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Impressão digital #0078: Uma nova política

Minha coluna de domingo no Caderno 2 foi sobre esses novos movimentos populares que buscam reinventar a política atual.

É só o começo
Um novo conceito de política

Ativismo digital não é mais novidade. Usar a internet para conectar pessoas, divulgar causas e reunir multidões é algo que teve início ainda nos anos 90, quando o Subcomandante Marcos, do Exército Zapatista de Libertação Nacional, usava a internet para espalhar o drama dos índios no sul do México. Ou quando uma multidão se reuniu em Seattle, em novembro de 1999, para protestar contra encontros de cúpula da Organização Mundial do Trabalho. Mas a internet e as mídias digitais só começaram a se popularizar de verdade no início da década passada, por isso esse tipo de organização política ainda estava restrito a militantes mais engajados.

Mas a internet deixou de ser uma rede de geeks. Celulares se tornaram o principal meio de comunicação do planeta. Além de fotografar e filmar, ainda se conectam à web para divulgar o que foi registrado onde for.

Foi assim que vimos uma série de novos movimentos utilizarem redes sociais e comunicação móvel para furar bloqueios governamentais e sair às ruas. Essa nova organização política – popular, digital e sem lideranças – cresceu principalmente em 2011, quando vimos esse tipo de movimento ganhar as ruas dos países árabes, ir à Europa (primeiro na Espanha, depois em Londres) e finalmente chegar aos Estados Unidos, onde um grupo de ativistas resolveu seguir o exemplo de árabes e europeus e acampar, sem prazo para ir embora, no centro financeiro de Manhattan.

As críticas que fazem ao movimento Occupy Wall Street são as mesmas que fizeram sobre as manifestações no Egito, na Tunísia, na Síria, na Espanha e na Europa. De que são apenas jovens desempregados, que não têm causa definida, nem reivindicação clara ou outra solução para o problema que apontam. Mas a indignação já deixou de ser localizada em determinada cidade e ontem, dia 15 de outubro (ou 15O, como escolheram codificar), vários manifestantes em dezenas de cidades do planeta saíram às ruas para protestar contra corporações e governos.

O que está acontecendo, na verdade, é o despertar de uma consciência global. Quando os meios impressos surgiram, foi o alcance de sua distribuição que determinou as fronteiras dos países para, num segundo momento, consolidá-los como nações, um conceito que não tem nem 500 anos de existência. Foi a partir disso que a política moderna, a de representação, surgiu. Mas à medida que o século 20 foi despertando a consciência de que todos somos parte de um mesmo planeta (graças à iminência de uma guerra nuclear e pela ecologia), aos poucos vem caindo a ficha de que a política de séculos passados se esgotou. E o que estamos vendo, nessas manifestações populares, é o clamor por um novo tipo de política. É só o começo.

Vida Fodona #303: Pra se espreguiçar

Afinal, frio e chuva é bom pra isso.

Washed Out – “Soft”
Twin Sister – “Bad Street”
Pipo Pegoraro – “Radinho de Pilha”
Neon Indian – “Deadbeat Summer”
Mayer Hawthorne – “A Long Time”
Lana Del Rey – “Kill Kill”
Justice – “Helix”
Mallu Magalhães – “Cena”
Wilco – “Whole Love”
Girls – “Magic”
Tennishero – “Midnight Love”
Karina Buhr – “Pra Ser Romântica”
Cícero – “Pelo Interfone”
Flight Facilities + Gisele – “Crave (GoSpaceship Remix)”
Metronomy – “The Bay”
Carte Blanche + Alexis Taylor – “With You”

Se aprochegue.

Occupy Wall Street na New Yorker

Vou tungar o post todo, paciência:

Where is Wall Street? Occupy Wall Street’s skeptics—and there are a lot of those, though far fewer than there were a week ago—like to note the protesters are not actually occupying a street named Wall, but a park named Zuccotti; and that “Wall Street” is an archaic term, anyway, since many financial firms aren’t resident there. The protesters, in other words, were misdirected and naïve: they don’t even know where they are standing, let alone what they are standing against. But Saturday night, as the protests, which had already been replicated in cities from Boston to Seattle, moved up the city’s grid, to Washington Square Park and Times Square, and around the world, to have a glimpse of where they might be going. Where isn’t Wall Street, after all? It’s in one’s mortgage terms and student loans and legislatures. And where isn’t there anger?

Times Square, where forty-five people were arrested Saturday—with another forty-seven in Washington Square Park and elsewhere—would be a decent choice as a new base for Occupy Wall Street, not because it’s a commercial or corporate space (Condé Nast, The New Yorker’s parent, is one of the tenants) but because it’s a civic space. It’s a lot bigger than Zuccotti Park. New Yorkers know how to gather there. (So do tourists.) It is full of cameras, and full of delegates, at any given moment, from dozens of countries. It’s where one can get news, and share it.

The O.W.S. protesters have been effective witnesses already. What is striking about this weekend is how well-tuned the echoes were, and the way the voices were joined. It wasn’t just a lot of people yelling about banks, with the Italians getting more out of control than most (though they did, burning cars in Rome). People in London, Hong Kong, Madrid, Tokyo, South Korea, Stockholm, and Sydney were carrying similar signs and claiming membership in the “99 Per Cent.” One shouldn’t dismiss that term as naïve or meaningless without looking at what’s happened, in the last few years, to income inequality: as Nicholas Kristof points out in the Times, “The top 1 percent of Americans possess more wealth than the entire bottom 90 percent.” Der Spiegel, reporting on protests in Berlin and Frankfurt, referred to the “Occupy-Märsche.” Wall Street has long been a multinational brand name; now Occupy is, too.

Another pair of complaints about the movement is that it is only about catchy rhetoric, and that it is inarticulate about what it wants. And yet somehow, as the marches spread, the ideas are getting more coherent, not less so. There is a global conversation going on now, and it would be foolish not to listen. For an anti-corporate movement, O.W.S. has a good sense of franchising—more importantly, it has something to say about enfranchisement.

Occupy George

Depois de ocupar a internet e ocupar as ruas, simpatizantes do OccupyWallStreet querem ocupar o zeitgeist, sinalizando a drástica diferença entre os ricaços do mundo e o resto em gráficos desenhados em notas de dólar.

A ação chama-se OccupyGeorge e resume-se a dizer que “se as coisas não mudarem, esse dinheiro vai pra mão do 1%”.