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Gole final

Lindo o encerramento da temporada que o Gole Seco fez às segundas de setembro no Centro da Terra, quando puderam aprofundar suas diferentes personalidades musicais em espetáculos solo em que sempre contavam com a presença das outras três para um momento dedicado ao grupo vocal. A quinta apresentação – num mês com cinco segundas-feiras – trouxe o grupo mostrando novos arranjos em cima do repertório de seu primeiro disco, além das contribuições que cada uma trouxe para o grupo em suas apresentações individuais, funcionando como um balanço e compilação de melhores momentos da temporada. Assim, Loreta Colucci sugeriu “Derramou” de Alessandra Leão, única composição da noite que contou com um instrumento além das vozes, quando a própria Loreta puxou o violão; Giu de Castro pinçou sua parceria com o poeta alemão pré-romântico Goethe em “Distante Amor”; Niwa chamou Björk com as paisagens emocionais de “Jóga” e Nathalie Alvim fez todos chorar com os “Soluços” de Jards Macalé. Entre estas, brincaram e envolveram o público com exercícios, jogos e malabarismos vocais que ao mesmo tempo que eram uma deixa para exibir seus talentos no gogó, também tocaram a todos com uma sensibilidade à flor da pele, realçada pela bela luz de Letícia Nanni, que iluminou magistralmente as cinco noites. Foi demais!

Assista abaixo:  

Kris Kristofferson (1936-2024)

Kris Kristofferson, que morreu neste sábado, revolucionou a música country sem criar alarde – mesmo porque este papel é um tanto contraditório para um gênero tradicionalmente conservador. Ele já merecia um lugar na história do gênero ao entrar pela porta dos fundos do gênero no final dos anos 60, quando quis chamar atenção de seus ídolos, como quando tentou abordar Bob Dylan quando era faxineiro na gravadora Columbia, ou quando apareceu na casa de Johnny Cash com um helicóptero, quando frilava como piloto no mesmo período. Tais abordagens surtiram efeito e logo ele trazia referências da contracultura sessentista ao centro musical do conservadorismo nos EUA, falando de alcoolismo, sexo fora do casamento e mensagens contra a guerra do Vietnã na época em que o country era a trilha sonora do status quo político daquele país. Alimentou o movimento que mais tarde ficou conhecido como “country fora-da-lei” e musicalmente trouxe elementos do folk hippie para aquele universo musical. Autor de músicas que tornaram-se conhecida nas vozes de outros cantores (como “Help Me Make It Through the Night”, “Sunday Mornin’ Comin’ Down” e “Me and Bobby McGee”, ele também firmou carreira como ator no cinema ao estrelar filmes como Pat Garrett & Billy the Kid (de Sam Peckinpah), Alice Não Mora Mais Aqui (de Scorsese) e Nasce uma Estrela (de Frank Pierson), este último lhe garantiu o Globo de Ouro de melhor ator em 1976. Nos anos 80, criou o grupo Highwaymen ao lado de Johnny Cash, Waylon Jennings e Willie Nelson e sempre esteve ao lado das causas progressistas, mesmo seguindo firme como um ídolo country.

Maggie Smith (1934-2024)

Apesar de apenas ter atingido a fama global quando começou a aceitar papéis no cinema e na TV que encaixavam-se em sua persona de matrona desde o fim do século passado, Maggie Smith, que morreu nesta sexta-feira, já era considerada uma grande dama do teatro inglês desde os anos 60, quando foi descoberta por Laurence Olivier quando havia começado a atuar National Theatre inglês e passou a interpretar peças clássicas sob sua tutela, vivendo fortes personagens femininas do teatro grego, Shakespeare, Ibsen e Noël Coward, atuando ao lado de nomes como Richard Burton, Elizabeth Taylor e Orson Welles e ganhando prêmios por suas performances. Ainda nos anos 70, quando atingiu sua maturidade artística, começou a atuar no cinema e na TV, primeiro em produções inglesas (principalmente comédias e adaptações de Agatha Christie) e depois em filmes norte-americanos (dirigidos por George Cukor, Robert Moore e Alan Pakula, por exemplo). Quando recebe o título de Dama (equivalente feminino do Sir inglês) pela Rainha Elizabeth II em 1990, começa a ser chamada para produções maiores, trabalhando em filmes com Spielberg e na série Mudança de Hábito, que forjaram a imagem pública que a tornou mais conhecida atualmente, ao viver personagens refinadas e esnobes no filme Assassinato em Gosford Park, de Robert Altman, que foi a inspiração para a série que ajudou a coroa sua reputação anos mais tarde, Downton Abbey, além de ter trabalhado em quase todos os filmes da série Harry Potter.

Mesma frequência

Três artistas de gerações diferentes sincronizaram-se às frequências do Inferninho Trabalho Sujo nessa sexta-feira, quando realizamos mais uma edição no Cineclube Cortina. A noite começou com a estreia da maravilhosa Tontom, que fez seu primeiro show em São Paulo com a desenvoltura de artista estabelecida, que contrasta com seu ar pós-adolescente. Ela ainda trouxe uma banda da pesada, formada por uma parte boa da atual cena do Rio de Janeiro, com Paulo Emmery na guitarra, Vovô Bebê no baixo, Manuella Terra na bateria e Antonio Dalbo nos teclados, todos recriando o pop irresistível produzido e arranjado por Guilherme Lírio no ótimo EP Manias 2000. Ela ainda aproveitou para tocar músicas inéditas e versões, como “Gente Aberta” de Erasmo Carlos e o hit “Lunares” de sua irmã Raquel Dimantas, além de repetir seu hit “Tontom Perigosa” no bis.

Depois foi a vez do Cidade Dormitório submeter o público reunido em sua psicodelia psicodramática, que começou com o baterista Fábio Aricawa sozinho no palco com a guitarra. Foi uma introdução premonitória – e até singela – para a densa viagem promovida pelo grupo, que singrou pelos sentidos entre as paisagens emocionais desoladas das letras superpostas sobre os fractais multicoloridos do som, tudo isso conduzido pela bateria de Fábio ao lado do baixo pesado de João Mário e pelos solos em fúria e discursos intermimáveis de Yves Deluc e segunda guitarra de Lllucas, além de todos assumirem vocais em diferentes momentos do show. O público cantou junto com o grupo músicas de todos seus discos, como Esperando o Pior, Fraternidade-Terror, Verões e Eletrodoméstico e, claro, o recente Ruída ou O Começo Me Distrai, elevando o nível da noite para a catarse.

Quem fechou os trabalhos foi o grande Tatá Aeroplano, que subiu com sua Boate Invisível com duas mudanças na formação, pois dois músicos da banda estão em turnê pelo exterior – o sagaz Arthur Kunz segurou bem o ritmo de Bruno Buarque enquanto Bia Magalhães trouxe voz e carisma para compensar a ausência de Malu Maria. Mas Junior Boca, Dustan Gallas e Kika estavam lá chancelando o recente trabalho coletivo do mister, que começou a noite com músicas de seus discos mais recentes (Boate… e Não Dá Pra Agarrar), que consolidou essa nova formação de sua banda, mas também passeou por outros momentos de sua discografia, incluindo a versão que faz para “Ressurreições” de Jorge Mautner, encerrando os shows de sexta com o astral lá em cima. Foi demais!

Assista abaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Tatá Aeroplano, Tontom e Cidade Dormitório

Na próxima sexta-feira, dia 27, temos uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Cineclube Cortina, desta vez reunindo gerações de artistas diferentes pra mostrar que a cena musical desta década está pegando fogo. A noite começa com a novidade carioca do ano, a cantora e compositora Tontom, que lançou seu EP Mania 2000 este ano, que traz o irresistível hit “Tontom Perigosa”, fazendo sua primeira apresentação em São Paulo. Depois é a vez da nova sensação indie nordestina, o trio sergipano Cidade Dormitório, que volta para São Paulo para mostrar as músicas de seu disco mais recente, Ruína ou O Começo Me Distrai. E finalmente encerramos a noite com a primeira aparição de Tatá Aeroplano no Inferninho, quando o mestre psicodélico mostra seu disco dançanete Boate Invisível com banda completa – e convidados que ainda irão ser anunciados. A noite começa às 21h com discotecagem da Lina Andreosi para terminar com a minha discotecagem ao lado da Francesca Ribeiro, como de praxe nos nossos Inferninhos – e os ingressos já estão à venda. O Cineclube Cortina fica na Rua Araújo, 62, no centro, perto do Metrô República. Vamos?

Centro da Terra: Outubro de 2024

O ano está chegando ao fim e outubro já começa na semana que vem, quando trazemos uma série de novidades e experimentos musicais no palco do Centro da Terra. Quem toma conta das segundas-feiras é o cantor e compositor Pélico, que apresenta a temporada Cá com Meus Botões, em que começa a mostrar o que será seu próximo disco ao mesmo tempo em que volta ao passado para rever suas composições anteriores à luz deste novo momento, sempre com diferentes convidados a cada nova apresentação. A primeira terça-feira do mês, dia 1°, ficou com Fernando Catatau, que convidou sua companheira Isadora Stevani, que reúnem música e imagem no que chamam de “um encontro a partir do não-existente” no espetáculo chamado de Outra Dimensão. Na terça seguinte, dia 8, dois nomes do hardcore paulistano – a cantora Carox (das bandas Carox e Miami Tiger) e e o guitarrista Flávio Particelli (das bandas Fullheart, Falante e Anônimos Anônimos) – reúnem-se para apresentar o primeiro show de seu novo projeto, a dupla folk A Ride for Two, que apresenta o espetáculo intimista Hey Life com outros músicos convidados. Dia 15 é a vez da mineira Julia Guedes apresentar seu primeiro show solo em São Paulo, quando mostra Vermelho e Sem Nome acompanhada da banda Terceira Margem. Na terça-feira dia 22 é a vez de Bianca Godoi, Guilherme Held, Otto Dardenne, Joana Bergman e Rubens Adati mostrarem, pela primeira vez, o projeto pós-punk recém-criado que chamaram de CØMA. E a programação de outubro termina com a primeira apresentação solo no Brasil de Francisca Barreto, que apresentava-se como Chica quando tocava ao lado de Nina Maia, mas assumiu seu nome de batismo depois que acompanhou o músico Damien Rice em turnês pelos cinco continentes. Ela mostra suas primeiras composições autorais no espetáculo chamado Bico da Proa e vem acompanhado de músicos convidados, entre eles a própria Nina. Lembrando que as apresentações sempre começam pontualmente às 20h e os ingressos já podem ser comprados na bilheteria e no site do Centro da Terra.

#centrodaterra2024

Maria Esmeralda ao vivo neste sábado

Depois do showzaço que fizeram na semana passada no Sesc Pompeia, o quinteto que pariu um dos grandes discos de 2024 volta a se reunir para mais uma apresentação ao vivo do espetáculo Maria Esmeralda – e desta vez é na rua. Thalin, VCR Slim, Cravinhos, Pirlo e iloveyoulangelo se reúnem mais uma vez para contar sua história de dor, sofrimento e rendenção neste sábado, no Largo do Arouche, no centro de São Paulo, dentro da programação do 5° Festival Bares pela Democracia, evento organizado por agentes culturais, artistas, empresários e movimentos populares para endossar a candidatura de Guilherme Boulos pela prefeitura da cidade. O evento começa às 11h e vai até às 21h e reúne bandas, artistas e festas como o DJ Chiquinho (festa Virilha), DJ Rod Silva, DJ Carol Ueno, Analog Trio com Jorge Du Peixe, Marafo e Bruno Secilians, a festa Je Treme Mon’Amour e o Pagode da 27, além de atrações infantis, como a banda Fera Neném e a discotecagem do Disco é Brinquedo. O evento é organizado pela Articulação Bares pela Democracia, que reúne mais de 70 estabelecimentos da cidade e foi lançada em 2022, como uma resposta às políticas tacanhas do desgraçado que esteve na presidência entre 2019 e 2022. Nesta quinta edição, entre os nomes envolvidos estão restaurantes, bares, feiras e casas de show como Aconchegante Bar, Casa Híbrida, Canto, Cervejaria Centralm Mamadi, Van Grogh, Armazém do Campo, Casa Tucupi, Carburadores, Chèvere, Los Dos Taqueria, Tabuleiro do Acarajé, Mista Coqueteis, Cervejaria Duas Irmãs, Porão da Cerveja, Barra Funda Lager, Van Der Ale e a feira Jardim Secreto e Feira Vermelha. Veja os horários das atrações abaixo:  

A primeira música do Cure em 16 anos!

“Esse é o fim de todas as canções que cantamos”, declara Robert Smith no começo de “Alone”, a primeira faixa do primeiro disco do Cure em 16 anos, que foi lançada nesta quinta-feira. Songs of A Lost World será lançado no primeiro dia do próximo mês de novembro e trará apenas oito faixas, resumindo uma espera que aguçou-se nas últimas semanas, quando a banda começou a dar dicas que o trabalho seria lançado em breve: “Foi a música que destravou o disco; assim que gravamos soube que seria a música de abertura e senti o álbum inteiro entrar em foco”, explicou Smith ao anunciar a nova faixa. “Eu estava lutando para encontrar a frase correta para a faixa de abertura certa por um tempo, com a simples ideia de ‘estar só’ sempre no fundo da minha mente, aquela sensação incômoda de que eu já sabia qual deveria ser a frase de abertura … assim que terminamos de gravar me lembrei do poema ‘Dregs’ do poeta inglês Ernest Dowson… e foi nesse momento que soube que a música — e o álbum — eram reais.” Ouça abaixo: