Laceando o retorno

Fui no segundo show que O Terno fez no Espaço das Américas em sua turnê de retorno e a apresentação manteve o riscado da noite de estreia, só que conseguiram ser mais compactos sem necessariamente sacrificar o conjunto da obra. Foram 29 canções distribuídas duas hora e vinte minutos, dez a menos que da noite anterior, e só uma mudança no repertório, quando “Bote ao Contrário” entrou no lugar de “Vamos Assumir”. E, como na primeira apresentação, o momento de ouro é quando os metais deixam o palco, mostrando que o entrosamento entre Tim Bernardes, Guilherme D’Almeida e Biel Basile é mais que musical e não apenas roqueiro, como dá para perceber, por exemplo, na versão ao vivo para “Eu Vou” – e isso era palpável ao cumprimentá-los após o show, quando mostravam-se realmente empolgados com a volta e com os próximos shows. Oxalá os inspire a compor um novo álbum, reforçando a tensão criativa entre os três. Voa Terno!

Assista a um trecho aqui.

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Química intacta

Valendo! Começou nessa sexta-feira a turnê de retorno do grupo O Terno, que encerra a série de shows de seu quarto disco, Atrás/Além, interrompida pela pandemia há quatro anos. Mas mesmo com tanto tempo sem tocar juntos, é recompensador ter a certeza de que a química entre Tim Bernardes, Guilherme D’Almeida e Biel Basile segue intacta – talvez ainda mais afiada. Os três se entendem musicalmente sem precisar olhar na cara um do outro – e quando o fazem percebem a certeza do som que estão fazendo, e a excitação de ter lotado o Espaço das Américas ajudava muito nisso. Por isso que meu momento preferido nas duas horas e meia de apresentação tenha sido quando o naipe de metais quase onipresente deixa o palco e os três podem fazer o som que é sua assinatura musical, nem que por apenas três canções (“Pra Sempre Será”, “Eu Vou” e “O Cinza”, esta última épica!). É óbvio que cordas, metais e mesmo o piano de cauda funcionam com a sonoridade do grupo, mas quando Tim rasga a guitarra solando, Peixe torna seu baixo uma âncora que sola (uma aparente contraditória mistura de John Entwistle com Peter Hook) e Biel trafega por seu set com graça e peso ao mesmo tempo a essência do grupo torna-se evidente – e suas auras brilham com a mesma intensidade – algo que era sublinhado visualmente com a ótima luz de Olívia Munhoz, que age como se fosse integrante do trio. A ênfase no disco mais recente (um irmão caçula do 4 do Los Hermanos, que insiste no percurso mais dócil da mistura de indie rock com MPB) acaba por tirar peso e eletricidade da apresentação, aproximando-a da sonoridade da carreira solo de Tim, o que reflete-se na escolha da única versão da noite, “O Sonhador”, de Leandro e Leonardo. E o que poderia ser um show de grandes sucessos da banda (afinal, os quatro anos sem subir no palco pediam) acabou pesando para a segunda metade da história da banda: foram 23 músicas do terceiro e quarto disco contra apenas cinco dos dois primeiros. Felizmente fecharam com “66”, primeiro hit do primeiro disco, que justamente colocou o dedo do grupo de volta na tomada, eletrizando a plateia ao final. E isso que só foi o primeiro da turnê…

Assista a um trecho aqui.

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O Terno volta aos palcos

Muitos achavam que o sucesso da carreira solo de Tim Bernardes fosse a senha para que sua banda original, o trio O Terno, não voltasse mais à atividade, mas parece que vai ser justo o contrário. Sem fazer shows desde o início da pandemia, o trio formado por Tim Bernardes, Guilherme D’Almeida e Biel Basile acaba de anunciar uma nova leva de shows no primeiro semestre do ano que vem, com passagens por São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte e… Los Angeles (!?). Os shows foram anunciados num programa de entrevistas de araque produzido pelo grupo em que o apresentador vivido pelo Wandi Doratiotto conversa com o vocalista sobre sua carreira solo, mas insiste em voltar para o tema de sua antiga banda, tratada no anúncio como se tivesse acabado (e que o fim da banda seria o motivo das músicas tristes da carreira solo de Tim). Os shows acontecem entre março e maio e os ingressos começam a ser vendidos no próximo dia 6, a partir do meio-dia. Não duvido que abram datas extras em cada uma destas praças e que outras cidades surjam no percurso – inclusive nos Estados Unidos e quem sabe na Europa e Japão (de onde Tim acabou de voltar). Veja o vídeo produzido sobre o anúncio e as datas e locais destas apresentações abaixo>  

Mais capas expandidas por inteligência artificial? Desta vez de artistas contemporâneos…

Tá achando que tinha acabado? Agora o Caramuru resolveu fazer capas expandidas por inteligência artificial a partir de discos independentes brasileiros… E acho engraçado que as pessoas pegam birra de algo só por ter virado tendência, sem perceber que as implicações desta nova ferramenta vão além da própria tendência em si…

Tem mais aí embaixo:  

“O que vocês fariam pra sair desta maré?”

No ano passado fui convidado para participar do livro De Tudo Se Faz Canção – 50 anos do Clube da Esquina que comemorava meio século desta obra ímpar de Milton Nascimento e Lô Borges que colocou no mapa da música brasileira toda uma nova cena e novos temperos musicais que mudaram a cara de nossa música. Concebido e organizado pela Chris Fuscaldo, através de sua editora Garota FM, ao lado de um dos patronos desta cena, o próprio Marcio Borges, letrista do grupo e irmão de Lô. O livro conta esta saga do ponto de vista de seus protagonistas, com depoimentops de Ronaldo Bastos, Beto Guedes, Fernando Brant, Wagner Tiso, Toninho Horta, Alaíde Costa e muitos outros que participaram do disco, além de seus próprios autores, Milton e Lô e um extenso faixa a faixa em que vários pesquisadores, críticos e jornalistas, como Leonardo Lichote, Kamille Viola, Marcelo Costa, Ana Maria Bahiana, Charles Gavin, Carlos Eduardo Lima, Patrícia Palumbo e Ricardo Schott, entre outros, atravessam as clássicas canções deste disco histórico. É nessa seção que faço minha participação, dissecando as duas versões de “Saídas e Bandeiras” e mostrando como a força destas duas pequenas canções atravessou décadas para ressurgir numa apresentação que vi duas bandas contemporâneas em 2015, quando O Terno e os Boogarins celebravam a importância do disco a partir de uma transformação conjunta desta microcanção no bis de seu show conjunto no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, tornando-se um épico de mais de doze minutos com duas baterias, dois baixos e três guitarras. De Tudo Se Faz Canção ainda fala de outros grandes nomes ligados ao disco (como Eumir Deodato, Paulo Moura e o fotógrafo Cafi), cita as comemorações do cinquentenário do disco no ano passado, incluindo a turnê de despedida de Milton Nascimento, e reúne fotos raras com um acabamento gráfico de primeira. O livro pode ser comprado no site da Garota.fm e aproveitei para falar do livro nesta sexta-feira em que os Boogarins tocam na íntegra o Clube da Esquina no teatro do Sesc Pompeia, a partir das 21h. Os ingressos para o show já estão esgotados, mas vai que aparece alguém vendendo algum que sobrou na hora…

O Terno pra dançar

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O produtor português Xinobi dá um trato em “Bielzinho, Bielzinho” e a ode de Tim Bernardes ao baterista d’O Terno ganha um groove perfeito pra pista.

Vida Fodona #652: Festa-Solo (22.6.2020)

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Segunda-feira é dia de Vida Fodona ao vivo no twitch.tv/trabalhosujo, às 21h – este foi o programa da semana passada.

Feelies – “Everybody’s Got Something To Hide (Except Me And My Monkey)”
Thurston Moore – “Hashish”
Can – “Vitamin C”
Ultramagnetic MCs – “Give The Drummer Some”
Zapp & Roger – “More Bounce to the Ounce”
Dr. Dre + Snoop Dogg – “The Next Episode”
Usher + Ludacris + Lil’ Jon – “Yeah”
Christina Aguillera – “Genie in a Bottle”
Flight Facilities + Giselle- “Crave You”
Dexy’s Midnight Runners – “Come On Eileen”
Malu Maria – “Diamantes na Pista”
Bárbara Eugenia – “Perdi”
Chromeo – “6 Feet Away”
Angel Olsen – “New Love Cassette (Mark Ronson Remix)”
Beastie Boys – “Gratitude”
Cream – “Swlabr”
Mutantes – “Mágica”
Paul McCartney – “Check My Machine”
Erasmo Carlos – “Mané João”
Tim Maia – “O Caminho do Bem”
Bob Dylan – “False Prophet”
Neil Young – “Homegrown”
Norah Jones – “To Live”
The Band – “Orange Juice Blues (Blues For Breakfast)”
Supercordas – “6000 Folhas”
Boogarins + O Terno – “Saídas e Bandeiras No. 1”
Maria Bethania – “Estácio, Holy Estácio”
Paulinho da Viola – “Falso Moralista”
Gilberto Gil – “Back in Bahia”
Itamar Assumpção – “Prezadissimos Ouvintes”
Lô Borges – “Canção Postal”
Chico Buarque – “Caravanas”
Criolo + Milton Nascimento – “Cais”
Josyara – “Mansa Fúria”
Metá Metá – “Trovoa”

Vida Fodona #616: As 75 melhores músicas de 2019

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Cinco horas de música – e feliz 2020!

Stormzy – “Vossi Bop”
Sophia Chablau + Uma Enorme Perda de Tempo – “Idas e Vindas do Amor”
Lucas Santtana + Duda Beat – “Meu Primeiro Amor”
Shawn Mendes + Camila Cabello – “Señorita”
Dua Lipa – “Don’t Start Now”
Lana Del Rey – “Fuck it I Love You”
Brockhampton – “Sugar”
Thiago Pethit – “Noite Vazia”
Sharon Van Etten – “Seventeen”
Chemical Brothers – “Got To Keep On”
Rakta – “Fim do Mundo”
Emicida + Dona Onete + Jé Santiago + Papilion – “Eminência Parda”
Clairo – “Bags”
O Terno – “Eu Vou”
Taylor Swift – “I Think He Knows”
Nill + Mano Will + Melk – “Jive”
James Blake + Rosalía – “Barefoot In The Park”
Beabadoobee – “I Wish I Was Stephen Malkmus”
Teago Oliveira – “Corações em Fúria (Meu Querido Belchior)”
Luisa e os Alquimistas – “Furtacor”
Yma + Lau – “Sun and Soul”
Wilco – “Before Us”
Saskia + Edgar – “Tô Duvidando”
Rakta – “Flor da Pele”
Mark Ronson + Lykke Li – “Late Night Feelings”
Jonnata Doll e os Garotos Solventes – “Edifício Joelma”
Lana Del Rey -“The Greatest”
Black Alien – “Take Ten”
Caribou – “You and I”
Guaxe – “Desafio do Guaxe”
Haim – “Summer Girl”
Deerhunter – “Timebends”
Lil Nas X + Billy Ray Cyrus – “Old Town Road”
BaianaSystem + Manu Chao – “Sulamericano”
Luedji Luna + Djonga – “Saudação Malungo (Nyack & Plim Remix)”
Chico Bernardes – “Sem Palavras”
Boogarins – “Sombra ou Dúvida”
Emicida + Majur + Pabllo Vittar – “AmarElo”
Weyes Blood – “Movies”
Jards Macalé – “Pacto de Sangue”
Ana Frango Elétrico – “Chocolate”
Tyler the Creator – “Earfquake”
Michael Kiwanuka – “Hero”
BaianaSystem + Antonio Carlos & Jocafi + Edgar + BNegão – “Salve”
Kaytranada + Kali Uchis – “10%”
Bárbara Eugenia – “Perdi”
Nill – “Mulher do Futuro Só Compra Online”
Toro y Moi – “Ordinary Pleasure”
Lulina – “N”
Metronomy – “The Light”
Siba – “Carcará de Gaiola”
Tyler the Creator – “I Think”
O Terno – “Pra Sempre Será”
Mateus Aleluia = “Confiança”
Weyes Blood – “Everyday”
Anderson .Paak + André 3000 – “Come Home”
Angel Olsen – “Lark”
Douglas Germano – “Tempo Velho”
Luiza Brina + César Lacerda – “De Cara”
Sessa – “Dez Total (Filhos de Gandhy)”
Lana Del Rey – “Hope Is A Dangerous Thing For A Woman Like Me To Have-But I Have It”
Juliana Perdigão – “Só o Sol”
Luisa e os Alquimistas + Catarina Dee Jah – “Sol em Câncer”
Jards Macalé – “Limite”
Def – “Alarmes de Incêndio”
Karina Buhr – “Amora”
Céu – “Make Sure Your Head is Above”
Alessandra Leão + Mateus Aleluia – “Ponto para Preto Velho”
Boogarins – “As Chances”
Lizzo – “Juice”
Billie Eilish – “Bad Guy”
Angel Olsen – “All Mirrors”
Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões”
Douglas Germano – “Valhacouto”
Siba + Alessandra Leão + Mestre Anderson Miguel + Renata Rosa – “O Que Não Há”

As 75 melhores músicas de 2019: 23) O Terno – “Pra Sempre Será”

“Mesmo que acabe, não vai terminar”

As 75 melhores músicas de 2019: 62) O Terno – “Eu Vou”

musicas-2019-62-oterno

“Eu vim pro mundo pra viver”