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Fábio Massari faz 60 anos e quem ganha o presente é você: Acid Mothers Temple, Patife Band e Devotos na mesma noite!

Tá de parabéns nosso compadre Fábio Massari! Ele não só completa este anos seis décadas dedicadas aos bons sons, como faz isso em grande estilo, celebrando seu aniversário de 60 anos com o primeiro Massarifest – festival de um dia, com apenas três bandas (pra que mais?), reunindo nada mais nada menos que os reis do noise japonês Acid Mothers Temple, os pais do math rock Patife Band e a banda pioneira do punk rock no nordeste Devotos em uma apresentação que já nasce histórica. Os três shows acontecem na sexta-feira, dia 20 de setembro (o exato dia do aniversário do reverendo), no Fabrique e os ingressos já estão à venda! Vai ser pesado! E tomara que não seja o único – imagina um desses por ano? Afinal, jornalismo musical também se faz como curadoria, bem sabemos.

Chrystian (1956-2024)

Morreu nesta quarta-feira José Pereira da Silva Neto, mais conhecido como Chrystian, da dupla sertaneja Chyrstian & Ralf. Mais velho que o irmão que fazia a segunda voz, ele começou na carreira musical antes de abraçar o sertanejo, mas já com o pseudônimo americanizado, que adotou quando lançou-se como cantor que cantava em inglês nos anos 70 (quando isso era bem comum no país). Montou a dupla que o consagrou com o irmão Ralf Richardson da Silva, cinco anos mais novo, em 1982 e aos poucos foi trilhando a carreira que o tornou um dos principais nomes do gênero. Ao lado de Ralf, vendeu mais de 15 milhões de discos e emplacou músicas que estão no imaginário brasileiro até hoje, entre elas a imortal “Chora Peito”. A dupla foi pioneira na gravação de CDs no Brasil e no início do século propôs uma solução para a pirataria de CDs quando lançou o formato SMD (Semi Metalic Disc), que seria mais difícil de ser copiado, mas que não colou.Separou-se do irmão no início do século, mas logo voltaram a tocar juntos, até 2021, quando lançou-se em carreira solo. Apesar de divergências (entre elas políticas, Chrystian era bolsonarista, Ralf não), a separação aconteceu sem brigas e Chrystian cogitava voltar a trabalhar com o irmão num futuro próximo, mas somente após 2026, quando encerrava o contrato que havia assinado nesta nova fase. A morte de Chrystian segue a nefasta maldição que paira sobre os sertanejos, vitimando sempre o primeiro nome da dupla. Sua causa da morte não foi revelada pela família, mas ele já vinha passando por problemas de saúde, recentemente.

O alvorecer de Desirée Marantes

Quando chamei a Desirée Marantes pra dividir uma temporada com a Sue no ano passado no Centro da Terra, ela me contou que estava finalmente começando o primeiro trabalho com seu próprio nome. Depois de lançar discos com bandas, produzindo outros artistas e com seu projeto solo Harmônicos do Universo, ela estava certa de que era hora de deixar seu próprio nome repercutir. “É louco né, tu acharia que alguém que tem o nome Desirée Marantes já meio que tem pronto o nome artístico e deveria ser uma conclusão lógica, mas foi um processo de muitos anos fazendo parte de bandas, trabalhando com outros artistas, sempre priorizei muito a criação e projetos coletivos, tive selo de música, banquei lançamentos de outros artistas e em 2019 começou a surgir essa vontade de assinar com meu nome, de sair um pouco dos fundos do palco para a frente”, me explica a musicista, compositora e produtora gaúcha, que já emenda a explicação sobre porque ter demorado tanto. “Acho que minha analista poderia falar melhor sobre isso, mas devo confessar que eu me sinto um pouco tipo integrante de banda famosa que sai em carreira solo, porém eu nunca fiz parte de nenhuma banda famosa então é só isso mesmo”, ri. Prestes a lançar o primeiro projeto com o próprio nome, o EP Breve Compilado de Músicas para _______, no início de agosto, ela antecipa o primeiro single, que sai nesta quinta-feira, em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Quando Magma vira Lava” é uma faixa composta ao lado da dupla Carabobina a partir da observação da erupção de um vulcão.

Ouça abaixo:  

James Chance (1953-2024)

Triste saber da morte de James Chance nesta terça-feira. Um dos grandes nomes da cena nova-iorquina do final dos anos 70, ele primeiro fez parte do grupo Teenage Jesus and the Jerks, que projetou a carreira de sua então companheira, a madre superiora do pós-punk norte-americano Lydia Lunch, como depois de terminar o relacionamento por diferenças artísticas (ele queria um som mais expansivo e solar, ela mais introspectivo e noturno), lançou sua própria banda liderando o James Chance and the Contortions. Figura central na cena no wave, começou tocando versões de Velvet Underground e Stooges numa banda chamnada Death em Michigan, quando mudou-se para Nova York abraçando, ao mesmo tempo, duas vertentes musicais distintas da cidade – o free jazz e o punk. Com seus Contortions (que ganharam esse nome pois o crítico Robert Christgau disse que ele não tocava, mas “se contorcia”), alternava suas performances entre os vocais berrados e o sax estridente, quase sempre saindo na porrada com o próprio público. A banda foi escolhida para participar da primeira edição da coletânea No New York, produzida por Brian Eno (ao lado dos próprios Teenage Jesus and the Jerks, Mars e da primeira banda de Arto Lindsay, DNA) e seu primeiro álbum, Buy, é um dos principais registros daquela cena, inspirou artistas como Sonic Youth, Birthday Party, Swans, Konk, Big Black, Jon Spencer Blues Explosions, Liars, LCD Soundsystem, Black Midi, entre outros, além de seguir atualíssimo até hoje.

Começando bem

Bem bonita a apresentação que Paulo Ohana fez nesta terça-feira no Centro da Terra, antecipando o disco Língua na Orelha, que será lançado no fim deste mês ao tocar pela primeira vez com a banda com a qual gravou o disco: Bianca Godoi (bateria), Ivan “Boi” Gomes (baixo) e Ivan Santarém (guitarra), infelizmente desfalcada do saxofonista e flautista Fernando Sagawa, que não pode comparecer. Além de músicas do seu disco anterior – O Que Aprendi com os Homens -, ele mostrou a íntegra do disco ainda inédito e contou com a participação do cantor e compósitor Gabriel Milliet, que participou da apresentação pilotando um sintetizador e, primeiro só os dois e depois com a banda, passaram por “Grande Hotel São João”, do próprio Milliet, e pela bela “Ojos de Video Tape”, do excelente Clics Modernos do argentino Charly Garcia.

Assista aqui:  

Paulo Ohana: O Que Aprendi com a Língua dos Homens na Minha Orelha

Quem apresenta-se nesta terça-feira no Centro da Terra é o brasiliense Paulo Ohana, que faz a transição entre seu disco mais recente – O Que Aprendi Com os Homens, de 2021 – e seu próximo álbum – chamado Língua na Orelha. Entre os dois discos, a força da palavra como linha condutora de suas composições e do espetáculo, chamado didaticamente de O Que Aprendi com a Língua dos Homens na Minha Orelha. Ohana, que toca violão e guitarra e cuja sonoridade equilibra-se entre o indie rock, o folk e o jazz, vem acompanhado de uma senhora banda formada por Bianca Godoi (bateria), Fernando Sagawa (saxofone e flauta), Ivan “Boi” Gomes (baixo) e Ivan Santarém (guitarra) e a apresentação ainda conta com a parrticipação do cantor e compositor Gabriel Milliet. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Anouk Aimée (1932-2024)

Uma das grandes musas do cinema moderno, Anouk Aimée nos deixou nesta terça-feira, anunciou a própria filha da atriz, Manuela Papatakis, em um post no Instagram: “Com minha filha Galaad e minha neta Mila, temos a enorme tristeza de anunciar a partida de minha mãe Anouk Aimée. Estava ao lado dela quando ela faleceu esta manhã em sua casa, em Paris.” Nascida Francoise Dreyfus e filha de atores, ela troucou seu nome artístico em referência à primeira personagem de sucesso que interpretou (aos 14 anos, no filme La Maison sous la Mer, de Henri Calef) e depois trocou o sobrenome por “Aimée” (“amada”, em francês) após o poeta e roteirista Jacques Prévert sugerir a mudança, quando escreveu o papel da protagonista do filme Les Amants de Vérone especialmente para ela. Foi musa de alguns dos principais diretores dos anos 60 e sua presença em filmes como Le Rideau Cramoisi (de Alexandre Astruc), La Dolce Vita e 8½ (de Fellini), Lola (de Jacques Demy) e, obviamente, Un Homme et une Femme (de Claude Lelouch) determina o rumo destas obras. Com Lelouch visitou a personagem que lhe consagrou, Anne Gauthier, outras duas vezes, em Un homme et une Femme: Vingt ans Déjà (1986) e Les Plus Belles Années d’une Vie (2019). Trabalhou ainda com Bernardo Bertolucci (La Tragedia di un uomo Ridicolo, 1981) e Robert Altman (Prêt à Porter, 1994) e foi definida por Fellini como “o tipo de mulher que faz você morrer de preocupação”, após comparar sua beleza com a de Greta Garbo, Marlene Dietrich or Cindy Crawford: “estas grandes rainhas misterioras, sacerdotisas da feminilidade”. Au revoir, chérie!

Apocalipse magnético-eletrônico

Na terceira aparição no Centro da Terra dentro de sua temporada Curadoria do Medo, a dupla Test incorporou ainda mais um elemento que só foi resvalado na segunda noite. Se na primeira segunda-feira do mês, João e Barata tocaram sem interferência musical externa, deixando as intervenções pra área visual com a videoartista Carol Costa, na segunda começaram a trabalhar com manipulação dos próprios ruídos que faziam no palco, quando chamaram Douglas Leal, do Deaf Kids, para manipular as gravações que vinha fazendo durante a apresentação. Nesta semana, o processo foi ainda mais intenso quando a dupla chamou o maestro noise Leandro Conejo para reger o ruído eletrônico e magnético produzido pelo trio formado por Rayra Pereira, Miazzo e André Damião, este último tocando um instrumento que ele construiu a partir de uma TV portátil dos anos 80, que tornava o noise extremo da dupla dona da temporada ainda mais limítrofe. Um acontecimento.

Assista abaixo:  

As 40 melhores músicas do R.E.M., por eles mesmos

“Escrever canções e ter um catálogo de discos dos quais todos nós nos orgulhamos, que está aí para todo o mundo pelo resto do tempo, é sem dúvida o aspecto mais importante do que fizemos como uma banda. Em segundo lugar, conseguimos fazer isso durante todas essas décadas e continuar amigos. E não apenas amigos, mas queridos amigos. Amigos pra sempre”, disse Michael Stipe ao aceitar a entrada do R.E.M. ao Songwriters Hall of Fame, cuja cerimônia, que aconteceu nesta quinta-feira, viu o grupo voltar a tocar juntos depois de anos longe dos palcos. “Somos quatro pessoas que desde muito cedo decidiram que seriam donos das nossas próprias fitas masters e dividiríamos igualmente nossos royalties e créditos de composição”, continuou o vocalista. “Éramos todos por um e um por todos. E então começamos a fazer nosso trabalho desta forma. Funcionou bem, às vezes ótimo, e que viagem que foi. Realmente significa muito para nós que você nos reconheçam esta noite e por isso agradecemos por essa honra incrível.” O grupo aproveitou o barulho para ressuscitar uma playlist em que cada um de seus integrantes escolhe suas dez músicas favoritas, fazendo o próprio Top 40 da banda. E aproveitando a cerimônia, o programa CBS Mornings disponibilzou os 40 minutos da entrevista com o grupo no canal do YouTube da emissora norte-americana. Veja o discurso, a entrevista e a relação das músicas da playlist – e quem escolheu o que abaixo: