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Björk no cinema

Mais música no cinema! Desta vez é a cantora islandesa Björk que anuncia o lançamento do filme de seu show Cornucopia em mais de 500 cinemas em todo o mundo, na primeira vez que o registro do espetáculo é exibido na íntegra. Conduzido em parceria com a diretora argentina Lucrezia Martel e com a diretora musical Isold Uggadottir, a apresentação aconteceu no dia 1º de setembro de 2023 na Altice Arena, que fica na capital portuguesa de Lisboa, e mistura músicas dos discos Utopia (2017) e Fossora (2023), além de efeitos de realidade virtual e a exibição de três curtas escolhidos pela artista. Cornucopia será lançado em todo o mundo no dia 7 de maio, inclusive no Brasil, e para saber mais informações sobre as sessões, cadastre-se no site da artista.

Assista a um trecho abaixo:  

♥ Kim Gordon ♥ Kim Deal ♥

O novo programa de entrevistas da Netflix, Everybody’s Live, apresentado pelo ator e comediante John Mulaney, conseguiu um feito e tanto em seu segundo episódio não apenas ao reunir no mesmo programa duas das maiores mestras do rock independente – Kim Gordon e Kim Deal, vocalistas, baixistas, musas e faróis do mundo indie, a partir de suas respectivas bandas, Pixies e Sonic Youth, que lançaram ótimos discos solo no ano passado – como conseguiu colocá-las juntas no mesmo palco para cantar ao vivo pela primeira vez a música que gravaram há 30 anos no subestimado disco Washing Machine que o Sonic Youth lançou em 1995. O canto fantasmagórico das duas em uma balada soul não apenas ecoa pilares da música pop como os girl groups dos anos 60 (algo que o mesmo Sonic Youth havia feito no ano anterior, ao regravar o hino “Superstar”, canção da dupla Delaney & Bonnie imortalizada pelos irmãos Carpenters) como faz ponte com artistas contemporâneas tão diferentes quanto Amy Winehouse, Lana Del Rey e Weyes Blood – e é tão bom vê-las cantando essa música em 2025 como se estivessem em 1995 ou 1965!

Assista abaixo:  

A vez de Dua Lipa cantar Natalie Imbruglia

Ops, ela fez de novo: “Toda noite, em toda cidade, cantaremos uma música de um artista local”, disse Dua Lipa em sua segunda noite em Melbourne, na Austrália, logo depois de fazer um show em que cantou “Highway to Hell”. A australiana homenageada desta quarta-feira foi Natalie Imbruglia, com seu irresistível hit “Torn”. E, como fez na musica do AC/DC, a senhorita Lipa fez bonito e mostrou que não está no lugar que está à toa. Resta saber se essa tática pode reverter o jogo de ter lançado um disco fodíssimo no ano da pandemia e em seguida lançado um disco sem graça que agora começa a circular ao vivo. Parece uma boa tática, mas vamos ver…

Assista abaixo:  

Um pouco do Mocofaia

Ainda deu pra correr e ver um pouco do primeiro show do trio Mocofaia em São Paulo, que aconteceu no Bona. E embora o encontro de Luizinho do Jêje, Marcelo Galter e Sylvio Fraga tenha sido bonito, havia algo de diferente no som da casa – que não é característico de lá – que deixava as partes graves (especificamente o synthbass tocado por Galter) muito acima dos outros instrumentos e das vozes, o que eclipsou o brilho da apresentação, que mesmo assim foi bonita, principalmente quando o convidado da noite, o pernambucano Zé Manoel, juntou-se ao trio. E é sempre bom ver Luizinho tocar – que mago!

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Mercado independente, internet, tecnologia digital e o impacto nos livros sobre música do século 21

E para encerrar o curso Bibliografia da Música Brasileira que estamos dando no Sesc Pinheiros nesta quarta-feira, eu e Pérola falamos de movimentações extramusicais que mexeram não apenas na produção musical brasileira da virada do século como impactaram nas publicações deste mesmo período. Voltamos para o início dos anos 80 para mostrar como São Paulo começou a protagonizar uma mudança na produção quando casas de shows como o Lira Paulistana e lojas de discos como a Baratos Afins começaram a lançar artistas rejeitados pelas gravadoras multinacionais – que trabalhavam cada vez mais em bloco, forçando sucessos comerciais na marra -, criando, sem perceber, o mercado independente. Este foi ágil em perceber o potencial da internet e abraçou a rede desde o primeiro momento, bem como as novas tecnologias digitais, que permitiam que mais artistas tivessem como gravar seus discos e distribuí-los. Essas transformações também mexeram no mercado editorial e sua abordagem em relação à música no período, com a consolidação de novas editoras independentes, o surgimento de autores que começaram a publicar textos e livros online e a facilitação do acesso aos livros seja em PDFs piratas ou em livros digitais gratuitos. É sempre bom ministrar esse curso, pois além de um mergulho na história da nossa música, também mostra como os livros que contam essa história apenas refletem as características – políticas, estéticas e estruturais – de diferentes períodos dessa trajetória. Já estamos com vontade de dar mais aulas! (📷: @sescpinheiros)

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E se Jim Morrison ainda estiver vivo?

E se Jim Morrison ainda estiver vivo? As mortes dos grandes nomes da fase clássica do rock não apenas funcionaram como pregos no caixão de uma época e, por terem acontecido subitamente e matado esses ídolos ainda na tenra idade, criaram uma aura de encantamento e mistério que tornaram-se material da própria história do gênero. E por mais que as mortes de Brian Jones, Jimi Hendrix e Janis Joplin hoje já não sejam tão envoltas em lendas, a de Jim Morrison ainda segue vaga quanto em seu tempo, no final de 1971. O líder dos Doors mudou-se para Paris naquele ano e morreu sem deixar vestígios, teoricamente vítima de um ataque cardíaco na banheira de seu apartamento em Paris. Ninguém sabe quem é o médico que o examinou após a morte, não houve autópsia e sua namorada Pamela Courson, a única pessoa que o conhecia a vê-lo morto, morreu três anos depois. Agora uma série vem jogar luz nessa possibilidade anunciando inclusive a possibilidade de ter encontrado o próprio cantor, que viveria em Nova York e trabalharia disfarçado como um zelador. Não são as únicas pistas: Finn descobriu que o número de Seguro Social de Jim ainda está ativo e mostra outras pistas para pessoas que conheceram o vocalista dos Doors em diferentes momentos de sua curta vida. Criada e dirigida pelo fã Jeff Finn, Before the End é dividida em três episódios, já estreou na Apple TV nos EUA e vem acompanhada de um livro, escrito por Finn, chamado 127 Fascination: Jim Morrison Decoded, que ainda será lançado, sobre o mesmo tema. Veja o trailer abaixo:  

Radiohead em 2025?!

Há uma movimentação incomum acontecendo no território do Radiohead. Primeiro Thom Yorke anuncia um disco em parceria com o produtor eletrônico inglês Mark Pritchard (o disco Tall Tales, que será lançado dia 9 de maio pela gravadora Warp). Depois a banda comemora o aniversário de 30 anos de seu segundo disco The Bends, desenterrando vídeos daquela época (como a íntegra de um show gravado em VHS no Horseshoe Tavern, em Toronto, no Canadá em março de 1995, veja abaixo) e abastecendo sua Radiohead Public Library ao mesmo tempo em que compila uma playlist dedicada ao disco. Mas uma discussão paralela mexe com a banda inglesa para além de efemérides e carreiras solo. Primeiro foi a descoberta de que seus cinco integrantes – Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Philip Selway – acabaram de abrir mais uma empresa batizada com a nada sutil sigla RHEUK25, que até alguém mais desatento consegue ler o nome da banda, seu país e continente de origem e o ano em que estamos. Não é a primeira vez que seus integrantes fazem algo do tipo. Trabalhando fora do esquema das gravadoras grandes desde seu Hail to the Thief, em 2003, a cada novo disco eles criam uma nova entidade jurídica que acaba funcionando como a empresa que gere não apenas o lançamento de um novo álbum como sua respectiva turnê. Foi assim com In Rainbows em 2007 (quando fundaram a empresa Xurbia Xendless), com A Moon Shaped Pool em 2016 (quando criaram a Dawn Chorus LLP), com a reedição dos discos Kid A e Amnesiac que tornou-se Kid Amnesiac em 2021 (ao fundar a empresa Spin With A Grin LLP) e até quando Thom e Johnny lançaram o primeiro disco de sua banda The Smile em 2022 (quando os dois fundaram a Self Help Tapes LLP). O caldo engrossou depois que o site Resident Advisor recebeu uma pista que um leilão feito para arrecadar fundos pela escola norte-americana Palisades High School, em Los Angeles, tinha um item anunciado como quatro convites para “um show do Radiohead na cidade em que você escolher”, que foi retirado do site da escola logo após a informação ter sido vazada pelo site (que guardou os prints da tela por precaução). Juntando lé com cré fica bem fácil supor que o grupo está planejando pelo menos uma turnê no segundo semestre, se é que não tem um disco gravado guardado na manga. E se você perceber que a música nova que Thom lançou com Pritchard chama-se “Back in the Game” (“de volta ao jogo”), tudo fica mais fácil de entender…  

Um organismo vivo

Quando Rômulo Alexis e Anaïs Sylla cogitaram criar um coletivo musical que misturasse as tradições orais ancestrais africanas às ações diretas em grupo propostas por artistas nas décadas de 50 e 60 recuperaram estas tradições como uma força política, estética e artística de um ponto de vista brasileiro, sabiam que ao criar o Luz Negra estavam criando um organismo vivo, que mostrou estar em plena mutação nesta terça-feira, no espetáculo Axioma, que desenvolveram no Centro da Terra. Com seis vocalistas à frente (Ana Dan, Minarê, Cris Cunha, Belle Neri, Daisy Serena, Monaju e a própria Anaïs), transformando cantos de terreiro, poemas e canções em mantras hipnóticos eternos, o coletivo contava com uma banda formada por Marcela Reis (teclas), Henrique Kehde (bateria), Du Kiddy Artivista (guitarra), Beatriz França (baixo acústico) e o próprio Rômulo (trompete), que além dos próprios instrumentos, também engrossavam o coro vocal ao mesmo tempo em que levavam o público para locais sentimentais específicos, às vezes doces e suaves, às vezes pesados e fortes, mas sempre com a sensação de estarmos ouvindo trechos diferentes de uma mesma música. Um transe em movimento, que só tende a crescer.

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Luz Negra: Axioma

Nesta terça-feira, 18 de março, temos o prazer de receber o coletivo afrodiaspórico Luz Negra, idealizado e dirigido pelo encontro do trumpetista Rômulo Alexis com a cantora Anaïs Sylla. O grupo trabalha composição e improviso em diferentes frentes e embora parta do encontro musical, também trabalha com poesia, audiovisual e elementos cênicos, inspirado nas vanguardas experimentais afrodiaspóricas das décadas de 50 e 60, organizado de forma horizontal em arranjos colaborativos que expandem os limites entre o individual e o coletivo. Além de Rômulo e Anaïs, o grupo ainda conta com Daisy Serena, Marcela Reis, Henrique Kehde, Monaju, Giba Fluxus, Ana Dan, Belle Neri, Cris Cunha, Du Kiddy Artivista, Minarê, Beatriz França e Lucas Brandino e prega que “a política não é apenas tema, mas prática e cada interação reflete a potência das trocas afetivas e a construção de uma práxis afrodiaspórica”. O espetáculo, batizado de Axioma, começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados no site do Centro da Terra.

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Mocofaia chega a São Paulo

Acontece nesta quarta-feira a primeira apresentação do trio Mocofaia – formado pelos baianos Luizinho do Jêje, percussionista do coletivo Aguidavi do Jêje, e Marcelo Galter, pianista e compositor, e pelo poeta e compositor carioca Sylvio Fraga – em São Paulo, quando tocam no Bona com a participação do pernambucano Zé Manoel. O trio surgiu sob a benção do saudoso maestro baiano Letieres Leite e Fraga, idealizador da gravadora Rocinante, que lançou o primeiro disco do trio no ano passado, escreve para o Trabalho Sujo sobre o nascimento deste projeto. Os ingressos para a apresentação, que começa às 20h, podem ser comprados neste link. Leia abaixo: