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Dua Lipa chega à América do Norte

Não esqueci da Dua Lipa não! Ela começou a perna norte-americana de sua turnê no início de setembro, quando passou primeiro pelo Canadá e depois seguiu para os EUA. E as escolhas que fez ao chegar nestes países – até agora – foram boas surpresas em homenagem ao repertório local. Primeiro com ela ressuscitando “I’m Like a Bird” da Nelly Furtado no primeiro show em Toronto e depois trazendo o rapper Mustafa the Poet para dividir “Name of God” com a presença do próprio. E ao entrar nos Estados Unidos nessa sexta-feira, Dua Lipa trouxe uma diva e tanto para acomapanhá-la em seu primeiro show em Chicago, quando convidou a mestra Chaka Khan para cantar juntas a irresistível “Ain’t Nobody”. No sábado, ela celebrou um dos maiores hits daquela cidade quando visitou a inconfundível “September”, do Earth Wind and Fire. Que maravilha.

Assista abaixo:  

Rick Davies (1944-2025)

Fundador, principal compositor e único integrante presente em todas as formações do Supertramp, o multiinstrumentista inglês Rick Davies morreu neste sábado e encerrou definitivamente a carreira da banda que fundou no final dos anos 60. Ele mesmo já havia largado essa carreira há dez anos, quando questões médicas o fizeram ter que parar de seguir o ritmo de vida do showbusiness, mas ele não parou de tocar, embora de forma esporádica e em muitas vezes sem intenções comerciais, tornando público que descartava a volta da banda que estabeleceu seu nome na história da música pop. Autor de clássicos do grupo como “Goodbye Stranger”, “Bloody Well Right”, “My Kind of Lady”, “Cannonball”, “From Now On” e “Crime of the Century”, ele dividia a banda com o outro compositor do grupo, Roger Hodgson (autor dos outros hits do grupo, como “Dreamer”, “Give a Little Bit”, “Take the Long Way Home”, “The Logical Song”, “It’s Raining Again” e “Breakfast in America”), que fez parte da banda até 1983. A saída de Hodgson do grupo desequilibrou a harmonia perfeita que caracterizava o grupo, tanto no casamento das vozes de Rick (mais grave) e Roger (mais aguda), quanto nos de seus respectivos principais instrumentos (piano e guitarra, respectivamente). Em algum ponto equidistante entre o pop rock, o soft rock e o rock progressivo, o Supertramp tomou as paradas de sucesso do planeta na virada dos anos 70 para os anos 80, mas a saída de Roger do grupo em 1983 fez o tecladista arrastar a banda sozinho até 1988, quando encerrou suas atividades para lançar-se em carreira solo. Anos depois, em 1996, voltou a ressuscitar o grupo (sem Roger) até parar de tocar com este nome em 2002. Entre 2010 e 2011 reuniu o grupo (novamente sem Roger) para as últimas apresentações, encerrando finalmente a história da banda – e sua rivalidade com Hodgson, que cresceu em escalas judiciais, com os dois briganndo na justiça por créditos das canções e impedindo um ao outro de tocar as músicas dos outros em seus próprios shows – com sua morte neste fim de semana, decorrente de um câncer.

Classic Tineijão

Sempre é um prazer poder ver nossos amigos musicais escoceses quando eles vêm ao Brasil – e felizmente o show do Teenage Fanclub segue sendo aquela celebração ao alto astral, mesmo quando puxam canções mais melancólicas. Escrevi sobre esse momento pro Toca UOL.  

Mark Volman (1947-2025)

Apesar de muitos nem saberem da existência da banda ou ter ouvido falar em seu nome, Mark Volman, norte-americano fundador dos Turtles que morreu nessa sexta-feira, nos anos 60, é autor de uma das músicas mais emblemáticas do período – e que manteve-se viva para além da década, sem nostalgia -, a deliciosa “Happy Together”, lançada em 1967. Embora o grupo tivesse emplacada outros hits (como sua versão para “It Ain’t Me Babe” de Bob Dylan como primeiro single, “Let Me Be”, “You Baby” e “She’d Rather Be With Me”), nenhuma música teve tanta proeminência quanto a citada anteriormente, que tirou “Penny Lane” dos Beatles do topo das paradas de sucesso dos EUA após seu lançamento. Mas o sucesso da banda foi atingido por questões contratuais com a gravadora White Whale, que registrou não só apenas o nome da banda como os dos próprios integrantes, que preferiram terminar com a banda e mudar de nomes a seguir com um contrato que negavam. Os fundadores dos Turtles – Mark e Howard Kaylan – adotaram respectivamente os pseudônimos de Flo & Eddie, que tornou-se seu nome artístico, como dupla. Eles foram adotados por Frank Zappa no início dos anos 70, que trouxe-os para sua banda, enquanto seguiram colaborando com outros artistas (participando de singles tão distintos quanto “Get it On (Bang a Gong)” do T.Rex em 1971 e “Hungry Heart’, que Bruce Springsteen gravou em 1982). Felizmente os dois recuperaram as fitas masters de seu antigo grupo da gravadora que os prendeu quando esta faliu no meio dos anos 70. Volman entrou para a universidade nos anos 90, estudando música e depois artes e roteiros, eventualmente deixando a vida acadêmica de lado para tocar Kaylan em shows esporádicos comemorativos dos Turtles. Morreu após uma breve doença, dois anos depois de ter sido diagnosticado com demência.

Desaniversário | 6.9.2025

Começamos o mês já enfiando o pé na porta pra não deixar ninguém parado – por isso toma Desaniversário logo no primeiro sábado do mês, dia 6 de setembro, pra já expurgar toda aquela energia ruim na pista de dança que eu, Claudinho, Clarice e Camila fazemos no nosso querido Bubu, que fica na marquise do estádio do Pacaembu (Praça Charles Miller, s/nº). A festa começa cedo (19h) e termina cedo (meia-noite) pra todo mundo aproveitar bem o domingo, curtindo aquela tranquilidade de quem passou a noite anterior se acabando de dançar. Vem dançar com a gente!

Olha esse Festival Convida…

Confesso que fiquei balançado ao ver a escalação do aniversário de 20 anos do Festival Convida, em Brasília. Afinal de contas, olha esse elenco que reúne Edu Lobo com Bixiga 70, Juçara Marçal com Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, Mombojó com Pelados, Mari Jasca com Varanda, Móveis Coloniais de Acaju com Gaivota e várias outras bandas pequenas locais. Infelizmente, os shows não acontecem todos ao mesmo tempo em um mesmo espaço conjunto e sim durante diferentes datas de setembro na casa de shows Infinu, parada obrigatória para quem quiser fazer shows de médio porte na capital federal. Mas já é possível notar uma mudança de postura em relação à noção de festivais que nos assolou no período pós-pandêmico, que reúnem dezenas de artistas sem o menor critério curatorial, apenas para mostrar números e quantidade para justificar investimentos e patrocínios. Apesar de trazer artistas de diferentes estaturas e gêneros musicais, o festival brasiliense deixa evidente suas armas ao apostar em uma escalação pouco óbvia e comercial, privilegiando mais nomes inventivos e ousados do que propriamente populares. É de se comemorar – e notar que estamos em meio a uma mudança em curso…

Bruce Loose (1959-2025)

Morreu nesta sexta-feira um dos principais nomes da história do hardcore. Embora não seja um dos fundadores do Flipper, uma das principais bandas da variação do punk rock que floresceu na costa oeste nos Estados Unidos, Bruce Richard Calderwood – que adotou o sobrenome fantasia depois de entrar na banda – gravou o clássico Album – Generic Flipper em 1982, abrindo uma nova vertente para o gênero ao divergir da pressa e velocidade para valorizar o peso e a distorção, característica intimamente ligada à entrada de Loose na banda, que além de vocalista também assumia o papel de segundo baixista na banda (que já contava com o Will Shatter, que também cantava, tocando o instrumento), aumentando ainda mais o volume e a pressão do som do grupo, que já vinha ruidosa graças à guitarra absurdamente barulhenta de Ted Falconi, que, ao lado do baterista Steve DePace, segue no grupo até hoje. Loose tornou-se o timbre vocal característico da banda e manteve-se na função até 2015, quando foi substituído primeiro por David Yow (ex-Jesus Lizard), que por sua vez saiu em 2022 para a entrada de Mike Watt (célebre baixista da cena punk americana, fundador do Minutemen, do Firehose e integrante temporão dos Stooges de Iggy Pop). A influência do grupo foi para além da cena hardcore especificamente por seu som lento e pesado, primordial na consolidação do som de Seattle, tanto que o ex-baixista do Nirvana, Krist Novoselic, tocou com o grupo entre 2006 e 2009, e o próprio Kurt Cobain não cansava de passear com uma camiseta da banda feita por ele mesmo (presente no clipe de “Come as You Are” e no encarte do disco In Utero, de 1993). Bruce morreu de ataque cardíaco e foi confirmada na página do Facebook da banda.

Gilberto Gil ♥ Adriana Calcanhotto

Gilberto Gil retomou sua turnê de despedida neste fim de semana, quando tocou em Porto Alegre e, como de praxe, convidou um artista local para dividir uma canção – e desta vez a escolhida foi Adriana Calcanhotto, com quem dividiu os vocais de “Punk da Periferia”. “Cálice” com Chico Buarque, “Estrela” com Djavan (ou será que ele vai preferir o dueto que fez coma Sandy em São Paulo?), “A Paz” com Marisa Monte, “Superhomem – A Canção” com Caetano Veloso, “Extra II (O Rock do Segurança)” com Arnaldo Antunes, “Andar com Fé” com Lulu Santos, “Funk-se Quem Puder”/”Aquele Abraço” com Anitta, “Vamos Fugir”, com Samuel Rosa, “A Gente Precisa Ver o Luar” com Nando Reis, “Realce” com Liniker, “Extra”, com Alexandre Carlo do Natiruts, “A Dança” com MC Hariel, “Não chore mais (No Woman, No Cry)” com Marjorie Estiano, “Refazenda” com a neta Flor Gil, “Drão, com a filha Preta Gil. Ele ainda passa por São Paulo (duas vezes), Rio (outras duas), Santiago no Chile, Fortaleza (duas vezes), Recife (três vezes), Salvador e Belém e ainda não gravou versões com participações em músicas como “Palco”, “Banda Um”, “Tempo Rei”, “Aqui e Agora”, ‘Eu Só Quero um Xodó”, “Eu Vim da Bahia”, “Procissão”, “Domingo no Parque”, “Back in Bahia”, “Refavela”, “Extra”, “A Novidade”, “Se Eu Quiser Falar com Deus”, “Esotérico”, “Expresso 2222”, “Emoriô”, “Toda Menina Baiana” e “Esperando na Janela”. Façam suas apostas! As minhas: “Toda Menina” com Daniela Mercury em Salvador, “Xodó” (ou “Janela”) com João Gomes no Recife e “Emoriô” com a Fafá em Belém.

Assista abaixo:  

Silvio Tendler (1950-2025)

Um dos principais documentaristas brasileiros nos deixou nesta sexta-feira, quando o carioca Silvio Tendler cedeu a uma infecção generalizada após ficar um tempo internado em um hospital em sua cidade-natal. Conhecido como “o cineasta dos vencidos”, ele começou sua carreira ainda nos anos 60 e após o recrudescimento da ditadura militar brasileira naquela década, mudou-se para o Chile, de onde saiu após o golpe militar que derrubou o presidente daquele país, Salvador Allende. Este foi alvo de um de seus primeiros grandes filmes, quando, agora morando em Paris, participou da produção coletiva do filme La Spirale, de 1975, que também contava com participações de outros diretores, como Chris Marker e Jean Rouch. Voltou ao Brasil em 1976, quando começou a produzir seus filmes mais clássicos, que ao mesmo tempo que contava a história de grandes nomes da política brasileira abatidos pela ditadura, também preparava o terreno para, nos anos 80, o país recomeçar de novo após aquele período nefasto. Documentários como Os Anos JK – Uma Trajetória Política (1980) e Jango (1984) fizeram o país reencontrar o passado que os militares tentaram apagar e em grande escala, atingindo públicos que reuniam centenas de milhares de espectadores. Sua obsessão pelo país o fez visitar grandes nomes de nossa história, em longas, médias e curtas metragens: O Mundo Mágico dos Trapalhões (1981), Josué de Castro – Cidadão do Mundo (1994), Castro Alves – Retrato Falado do Poeta (1999), Milton Santos – Pensador do Brasil (2001), Marighella – Retrato Falado do Guerrilheiro (2001), JK – O Menino que Sonhou um País (2002), Oswaldo Cruz – O Médico do Brasil (2003), Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (2003Paulo Carneiro – Espelho da Memória (2003), Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá (2006) e Tancredo, a Travessia (2011). Também dirigiu séries como Anos Rebeldes (1992) na Globo, Era das Utopias (2009) e Há muitas noites na noite – Poema Sujo Ferreira Gullar (2015). Tetraplégico desde 2011, ele passou por um longo período de recuperação e voltou a filmar, com dificuldades, num processo que foi registrado no filme A Arte do Renascimento (2015), de Noilton Nunes.

Choque de som

Em sua passagem por São Paulo nesta sexta-feira, o duo ítalo-brasileiro Hate Moss atordoou o público que foi assisti-lo com sua fusão agressiva e envolvente de dance music eletrônica com rock industrial. Formado pelo baterista italiano nascido no Brasil Ian Carvalho, que conheceu sua parceira de banda Tina, que toca sintetizadores e eletrônicos, quando os dois trabalhavam com produção cultural, a dupla forjou a sonoridade que hoje exploram ao mesmo tempo em que se desprenderam de raízes territoriais, vivendo uma vida nômade que os leva a shows pela Europa, América do Sul e Oriente Médio. Esta série de shows que trouxeram para o Brasil antecipa o novo álbum que será lançado no ano que vem e tem como base o EP Mercimek Days, uma live que fizeram em Istambul, na Turquia, que foi lançada como disco no meio de 2025, quando também estão experimentando novas canções, como o funk brasileiro que fizeram com letra em português e tocaram no bis de sua apresentação.

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