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McCartney (1970): “Momma Miss America”

“Rock’n’roll Springtime – Take one!”

“An instrumental recorded completely at home. Made up as I went along – first a sequence of chords, then a melody on top. Piano, drums, acoustic guitar, electric guitar. Originally it was two pieces but they ran into each other by accident and became one.” -McCartney 1970

McCartney (1970): “Valentine Day”

“Recorded at home. Made up as I went along – acoustic guitar first, then drums (maybe drums were first). Anyway – electric guitar and bass were added and the track is all instrumental. Mixed at EMI. This one and Momma Miss America were ad-libbed with more concern for testing the machine than anything else.” -McCartney 1970

McCartney (1970): “Lovely Linda”/ “That Would Be Something”

“Lovely Linda”

“When the Studer 4-track was installed at home, this was the first song I recorded, to test the machine. On the first track was vocal and guitar, second track another acoustic guitar, then I overdubbed hand slaps on a book and finally bass. Written in Scotland, the song is a trailer to the full song which will be recorded in the future.” -McCartney 1970

“That was when Linda and I first got together. The record is me playing around the house. You hear her walking through the living room doorway out to the garden and the door squeaks at the end of the tape. That’s one of the songs from my personal experience, with “the flowers in her hair.” She often used to wear flowers in her hair, so it’s a direct diary. I was always going to finish it and I had another bit that went into a Spanish song, almost mariachi but it just appeared as a fragment and was quite nice for that reason. It opened the McCartney album, so it’s evocative of it now.” -McCartney 2001


“That Would Be Something” ao vivo no Unplugged da MTV (1991)

“That Would Be Something”

“This song was written in Scotland in 1969 and recorded at home in London – mixed later at EMI(No.2). I only had one mike, as the mixer and V.U. meters hadn’t arrived (still haven’t).” -McCartney 1970

Paul McCartney – “Suicide”

Composta no piano de sua casa quando ele tinha apenas 14 anos, “Suicide” nunca foi lançada oficialmente, embora aparecesse em menos de dez segundos no final de “Glasses” e tenha sido oferecida a ninguém menos que Frank Sinatra (que respondeu na lata: “Esse cara tá me tirando?”). É uma das canções em que o beatle mais exercita seu flerte com a música norte-americana e os musicais da Broadway (a lista é enorme: “Maxwell’s Silver Hammer”, “Honey Pie”, “Your Mother Should Know”, “When I’m 64″…) e dá para ver como ele se diverte fazendo o sotaque americano. Embora não tenha lançado-a, Paul já registrou “Suicide” algumas vezes: no vídeo acima ela foi gravada em 1969, ainda nos Beatles; no de baixo, temos seu registro em 1975 para o documentário sobre os Wings que nunca foi lançado, chamado One Hand Clapping, e no vídeo do final, ele a apresenta no programa Michael Parkinson Show,em 2001.

C Em
Girls it’s been my pleasure
G Dm7 C
To know quite a lot of you
Dm7
And in the main
C
You’re pretty sane, it’s true
Dm7
But there are a few who do
C
The duty to do too beautiful a job
Dm7 C
It isn’t quite what they planned
Dm7 C
The man gets the upper hand
Dm7 C
He’s takin’ her for a ride
Dm7 C
I call it… S uicide

C Dm7 Em
If when she tries to run away
G C
And he calls her back, she comes
C Dm7 Em
If there’s a next time, he’s ok
G C
Cause she’s under both his thumbs
Em Dm7
She limps along to his side
G
Singing a song of ruined life

C Dm7
Daddy says nothin’ doin’
Dm7 C
Ah—
G C
I call it… S uicide

C Dm7 Em
She loves to ride in big parades
G C
But he wouldn’t so she won’t
C Dm7 Em
She needs at least a dozen lays
G C
But if he says no she don’t
Em Dm7
He wishes she knew his sign
G
Soon there’ll be trouble brewin’ ah—

C Dm7
Daddy says nothin’ doin’
Dm7 C
Ah—
G C
I call it… S uicide

C Em Dm7 G
Sui cide, she’s com mitin’ it
C Em Dm7 G
Sui cide, he’s not gettin’ it
C Em Dm7 G C
Sui cide, it’s a quittin’ a day

Em Dm7
She limps along to his side
G
Singing a song of ruined life

McCartney (1970): O primeiro disco solo de Paul McCartney

Q: Are you able to describe the texture or feel of the album…?
A: Home, family, love.

Por falar nisso, você conhece o primeiro disco do Paul? Batizado apenas com seu sobrenome, o disco de 1970 é o motivo dos Beatles terem acabado na data que acabaram, pois Paul queria aproveitar o auê em torno do fim da banda para promover seu primeiro disco gravado por conta própria – algo que ele levou ao pé da letra. McCartney é gravado apenas por ele e por Linda e é um disco tão autoral quanto pessoal, cru, melancólico e familiar em diferentes níveis. Tanto que Paul o lançou o disco acompanhado por uma auto-entrevista – e a descrição de cada uma das faixas.

Precursor do lo-fi (a maior parte do disco foi registrado num estúdio portátil de quatro canais), o disco funciona como uma resposta de Paul ao trabalho de sua musa definitiva, Linda – fotógrafa -e faz com que o beatle registre o dia-a-dia musicado do casal da forma mais naturalista possível, sem efeitos especiais nem a sensação de pertencer à maior banda de rock do mundo.

Durante esta manhã de segunda até o início da tarde, visito este disco com vídeos e algumas aspas do próprio Paul sobre as músicas, retiradas do release que veio junto com o disco. E como eu tou na mesma vibe descrita pelo Paul na tal auto-entrevista (ela vem a seguir), resolvi compartilhá-la aqui.

Impressão digital #0020: “Stereo Love”

Eis minha coluna no Caderno 2 de ontem

“Aquela da sanfoninha”
“Stereo Love”, um ringtone do inferno

Aconteceu na redação. O mês de junho ainda não havia começado, era tarde da noite no jornal e, na calma noturna da quase meia-noite, uma pequena sanfoninha tocou a distância. E tocou. E tocou. Era o celular que alguém havia esquecido sobre a mesa enquanto ia tomar água, ao banheiro, fumar um cigarro. A sanfoninha tocava uma melodia simples e chorosa, quase um forrozinho, com um mínimo ritmo dançante, daquele de bater o pé e só. Dada a época do ano, pensei que o dono do aparelho pudesse estar em clima de festas juninas. Vai saber.

Até que comecei a ouvir aquela musiquinha repetidas vezes. Em situações diferentes, ela vinha aos poucos acrescida de uma batida de dance music (hã?) e um vocal sussurrado num inglês com sotaque, cantando uma letra genérica sobre amor. Sempre trechos, quase sempre iniciados pela sanfoninha brega, ouvidos a distância, de passagem – sempre ouvidos através do celular de alguém.

Descubro, tardiamente, graças à repórter Ana Freitas, que trabalha comigo no Link, que “Stereo Love” foi o hit que lançou a carreira do DJ romeno Edward Maya no final do ano passado, em parceria com a DJ e vocalista russa Vika Jigulina. Tão sem graça quanto grudenta, a música tornou-se sucesso de downloads na França (justamente para se tornar ringtone de celular) e depois começou a crescer entre os países da Europa central – Bélgica e depois Suíça, para finalmente, em abril deste ano, ser lançada nos EUA e, finalmente, chegar aos ouvidos brasileiros. A música é sucesso nas rádios dance do Brasil e Vika Jigulina já até veio para cá, quando se apresentou em uma festa no Rio de Janeiro, no dia 10 deste mês.

Três dias antes, o dono do perfil /konelindo no YouTube subia um vídeo que resumia o drama que eu havia começado a sentir. Sem imagens, o clipe apenas apresenta uma tela preta que mostra letras em branco que, aos poucos, formam a frase “eu odeio quem coloca essa música como toque de celular”, seguida da infame sanfoninha de forró dos Bálcãs que vinha me perseguindo. Foi assim, através da Ana, que me passou o tal vídeo, que matei uma dúvida que eu nem sabia que tinha.

Mas o ponto dessa história toda não diz respeito apenas a uma música semidesconhecida que virou sucesso de uma hora para outra, e sim ao fato desta ser usada como toque de celular. Se fosse apenas Stereo Love, já seria motivo para essa coluna. Mas não é só ela.

Donos de celulares que permitem trocar o tom de chamada por músicas muitas vezes nem pensam ao escolher uma canção favorita para ser seu ringtone. Mas se esquecem que aquela música será tocada toda vez que seu celular for acionado – ou se lembram, mas esquecem que aquela música será repetida para todos os que estiverem ao seu redor. E não pense com os seus botões que a música que você escolheu é boa e que seus amigos não ligam. É bem provável que eles liguem sim e comentem sobre a música chata que toca toda vez que o seu telefone toca.

Quer personalizar o toque do seu celular? Escolha uma música discreta e que não seja facilmente reconhecível – o telefone pode tocar em uma reunião com alguém que odeia aquela música, aí já viu…

É só uma questão de etiqueta digital. Nem vou entrar no mérito daqueles que ouvem música no celular sem fone de ouvido (você já deve ter dividido o elevador com um tipo desses). Porque aí não é etiqueta – é só falta de noção mesmo.

Jack White e Paul McCartney

Eis Zeca Branco na Casa Branca tocando uma música do Álbum Branco – desculpa, não resisti. Jack foi um dos convidados da cerimônia de premiação usada como desculpa pro Obama ter tempo pra ver um showzinho em casa. E que showzinho: Paul McCartney: The Library of Congress Gershwin Prize for Popular Song In Performance at the White House é um documentário feito pelo canal público americano PBS e que será exibido pela primeira vez depois de amanhã (e, provavelmente, nas redes de torrent do mundo a partir de quinta-feira). No programa, como entregue no título, assistirá-se ao show feito pelo velho Beatle na Casa Branca no último dia 2 de junho, quando o presidente americano lhe conferiu o prêmio Gershwin pela Canção Popular. Além do show particular do Macca (eis uma das vantagens de ser presidente dos EUA), Obama ainda assistiu a apresentações de Stevie Wonder, Elvis Costello, Herbie Hancock, Dave Grohl, Emmylou Harris e outros menos cotados, além do Jack White aí de cima, dando uma vibe American gothic à árcade “Mother’s Nature Son” ao misturá-la com “That Would Be Something“, do primeiro disco solo do Paul. Ficou djóia.