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Václav Havel (1936-2011)

Morreu hoje, em sua cidade-natal, Vlčice.

The idea of human rights and freedoms must be an integral part of any meaningful world order. Yet, I think it must be anchored in a different place, and in a different way, than has been the case so far. If it is to be more than just a slogan mocked by half the world, it cannot be expressed in the language of a departing era, and it must not be mere froth floating on the subsiding waters of faith in a purely scientific relationship to the world.

Taí um cara que desequilibrou pacas. E sua morte com certeza vai servir de inspiração aos movimentos populares pelo planeta. Depois eu escrevo mais sobre o cara.

iTunes no Brasil

Escrevi sobre a chegada do iTunes no Brasil para o caderno de Economia & Negócios do Estadão, na quinta-feira:

iTunes brasileiro não deve mudar hábitos de consumo

A entrada da Apple no mercado de música digital não foi uma ideia original – ela surgiu, na verdade, de uma lacuna deixada pelas empresas que geriam o mercado fonográfico na virada do milênio e não souberam lidar com a chegada da internet. O iTunes surgiu como loja a partir do tiro que as gravadoras deram no pé ao tratar seus consumidores como vilões. E até hoje o revés sofrido é usado como prova de que é impossível deter o digital.

Recapitulando: em 1999, um universitário americano criou um software gratuito que permitia troca de músicas via internet, sem que elas estivessem em um servidor central. Assim, qualquer um poderia ver as músicas que outra pessoa tinha e baixá-las para seu computador. O programa chamava-se Napster e os executivos das grandes gravadoras entenderam como roubo. Se tivessem um pingo de visão empresarial, talvez pudessem comprar o software – como fizeram depois – para estreitar o contato com um público que, aos poucos, começava a abandonar os CDs.

A Apple fez o que as gravadoras não fizeram: legalizou esse comércio e na metade da década já era vista como uma das marcas mais associadas à música no século 21, sendo que a empresa lucrou muito mais com a venda de tocadores de MP3 – o icônico iPod – do que com a venda de músicas. Assim, pegou os americanos em um momento em que eles começavam a baixar música de graça e os educou para as compras online.

Não é um formato ideal. As músicas são vendidas individualmente, o que faz o preço das músicas de um único disco às vezes ser mais alto que o de um CD, um artefato que teve custos vinculados à fabricação, transporte, estoque e varejo. E, nos últimos dez anos, viu-se a ascensão de serviços que cobram assinatura. Nesse formato, o ouvinte não precisa sequer fazer o download – ouve o que quiser, no aparelho que quiser.

Quase dez anos após ter sido lançado nos EUA, o iTunes chega ao Brasil cobrando, em dólar, preços que conseguem ser maiores que os concorrentes em mídia física. E isso num mercado que não tem tradição de venda de mídia digital, acostumado a baixar música sem pagar. Um cenário mais favorável à entrada dos tais serviços por assinatura.

O iTunes brasileiro terá consumidores, mas serão pessoas que ainda tateiam no meio digital, gente que não se familiarizou com o download de música e que ainda apanha do computador. Não existe a possibilidade de a Apple conseguir educar o brasileiro para comprar música. Esse tempo já passou. Resta torcer para que os modelos por assinatura não levem tanto tempo para chegar por aqui…

Herzog 3D

Dica para os cariocas: o Instituto Moreira Salles exibe o filme 3D de Herzog – A Caverna dos Sonhos Perdidos, filmado na gruta de Chauvet – neste fim de semana. O filme só foi exibido no Brasil uma vez esse ano, na Mostra de Cinema de São Paulo.

Os horários das sessões – desse e de outros filmes de Herzog, que só melhora à medida em que envelhece – podem ser vistos aqui. Bem que o IMS podia fazer uns sessões dessas aqui em São Paulo, hein…

Justice à brasileira

E o vencedor do concurso de melhor cover organizado pelo Justice é brasileiro!

Guilherme Zakka não só tocou tudo em sua versão para “Helix” como ele mesmo fez todo o vídeo, olha só:

Conversei com ele sobre como aconteceu sua participação:

“Bom, fiquei sabendo do concurso uma semana antes do prazo – que era de um mês – e virei noites sem dormir pra produzir tanto o áudio quanto o vídeo – inclusive a edição. Eu toquei, produzi e mixei tudo de fato, nenhuma backtrack foi usada pra produção do vídeo.”, conta. Ele também fez todo o vídeo, “à exceção de alguns takes feitos pela minha amiga. A filmagem começou quarta à noite e eu fiz o upload do vídeo sexta de madrugada”.

E explica como ficou sabendo da escolha: “Nessa quinta-feira o Justice selecionou nove finalistas, que ganharam um vinil com dedicatória do duo. Ontem eles chamaram os finalistas para uma vídeo-conferência, conversaram um pouco com cada um e depois anunciaram o vencedor. O prêmio é uma viagem pra Sydney, na Austrália, com acompanhante, vôo e hospedagem pagos. E obviamente ingressos para o primeiro show ao vivo deles – leia-se com instrumentos – da história, no dia primeiro de Janeiro”.

Zakka é fã da banda desde o primeiro single – quando a dupla francês transmutou “Never Be Alone” do Simian no hit “We Are Your Friends” -, ele está ansioso em relação ao show que vai assistir ao vivo. “A expectativa é grande porque será a primeira vez que eles tocarão ao vivo, com instrumentos. Será um impacto muito grande ouvir os clássicos do primeiro álbum nessa roupagem. Adicionalmente terei acesso ao backstage, o que só aumenta a expectativa”.

E conta sobre a importância do Justice para sua própria carreira musical: “O primeiro álbum deles me inspirou a fazer música eletrônica com outras influências – disco, rock etc. – e me levou a acreditar que muito pode ser feito ainda nesse gênero. O documentário deles fazendo uma Tour pelos Estados Unidos – A Cross the Universe – me inspirou a largar a profissão de professor de guitarra para tentar uma carreira artística efetivamente”. Ele lança seu primeiro EP ainda no ano que vem.

Para a fazer a versão, além de tocar guitarra, baixo e bateria, também usou vários aplicativo para fazer a versão também usando o iPad como instrumento musical: “O aplicativo que eu mais usei foi o Bebot, um sintetizador bem versátil”. Além do Bebot, ele também usou o iMS 20, o Sunrizer, o iKaossilator, o Thumbjam, o NLog PRO e o o DM1 Drum Machine.