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Todo o show: Cinco vezes Lô Borges (2017, 2019 e 2024)

Felizmente vi vários shows do Lô Borges nessa vida, além de poder entrevistá-lo e conversar com ele algumas vezes. Desses shows que vi, consegui filmar cinco deles, a maioria de quando ele pode mostrar seu primeiro disco solo – o disco do tênis – pela primeira vez ao vivo. Vi quatro shows dessa leva, dois em 2017 e dois em 2019, sendo que um deles pude assistir em Belo Horizonte. O último deles eu vi no ano passado, quando ele se reuniu a Beto Guedes e Flávio Venturini em um show triplo no Espaço Unimed – com cada um dos mineiros fazendo seu show solo de mais de uma hora e só se encontrando no final do show de Lô, para um único momento dos três no palco ao mesmo tempo. Em todos esses que vi, Lô estava feliz, lúcido, animado e jogando sempre para o público, satisfeito de poder fazer o que mais gostava e viver disso – música. Uma perda lastimável, ainda mais sabendo que ele estava longe de pensar em aposentadoria. Obrigado, Lô.

Assista aos shows abaixo:  

O Massive Attack vem com Elizabeth Fraser e Horace Andy pro Brasil!

Que tal uma boa notícia? O que suspeitávamos foi confirmado neste domingo, quando o grupo Massive Attack apresentou-se no festival Music Wins! em Buenos Aires: a banda incluiu tanto a diva Elizabeth Fraser quanto o mago Horace Andy entre os integrantes de sua banda. Ela é mais conhecida como a voz angelical que deixava todos os fãs de Cocteau Twins flutuando acima do show com seu timbre mágico e ele é uma das vozes mais clássicas da era de ouro da música jamaicana, sendo lançado pelo capo do mítico Studio One, Coxsone Dodd. Ambos entrelaçaram suas biografias musicais ao Massive Attack em sua obra-prima de 1998, Andy cantando pedradas como “Angel”, “Man Next Door” e a versão com letra de “(Exchange)”, Liz encantando em joias como “Black Milk”, “Group 4” e, claro, “Teardrop”, três delas cantadas em Buenos Aires. Andy canta apenas “Angel” daquele disco, mas também compareceu cantando “Girl I Love You”, mas a senhorita Fraser foi bem aproveitada e, além das músicas do disco de 1998, também cantou “Song to the Siren”, versão para uma música de Tim Buckley que tem uma carga emocional dupla para a vocalista. O grupo gravou uma versão desta música para o disco do This Mortal Coil, projeto musical de Ivo Watts-Russell, dono da 4AD, gravadora dos Cocteau Twins e “Song to the Siren” tornou-se uma das músicas mais tocadas do grupo. A música ainda carrega o fardo emocional de ter sido composta pelo pai de Jeff Buckley, com quem Fraser teve um relacionamento nos anos 90, e sobre quem ela escreveu a letra de “Teardrop”, quando soube que ele havia sumido depois de ter ido nadar em um rio. Ela gravou a música pouco depois de ter escrito a letra, tomada pelo sentimento de insegurança pelo desaparecimento do amigo, que mais tarde foi encontrado morto às margens do rio. E não custa lembrar que o show do Massive Attack na Argentina foi dentro de um festival e que aqui no Brasil vai ser um show solo, com abertura dos irmãos Cavalera tocando o clássico Chaos A.D., do Sepultura. Ou seja, pode ter muito mais coisas por aqui.

Assista abaixo:  

Um abraço no Lô

Maravilhosa a noite de abertura da temporada Paisagens e Conexões que Ari Colares começou a fazer às segundas-feiras de novembro no Centro da Terra, quando reuniu Ricardo Zoyo (baixo), Viviane Pinheiro (piano), Benjamim Taubkin (piano) e Oran Etkin (sax, clarone e clarinete) ao redor de sua vasta percuteria. Trabalhando esta noite a partir do improviso livre ou, como preferiu frisar, de criação coletiva, salientando que, no encontro com aqueles músicos, tão importante quanto tocar é ouvir, papel que Taubkin fez questão de sublinhar ao apontar para a plateia como parte deste momento de audição atenta. Minutos adentro de diferentes curtas instrumentais que pareciam saber como começar e terminar e logo depois Ari comentar sobre a música como uma conversa sem palavras entre os instrumentistas, o próprio Taubkin fez questão de mostrar isso na prática, desfolhando, aos poucos, dentro do que parecia ser só uma criação espontânea, a eterna “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” no mesmo dia em que ficamos sabendo da partida de Lô Borges, sendo seguido harmoniosamente por seus companheiros de palco, compartilhando – junto com quem estava na platéia – o sentimento de gratidão em relação à grandeza do melodista mineiro, que nos deixou tão cedo. Foi emocionante.

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Ari Colares e A Canoa: Paisagens e Conexões

Imensa satisfação em receber o mestre percussionista Ari Colares que traz sua Canoa para as segundas-feiras no Centro da Terra, quando celebra encontros musicais em quatro apresentações distintas em sua temporada Paisagens e Conexões. Na primeira segunda do mês, ele trabalha com a alta escuta musical e a criação espontânea ao lado do baixista Ricardo Zoyo, dos pianistas Viviane Pinheiro e Benjamim Taubkin e dos sopros de Oran Etkin. Na segunda apresentação do mês, dia 10, Ari, Zoyo e Vivianne recebem as flautas de Ariane Rodrigues, o violino e a rabeca de Vanille Goovaerts e os sopros de Alexandre Ribeiro, além da participação de Ricardo Herz, também no violino e rabeca. No dia 17, ele reúne-se com Lenna Bahule e Lari Finocchiaro para mostrar composições próprias e músicas tradicionais das culturas africana e brasileira. A última noite, dia 24, o reúne à pianista Heloísa Fernandes e ao mago flautista Toninho Carrasqueira. Os espetáculos começam pontualmente sempre às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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AC/DC no Brasil!

O AC/DC acaba de anunciar que fará mais uma turnê e passa pela primeira vez no Brasil em 16 anos! Batizada de Power Up, a excursão da banda australiana vem para o continente americano no ano que vem, quando passam primeiro pela América do Sul (tocando dia 24 de fevereiro em São Paulo, 11 de março em Santiago, 23 em Buenos Aires) e toca depois para a América do Norte (passando na Cidade do México dia 7 de abril e subindo para os Estados Unidos e Canadá a partir de julho. Os ingressos para o show no Brasil começam a ser vendidos na próxima sexta, neste link. Eu é que não sei se tenho mais disposição pra encarar um show dos caras…

Weezer puxa a nova geração de clássicos do rock

Quem brilhou neste domingo, mesmo com o som baixo do Índigo Festival, foi o Weezer do menino Rivers Cuomo, que lavou a alma dos fãs ao transpor o repertório para além do disco azul, que teoricamente era o centro do show. Tocando 20 músicas em pouco mais de uma hora, o grupo também passa por uma transformação geracional, quando as bandas de indie rock dos anos 90 começam a surgir como artistas de um novo rock clássico. Falei sobre isso no texto que escrevi sobre o show pro Toca UOL.  

Acertando as medidas

Com apenas cinco shows (todos bons) e poucas horas de duração, o Índigo Festival, que aconteceu neste domingo no Parque Ibirapuera, conseguiu acertar as medidas para que um festival de música não se tornasse nem sinônimo de maratona nem de perrengue. Claro que tem coisas pra se corrigir (uma atração brasileira? O som poderia estar mais alto e a duração poderia ser ainda menor), mas para uma primeira edição, o festival fez bonito, ainda mais encerrando em grande estilo com o Weezer. Escrevi sobre o festival em mais uma colaboração para o Toca UOL.  

Desbravando o deserto

As paisagens musicais desenhadas pela música são entendidas de formas diferentes por cada um dos ouvintes, mas é impressionante como o quarteto de rock tuaregue Etrain de L’Air consegue fazer todo o público sintonizar numa mesma frequência, que desenha horizontes desérticos e caravanas em movimento ao mesmo tempo em que põe todos para dançar. O fato de subirem ao palco vestidos com suas túnicas, taguelmustes e lithams inevitavelmente aciona o inconsciente coletivo que nos leva ao norte da África, em que povos nômades cruzam o Saara em longas e pacientes travessias. Mas a junção de duas guitarras, baixo elétrico e bateria inevitavelmente nos leva para o território do rock, o que ajuda a traçar conexões tão distintas entre rockabilly, surf music e heavy metal buscando origens que podem estar mais perto do Equador do que se pensa. O quarteto do Níger foi uma das atrações do último fim de semana do Sesc Jazz e manteve o alto nível que pode ter tornar esta a melhor edição do festival. E não teve dificuldades de envolver o público em uma dança que, apesar de movida a guitarradas, era essencialmente impulsionada pelo ritmo e pelo groove dos quatro instrumentos atacando em uníssono. Um longo transe elétrico de mais de uma hora e meia transformou a comedoria do Sesc Pompeia em um bailão intenso, suor pingando do teto e o público completamente entregue ao grupo. Delírio.

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Toma mais duas do Magdalena Bay

Agora já são seis músicas que a dupla Magdalena Bay lança em sequência. Com as recém-lançadas “Unoriginal” e “Black-Eyed Susan Climb” a dupla norte-americana autora de um dos melhores discos do ano passado completa meia dúzia de canções que começou com “Second Sleep” e “Star Eyes”, lançadas há um mês, e seguiu-se com “Human Happens” e “Paint Me a Picture”. E mesmo que as canções tenham pontos em comum, ainda é indefinido o rumo para onde eles estão indo. “Unoriginal” é a mais simples de toda a leva de novas músicas e caminha como um pop rock sem muita inspiração, ao contrário de todas as outras. Já “Black-Eyed Susan Climb” segue o padrão de “Second Sleep” e “Paint Me a Picture”, ajudando a criar uma atmosfera de estranheza pop que parece conduzir estas novas músicas a um novo projeto. Tecnicamente, as seis músicas poderiam ser já um EP ou o começo de um novo álbum, mais do que faixas-extras de uma edição deluxe de Imaginal Disk. Mas eles não chegam a comentar nada… Só aumentam a curiosidade e enriquecem a própria mitologia…

Ouça abaixo: