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Parteum sobre a volta do Emicida

Com a volta aos palcos do Emicida na semana passada ainda reverberando, compartilho o texto que seu mestre e compadre Parteum publicou em sua conta no Instagram ao comentar o fato do rapper ter tocado uma música sua neste mesmo show:

“Quando um líder, num ato de generosidade, canta uma música de sua autoria no retorno aos palcos. Quando a música que nunca foi feita em shows ganha um bom lugar pra existir. Quando duas gerações do Rap Nacional não se estranham.

A música ‘A Moral Provisória’ foi escrita quando descobri que Cora, minha filha, estava vindo. O segundo verso foi escrito logo depois do primeiro ultrassom. Ela faz parte do álbum/mixtape Magus Operandi, tem 18 anos de vida.

O que eu digo e repito é que a coragem e a perspicácia do @Emicida, além do talento e do olhar pra cultura, são muito dignos. Da minha geração do rap, os que sobraram e seguem criando, poucos se gostam minimamente. Entretanto, decidir memorizar uma música inteira de outro artista e apresentá-la no show de retorno da carreira revela outro grau de amizade, respeito, carinho e, repito, generosidade. A verdade mora nos fatos. E o fato é que a cultura é construída e reconstruída por gente que tem compromisso com o que se propôs lá, no começo. Ritmo, poesia, dança, harmonia, comunidade, artes visuais e conexão. Congratulações, Leandro! Eu lembro tudo que disse no McDonald’s da República, quando você e mano Fernando (DJ Nyack) se preparavam para um dos primeiros shows!”

E essa volta tá só começando…

Todo o show: A volta do Sugar no Webster Hall, em Nova York (2.5.2026)

Aconteceu! Bob Mould, David Barbe e Malcolm Travis voltaram aos palcos como Sugar depois de 31 anos neste sábado, quando deram início à turnê de retorno em uma apresentação lotada no Webster Hall, em Nova York, quando tocaram músicas de seus três discos – Copper Blue e File Under: Easy Listening e a coletânea de lados B Besides – e as músicas novas que lançaram no início do ano, estas executadas pela primeira vez ao vivo. O baterista Malcolm Travis passou mal no meio do show, mas felizmente foi algo breve e logo ele voltou ao kit para encerrar a apresentação como previsto. E felizmente alguém gravou a íntegra do show, assista abaixo:  

Raimundo Rodrigues Pereira (1940-2026)

Morreu neste sábado um dos nomes mais importantes do jornalismo independente brasileiro e uma das principais vozes de oposição à ditadura militar dos anos 60 e 70, o pernambucano Raimundo Rodrigues Pereira. Fez parte da fundação da revista Veja, onde começou a revelar as torturas feitas pelo regime do período (negada por seus ditadores), seguiu na resistência ao participar da equipe de dois periódicos independentes que marcaram a época: o jornal Opinião (onde começou a trabalhar em 1972) e o jornal Movimento (que fundou em 1975 e o manteve até 1981, sempre sob forte repressão da ditadura), conhecido por se apresentar como “um jornal sem patrões” – por isso mesmo um dos veículos que mais cobriu as greves no ABC paulista no fim daquela década, que acabaram por desestabilizar a ditadura. No Movimento contava com colaboradores como Perseu Abramo, Chico Buarque, Jacob Gorender, Nelson Werneck Sodré, Fernando Henrique Cardoso, Moniz Bandeira e Elifas Andreato. Após a ditadura, criou o jornal diário Retratos do Brasil (que teve vida curta de poucos meses, em 1988) e seguiu colaborando com alguns veículos tradicionais, até fundar a Editora Manifesto, em 1997, que manteve até sua morte. Um herói.

Duas estreias numa mesma sexta-feira

Na edição desta sexta-feira do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, duas atrações estrearam na festa mostrando seus primeiros trabalhos solo. A noite começou com uma versão reduzida do show de Joni, que em vez de trazer sua banda completa, optou por ele mesmo tocar guitarra enquanto cantava e contar com as participações do baterista Biel Moreira e da tecladista Priscila Rosa, com um repertório inteiro autoral de canções que vão do R&B moderno ao soul clássico, com toques de samba e uma pitada de rap.

Depois foi a vez de Lara Zanon mostrar as canções de seu primeiro disco pela primeira vez ao vivo, no palco do Redoma. Acompanhada de Laura Mendes (vocalista da banda Nevoara), do próprio Joni que abriu a noite na guitarra, do baixo de Rafaela Reoli (que também toca na Malvada) e da bateria de Thamires Miranda, ela preferiu não tocar todo seu álbum Venusa – que, ainda em fase de mixagem, deve chegar às plataformas nos próximos meses – e passear por canções de outros autores mostrando a amplitude de suas influências, passando pela banda Zimbra (“Breve”), por Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo (“Segredo”) e Paramore (e justo duas pra deixar escancarada sua principal referência, “(One Of Those) Crazy Girls” e “Parachute”). Revezando-se entre o teclado e à linha de frente do palco, ela esbanjou voz, carisma e está pronta para mostrar seu primeiro trabalho.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Lara Zanon e Joni @ Redoma (1º.5)

O próximo Inferninho Trabalho Sujo acontece na sexta que vem no Redoma, quando a cantora Lara Zanon mostra seu primeiro álbum, Venusa, com influências de Fiona Apple e Hayley Williams, antes de seu lançamento. E para começar a noite, ela chamou seu amigo Joni, que vem do R&B, para fazer o show de abertura. Como sempre, discoteca antes, entre e depois dos shows. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825-A no Bixiga e a casa abre a partir das 21h. Quem vem? Os ingressos já estão à venda.

Floating Points mais uma vez com uma orquestra

A primeira vez que o sagaz produtor inglês Sam Shepherd – que conhecemos melhor como Floating Points – arriscou-se a tocar ao lado de uma orquestra sinfônica foi antes da pandemia, quando selou sua nova amizade com o mago do free jazz Pharoah Sanders, 40 anos mais velho que ele, no projeto Promises, gravado com a London Symphony Orchestra em janeiro de 2020 e só lançado em março de 2021, um ano antes de Sanders nos deixar, num dos disco mais ousados e importantes desta década. Em 2023, Shepherd voltou a reunir-se com outro time sinfônico, desta vez para compor sua primeira trilha sonora para um balé, e estreou Mere Mortals ao lado da San Francisco Ballet Orchestra em janeiro de 2024, num espetáculo inspirado pelo mito de Pandora. E ele acaba de lançar a faixa de abertura desta apresentação, que será lançada em breve como disco, ao mostrar o single de 13 minutos “Falling to Earth”, um épico ambient com sintetizadores pesados dando o tom apocalíptico do espetáculo. Impressionante.

Assista abaixo:  

Helado Negro ♥ Sly & The Family Stone

Desde o início de abril, o senhor Helado Negro vem usando seu Instagram para mostrar demos de músicas que está compondo (mostrou inclusive uma colaboração com sua nova amiga, a mineira Luíza Brina), abrindo processos de gravação e tornando pública sua rotina como autor, algo que nunca havia feito. E começou o mês de maio com sua primeira novidade fonográfica desde o EP The Last Sound on Earth, lançado em setembro do ano passado, mostrando uma versão lo-tech para o hit soul funk “Dance to the Music”, do Sly & The Family Stone, que rebatizou “Dance 2 Tha Music”. Ficou fino.

Ouça abaixo:  

O retorno gigante de Emicida

Há quase dois anos sem pisar nos palcos e depois de dois eventos trágicos em sua vida no ano passado (a briga com o irmão e a morte de sua mãe), Emicida vem preparando esta volta que aconteceu nesta quinta-feira desde o fim de 2025, quando subiu nos ombros dos maiores (os Racionais MCs) para voltar com a cabeça erguida. O projeto Emicida Racional começou com um sorrateiro Volume 3 no YouTube, em que mashupava músicas dele com clássicos dos Racionais e tornou-se o emotivo Volume 2, que funcionou como base para esse retorno, que aconteceu num Espaço Unimed lotado e repete-se nessa sexta-feira. Show dividido em atos em que monólogos da peça Tá Pra Vencer, de Jhonny Salaberg (que contou com a direção musical do próprio Emicida), eram projetados no telão, estendeu-se por longas quase três horas de apresentação, em que, ao receber convidados e repassar grandes músicas de sua carreira, também contava a história do rap brasileiro ancorada justamente pelos Racionais. E entre releituras de “Jesus Chorou”, “Capítulo 4, Versículo 3”, “Preto Zica”, “A Vida é Desafio” e “Homem na Estrada”, o show ainda contou com participações de Jotapê (que releu sua “Leandro Roque”), os Prettos, Rashid e Projota (que cantaram “A Mesma Praça” e “Nova Ordem”, do último) e de ninguém menos que o próprio Edi Rock, que rimou “A Praça” dos Racionais com os três MCs que cantavam a música anterior. Show emotivo em que Emicida parou a apresentação para que socorressem integrantes do público que passavam mal, chegou ao ápice quando Leandro não segurou as lágrimas ao cantar sua “Mãe”, sendo ovacionado pelo público, que cantava todas as músicas. E além das músicas dele e dos Racionais, também visitou Xis (“Sonho Meu”), Caetano Veloso (“Motriz”) e Parteum (“Moral Provisória”), mostrando que ele nunca esquece de onde veio. Showzaço – e sexta tem mais… Será que tem Mano Brown, Ice Blues ou KL Jay ou ele vai deixar esses outros convidados mais pro final da turnê? Porque sigo minha teoria que o Volume 1 desta trilogia é um álbum em colaboração dos dois artistas.

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Madonna ♥ Sabrina Carpenter

Madonna começou abençoando Sabrina Carpenter no palco do Coachella na mesma semana em que lançava o primeiro single de sua volta às pistas (“I Feel So Free”, coproduzido pela Arca) com o álbum Confessions II, continuação anunciada para julho de seu último clássico, Confessions on a Dance Floor, de 2005, que será produzida pelo mesmo Stuart Price do primeiro. E agora a madre superiora entroniza a loirinha insuportável (desculpem-me fãs) em seu próprio altar de vez, ao lançar o segundo single do mesmo disco em parceria com a jovem fã. E “Bring Your Love” – um bom single house de Madonna, embora Sabrina passe quase despercebida – funciona bem, dá uma sacada…

Ouça abaixo: