
E depois de ter virado o baú do Chic atrás de pérolas do passado, Nile Rodgers começa a desovar suas pérolas. A primeira é essa irresistível “I’ll Be There”.

Nesta sexta-feira o Blur estreeou ao vivo em 2015 tocando num clube em Londres para 300 fãs um show em que mostraram a íntegra do novo disco da banda, chamado The Magic Whip. Ainda finalizaram o show com “Trouble In The Message Centre”, que a banda não toca há vinte anos. Eles também liberaram o vídeo de mais uma música de seu novo disco, “There Are Too Many of Us”. Uma música que começa parecida com as do disco solo de Damon no ano passado, até que a banda entra inteira – e com cordas – no meio da canção.
Os relatos do show já estão chegando…
Won tickets to a secret intimate Blur gig – their first play of their new album, The Magic Whip. It. Is. Awesome. pic.twitter.com/WEYZ5g8gV3
— Kaya Burgess (@kayaburgess) March 20, 2015
Still can't believe I was lucky enough to go to the secret Blur gig last night. It was brilliant! #blur #themagicwhip pic.twitter.com/NHsiWl92SJ
— Amie Crago (@cragamuffin) March 21, 2015
…já já aparecem os vídeos. Vamos aguardar.

Eis o primeiro clipe do disco novo do Modest Mouse – e a música escolhida foi a mesma “Lampshades On Fire” que anunciou a volta da banda.

Falei que o James Murphy havia feito uma versão para “Golden Years” do David Bowie pra trilha do filme While We’re Young, mas dava pra imaginar que fosse uma versão de ninar, transformando o clássico numa caixinha de música.

A notícia de um documentário sobre Amy Winehouse pode ser só uma primeira mudança na tendência de olharmos para o passado. Falo mais sobre isso num post de hoje do meu blog no UOL: Documentários sobre o passado vão nos trazer de volta para o presente.

Quase toda semana há um novo documentário sobre algum artista, já percebeu? Quando não é um documentário é um filme inspirado na vida de algum nome célebre ligado à cultura. Ou uma peça. Ou um musical. Ou um seriado. Não importa o formato: o fato é que a história da cultura popular do século 20 tem servido continuamente como fonte de inspiração para novas obras – que, por mais que tentem se reinventar, apenas vendem o velho.
A novidade desta semana foi o anúncio do documentário Amy, sobre Amy Winehouse, dirigido pelo mesmo Asif Kapadia que há cinco anos dirigiu o ótimo Senna, sobre o piloto brasileiro. É mais um filme que se debruça sobre milhares de horas de imagens disponíveis sobre seu personagem, inclusive várias que nunca vieram a público, para tentar traçar um perfil psicológico de uma pessoa que vive uma vida comum e em pouco tempo torna-se uma celebridade de primeira grandeza. O filme foi anunciado apenas com um pôster e sua data de estreia foi marcada para julho deste ano. Um trailer aparecerá em breve.
Mas Amy Winehouse, por maior que tenha sido, não chegou ao status de estrela graças apenas à sua personalidade artística. Metade de sua fama veio com os paparazzi, o excesso de exposição e a overdose midiática que acompanha qualquer popstar atualmente. A forma como Amy lidou com esta fama acabou custando-lhe a vida – e até outro dia líamos sobre ela nas páginas dos jornais, das revistas e da internet.
Eis uma mudança neste cenário cultural que revisita ícones do passado com uma frequência cada vez maior: Amy Winehouse morreu há quatro anos. Um documentário sobre sua vida talvez fizesse sentido como item jornalístico logo após sua morte, mas esta velocidade para transformar-se em obra cinematográfica é uma tendência cada vez maior. Afinal, não é um caso isolado – aqui mesmo no Brasil a vida do vocalista do Charlie Brown Jr., Chorão, que morreu há dois anos, já virou o musical Dias de Luta, Dias de Glória.
Há uma variação, portanto, de uma tendência detectada pelo escritor e crítico inglês Simon Reynolds em seu já clássico livro Retromania: Pop Culture’s Addiction to its Own Past (Retrômania: O vício da cultura pop em seu próprio passado, ainda inédito no Brasil), de 2011. Nele o autor flagra uma obsessão com o passado recente da cultura popular em caixas de CD, reedições de luxo, shows que reproduzem discos antigos na íntegra, DVDs cheios de extras. Ele usa o excesso de produções que revivem diferentes épocas de ouro para dizer que a produção cultural do século 21 é vazia e que necessita de referências do passado para validar-se.

Exagero. Há todo um espectro da cultura de nossos dias que, sim, cita, celebra e repete ícones do século passado, mas eles são quase sempre destinados a uma nova classe de consumidores adultos, que vive num mundo com uma produção cultural cada vez mais intensa e de oferta avassaladora de opções à venda – sem contar as gratuitas. Por isso usar de uma história já conhecida, falar de personagens que não precisam ser apresentados ao público ou recorrer a canções que todo mundo já conhece são recursos que facilitam a captura da atenção do consumidor.
Mas há uma classe de consumidores que nem percebe o que está nas capas de revista ou nas vitrines das megastores. Movimenta-se pela internet e consome conteúdo quase sempre de graça, trocando links, filmes, games, fotos e músicas com a mesma facilidade com que se trocam emails. O que essa nova juventude consome é irreconhecível a esse consumidor adulto que frequenta cinemas nos shoppings e lota shows de artistas que ganham mais dinheiro depois de terem saído da aposentadoria para fazer shows. São vídeos que ensinam a passar de fase em jogos eletrônicos, clipes caseiros que parecem superproduções graças a efeitos especiais, músicas de artistas cada vez mais jovens e desconhecidos, monólogos no YouTube. A “retrômania” detectada por Simon Reynolds diz respeito a uma geração nascida no século 20. Os que nasceram no século 21 – ou alguns anos antes – já estão em outra.
O que é perceptível dentro dessa onda de filmes, musicais, documentários é que por mais que a fonte de novidades a partir de clássicos ou raridades do passado pareça infindável, ela não é. E o fato de estarmos vendo este tipo de produção voltar-se para pessoas que até outro dia estavam nas manchetes dos jornais tentando vender sua própria originalidade mostra que em pouco tempo não precisaremos que estas celebridades morram para que possamos assistir às histórias de suas vidas contadas em grande escala.
Isso colide com uma tendência que tem misturado o jornalismo ao cinema documental, fazendo que profissionais que em outras épocas estavam em redações de jornais, revistas ou emissoras de TV se dediquem à produção de longas metragens de não-ficção. Como essa tendência também faz parte da reclamação sobre “retrômania” detectada por Simon Reynolds, muitos filmes estão sendo produzidos sobre o passado. Mas há uma parcela cada vez maior de documentários sobre o que acontece nos dias de hoje.
Isso pode responder a uma dúvida fundamental em qualquer indivíduo que tenha uma vida digital hoje em dia: o que fazer com tantos vídeos, fotos e gravações das nossas rotinas? Esse excesso de registros vai ajudar os jornalistas-cineastas de um futuro bem próximo a contar histórias de forma mais aprofundada, detectar perfis emocionais a partir de imagens caseiras, afundar-se em personalidades complexas a partir de milhões de registros sobre elas.
Talvez os documentários sejam as matérias de capa de revista no futuro próximo que extingue o consumo de informação através do papel.

Tem que descansar, né…
Primitives – “Sneaky Pete”
Bob Dylan – “Bob Dylan’s 115th Dream”
Solomon Burke – “Got to Get You Off My Mind”
Herbie Mann + Bill Evans – “Cashmere”
James Murphy – “Golden Years”
Guizado – “Toro”
Mahmed – “Shuva”
My Magical Glowing Lens – “Windy Streets”
Warpaint – “No Way Out”
Tame Impala – “Let it Happen”
Thee Oh Sees – “Web”
Ava Rocha – “Transeunte Coração”
Le Volume Courbe – “The House”
Supercordas – “Fotossíntese”

Quem comanda o melhor inferninho de São Paulo nessa sexta é a Babee, que convidou a dupla Karen Bachega e Juliana Moraes para derreter corações e mentes com muita música boa pra dançar. As Noites Trabalho Sujo sempre prezam pela diversão e alto astral como regras básicas da noite e o som desrespeita fronteiras geográficas, de estilo ou temporais pra fazer da pista de dança aquele momento mágico que sempre esperamos. Você pode mandar nomes pra lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h!
Noites Trabalho Sujo apresenta Babee + Karen Bachega + Juliana Moraes
Com Babee, Karen Bachega e Juliana Moraes
Sexta-feira, 20 de março de 2015
Alberta #3. Avenida São Luís, 272. Centro.
A partir das 22h.
R$ 35 / R$ 25 (com nome na lista pelo noitestrabalhosujo@gmail.com)