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Clara Bicho vem com a Sophia Chablau

A nova safra indie brasileira está vindo à toda e há artistas novos surgindo em todos os lugares – e não é diferente em Belo Horizonte, terra da Clara Bicho (já tinha falado dela no ano passado), que lança mais um single nesta terça-feira e antecipa em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. O delicioso groove minimalista de “Cores da TV” também marca sua parceria com Sophia Chablau e o primeiro degrau de seu EP, que será lançado ainda neste semestre. “Um dia compartilhei que gostava muito de uma música da Sophia e nunca tínhamos conversado antes”, lembra a compositora mineira, que conheceu o trabalho de Sophia com sua banda Uma Enorme Perda de Tempo há uns três anos. “E ela me respondeu dizendo que curtiu meu trabalho, me mandando uma mensagem logo em seguida me convidando para a gente fazer alguma música juntas”. Clara lembra que “sempre me chamou atenção a forma como ela compõe, como escreve, como usa as palavras e cria as melodias – de alguma forma me identifiquei.” Marcaram de se conhecer quando Clara veio a São Paulo, mas, por motivos de saúde, as duas só puderam se conhecer quando Sophia foi para Belo Horizonte. Ao perguntar pra Sophia como ela foi convidar alguém que mal conhecia para compor juntas e “ela me disse que antes tinham falado de mim para ela e que ela ‘tinha que me conhecer e nos daríamos bem'”. Tanto deu que eis aí a colaboração, ouça abaixo:  

Paradise não é o que parece…

Se você estiver procurando série pra ver, dá uma sacada em Paradise, que estreou no começo do ano e já terminou sua primeira temporada em oito episódios tensos. Ela conta a história de Xavier Collins (interpretado magistralmente por Sterling K. Brown), braço direito de uma das pessoas mais poderosas do mundo que passa a lidar com um problemaço depois que um assassinato começa a revelar uma história que é muito mais complexa do que parece na superfície. Sugiro apenas que assista ao primeiro episódio e veja se consegue segurar-se para não assistir ao capítulo seguinte em seguida após o que é mostrado quase no final. Ela está passando no Disney+.

Luiz Gonzaga por Lira Neto

Biógrafo de Getúlio Vargas, Padre Cícero, Maysa, José de Alencar, Oswald de Andrade e da história do samba, o jornalista e escritor cearense Lira Neto acaba de anunciar o que ele considera “o melhor e mais importante de minha carreira como autor de não-ficção”: a história de Luiz Gonzaga, um dos nomes mais importantes da nossa cultura que, até então, não tem um livro à altura de sua grandiosidade. O livro, ainda sem previsão de lançamento, sairá pela Companhia das Letras. Uma lacuna enorme em nossa bibliografia promete ser preenchida.

Dua Lipa ♥ Kylie Minogue


Mais uma da Dua: no terceiro show que fez na Austrália na abertura da turnê de seu disco mais recente, ela puxou outra homenagem a outra artista australiana ao cantar o hino imortal das pistas “Can’t Get You Outta My Head” de sua ídola Kylie Minogue – isso depois de cantar AC/DC num show e outra da Natalie Imbruglia no seguinte.

Assista abaixo:  

Olivia Rodrigo ♥ No Doubt

Olivia Rodrigo começou seu giro latino nessa sexta-feira, ao tocar no Lollapalooza chileno, e presenteou seu público com uma bela versão só com voz e guitarra para o hit “Don’t Speak”, do grupo No Doubt. Assista abaixo:  

Alinhamento cósmico

Um estranho e interessante alinhamento cósmico aconteceu na sexta passada na Porta Maldita, quando reuni três artistas de diferentes pontas do espectro musical para um Inferninho Trabalho Sujo memorável. A noite começou com os novatos da Orfeu Menino mostrando que eles não têm tempo ruim quando o assunto é jazz brasileiro. Liderados pelo carisma encarnado de Luíza Villa, o grupo fez seu show quase todo autoral à exceção de três músicas, que pautam bem o terreno habitado pela banda: “Chega Mais” da Rita Lee, emendada com “Cara Cara” do Gil e “Tudo Joia” do Orlandivo. Passeando suas composições pelo samba jazz pós-bossa nova, estrearam três músicas novas e estão absorvendo bem a entrada do novo guitarrista, o carioca João Vaz. Fiquem de olho neles…

Depois foi a vez de outro poço de entretenimento que é o show de Ottopapi, codinome que Otto Dardenne assumiu para sua carreira solo. Acompanhado de uma banda fulminante (Vítor Wutzki e Thales Castanheiras nas guitarras, Gael Sorkin na bateria, Bianca Godói no baixo e Danileira nos synths, efeitos e coreografias), ele é um dos melhores shows de São Paulo atualmente, com aquela energia de rock de garagem que ecoa tanto os momentos menos artsy do Velvet Underground quando a época que os Strokes eram uma banda semidesconhecida, em composições tão descartáveis quanto grudentas, hits pop disfarçados de pulsões elétricas que não deixam ninguém parado. E ele já anunciou que o disco tá vindo…

E a noite encerrou com o Casual Art Ensemble, projeto de improviso noise surgido do encontro de três quartos dos heróis indies cariocas do Oruã (os cariocas Lê Almeida, João Casaes e Bigú Medine) com a dupla paulistana Retrato (Ana Zumpano e Beeau Gomez), que pode reunir ainda mais gente, que foi o que aconteceu na sexta-feira, com as presenças de Guilherme Pacola (bateria, percussão e efeitos), Clóvis Cosmo (sopros e percussão) e Gabriel Gadelha (do Naimaculada, no sax), conduzindo o público a três diferentes transes hipnóticos em que seus integrantes trocavam de instrumentos a cada nova viagem. Coisa linda.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Orfeu Menino, Ottopapi e Casual Art Ensemble

E nem terminou um e já temos outro: sexta que vem temos mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo na magnífica Porta Maldita – e essa noite é estelar, começando pelos novatos Orfeu Menino, banda liderada pela vocalista Luíza Villa, mostrando seu novíssimo repertório autoral, seguido da incrível banda de Ottopapi em mais uma catarse indo direto ao centro nervoso da crueza e urgência do rock e finalizando com o improviso do Casual Art Ensemble, grupo formado pela dupla Retrato e por 3/4 do grupo Oruã, liderado por Lê Almeida. Como sempre discoteco antes, entre e depois dos shows, sempre reforçando o clima quente dessa noite. Os ingressos podem ser comprados antecipadamente aqui.

Eddie Vedder ♥ Neil Young

Não sou propriamente fã do Eddie Vedder, mas não há como negar que ficou linda a versão que ele fez para “Needle and The Damage Done”, do mestre Neil Young, que estará presente na coletânea Heart Of Gold: The Songs Of Neil Young, que ainda terá a participação de Fiona Apple, Sharon Van Etten, Doobie Brothers com Allison Russell, Steve Earle, Mumford & Sons e Courtney Barnett (que inclusive já mostrou sua versão para “Lotta Love”, no mês passado). Vedder, além de dividir o palco com o velho Neil algumas vezes (inclusive um disco inteiro de sua banda Pearl Jam com o bardo canadense, o fabuloso Mirrorball), já havia mostrado ao vivo a música outras tantas, mas finalmente ela ganha uma versão em estúdio. O disco, que já está em pré-venda, será lançado no mês que vem.

Ouça abaixo:  

Waterboys ♥ Fiona Apple

Fiona Apple é a primeira convidada do próximo disco do grupo escocês Waterboys a mostrar sua colaboração. A faixa “Letter From An Unknown Girlfriend” faz parte do décimo-sexto disco da banda, Life, Death And Dennis Hopper, que, como o prega o título, conta a história de um dos maiores ícones da cultura pop do século passado. “O arco de sua vida é a história de nossa época”, explicou o líder, fundador e único remanescente da formação original da banda, Mike Scott. “Ele estava no big bang da cultura jovem no filme Juventude Transviada com James Dean, no início da pop art com o jovem Andy Warhol, e faz parte da contracultura, da cultura hippie, do movimento pelos direitos humanos e da cena psicodélica dos anos 60. Nos anos 70 e 80 ele passou por uma década selvagem, quase morreu, voltou, se endireitou e tornou-se um ator que fazia cinco filmes por ano sem perder o brilho em seus olhos ou o senso de perigo e de imprevisibilidade que sempre esteve ao seu redor.” O disco tem 25 faixas e passa por sua infância até a manhã seguinte à sua morte e “não é só sobre Dennis, mas sobre toda a estranha aventura de ser uma alma humana no planeta Terra”, conclui Scott. O disco, que será lançado em abril, ainda conta com participações de Bruce Springsteen, Steve Earle, Anana Kaye, Barny Fletcher, da banda country norueguesa Sugarfoot, Kathy Valentine das Go-Go’s, entre outros. Ouça o single abaixo: