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Contrapangeia em grande estilo

Lindo o show que Gui Amabis fez nesta quinta-feira no Sesc Pompeia para mostrar, em grande estilo, o seu ótimo quinto disco, lançado no primeiro semestre deste ano, Contrapangeia. Escudado por dois velhos compadres cada um a seu um lado no palco – o violonista Regis Damasceno e o tecladista Zé Ruivo – ele foi acompanhado por um orquestra de câmara de 18 músicos e transpôs ao vivo o disco na íntegra, incluindo as participações de Manu Julian e Juçara Marçal, que encerrou a apresentação com a bela “Nesse Meio Tempo”, que também encerra o disco. Gui aproveitou a oportunidade única para reler naquela formação algumas músicas de discos anteriores (como “O Deus Que Mata Também Cura” de seu disco de estreia, Memórias Luso-Africanas, de 2011; e “Pena Mais Que Perfeita”, esta com Juçara, que a regravou em seu disco de estreia, e “Merece Quem Aceita”, do disco seguinte, Trabalhos Carnívoros, de 2012) e encerrou com um bis com uma versão deslumbrante para “Graxa e Sal”, de seu terceiro álbum, Ruivo em Sangue, de 2015, e fez todo mundo sair flutuando.

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Um Dia Um Show Salvou Minha Vida, com Camilo Rocha

Em mais um programa dissecando as maravilhas de se assistir música ao vivo, eu e Levino desta vez chamamos o compadre Camilo Rocha, que entre lembranças de raves, apresentações de DJs e de artistas de música eletrônica, que é seu métier, voltou-se para uma lembrança afetiva indie, quando assistiu ao show do The Cure no Brasil ainda nos anos 80.

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Plena e minimalista

Atenção que Nina Maia acaba de lançar um dos melhores discos de 2024. Inteira resume sua pesquisa musical, entre experimentos sônicos, disciplina erudita e alma brasileira, e sua autoanálise artística, mergulhando em sentimentos, incertezas e inquietações num disco conciso e enxuto, que conversa tanto com os singles que já havia lançado quanto com um espaço musical pleno e minimalista, que faz surgir em seu álbum de estreia. E o show de lançamento acontece neste domingo no Sesc Avenida Paulista e tem tudo para estar à altura do disco.

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Voa, Chica!

Eu sabia que ia ser bom, mas não estava preparado pra tanto. Desde a primeira vez que vi Chica – que agora assina Francisca Barreto – tocar seu violoncelo e soltar sua voz, sabia que ela tinha tudo que precisava para ser uma cantora forte e intensa, mesmo que, pessoalmente, seu jeito meio tímido e inseguro, a forma como acompanha as conversas com o olhar e a hora improvável que solta piadas inusitadas, desse uma ideia de alguém que ainda está tateando seu rumo artístico – e de alguma forma, ela ainda está, afinal acabou de fazer seu primeiro show solo da vida nesta terça-feira. Mas há uma luz, uma certeza, uma força tanto na forma como apresenta as canções, como na entrega que se joga nos instrumentos que toca que mostram que ela está segura num degrau acima, com a consciência de sua presença artística, mas ainda desacreditada de onde seu potencial pode levá-la. Nos últimos anos, ela tomou um choque de realidade que mostrou que ela está pronta para dar saltos mais ousados, ao ser descoberta pelo irlandês Demian Rice, conhecido por tocar sozinho nos palcos pelo mundo, não pestanejou a dividir os holofotes com o músico solitário. Em turnês por diferentes partes do planeta, ela ganhou confiança suficiente para topar algo que propunha a ela há tempos, mas que ela titubeava em saber se era a hora certa, mas na hora em que subiu no palco sozinha para mostrar sua faceta artística sem estar em dupla ou num grupo, o palco era dela. Começou a noite com a mesma resposta que deu ao próprio Rice quando ele a colocou para começar seus shows antes de sua entrada, entregando seu cello e voz a uma das canções mais emblemáticas de Milton Nascimento, “Ponta de Areia”. Dali em diante, ela estava em pleno voo, seja defendendo suas próprias canções ao lado de músicos com quem vem tocando há pouco tempo (como o guitarrista Victor Kroner, o violinista Thalis Hashiguti e a baterista Bianca Godoi), seja tocando cello, violão ou piano. seja dividindo canções com suas irmãs de palco Sophia Ardessore (em “Copo D’Água”) e Nina Maia (em “Gosto Meio Doce”) ou fazendo todos se arrepiar com uma versão de “Little Green” de Joni Mitchell. Mas o ápice da noite foi o final do show, quando fez uma versão inacreditável para “Teardrop” do Massive Attack com sua banda, deixando sua voz soar plena, como deve ser, num momento único de 2024 que quem viveu sabe. O bis veio com a mesma formação e com as presenças de Nina e Sophia numa versão linda e intensa para “Habana” de seu professor de cello, Yaniel Matos. Obrigado por essa noite mágica, mulher – e você pode assinar seu nome completo, mas vou estar aqui como desde o início aplaudindo e pilhando: voa Chica!

Assista abaixo:  

Francisca Barreto: Bico de Proa

Imenso prazer em realizar a primeira apresentação autoral de uma artista que vai crescer muito! A violoncelista Francisca Barreto faz seu primeiro solo nesta terça-feira, no Centro da Terra, acompanhada por Victor Kroner (guitarra, violão e sintetizador), Thalis Hashiguti (violino e viola) e Nina Maia (piano e voz), quando passeia por composições próprias e alheias num espetáculo que batizou de Bico de Proa. Ela mesma explica o porquê do título: “Em uma viagem de dois meses em um veleiro, pude reviver memórias da minha infância, que ainda estão muito próximas de mim”, conta no texto de apresentação desta noite. “Trago comigo a cidade onde nasci e moro, São Paulo, centro, caótica e barulhenta, e o lugar onde cresci, Guaraú; entre o rio, o mangue e o mar, passei a infância cantando músicas brasileiras, ouvindo passarinho, vendo animais silvestres e descansando os olhos na paisagem verde da mata.” Além do cello, ela ainda toca violão e percussão, além de passear por canções latinas, brasileiras, norte-americana e composições instrumentais. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão esgotados.

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Teri Garr (1944-2024)

Uma das principais atrizes da Hollywood desfreada dos anos 70, Terri Garr morreu nesta terça-feira, vítima de complicações de esclerose múltipla, que lhe afligia há décadas. Revelada num episódio da primeira versão de Jornada nas Estrelas, ela participou do filme psicodélico dos Monkees escrito por Jack Nicholson (Head) e do seriado que Sonny Bono e Cher tinham nos anos 60. Na década seguinte, graças à sua atuação carismática que encantava e fazia rir, tornou-se querida da geração de diretores que trouxe o conceito de cinema autoral para os Estados Unidos naquela década, trabalhando com Coppola (A Conversação e Do Fundo do Coração), Spielberg (Contatos Imediatos do Terceiro Grau), Mel Brooks (O Jovem Frankenstein), Carl Reiner (Alguém Lá em Cima Gosta de Mim), Scorsese (Depois de Horas), Sidney Pollack (Tootsie) e Robert Altman (Prêt-à-Porter).

Flying Lotus no Black Lodge

E quem lançou disco nesta terça-feira foi o senhor Flying Lotus, ao revelar o EP Spirit Box, com forte influência de Twin Peaks.

Ouça abaixo:  

Paul Morrissey (1938-2024)

Paul Morrissey, que morreu vítima de pneumonia nesta segunda num hospital em Nova York, sempre será lembrado como o cineasta que deu dinâmica e movimento às experiências cinematográficas de Andy Warhol – que, por ser fotógrafo e artista plástico, trabalhava apenas com imagens estáticas. Ao lado de Warhol, dirigiu filmes de baixo orçamento sobre a vida marginal na maior cidade norte-americana, filmando histórias com hipsters, traficantes, travestis e viciados em drogas em filmes como Flesh (1968), Trash (1970), Heat (1972), Flesh for Frankenstein (1973) e Blood for Dracula (1974). Mas sua associação com Warhol também foi uma conexão com o Velvet Underground e além de ter dirigido com seu parceiro o único documentário sobre a banda quando ela ainda existia, The Velvet Underground and Nico: A Symphony of Sound (assista-o abaixo), lançado no ano anterior do lançamento do primeeiro disco da banda, que é de 1967, também foi empresário do grupo de Lou Reed e John Cale entre 1966 e 1967 e batizou o happening que colocou a clássica banda no mapa da intelligentsia nova-iorquina, chamado de Exploding Plastic Inevitable.

Assista a The Velvet Underground and Nico: A Symphony of Sound abaixo:  

Agora, todo mundo!

E reunindo sua atual banda para repassar seu repertório e visitar algumas músicas alheias, Pélico encerrou a sua temporada Cá Com os Meus Botões no Centro da Terra com o astral lá em cima. Acompanhado por Richard Ribeiro (bateria), Jesus Sanchez (baixo), Regis Damasceno (violão e guitarra) e Pedro Regada (piano e teclados), o cantor e compositor também cantou músicas que alguns fãs pediram anteriormente (como “Se Você Me Perguntar” e “Descaradamente”, ambas tocadas no bis) visitou Lô Borges via Milton Nascimento (“Para Lennon e McCartney”) e Renato Russo (“Vinte e Nove”, desta vez só com Regis) e contou com a presença surpresa do novato Kaboom 23, com quem dividiu uma música (“Coração Congelado”, que fizeram no palco) lançada em 2021. Uma noite quente para encerrar uma temporada emotiva – e rejuvenescedora, para o público e para o artista.

Assista abaixo:  

Eis Chromakopia

Sem o menor alarde, Tyler the Creator acaba de lançar seu novo disco, Chromakopia, em plena manhã de segunda-feira. Ouça abaixo: