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O Ecossistema da Música no Século 21 – inscrições abertas!

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Abrimos as inscrições para mais um curso O Ecossistema da Música no Século 21. É a terceira edição do curso que idealizei ao lado do Espaço Cult e durante duas semanas converso com diferentes nomes de diferentes áreas da atual cadeia orgânica da música. Só chamei fera – e nas duas edições anteriores conversei com Tiê, João Marcello Bôscoli, João Leiva, Renata Simões, Ronaldo Evangelista, Pitty, Roberta Martinelli, Tiago Agostini, Carlos Eduardo Miranda, Edson Natale, Airton Valadão Jr., Karina Buhr, Patrícia Palumbo, Evandro Fióti, Tulipa Ruiz, Maurício Taglari e Matthieu LeRoux, sempre falando das mudanças e perspectivas de viver com música nos dias de hoje. A terceira edição acontece entre os dias 20 e 24 e 27 e 31, sempre das 20h às 22h, mais uma vez no Espaço Cult, ali na Vila Madalena. E quem se inscrever antes de anunciarmos as aulas da próxima edição (no meio de abril) ganha um belo desconto. Confira como se inscrever no site do Espaço Cult.

Por que o processo em cima de “Blurred Lines” pode comprometer a criatividade do futuro

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“Blurred Lines” foi considerada plágio de uma música de Marvin Gaye por ter uma ~vibe~ parecida. Como essa decisão judicial pode dar origem a mais processos e frear a criatividade não só na música, mas em todas as áreas da cultura: Uma decisão judicial que pode redefinir o futuro do entretenimento.

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A disputa judicial em que a família de Marvin Gaye acusa Pharrell e Robin Thicke de usarem “Got to Give It Up”, hit disco music do soulman, como base para a irresistível “Blurred Lines” não é só mais um capítulo de uma velha história. Não estamos mais falando de sequências de notas, acordes, métrica ou qualquer outro elemento mensurável dentro do espectro da canção. O juiz que obrigou os dois intérpretes da canção de 2013 a pagar pouco mais de sete milhões de dólares à família Gaye deu sua sentença a partir da semelhança de “sensação” entre as duas canções.

Clique aqui para ouvir “Got to Give it Up”, de Marvin Gaye

Clique aqui para ouvir “Blurred Lines”, de Robin Thicke e Pharrell

Pois repare em ambas. Elas não têm melodia parecida, seus refrões são bem diferentes, as letras não foram inspiradas umas nas outras. O que têm em comum? O ritmo. A levada. O groove. A sensação. Um sentimento inquantificável que faz o ouvido destreinado achar todas as músicas dos Ramones, do Luiz Gonzaga, do AC/DC e de Little Richard idênticas entre si. E é aí que mora o perigo.

A inspiração artística – e não apenas musical – quase que inevitavelmente passa pelo caminho do plágio – ou de primos seus, como a apropriação, a paródia, a imitação, a homenagem, a citação, a colagem. Nem todo mundo copia, mas são raros os criadores realmente originais, que não se inspiram em outros autores, surrupiando ideias e recontextualizando conceitos aqui e ali. A história da arte pode ser contada a partir da história das cópias – e todo grande autor passou, necessariamente, por um período copiador. A frase “talento imita, gênio rouba”, escrita por T.S. Eliot (e atribuída erroneamente a Picasso ou Oscar Wilde) é a síntese desta lógica.

Mas veio o século 20 e com ele as tecnologias de registro e a difusão do conceito de copyright. Se isso garantia retorno financeiro a autores de obras à venda, por outro lado limitava a criação de novos trabalhos a partir de obras já existentes. Acusações de plágio poderiam minar pilares do modernismo, como o Ulysses de James Joyce ou a L.H.O.O.Q. de Duchamp (a Mona Lisa de bigodes). Mas vieram ganhar corpo junto ao negócio da música – mesmo porque é onde ganha-se muito dinheiro.

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A segunda metade do século 20 viu uma série de ações legais contra hits instantâneos, que se agravou ainda mais após a invenção do sampler, nos anos 80. O aparelho permitia usar trechos gravados de músicas já existentes como retalhos na construção de rapsódias de ritmo e foi largamente aceito entre dois novos gêneros, o da música eletrônica e do hip hop. Há discos inteiros no final dos anos 80 e começo dos anos 90 que se aproveitaram da zona cinzenta do direito autoral aberta pelo sampler que se fossem realizados hoje só sairiam após o pagamento de altas cifras.

Mas uma subcultura autoral passou o século 20 inteiro sem a intromissão de cortes legais. Linhas de baixo, cadências rítmicas e levadas cheias de groove ritmos sempre foram sampleados, mesmo antes do sampler existir como recurso tecnológico. A história da música pop do século 20 também é a história da evolução de uma troca de referências musicais entre diferentes países, épocas, artistas e mercados que não corriam o risco de sofrer acusações de cópia pois a origem musical do mercado fonográfico era europeia, uma cultura que sempre deixou percussão e ritmo como parte coadjuvante da musicalidade, dominada pela melodia e pela harmonia.

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Longe dos tribunais, a cultura do baixo atravessou o século 21 transformando o blues em jazz e depois em rock, se esgueirando pelo rhythm’n’blues e pela soul music foi parar na Jamaica onde nasceu primeiro o ska, depois o rock steady, o reggae e finalmente o dub. Unidos pela ascensão global da música pop, funk e reggae deram as cartas que se transformaram primeiro na disco music e, posteriormente, em todo o universo de subgêneros de música eletrônica (house, techno, drum’n’bass, trance) que nasceu a partir da implosão da discoteca no início dos anos 80, entre eles o hip hop. Todos esses gêneros musicais se espalharam pelo planeta de diferentes formas, dando origem a outros subgêneros musicais locais. O fato do ritmo, do groove, da levada não poderem ser registradas deu origem a uma multiplicidade cultural que é a paisagem de nosso cenário atual.

Até a família de Marvin Gaye ter ganho a causa sobre Robin Thicke e Pharrell. Isso abre um precedente perigosíssimo que pode, inevitavelmente, transformar gêneros musicais inteiros em foras da lei só pelo fato de eles se moverem através da apropriação musical de bases rítmicas.

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“O veredito aleija qualquer criador que possa estar fazendo algo que foi inspirado por outra coisa. Isso pode ser aplicado para moda, música, design… tudo. Se perdermos nossa liberdade de sermos inspirados, quando menos percebermos a indústria do entretenimento como a conhecemos estará congelada por processos. Isso diz respeito a proteger os direitos intelectuais de quem tem ideias”, disse o rapper Pharrell em entrevista ao jornal Financial Times.

E para mostrar que não é apenas discurso de perdedor, o produtor de cinema Harvey Weinstein faz coro ao pessimismo de Pharrell com a decisão judicial. “Fico muito preocupado com esta noção”, disse ao mesmo jornal. “Que cineasta não poderia processar outros cineastas por um filme que passe uma sensação parecida com a de outro? É profundamente preocupante. Imagine Roy Lichtenstein e Andy Warhol, que usaram muitas coisas de outras fontes. Nada disso existiria.”

É uma decisão judicial que pode ter desdobramentos nada otimistas para quem trabalha com criatividade e arte. Quais os próximos passos? Patentear cores? Formatos? Palavras?

Todas as imagens do novo Vingadores em ordem cronológica

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Já vimos vários minutos de cenas inéditas do novo filme dos Vingadores e até dá pra imaginar uma certa cronologia pro filme a partir do que já foi mostrado. Mas o usuário do YouTube JohnnyB2K deixou de pensar em possibilidades e foi lá botar a mão na massa, reeditando o trailer e criando uma possível ordem cronológica pros fatos que já vimos. Algumas coisas ainda ficam sem explicação, mas no geral, parece que faz bastante sentido…

Vi no Brainstorm9, que agora chama-se apenas B9.

“Shuva” do norte

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O quarteto potiguar Mahmed foi pinçado pela gravadora paulistana Balaclava como um de seus próximos lançamentos e seu primeiro disco, batizado Sobre a Vida em Comunidade, sai em abril. A banda, instrumental, caminha pela seara do pós-rock, mas com elementos mais solares e praianos, que aliviam no peso e volume, dando uma clareada nos espaços e silêncios das canções com timbres mais claros e andamentos mais psicodélicos. Como é o caso dessa “Shuva”, disponibilizada exclusivamente para o Trabalho Sujo.

Tobias Jesso Jr. 2015: “I can hardly breathe without you”

Se o seu lance é a ourivesaria da canção, você já deve estar de ouvidos atentos para o jovem canadense Tobias Jesso Jr., que, apenas com sua estreia – batizada apenas de Goon – já entra como forte candidato a disco do ano graças a um conjunto de canções de cortar o coração. Como essa “Without You”, que ele gravou na semana passada no programa do Conan O’Brien, cantando ao piano, acompanhado de um octeto de cordas, do produtor Ariel Rechtshaid na guitarra e da vocalista do Haim, Danielle, na bateria.

On the run #152: KL Jay no Boiler Room

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Abram alas para o mestre DJ KL Jay exibir suas habilidades na versão brasileira do Boiler Room. Porque ele não é “apenas” o braço musical dos Racionais MCs – é um dos maiores produtores de música do Brasil.

Queria esse set em áudio pra escutar sem precisar de internet. Saca só o tracklist (e tem várias no meio que ele nem listou):

Karol Conka – “Minha Lei”
Sango – “Baile Somebody”
Sophie – “Lemonade (Marginal Men Baile Mix)”
Mv Bill – “Monstrão (SSP Remix)”
Karol Conka part. Tuty – “Olhe-Se”
Rzo – “Voce Ja Sabe”
Chris Brown – “Look At Me Now (Tone Play to Pulse 011)”
Pulse 011 – “Menino Bom”
Sants – “Pilaco Chavoso”
Flora Mattos – “Pretin”
Sango – “Pra Você”
Bro Safari & UFO! – “Drama”
Racionais MC’s – “Da Ponte pra cÁ”
Criolo – “Grajauex”
Trilha Sonora do Gueto – “Um Pião de Vida Loka”
Flora Mattos – “Papo reto”
Pentágono – “Moio”
Marcelo D2 – “Desabafo”
Tropkillaz – “Deixa eu Dizer (Desabafo)”
Koreless – “MTI (TWRK Remix)”
Bro Safari – “The Drop (Cory Enemy Remix)”
SSP – “Fazendo Efeito”
Tropkillaz – “Baby Baby”
Negra Li e Helião – “Exército do Rap”
Pentágono ft Emicida, Max B.O. e Marechal – “Swing”
Luniz – “I Got 5 On It (Whiite x ETC!ETC! Remix)”
Viní – “Bandida”
Negra Li – “Voce Vai Estar Na Minha (Acapella)”
Tropkillaz – “Ice Cream”
Nu World Hustle – “Fresh”
Bubba Sparxx – “Miss New Booty (Instrumental)”
Viní – “Vai (Twerk Remix)”
Kanye West – “Flashing Lights (TWRK Remix)”
Lexxmatiq x Beau di Angelo ft RIghteous – “Squat”
Ciara – “Goodies (DUME Remix)”
Busta Rhymes – “Touch It (MERCY Remix)”
Sage The Gemini – “Gas Pedal (Tropkillaz Remix)”
Pulse 011 – “Me Engana”