
Quem já assistiu a um show do trio paulistano O Terno sabe que eles talvez sejam a melhor banda de rock de São Paulo hoje, embora o vocalista e guitarrista Tim Bernardes discorde: “Não acho que somos uma banda ‘estritamente’ de rock”. Tudo bem, há doses de música brasileira suficientes para tirar o trio do estereótipo tradicional do gênero, mas a formação baixo-guitarra-e-bateria e as altas doses de psicodelia, rock sessentista e microfonia não negam as origens.
O mais impressionante, no entanto, é o vigor e a força com que Tim, o baixista Guilherme D’ Almeida e o baterista Victor Chaves apresentam suas músicas – ainda mais levando em conta suas idades (Tim e Victor têm 23 anos, Guilherme, 24). As coisas ficam ainda mais sérias a partir de seu próximo disco, batizado apenas de O Terno, que será lançado na próxima semana em CD e vinil, com shows em São Paulo (dia 22 no Auditório Ibirapuera) e Porto Alegre (dia 25 de agosto no bar Opinião). O grupo julga que este trabalho, o primeiro disco composto apenas por músicas próprias, é um passo além rumo a uma sonoridade mais ampla, uma vez que se permitiram explorações sonoras nas gravações que não haviam conseguido fazer no disco de estréia, batizado de 66.

Produzido pela banda e Gui Jesus Toledo, o segundo disco ainda conta com participações especiais, como Tom Zé, Pedro Pelotas (tecladista do Cachorro Grande), Luiz Chagas (pai e guitarrista de Tulipa Ruiz) tocando lapsteel, Marcelo Jeneci, entre outros. A banda descolou dois aperitivos do novo disco pro Trabalho Sujo – a capa acima, assinada por Renata de Bonis, e a faixa “O Cinza”, segunda música do segundo disco, ouça abaixo.