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Quincy Jones (1933-2024)

Morreu nesta segunda-feira o último representante de uma espécie. Quincy Jones equilibrou música e mercado como poucos na história do século 20 e com sua morte um ciclo se fecha. Possivelmente o nome mais importante da história da indústria fonográfica dos Estados Unidos – e só isso resume o peso de sua biografia, como se isso fosse possível. Obrigado!

Quando Billy Corgan está bem humorado…

A única expectativa que tinha pro show dos Smashing Pumpkins que aconteceu em São Paulo neste domingo no Espaço Unimed era que confirmasse a boa fase de seu líder Billy Corgan e que isso pudesse proporcionar um show em que as canções clássicas do grupo não se misturassem à cacofonia metal industrial que tomou conta de seu imaginário musical desde o início do século. O disco lançado este ano, Aghori Mhori Mei, já dava uma boa pista que Billy conseguira exorcizar a paranoia que tinha que sua banda soasse nostálgica e abraçou a psicodelia noise que forjou no início dos anos 90, trazendo inclusive de volta para o grupo dois integrantes fundadores, James Iha e Jimmy Chamberlin. O começo do show não ajudou nessa impressão, com uma introdução brega, músicas menores e o som embolado característico daquela casa de shows, que praticamente descaracterizou o que poderia ter sido uma ótima versão para “Zoo Station” dO clássico eletrônico do U2 Achtung Baby. Mas à medida em que o show foi passando, o som foi se acertando e estava nítido o bom humor de Billy Corgan, que inclusive improvisou e saiu do script, ao incluir duas versões acústicas que tocou sozinho no violão: “Landslide”, do grupo Fleetwood Mac e “Shine On, Harvest Moon” da esquecida cantora Ruth Etting, que já foi um dos grandes nomes do showbusiness dos Estados Unidos. O clima ia melhorando à medida em que o show passava e, salvo alguns porcos momentos em que a banda parecia um subgrupo de new metal ou uma paródia da pior fase do Iron Maiden, a precisão aparentemente solta dos hits dos clássicos Gish e Siamese Dream e a grandiosidade opulenta das canções de Mellon Collie & The Infinite Sadness vieram com força e gosto, para deleite dos fãs, em sua maioria contemporâneos da banda. E entre “Today”, “Tonight, Tonight”, “Mayonaise”, “Bullet with Butterfly Wings” e “1979”, encerraram o show com chave de ouro e astral tão alto (nunca vi Corgan sorrir tanto!) que às vezes parecia contradizer a melancolia das canções originais, o grupo terminou a noite celebrando clássicos do rock, ´primeiro citando Black Sabbath, AC/DC e Led Zeppelin na hora que a banda foi apresentada, depois misturando o riff de “Are You Gonna Go My Way” do Lenny Kravitz com o de “Zero”, logo depois de uma versão excelente de “Cherub Rock”. A banda ainda pegou todo mundo de surpresa ao voltar com um inesperado bis, em que tocaram nada menos que “Ziggy Stardust” de David Bowie, com Iha nos vocais. Um final épico para um show que, apesar de começar mal, acertou exatamente na expectativa que tinha.

Assista aqui:  

Estreia de tirar o fôlego

Soberba a apresentação de estreia que Nina Maia fez de seu recém-lançado disco Inteira no Sesc Avenida Paulista, quando trouxe uma versão de gala do formato que vem mostrando desde o início do ano: além de seu teclado teve um piano de cauda, além da viola de Thales Hashiguti, contou com a voz e o violoncelo da amiga e parceira Francisca Barreto e aproveitou ter a cozinha do grupo Os Fonsecas – Valentim Frateschi no baixo e Thalin na bateria – para trazer uma das canções deste último para o palco. Ela foi mostrando o disco lentamente, primeiro sozinha em primeiro plano acompanhada apenas de efeitos sonoros, depois tocando o teclado no centro do palco enquanto os outros músicos faziam suas entradas, deixando suas canções, que soam clássicas e modernas ao mesmo tempo, com um peso físico que no disco é filtrado por timbres eletrônicos. Com vídeos em P&B em alto contraste no telão pilotado por Danilo Sansão e com as luzes finas tocadas pela dupla Retrato (Ana Zumpano e Beeau Gomez), o show teve seu ponto alto quando Nina emendou sua épica “Salto de Fé” com “Todo Tempo do Mundo” do disco Maria Esmeralda, quando o baterusta autor da canção original soltou sua voz na frente do palco para cantar uma versão inacreditável do hit. Uma estreia de tirar o fôlego.

Assista abaixo:  

St. Vincent à sombra de Goya

“Me lembro de passar por essa sala com um grande amigo, o artista Alex da Corte”, explica a cantora e compositora St. Vincent, falando sobre quando a inspiração para seu disco mais recente, o ótimo All Born Screaming, lhe encontrou na sala de número 67 do Museo Nacional del Prado, em Madri, na Espanha. “Entramos e nosso sangue congelou. O primeiro que foram os olhos de Saturno Devorando Um Filho; nos olhamos e dissemos: ‘Isso resume tudo'” A referida sala é o lar das famosas Pinturas Negras que o clássico pintor espanhol Francisco de Goya criou entre 1819 e 1823, quando chegou à fase final de sua vida, traduzindo em quadros ermos e desesperançosos a desilusão com a humanidade após ter visto horrores entre o final da Santa Inquisição e a Guerra Peninsular entre o Reino Unido, Espanha e Portugal no início do século 19. Para fechar o ciclo iniciado com a primeira visita da artista norte-americana àquela sala, a Radio 3 estatal espanhola a convidou para apresentar-se exatamente naquele mesmo lugar, trazendo vida às músicas criadas a partir do encontro com a desilusão de Goya com a humanidade. “Muito nessa sala me lembra da condição humana, que tem muito sofrimento, confusão, caos e violência, mas eu também acho que há muita esperança, por isso é muito emocionante está aqui no meio destas telas tocando estas músicas”. Além de três músicas do novo disco (“Hell is Near”, “Flea” e “Violent Times”, ela também tocou “Somebody Like Me”, do disco Daddy’s Home, e “New York”, do disco Masseducation. Assista abaixo:  

Songs Of A Lost World ao vivo na íntegra

E o Cure não só lançou um discaço nessa sexta-feira como o lançou em grande estilo – e em grande estilo Cure – ao apresentá-lo na íntegra ao vivo em uma transmissão que o próprio grupo fez pela internet no mesmíssimo dia, tocando-o na íntegra em uma apresentação realizada na casa de shows Troxy, em Londres, no Reino Unido – e deixando online para quem não pudesse assisti-la ao vivo (veja abaixo). E além de mostrar todo o novo disco com as faixas exatamente na ordem do álbum (incluindo as estreias de “Warsong”, “Drone:Nodrone” e “All I Ever Am”, Robert Smith e sua gangue ainda tocaram por mais de duas horas, enfileirando músicas antigas que vão na mesma vibe do novo disco (várias delas do irmão mais velho deste, o pilar fundamental da banda Disintegration), um bis dedicado ao disco Seventeen Seconds, que está completando 45 anos e um bis com os hits mais conhecidos da banda, como “Lullaby”, “The Walk”, “Friday I’m Love”, “Close to Me” e “Boys Don’t Cry”. O Cure nunca decepciona.

Assista abaixo à ínegra do show e veja o setlist logo depois:  

Outro solo

Luiza Villa começou uma nova fase com estilo, força e delicadeza ao apresemtar=se neste sábado dentro da programação Ágora Zumbido, realizada pelo músico Valentim Frateschi no pequeno teatro Ágora no Bixiga. Ao encher a casa para mostrar suas canções pela primeira vez sem estar sozinha no palco, a cantora e compositora convidou as instrumentistas Marcella Vasconcellos e Yasmin Monique para acompanhá-la em quase uma hora de canções que batizou de Cartas e Segredos, título de uma de suas próprias composições que escolheu para abrir a noite, que ainda teve uma mistura de “Água” do Djavan com “Ten Years Gone” do Led Zeppelin, uma canção da baixista e tecladista Marcella (que foi para o violão e deixou Luiza assumir o baixo) e uma versão deslumbrante para “Ponta de Areia”, do Milton Nascimento, quando recebeu a violoncelista Francisca Barreto para acompanhá-la no final do show, que trouxe outra composição de Luiza, esta em inglês (chamada “These Old Chords”), na hora em que o público pediu bis. A apresentação, que dirigi ao lado da própria Villa, terminou com um coro de “Parabéns a Você” cantado para Marcella, que aniversariava naquele mesmo sábado. Uma noite feliz.

Assista aqui:  

Luiza Villa: Cartas e Segredos

Neste sábado, às 19h, Luiza Villa começa a dar um novo passo em sua carreira solo ao lado de três instrumentistas incríveis: a arrajandora e multiinstrumentista (e aniversariante do dia) Marcella Vasconcellos, a percussionista Yasmin Monique e a violoncelista Francisca Barreto. Dei meus pitacos na direção que elas conceberam e, além de músicas novas autorais da Luiza, elas ainda mostram versões lindas de canções alheias. O espetáculo Cartas e Segredos faz parte da programação Ágora Zumbido, que acontece no Ágora Teatro, na Bela Vista. Corre e garante seu ingresso neste link, que eles estão no fim.

Numa outra dimensão

Saldei uma dívida deste ano: não tinha visto ao vivo ainda a dupla Kim e Dramma, formada pelo vocalista Kim Cortada e pelo baterista Quico Dramma, que lançaram um bom disco de estreia (No Ombro dos Outros) e consegui resolver isso nesta sexta-feira, no Porta Maldita, quando fizeram o segundo show desde o lançamento do álbum – e que bela surpresa. Não bastasse a ferocidade vocal e presença de palco do vocalista e os tempos quebrados e pulso firme do batera, eles ainda contam com um trio de músicos conhecido da noite paulistana que ajudaram a encorpar ainda mais o som da dupla – metade d’Os Fonsecas – o baixista Valentim Frateschi e o guitarrista Caio Colasante – e o tecladista Eduardo Barco, que dão ainda mais força pro som da dupla, levando-os para outra dimensão ao vivo. Muito bom.

Assista abaixo:  

#trabalhosujo29anos na Casinha!

Em novembro o Trabalho Sujo completa 29 anos e dou início às comemorações com compadres e comadres de diferentes épocas da minha vida discotecando comigo em uma festa num endereço icônico, quando celebro a fase final deste retorno de Saturno na emblemática Casinha, novo endereço que o Mancha – da clássica casa que levava seu nome – está fazendo festas desde o ano passado. E além do próprio Mancha, ainda tocam comigo, neste sábado, gigantes que atravessaram diferentes fases da minha vida profissional: o escultor de luz Serjão Carvalho, que viu o Trabalho Sujo nascer quando ele ainda era uma página impressa em um jornal no interior de São Paulo; a eterna musa indie Kátia Mello, o icônico Luiz Pattoli que tocava nas Noites Trabalho Sujo do Alberta e da Trackers comigo, ao lado de Danilo e Babee (que convidei mas não podem vir) e minha dupla de Desaniversário Camila Yahn. A casa fica na Rua Jorge Rizzo, 63, em Pinheiros, abre a partir das 22h e a festa atravessa madrugada adentro, apareça pra me dar um abraço e se acabar de dançar, como de praxe. Os ingressos já estão à venda neste link.  

Intimista e intenso

Corro dali a tempo de chegar no início da segunda sessão do dia da suíte a quatro mãos que Arrigo Barnabé e seu fiel escudeiro Paulo Braga fizeram no Tavares Club, pequeno recanto na parte superior da ótima Casa Tavares, na Vila Madalena, que recebeu o mestre dodecafônico para destrinchar sua magnus opus Clara Crocodilo em dois pianos. E entre explicações sobre a música serialista e uma recitação do primeiro canto do Inferno de Dante Alighieri traduzido por Augusto de Campos, Arrigo passeou por seu grande disco em uma sessão ao mesmo tempo intimista e intensa.

Assista abaixo: