é o trio Xepa Sounds, em que Thiago França, Pimpa e Samba Sam atiçam o começo do fervo com gasolina musical! Depois, eu e a Francesca, devidamente recarregados depois do descanso do fim do ano, aumentamos ainda mais a temperatura com hits que atravessam a madrugada cuspindo labaredas sonoras que não deixam ninguém parado. O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, no coração de Pinheiros, e a festa começa a partir das oito da noite sem previsão de horas pra termina!

O Xx está preparando sua volta para 2024…

A movimentação dos integrantes do grupo inglês Xx está um pouco mais ativa do que o normal há uns dois anos. Sem lançar nada desde janeiro de 2017, o trio vem se movimentado com mais regularidade, especificamente pensando que não fizeram nada coletivamente após a pandemia. Mas individualmente estão indo bem: Oliver Sim lançou seu disco primeiro solo (Hideous Bastard) em setembro de 2002 e Romy Madley Croft lançou o seu (Mid Air), exatamente um ano depois – ambos discos com os dedos do terceiro integrante e produtor musical do grupo, Jamie Xx. Este, por sua vez, lançou dois singles no ano passado (“Let’s Do It Again” e “Kill Dem“) e acaba de lançar mais um, o ótimo “It’s So Good” (ouça abaixo), desta vez sob encomenda para o desfile da Chanel na Semana da Moda de Paris. E para confirmar o que estava sendo cogitado como rumor, Romy, que vem mostrar seu trabalho solo em abril por aqui, como uma das atrações do C6Fest, antecipou para o NME que o grupo está preparando sua volta. E comenta que têm conversado, já no estúdio, sobre os projetos que fizeram separamente: “‘O que aprendemos? O que devemos fazer agora?'”, contou a vocalista ao velho semanário inglês, “acho que estamos muito abertos e é animador estar começando de novo, de alguma forma. Começamos a fazer algumas músicas e estou realmente animada.”  

Wilco celebra David Bowie

Nesta segunda-feira, David Bowie completaria 77 anos se estivesse vivo e entre as várias celebrações a um dos papas da cultura pop contemporânea, o grupo Wilco acaba de revelar a versão que fez ao vivo para o primeiro hit do ícone inglês, “Space Oddity”. A versão é a primeira faixa revelada da coletânea Live On Mountain Stage: Outlaws and Outliers, que reúne apresentações ao vivo de diferentes artistas que passaram pelo programa Mountain Stage da emissora de rádio pública norte-americana NPR. O grupo optou por uma versão acústica da canção existencialista que Bowie lançou quando o homem pousou na Lua, em 1969, com Jeff Tweedy sussurrando a letra original enquanto a banda constrói, delicadamente, o arranjo original. A coletânea será lançada no dia 19 de abril (que já está em pré-venda) e reúne outros artistas norte-americanos como Jason Isbell, Indigo Girls, Steve Earle, Lucinda Williams, entre outros. Ouça a versão do Wilco para “Space Oddity” abaixo:  

Franz Beckenbauer (1945-2024)

Outro ícone do futebol-arte que nos deixa neste início de ano, o Kaiser foi o maior nome do futebol alemão e ganhou duas copas – uma como jogador (em 1974) e outra como técnico (em 1990). Morreu dormindo.

Pop brasileiro ímpar

Ao completar três décadas em atividade, o Pato Fu talvez seja o exemplo mais improvável do que é o pop brasileiro. Sem ancorar-se em cânones já estabelecidos, o grupo mineiro traça sua própria linhagem ao enfileirar canções que fogem daquilo que se espera quando falamos do mercado de música para as massas no país ao mesmo tempo em que cria uma sonoridade única, que bebe de diferentes fontes musicais sem parecer derivado deste ou daquele gênero musical ou linha genealógica. Em mais uma bateria de shows celebrando seus três fins de semana abrindo a programação musical do ano do Sesc Pinheiros, o grupo formado por Fernanda Takai, John Ulhoa e Ricardo Koctus lotou três datas no teatro Paulo Autran e enfileirou quase duas horas de hits que, em sua maioria, são tão reconhecíveis e radiofônicos (seja lá o que isso queira dizer hoje em dia) quanto experimentais e ímpares. Amparados pelo baterista Alexandre Tamietti e pelo tecladista Richard Neves, o trio recapitulou o próprio cancioneiro lembrando também de sua história audiovisual, usando um telão para lembrar dos clipes que filmaram em sua trajetória, sincronizando a imagem dos vídeos às canções que estavam sendo tocadas na hora, ao mesmo tempo em que no palco estão em ponto de bala, afiadíssimos tanto no ponto de vista instrumental quanto nas piadas infames trocadas entre os três, exercitando dois pontos específicos da cultura belorizontina (a excelência instrumental e o humor que se finge de bobo). O show foi maravilhoso e desfilou hits inevitáveis (“Sobre o Tempo”, “´Água”, “Antes que Seja Tarde”, “Depois”, “Menti Pra Você”, “Canção Para Você Viver Mais”, “Made in Japan”), versões de sucessos alheios (“Ando Meio Desligado”, “Eu Sei” e “Eu” – esta última com a participação surpresa de BNegão, que saiu da plateia direto para o palco -, canções solitárias na primeira pessoa feitas por artistas tão ímpares quanto o próprio Pato Fu) e clássicos que há tempos o grupo não visitava ao vivo (“Spoc”, “Vida Imbecil”, “Capetão 66.6 FM”, “O Processo de Criação Vai de 10 a 100 Mil”), incluindo uma inacreditável versão ao vivo para a faixa-título do primeiro disco do grupo, Rotomusic de Liquidificapum, que usaram para encerrar a apresentação, exibindo no telão a foto que era a capa da primeira fita demo do grupo (a infame Pato Fu Demo, que guardo até hoje). Um excelente show para começar os trabalhos de 2024. Vida longa ao Pato Fu!

Assista aqui: