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Os pés no abismo

A temporada Acontecimento, que o trio fluminense Crizin da Z.O. começou nesta segunda-feira no Centro da Terra, desceu os primeiros degraus em direção a um desconhecido sônico em que novos experimentos sonoros, citações de faixas de seu disco Acelero (de 2024) e porções musicais trazidas pelos convidados formam uma nova realidade. Quem abriu o caminho da temporada foi Kiko Dinucci que mais uma vez trouxe sua guitarra elétrica para ser desconstruída naquele palco, acompanhando movimento semelhante ao que fez o guitarrista do trio, Marcelo Fiedler. Só que cada um vinha de um rumo: Kiko do punk e Marcelo do metal, aos poucos amalgamando seus ruídos elétricos em uma parede de microfonia e distorção em que o MC Cris Onofre soltava seus impropérios apocalípticos enquanto distorcia a própria voz e disparava bases e o percussionista Danilo Machado vinha com o molho mínimo e convincente pra abrasileirar ainda mais aquele barulho todo, seja nas congas ou apenas no pandeiro. Em dois momentos, Kiko puxou duas de suas armas mais pesadas: “Veneno”, arrebatamento em forma de briga de rua que compôs com Ogi e fez Crizin decorar toda a letra, e um de seus hinos, a hipnótica “Crack pra Ninar”, que embalou o final dessa primeira noite, deixando o grupo pronto para o salto, com os pés pendurados à beira de um abismo.

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Crizin da Z.O.: Acontecimento

Enorme satisfação em receber mais uma vez no Centro da Terra o trio fluminense Crizin da Z.O., que ocupa as segundas-feiras de maio com temporada Acontecimento, em que utiliza o palco do teatro como um espaço-tempo imprevisível. E assim Cris Onofre, Marcelo Fiedler e Danilo Machado convidam diferentes artistas para criar nestes instantes e a cada segunda-feira recebem novos parceiros. A primeira,a dia 4, vem com Kiko Dinucci abrindo caminhos. Depois, dia 11, recebem a dupla Deaf Kids. No dia 18 é a vez de receberem os produtores MNTH, Lcuas Pires e Mbé e encerram estes acontecimentos com a presença de Juçara Marçal no dia 25, sempre misturando funk carioca com elementos de vanguarda, noise e eletrônica. As apresentações começam pontualmente a partir das 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Duas Spice Girls se reencontram

Enquanto os rumores sobre uma possível volta das Spice Girls seguem no éter das possibilidades, Mel C – que está fazendo uma turnê pela Inglaterra divulgando seu disco mais recente (chamado Sweat) – convidou ninguém menos que Mel B para o palco de seu show em Leeds no sábado passado, quando cantaram, para surpresa do público, o hit “Spice Up Your Life”. Voltem logo, mulheres!

Assista abaixo:  

Tame Impala ♥ Justice

O fim de semana ainda contou com a dobradinha do Justice com o Tame Impala quando a banda de Kevin Parker tocou na capital francesa neste domingo e chamou a dupla parisiense como atração surpresa na abertura da noite. Mas o filé veio quando Kevin chamou os dois para o início do bis do Tame Impala, quando tocaram a faixa “Neverender” em que a dupla Gaspard Augé e Xavier de Rosnay convidou para colaborar em seu disco de 2024, Hyperdrama. Sente só:  

Rádio Eldorado vive!

Depois do protesto contra o fim da Rádio Eldorado na Paulista neste domingo é a Casa de Francisca que agora abre espaço para a resistência desta entidade que é uma das principais emissoras de rádio do País. A partir das 18h, a apresentação Rádio Eldorado Vive! acontece ao vivo no Largo da Misericórdia em frente à tradicional casa, com as presenças da Charanga do França, Roberta Martinelli, Emanuel Bomfim, Mauricio Pereira e outros convidados. O evento é gratuito, é só chegar!

Hayley Williams ♥ Fleetwood Mac

Hayley Williams segue com a turnê de seu Ego Death At A Bachelorette Party e antes de chegar ao final do show que fez neste fim de semana no Moody Theatre, em Austin, soltou um aceno ao Fleetwood Mac no meio de “Good Ol’ Days”, que encerra a primeira parte do show. A música já faz referência ao olhar pesado que a vocalista da banda Stevie Nicks deu para seu ex, o guitarrista Lindsay Buckingham, no show de retorno da banda em 1997, quando, ao cantar a faixa “Silver Springs”, fez questão de olhar diretamente para o ex-marido ao cantar que “você nunca se livrará do som da mulher que te amou”. E embora Hayley, na canção diga, literalmente que “Eu não sou Stevie, não vou te rogar praga”, ela cantou justamente o trecho “you’ll never get away from the sound of the woman that loved you” ao final da canção. E, de quebra, ela ainda alimentou ainda mais a expectativa de ver o clássico casal juntos novamente no palco, como têm ameaçado desde o ano passado.

Assista abaixo:  

Descendo a ladeira da tristeza

Olivia Rodrigo participou do Saturday Night Live neste fim de semana e, além de participar de alguns quadros e cantar mais uma vez “Drop Dead”, primeiro single de seu próximo álbum, You Seem Pretty Sad for a Girl so in Love, revelou mais uma música, a primeira que dá o tom do adjetivo que parece ser central no novo disco. A triste balada “Begged” é a mesma que ela cantou ao lado de Weyes Blood num show fechado que fez em Los Angeles no outro fim de semana, e mais uma vez Natalie Mering estava ao seu lado, só que como apenas uma das integrantes dos grupo dos vocais de apoio, frisando sua participação como coadjuvante. E parece que a tristeza do título é real.

Assista abaixo:  

Shakira ♥ Maria Bethania

Shakira abalou o Rio de Janeiro no terceiro ano consecutivo que a prefeitura daquela cidade transforma um morno outono num quente réveillon fora de hora, repercutindo na imprensa internacional ao mesmo tempo em que faz as redes sociais tornarem-se monotemáticas durante um fim de semana. E por mais que a colombiana tenha um rosário de hits, que seu português seja perfeito, que tenha feito uma enorme celebração latina no palco e convidado celebridades brasileiras do naipe de Anitta, Caetano Veloso e Ivete Sangalo, nenhum instante foi mais intenso do que quando ela chamou ninguém que Maria Bethânia para cantar “O Que É O Que É” – e sentido a força do público brasileiro cantando um de seus hinos informais num de seus maiores palcos, a praia de Copacabana. Que momento!

Assista abaixo:  

Parteum sobre a volta do Emicida

Com a volta aos palcos do Emicida na semana passada ainda reverberando, compartilho o texto que seu mestre e compadre Parteum publicou em sua conta no Instagram ao comentar o fato do rapper ter tocado uma música sua neste mesmo show:

“Quando um líder, num ato de generosidade, canta uma música de sua autoria no retorno aos palcos. Quando a música que nunca foi feita em shows ganha um bom lugar pra existir. Quando duas gerações do Rap Nacional não se estranham.

A música ‘A Moral Provisória’ foi escrita quando descobri que Cora, minha filha, estava vindo. O segundo verso foi escrito logo depois do primeiro ultrassom. Ela faz parte do álbum/mixtape Magus Operandi, tem 18 anos de vida.

O que eu digo e repito é que a coragem e a perspicácia do @Emicida, além do talento e do olhar pra cultura, são muito dignos. Da minha geração do rap, os que sobraram e seguem criando, poucos se gostam minimamente. Entretanto, decidir memorizar uma música inteira de outro artista e apresentá-la no show de retorno da carreira revela outro grau de amizade, respeito, carinho e, repito, generosidade. A verdade mora nos fatos. E o fato é que a cultura é construída e reconstruída por gente que tem compromisso com o que se propôs lá, no começo. Ritmo, poesia, dança, harmonia, comunidade, artes visuais e conexão. Congratulações, Leandro! Eu lembro tudo que disse no McDonald’s da República, quando você e mano Fernando (DJ Nyack) se preparavam para um dos primeiros shows!”

E essa volta tá só começando…

Todo o show: A volta do Sugar no Webster Hall, em Nova York (2.5.2026)

Aconteceu! Bob Mould, David Barbe e Malcolm Travis voltaram aos palcos como Sugar depois de 31 anos neste sábado, quando deram início à turnê de retorno em uma apresentação lotada no Webster Hall, em Nova York, quando tocaram músicas de seus três discos – Copper Blue e File Under: Easy Listening e a coletânea de lados B Besides – e as músicas novas que lançaram no início do ano, estas executadas pela primeira vez ao vivo. O baterista Malcolm Travis passou mal no meio do show, mas felizmente foi algo breve e logo ele voltou ao kit para encerrar a apresentação como previsto. E felizmente alguém gravou a íntegra do show, assista abaixo: