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O Colinho de Maria Beraldo

Eis a capa de Colinho, segundo disco solo de Maria Beraldo, que sua autora vem cozinhando há algum tempo e que finalmente está prestes a colocar no mundo. O sucessor do ousado Cavala é mais uma parceria da compositora com o produtor Tó Brandileone, contará com participações especiais (e pelo teor de um repost, Ana Frango Elétrico é uma delas), tem em Kendrick Lamar uma de suas principais referências (como contou em um stories) e terá seu primeiro single lançado na semana que vem. São as boas notícias do segundo semestre que não param de chegar!

“Lá vem o temporal!”: Timothée Chalamet canta “A Hard Rain’s a-Gonna Fall” no primeiro trailer da cinebiografia de Bob Dylan

Eis o que esperávamos: finalmente o gostinho de Bob Dylan que teremos da interpretação do fenômeno pop Timothée Chalamet, escalado para viver o menestrel norte-americano em sua primeira cinebiografia, no primeiro trailer de A Complete Unknown, de James Mangold, que estreia no final deste ano – e ele vem com música. Depois de vagar de óculos escuros na noite nova-iorquina do início dos anos 60, passando por lugares-chave do período com o Café Wha? e o Chelsea Hotel, o Dylan de Chalamet sobe ao palco para cantar o início de “A Hard Rain’s a-Gonna Fall” e… não faz feio. Não é nada estarrecedor, no entanto, mas não compromete nem a imagem de Dylan para as novas gerações nem a reputação do ator como talento em ascensão. É claro que poucas cenas não fazem um filme, mas o pouco que é mostrado neste primeiro aperitivo faz a aguçar a expectativa para um outro tipo de filme… Muito bem…

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John Mayall (1933-2024)

Se hoje ouvimos blues com toda essa reverência, não há dúvidas que John Mayall, que nos deixou nesta terça-feira, tem uma forte importância nisso. Mais do que fundador de uma das principais bandas do revival de blues que assolou Londres no início dos anos 60 – o John Mayall’s Bluesbreakers -, o guitarrista inglês era um dos principais entusiastas do resgate do gênero musical norte-americano em seu país, a ponto não apenas de incentivar novos talentos como a descobrir e revelar nomes que hoje pertencem ao panteão da música gravada. Nomes como Eric Clapton, Peter Green, Mick Taylor, Jack Bruce, John McVie, Mick Fleetwood e Aynsley Dunbar foram apenas alguns dos músicos que passaram por sua banda – e que deram origem a outros grupos – com o Cream e o Fleetwood Mac – em que deram continuação ao legado de seu mestre. A importância de sua presença na música inglesa foi crucial para dar corpo à febre pop iniciada pelos Beatles e graças à sua paixão pelo blues, grupos próximos como os Rolling Stones, o Spencer Davis Group e os Animals, conseguiram ampliar ainda mais seu público. Mayall não alcançou o estrelato de seus pupilos mas sua reputação atravessou décadas, tendo trabalhado com artistas tão diferentes – e reverentes à sua autoridade musical – como os jovens Paul Butterfield, Patti Smith, Steve Miller, Chris Rea e os mestres Mavis Staples, Buddy Guye John Lee Hooker. Morreu aos 90 anos, na Califórnia, nos EUA, cercado pela família, que anunciou sua passagem num post no Instagram.

Luiza Villa: “You don’t know what you’ve got ‘til it’s gone”

Luiza Villa voltou ao palco do Blue Note nesta terça-feira para celebrar sua reverência a Joni Mitchell e algumas pequenas mudanças no show mudaram completamente a dinâmica da noite. O primeiro veio por um problema técnico, que impossibilitou que o jovem maestro Pedro Abujamra usasse seu teclado, deixando-o à vontade com o piano da casa, dando uma súbita elegância que os timbres elétricos do teclado ofuscam dos arranjos da compositora canadense. O outro detalhe foi caso pensado, quando Luiza passou a tocar menos guitarra ou violão – embora ainda siga tocando-os em momentos-chave da noite -, deixando-a mais solta para improvisar com sua voz e sua presença de palco. Os dois estavam o tempo todo próximos do resto da Orfeu Menino – a banda que os cinco têm juntos, completa pela guitarra de Tomé Antunes (que decidiu tocar de pé desta vez), o contrabaixo solista de João Pedro Ferrari e a bateria de Tommy Coelho, agora com congas -, deixando o show ainda mais elétrico e direto no ponto, na melhor apresentação que vi do grupo até agora.

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Dentro de um sonho

O público que foi ao Centro da Terra foi hipnotizado pela mistura de sensações propostas pelo projeto Onira, que contou com participações especiais que aprofundaram ainda mais o estado de sonho encapsulado pela dupla formada por Jovem Palerosi e Tatiana Nascimento. Enquanto a contrabaixista Lea Arafah dava uma dimensão mais orgânica e grave às texturas sonoras, a dupla formada por Daisy Serena e Bruna Isumavut transformavam o escuro do teatro em uma viagem visual para dentro. À frente, o produtor paulista criava texturas eletrônicas e andamentos de guitarra, enquanto a poeta brasiliense conduzia todos a um estado de vigília em que cânticos ancestrais e conversas triviais misturavam-se sem rumos definidos, criando um híbrido de confusão com perda que aumentava ainda mais a intensidade da noite.

Assista abaixo:  

Onira: Sonhar a Tempestade

Maior satisfação receber no Centro da Terra mais uma apresentação do projeto Onira, criado pela poeta brasiliense Tatiana Nascimento e peli músico e produtor paulista Jovem Palerosi, que mostram o espetáculo Sonhar a Tempestade, pensado especialmente para a ocasião desta terça-feira. Os dois vem misturando som e poesia desde o ano passado e agora juntam-se à contrabaixista Lea Arafah (que também faz a arte do cartaz), à vídeo-artista Daisy Serena e à iluminadora Bruna Isumavut para reverenciar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana homenageando existências negras trans, travestis e nao-binárias e as referências à dissidência sexual e/ou deserção de gênero trazidas no panteão por Orixás como Otim, Iansã, Oxumaré, Oxum, Oxossi e Ossaim. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria ou no site do Centro da Terra.

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Abdul Kareem “Duke” Fakir (1935-2024)

Morreu o último Four Top. Abdul Kareem “Duke” Fakir, de ascendência etíope e bengalesa, foi ele quem seguiu o chamado do amigo Levi Stubbs, que queria ser cantor, ainda na adolescência, motando a base do grupo, que depois seria completo com Renaldo “Obie” Benson e Lawrence Payton, uma das principais estrelas da constelação que era o elenco da gravadora Motown nos anos 60. Os Four Tops estavam no topo daquele panteão, ao lado das Supremes, dos Temptations e de Marvin Gaye e manteve-se em atividade – e com a mesmíssima formação – até 1997, quando Payton morreu de câncer no fígado. Depois foi a vez de Benson (em 2005) e Stubbs (em 2008), deixando Duke, a bela voz rascante que fazia músicas como “Baby I Need Your Loving”, “Reach Out I’ll Be There”, “Standing in the Shadows of Love” e “I Can’t Help Myself (Sugar Pie Honey Bunch)” atingir o céu da soul music. Morreu do coração, aos 88 anos. Obrigado pela música!  

Entre o Caribe, Salvador e a Jamaica

A segunda noite da temporada BNegron Convida que o compadre BNegão está apresentando no Centro da Terra também foi a estreia de um mago das teclas e das produções no palco. Freelion, pseudônimo usado pelo baiano Sandro Mascarenhas para fundir sua mescla de ritmos caribenhos, reggae e pagodão eletrônico baiano, brilhou em sua primeira apresentação, misturando sozinho levadas primas em diferentes instrumentos, seja a escaleta, os sintetizadores, a MPC e até o piano do teatro – tudo para uma celebração de ritmo e groove que fez o público levantar-se das poltronas no final da apresentação. Ele ainda convidou o MC Dante Oxidante e o anfitrião da noite para subir no palco e fazer alguns números, entre elas a irresistível “Essa é Pra Tocar no Baile”, que fez com que todos dançassem no teatro. Estreia de responsa!

Assista abaixo:  

Cure sem energia elétrica

Quando o Cure estava prestes a encerrar seu contrato com a gravadora Fitcion no início do século, Robert Smith sugeriu que o grupo lançasse uma nova coletânea, com a única condição que o próprio líder da banda escolhesse todas as músicas. A empolgação com o novo lançamento levou Smith a puxar uma gravação desta mesmo repertório em formato acústico e o grupo anunciou que finalmente disponibilizará este disco, lançado origtinalmente em 2001, nas plataformas digitais no próximo dia 9 de agosto – e vêm soltando clipes de versões em vídeo de algumas músicas, como “A Forest”, “The Lovecats” e “Close to Me”. O disco ao vivo, que é tocado pela formação do Cure que inclui Simon Gallup no baixo, Jason Cooper na bateria e percussão, Roger O’Donnell nos teclados e Boris Williams na percussão – além do próprio Bob, claro -, também será relançado em vinil (duplo, já em pré=venda) na mesma data de relançamento da versão online. Assista aos clipes abaixo:  

Do disco ao ouvido: Comunicação e música

Nesta quarta e quinta-feira faço parte da programação do projeto VEM – Venha Experimentar Música, que o Sesc está desenvolvendo em várias de suas unidades, misturando shows, oficinais, cursos e atividades que visam trazer mais gente para a discussão sobre música. Este curso foi dado originalmente de forma online durante a pandemia e o adaptei para este momento que atravessamos. São duas aulas realizadas entre os dias 24 e 25 de julho, a partir das 19h, em que abordo as transformações do ecossistema da música impulsionadas pelo surgimento da internet (na primeira aula) e a influência da pandemia nessas mesmas transformações (na segunda). O curso é gratuito e acontece no auditório do Sesc Vila Mariana. Não é preciso fazer inscrições previamente, bastando comparecer meia hora antes da aula para retirar a senha para garantir sua participação.