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E o Billy Zane de Marlon Brandon, hein?

Quando algum cineasta pensa em levar a vida de alguma personalidade famosa para as telas de cinema, há sempre o temor sobre quem seria o melhor ator para interpretar o personagem – e é tão comum o que parece ser uma boa escolha funcionar mal quanto justo o oposto acontecer. Pois Waltzing with Brando, filme que o diretor Bill Fishman estreará no ano que vem cai improvavelmente na segunda categoria, mesmo que seu personagem retratado seja um dos maiores atores de todos os tempos. Mas ao lançar o trailer do filme que estreia no ano que vem, Fishman nos mostra um Brando vivido por um nome que nunca apostaria na possibilidade de dar certo – até vermos Billy Zane, cujos papéis mais memoráveis são o de antagonista de Leonardo di Caprio em Titanic e o da quase caricata versão para o cinema do personagem dos quadrinhos Fantasma, fazendo Brando a caráter tanto como o Capitão Kurtz de Apocalypse Now, o Dom Corleone de O Poderoso Chefão e o próprio ator em sua versão mais excêntrica, disposto a criar seu próprio resort no Taiti (espinha dorsal da história principal do filme) no auge de sua fama. Zane está tão convincente que em algumas cenas a gente tem que esfregar os olhos para ter certeza que não estamos vendo o próprio Marlon. Dá uma sacada abaixo:  

Um Dia Um Show Salvou Minha Vida, com Piky Candeias

Desta vez eu e Levino chamamos a querida Piky para falar sobre os shows de sua vida em mais um episódio de nosso podcast e ela escolhe um mestre da música brasileira que pode presenciar ao vivo como ponto de partida, ao falar sobre o show de Tom Jobim que assistiu no começo dos anos 90, em São Paulo, com participação de Milton Nascimento e Chico Buarque.

Ouça abaixo:  

De dentro pra fora, como um pesadelo

“Existir como a silhueta de uma faca roubada passada de mão em mão sempre entre os dedos certos”, repetia Natasha Felix durante a apresentação que fez no Centro da Terra ao lado do DJ Glau Tavares, evocando diferentes autores para tornar o corpo redivivo por seu poema O Primeiro Segredo Dito a Lázaro ainda mais incomodado com o fato de não ter morrido – “não levanta da tumba, morto, recalcula a rota!”. E enfileirando Sylvia Plath, um poema sobre um poema de Nicanor Parra, o único par de versos de Emily Dickinson que leu, a viagem de volta à África feita por Saidiya Hartman e como Stella do Patrocínio via a fuga (“o negro não se esquiva, escapa, desaparece”), ela foi criando um clima tenso e hipnótico ao enumerar sensações diferentes com seu mesmo timbre doce, monotônico e implacável enquanto loopava a própria voz eletronicamente pela primeira vez num palco. Enquanto Natasha experimentava a musicalidade de seus versos envolvendo-se com os versos alheios, a outra metade criadora do espetáculo Lamber as Feridas, o DJ Glau Tavares, criava um clima de opressivo que ecoava música eletrônica dos anos 80, uma versão industrial de um hip hop instrumental com toques de funk, house music e EBM – e o encontro daquelas duas narrativas ainda era temperada pela luz da dupla Retrato (Ana Zumpano e Beeau Gomez estão desenvolvendo uma senhora carreira paralela como iluminadores de show – e desta vez Ana interferiu inclusive na cenografia), que tratava claros e escuros com a distinção do ritmo dos beats e da tensão das palavras, crescendo forte, como ela mesma disse, “sempre de dentro pra fora, como um pesadelo”. Bravo!

Assista abaixo:  

Natasha Felix + DJ Glau Tavares: Lamber as Feridas

Enorme satisfação receber a poeta e performer Natasha Felix para uma apresentação musical que idealizou ao lado do DJ Glau Tavares batizada de ‘Lamber as Feridas, em que ela cria no palco o poema O Primeiro Segredo Dito a Lázaro, em que conta a história de alguém que se vê forçado a voltar à vida depois da morte. A obra é o fio condutor da apresentação que também traz outros poemas da autora, além de textos de Nicanor Parra, Sylvia Plath, Stella do Patrocínio e Saidiya Hartman. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Evandro Teixeira (1935-2024)

Morreu nesta segunda um dos maiores nomes do fotojornalismo brasileiro. O baiano Evandro Teixeira entrou para a história logo que começou a fotografar no Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, dez anos depois de ter começado a fotografar e seis anos depois de entrar no jornalismo quando, no 1° de abril de 1964, infiltrou-se no Forte de Copacabana, quando os militares golpistas da vez se reuniram para saudar o novo presidente, o marechal Humberto Castello Branco, e registrou a primeira foto do primeiro ditador militar do nefasto período, publicando-a na capa do jornal no mesmo dia. Cobriu a repressão da ditadura militar e os protestos contra esta, incluindo sua clássica foto tirada na Passeata dos Cem Mil, que aconteceu na antiga capital brasileira, em 1968. Em 1973 foi para o Chile onde, além de ser o único fotógrafo a registrar o golpe contra o presidente Salvador Allende, a morte do poeta Pablo Neruda, também testemunhou o assassinato em massa que a ditadura daquele país praticava no principal estádio de futebol local. Era um jornalista ferrenho de sensibilidade ímpar, registrando, quase sempre em preto e branco, acontecimentos históricos, reportagens épicas e detalhes do cotidiano. Morreu aos 88 anos, no Rio de Janeiro, após complicações devido a uma pneumonia. Seu acervo é mantido pelo Instituto Moreira Salles, em cujo site há uma vasta coleção de suas obras. Veja algumas abaixo:  

Bacuri, o disco novo dos Boogarins, já tem data de lançamento!

Agora vai! Depois de algum suspense o grupo goiano Boogarins acaba de confirmar a data de lançamento de seu quinto disco, chamado Bacuri, que chega ao público no dia 26 deste mês. O anúncio veio com a primeira canção que o grupo mostra do novo disco e “Corpo Asa” dá uma boa medida do que vem por aí: um disco psicodélico e cheio de guitarras como lhes é característico, mas com canções coesas e redondinhas, puxando a tônica para sensações íntimas e sentimentos plenos, como se a loucura desse tempo para desencantar o bem estar do grupo consigo mesmo. Não é exagero dizer que ele estão prestes a lançar seu melhor disco e um dos melhores discos de 2024.

Ouça abaixo:  

Uma outra intensidade

“Na minha vida eu tive muitas ideias questionáveis, mas Ludovic acústico é top 3, com certeza”, brincou Jair Naves logo do início da primeira apresentação de sua temporada no Centro da Terra, batizada de O Significado se Desfaz no Som. E o título se materializou quando trouxe dois integrantes do grupo que lançou sua carreira artística para visitar suas canções num formato completamente inusitado – que funcionou. Para quem estava acostumado à catarse noise e emotiva que caracteriza as apresentações do grupo, que voltou apresentar-se ao vivo este ano por conta do aniversário de vinte anos do primeiro álbum, Servil, encontrou um momento íntimo e delicado em que as canções ganharam outro sentido, quando a voz de Jair não berra e as melodias encontravam-se entre a guitarra de Eduardo Praça e o violão de Zeke Underwood, por vezes acompanhados do próprio Jair ao violão, mostrando uma outra intensidade, mais sentimental, das canções do grupo. Foi a oportunidade também de mostrar ao vivo duas músicas que nunca haviam sido tocadas ao vivo, as acústicas “Sob o Tapete Vermelho” e “Unha e Carne”, do disco Idioma Morto, de 2006, e Naves levou-se pela emoção ao reencontrar-se com versos e frases expostos de forma tão aberta e nua, para além do escudo de ruído criado pelo barulho da banda, culminando com uma versão belíssima para “Qorpo-Santo de Saias”. E se a primeira noite já teve esse misto de frescor e sensibilidade, imagine as próximas…

Assista abaixo:  

Jair Naves: O Significado se Desfaz no Som

É com imensa satisfação que começamos nesta segunda-feira a última tempprada de música no Centro da Terra em 2024 e seu protagonista é o grande Jair Naves, que apresenta formações musicais variaddas a cada semana para mostrar as diferentes facetas de sua autoria. Na primeira noite da temporada baitzada O Significado se Desfaz no Som, que acontece no dia 4, ele reúne sua clássica banda Ludovic para uma apresentação acústica – a primeira (e talvez única) na história do grupo. Depois, dia 11, ele convida seu parceiro musical mais antigo, Renato Ribeiro, para passear pelo repertório de seus quatro discos e mostrar algumas músicas que estarão no disco que está começando a trabalhar. Na terceira segunda-feira, dia 18, ele reúne sua banda completa para tocar outras músicas de seu repertório, mostrando canções que com mais urgência e ruído. E a temporada termina no dia 25, quando recebe o trio paraense Molho Negro num encontro inédito em que tocarão músicas de ambos repertórios. Sempre lembrando que os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

#jairnavesnocentrodaterra #jairnaves #centrodaterra2024

Agnaldo Rayol (1938-2024)

Morreu nesta segunda-feira um ícone do rádio brasileiro – e de uma forma estúpida (caiu no banheiro, bateu a cabeça e não chegou ao hospital a tempo). Dono de um forte timbre barítono que logo seria ultrapassado pela forma de cantar lançada primeiro por João Gilberto, depois Roberto Carlos e finalmente os principais nomes da MPB, ele seguiu sua carreira mantendo sempre aquele padrão, o que fez aproximar-se, com o tempo, de outros ícones do período, como Cauby Peixoto e Agnaldo Timótheo. Sua linda voz encaixava-se perfeitamente como seu ar de galã, que o tornou um verdadeiro astro da música no Brasil durante décadas a fio, fazendo-o circular pelo cinema e pela TV. Um registro que acaba resumindo seu talento está no dueto que fez com Hebe Camargo no filme Zé do Periquito, filme do estúdio Vera Cruz lançado em 1960, escrito, dirigido e estrelado por Mazzaropi. Os dois cantam “Passe a Viver”, de Heitor Carillo, numa cena que funciona como uma cápsula de tempo de um Brasil que ainda não havia se modernizado mas também naõ havia caído na ditadura militar, período que o próprio Rayol talvez seja seu melhor garoto-propaganda.

Assista abaixo: