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Patti Smith ❤️ Lana Del Rey

Em turnê pela Europa, Patti Smith surpreendeu todo mundo quando, ao apresentar-se em Dublin, na Irlanda, nesta quinta-feira, anunciou que cantaria uma música que a lembrava dos “juventude selvagem” que teve ao lado de seu falecido marido, o lendário Fred “Sonic” Smith, do grupo MC5, pouco antes de entrar numa versão emotiva de “Summertime Sadness”, de ninguém menos que Lana Del Rey. Lindo demais, veja abaixo:  

Quinta desnorteante

Uma sexta em plena quinta-feira! Essa foi a vibe do último Inferninho Trabalho Sujo do semestre, que contou com duas atrações musicais desnorteantes, cada uma à sua maneira. A noite começou com o quarteto indie-prog-jazz Cianoceronte, ainda mais azeitados do que da última vez que os vi ao vivo, justamente quando estrearam o novo baterista Demian Verano. Com o novo integrante completamente sincronizado com os outros três (a tecladista e vocalista Eduarda Abreu, o baixista Victor Alves e o guitarrista Bruno Giovanolli), a banda nem precisa trocar olhares para acompanhar as trocas de andamento e tempo que seu som quase todo instrumental propõe, numa apresentação que ainda contou com a participação do saxofonista Gabriel Gadelha. Showzão.

Depois foi a vez da dupla Desi & Dino fazer sua estreia oficial, segundo os próprios. Juntos, Desirée Marantes e Dinho Almeida reuniram eletrônicos e pedais para, cada um com seu instrumento, puxar vibes espaciais e oníricas: Dinho com a guitarra cheio de efeitos e o vocal completamente à solta e Desi com seu violino hipnótico, empilhando camadas de drone com melodias improvisadas. Os dois colocaram a plateia do Picles – que, mais uma vez, reunia boa parte da cena independente cheia de curiosidade – em um transe bem específico, por poucos minutos que abriam portais nas cabeças dos presentes. Puro delírio. Depois pude receber de volta a querida Francesca de volta à nossa pistinha e foi uma noite daquelas, quem foi sabe. E te prepara porque o julho do Inferninho Trabalho Sujo, comemorando um ano na ativa, vai pegar fogo! Aguarde e confie.

Assista abaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Cianoceronte e Desi & Dino

O último Inferninho Trabalho Sujo do mês de junho acontece excepcionalmente numa quinta-feira, mas com o mesmo fogo da sexta. A noite começa temperada pela psicodelia indie-prog do grupo Cianoceronte, que mistura rock clássico com música brasileira e está produzindo seu primeiro álbum. Depois deles é a vez da dupla Desi & Dino, formada pela violinista e produtora gaúcha Desirée Marantes ao lado de seu compadre goiano Dinho Almeida, dos Boogarins, que conduz a noite numa viagem daquelas. Depois recebo de volta a querida Francesca Ribeiro, que nos presenteia com o calor de quem acabou de voltar de sua primeira turnê internacional para inflamar ainda mais as temperaturas madrugada adentro. Quem conhece sabe… O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde e a primeira banda entra às dez da noite, por isso chega cedo pra sentir todo o calor dessa noite junina…

O segundo disco de Chico Bernardes

Sai nessa sexta-feira o segundo disco de Chico Bernardes, Outros Fios, cinco anos depois de seu homônimo disco de estreia, lançado antes da pandemia. Nesse meio-tempo, Chico vem burilando suas novas canções pacientemente em seu estúdio em casa, com a mesma meticulosidade do primeiro trabalho, mas se isso parecia puxar pela introspecção e fazê-lo afundar ainda mais em seu violão, o resultado não poderia ser mais diferente. Além de mostrar um claro amadurecimento criativo – tanto musical quanto conceitual -, o novo álbum traz suas canções, que antes eram quase sempre conduzidas por sua voz delicada e seu violão intrincado, agora com novos instrumentos e andamentos. Os três singles que mostrou até agora funcionam como um bom apertivo do novo trabalho: “Assim“, cheio de teclas e com bateria; “Motivo“, sem violão (com teclado, baixo e bateria) um gostinho Pet Sounds que me lembrou High Llamas e a sensível “Todacor“, que traz a única participação do disco, da cantora mexicana Reno Rojas, em que divide os vocais em espanhol com a convidada. Mas ainda há sopros, synths, piano, baixos distorcidos e percussões e a melancolia e a delicadeza, que antes eram introspectivas, quase tímidas, abrem-se com mais brilho e beleza, mostrando que a maturidade que canta não fica só na teoria, ampliando as referências de sua geração para além da MPB setentista, o indie rock e o folk. Pude ouvir o disco em primeira mão e é evidente o salto que Chico deu em relação ao seu primeiro disco solo, longe de fazer uma mera continuação do trabalho anterior, como poderíamos supor. Não vejo a hora de ver essas canções ao vivo – e como esse novo cenário pode ter impactado em suas outras músicas. Ele liberou o nome das faixas antes do lançamento aqui para o Trabalho Suio (veja abaixo, com a capa do disco) – e minhas favoritas, até agora são a eletrônica “Inerte”, a faixa-título, a já citada “Todacor”, o transe vocal da viagem nostálgica de “Sonho Meu” (que encerra o disco) e “Ode à Perfeição”, que parece fazer a ponte entre os dois discos. Muito bem, seu Chico.  

Uma nova onda que se ergue…

A noite de quarta terminou com o encontro de duas novas bandas na Porta Maldita, que é uma das melhores pequenas casas de show do underground de São Paulo, quando os baianos dos Tangolo Mangos, tocando onde dá em São Paulo desde que os chamei pro Inferninho Trabalho Sujo no Picles, encontraram-se com o quarteto paulistano Os Fonsecas – dois grupos que mostram a intensidade de uma nova geração de artistas que equilibra-se entre a MPB e o indie rock e que aos poucos vem se estabelecendo em diferentes cidades do Brasil. Com a casa cheia em plena quarta-feira, a noite começou com uma apresentação bem mais firme da que havia visto do grupo encabeçado pelo vocalista Felipe Távora, que acaba de lançar seu primeiro álbum, Estranho Pra Vizinha. À frente de um dos melhores power trios da nova cena de São Paulo (Valentim Frateschi no baixo, Caio Colasante na guitarra e Thalin na bateria), o vocalista tinha mais presença de palco e estava mais à vontade com os músicos, o que não aconteceu no primeiro show que vi deles naquela mesma casa – depois ele me confessou que aquele show anterior havia sido muito “caótico”. Como naquele outro show, este também terminou com a participação do vocalista do Tangolo, Felipe Vaqueiro, tocando sua já famosa gaita. Uma boa amostra do que está vindo por aí…

Depois dos Fonsecas foi a vez dos Tangolo Mangos subirem no palco para mostrar quase todo seu disco de estreia Garatujas, além de músicas de seus primeiros EPs e outras inéditas. O grupo vem de uma sequência intensa de shows paulistas: além do Inferninho Trabalho Sujo, eles ainda tocaram em Campinas, Santo André e abriram para a Sophia Chablau & Uma Enorme Perda de Tempo na Casa Natura, além de participar de uma festa junina no Porta como banda surpresa, domingo passado, sempre com o guitarrista dos Fonsecas, Caio Colasante, como quinto integrante. Essa sequência pode até cobrar um preço pelo cansaço, mas inevitavelmente deixa qualquer grupo tinindo e o guitarrista Felipe Vaqueiro, o baixista João Denovaro, o percussionista Bruno Fechine e o baterista João Antônio Dourado estavam completamente entrosados, enfileirando músicas em alguns casos de improviso. O grande momento do show acabou por coroar o encontro das duas noites, quando chamaram o baixista da banda de abertura, Valentim Frateschi, para cantar seu single “Falando Nisso”, música que o próprio Tim revelou ter sido composta inspirada na banda baiana. Antes da noite terminar ainda chamaram o tecladista do Eiras e Beiras, Eduardo Barquinho, para acompanhar o grupo por três músicas, que encerraram a apresentação com o público cantando músicas gigantescas a plenos pulmões. Esta nova onda está só começando a crescer…

Assista abaixo:  

Mais fundo no Big Buraco

Jadsa subiu no palco do auditório do Sesc Pinheiros nesta quarta-feira com uma banda enxuta e já dando os passos decisivos para o que deverá ser seu segundo disco, Big Buraco. Ela começou a experimentar este conceito numa temporada que fizemos ano passado no Centro da Terra, quando chamou, como ela mesma lembrou, Fernando Catatau, Alessandra Leão, Juçara Marçal, Marina Melo, Josyara, Marcelle, Kiko Dinucci e Giovani Cidreira em diferentes noites para começar a desbravar o conceito sobre um buraco enorme que carregamos e que precisamos preencher durante nossas vidas. Desde então vem experimentando novas formações e desbravando ainda mais esse abismo espiritual interior enquanto vem gravando estas experiências no que deverá ser este disco, desta vez com a produção do maestro carioca Antonio Neves – e o motivo desta apresentação no meio da semana foi celebrar o encontro dos dois no mesmo palco em que o próprio Neves fez seu primeiro show, ainda com 14 anos de idade. Ao lado dos dois, outra dupla singular, uma cozinha precisa reunida como braços direitos de cada um, do lado de Jadsa o percussionista e manipulador de efeitos Felipe Galli e do lado de Antonio o monstruoso baixista Paulo Emmery. Mas as separações se desfazem logo na primeira música e aos poucos os quatro se amalgamam em uma só entidade, que vai para um universo diferente do disco de estreia da baiana, Olho de Vidro. Neves não tocou no seu instrumento principal, o trombone, dividindo-se entre a guitarra, a bateria e o trompete, deixando Jadsa brilhar com sua voz e guitarra em momentos que iam do reggae à MPB, do jazz à psicodelia. A apresentação culminou na única faixa não-inédita da noite, “Um Choro”, que Jad compôs para o EP que Juçara Marçal lançou como continuação de seu soberbo Delta Estácio Blues.

Assista aqui:  

Manu Chao convoca os motoboys de São Paulo para anunciar seu primeiro álbum em 17 anos

“Sem motoboy São Paulo para”, encerra uma voz, em português, o clipe da nova música de Manu Chao, “São Paulo Motoboy”, faixa que usou para reforçar o lançamento de seu próximo álbum, Viva Tu, que anunciou no início do mês. É o primeiro disco de inéditas do cantor francês em 17 anos e a nova música foi feita influenciada pelo impacto destes trabalhadores na vida da cidade que visitou por duas vezes no último ano. O clipe e a música, ambos com texto em português, registra o drama paulistano destes trabalhadores que sustentam a economia da cidade ganhando mal, trabalhando muito e arriscando a própria vida cotidianamente, enquanto a música narra esse cotidiano sobre uma base conhecida dos fãs do compositor sem pátria, “King of Bongo”, só que um vocal bem mais tenso que a música original, como pede o tema. É o segundo single do novo disco de Chao (o primeiro foi a faixa-título, lançada há um mês), que será lançado no dia 20 de setembro e ainda conta com participações do caubói norte-americano Willie Nelson e do francês Laeti.

Assista ao clipe, veja a capa do disco e o nome das músicas abaixo:  

Jarvis Cocker & The Mary Chain

“Eu não sou Jesus, mas tenho as mesmas iniciais”, apresentava-se Jarvis Cocker, vocalista do Pulp, pela metade dos anos 90 quando tornou-se um dos grandes nomes do pop britânico – e embora não tenha precisado usar estas credenciais, lá estava ele, domingo passado, dividindo os vocais com Jim Reid, do Jesus & Mary Chain, na última noite do festival italiano Medimex, na cidade de Taranto. Jarvis foi chamado para participar do show da clássica banda indie escocesa e assumiu os vocais no grande hit da banda, a irresistível “Just Like Honey”, num momento épico para o indie britânico. Quem dera…

Assista abaixo:  

Quando dois artistas tornam-se um show

Clara Castro e Nathan Itaborahy fizeram bonito ao misturar suas carreiras solo num mesmo espetáculo nesta terça-feira no Centro da Terra, quando, acompanhados pelos músicos Lucas Gonçalves e Douglas Poerner visitaram diferentes fases de suas respectivas carreiras, além de apontar as novas composições que devem se materializar nos novos discos de cada um ainda no próximo semestre. Apenas o baixista Douglas Poerner manteve-se em seu instrumento e os outros músicos revezaram-se pelo palco a cada nova fase do show: os dois começaram mostrando músicas de Nathan, com este na guitarra, Clara ao violão e Lucas na bateria. Clara ainda passou pela flauta e pela bateria (sempre fazendo vocais) até assumir suas canções, quando Lucas foi para a guitarra e Nathan para a bateria. Entre o rock, o funk e a MPB, com algumas doses de jazz, música caipira e blues, os dois esbanjaram carisma em canções por vezes melancólicas mas em sua maioria ensolaradas – e ainda contaram com a participação da poeta e MC Laura Conceição em uma das faixas. Agora é colocar os dois shows – e discos! – na rua!

Assista abaaixo: