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A fantástica Jocy de Oliveira vence o In Edit 2026

, por Alexandre Matias

Muito honrado de ter sido convidado para o júri desta edição do festival de documentários In Edit, quando participei da comissão julgadora ao lado do cineasta Joel Zito Araújo e da produtora executiva da Casa de Cinema de Porto Alegre Nora Goulart, e muito feliz de termos escolhido o espetacular Universo Circular, que o diretor Dácio Pinheiro fez sobre a maga Jocy de Oliveira, uma das pessoas mais importantes da música brasileira do século passado (e além, pois ela segue viva e em ação), que não é tão conhecida ou reconhecida por ser pioneira da música eletrônica e provocadora da música erudita contemporânea. Além de termos escolhido este filme como o melhor do festival, ainda demos menção honrosa para o fantástico Vivo 76, em que Lírio Ferreira conta como Alceu Valença encontrou seu rumo artístico ao conhecer o cerne da psicodelia pernambucana na gravação de um disco ao vivo, e demos destaque para o urgente Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan, que funciona como alerta para o fascismo institucional que ainda paira sobre a cultura do Brasil desta década. Muito filme bom! Abaixo, o texto que fizemos para os filmes selecionados desta edição e o trailer do filme vencedor, que foi reexibido neste domingo em sessão lotada na Cinemateca:

Melhor filme do In-Edit Brasil 2026

Universo Circular – Jocy De Oliveira, de Dácio Pinheiro
A grandeza desta pioneira compositora de música erudita e eletrônica brasileira ganha uma homenagem à sua altura, quando descobrimos que sua vasta influência musical passeia por áreas tão distintas quanto a música popular, a ópera e a performance desde a metade do século passado, com imagens desconcertantes (como o destino do piano que paira em seu cartaz ou suas conexões com mestres como Stravinsky e John Cage) discorridas fora de cronologia, coerente com os conceitos que movem sua obra.

Menção honrosa
Vivo 76, de Lírio Ferreira
Mais que o início da biografia de Alceu Valença, o filme é um mergulho na tradição circense e musical nordestina com foco no ano em que Alceu gravou seu segundo álbum, ao vivo, o primeiro registrado com músicos conterrâneos, diferente do disco de estreia, gravado no Rio de Janeiro com músicos locais. Neste processo, vemos o bardo pernambucano conhecer os nomes que se tornariam a nata da psicodelia da região, de Zé Ramalho a Ave Sangria, passando pelos habitantes da Casa Abrakadabra, polo criativo gerido pelo casal Lula Côrtes e Kátia Mesel.

Destaque 2026
Entre O Sucesso E A Lama, de Cristiano Burlan
O filme parece apenas registrar o processo criativo de uma iniciativa musical realizada no Teatro de Contâiner, na Cracolândia, em São Paulo, com a mentoria de grandes nomes do rap nacional, como Gaspar, do grupo Z’África Brasil, e Edi Rock, dos Racionais MCs. Mas nada é simples quando se trabalha nestas condições e o filme nos dá um choque de realidade para quem acha que as trevas da política institucional estão mais branda. Spoiler: não estão.

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