
Mais uma noite no Centro da Terra regida pela aura de Itamar Assumpção, que Arrigo Barnabé de novo invocaria ao início do espetáculo misturando gravações da própria voz com uma máquina de escrever. Logo depois, ele assume os vocais à frente da banda Trisca, trio formado por integrantes da banda Isca de Polícia (Jean Trad, Paulo Lepetit e Marco da Costa), visitando músicas comuns aos dois, entre elas versões de sambas clássicos de diferentes autores, seja Nelson Cavaquinho (“Quando Eu Me Chamar Saudade”), Marisa Monte (“De Mais Ninguém”) ou Ataulfo Alves (“Na Cadência do Samba”), todos revisitados à luz negra dos sambas do velho Ita. Que noite!
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Bem bonito o encerramento da temporada Prémistura que Chicão Montorfano fez nesta primeira segunda de dezembro no Centro da Terra. Ao convidar artistas sonoros de diferentes fronteiras musicais, conseguiu atirá-los todo no vazio do improviso livre sem que tivessem amarras já estabelecidas. Já havia um vínculo entre três dos convidados – Chicão já havia feito outros improvisos ao lado de Bernardo Pacheco e Barulhista, cada um deles trazendo sua bagagem cultural para a mistura: o dono da noite com sua formação erudita e apreço pela eletrônica, Berna distorcendo tudo ao vivo com sua mesa de som e pedais enfileirados, pegando no baixo elétrico por alguns momentos, e o Barulhista usando seu computador como uma MPC de ruídos digitais que disparava ao vivo. Ao acrescentar a essa mistura o violino abrasivo de Wanessa Dourado, Chicão soltou um pavio de pólvora que misturava drones e loops com ecos de música caribenha, tango e choro, conduzidos pelas cordas e arcos da musicista, levando o resultado à pradaria ambient com toques asiáticos. Os quatro se encontraram em meio ao transe, numa apresentação abstrata que soava lírica e contemplativa, mesmo nos momentos mais agressivos. Agora resta Chicão lançar o disco!
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Em clima de celebração pernambucana, o Mombojó vai aos poucos preparando terreno para seu próximo disco, que será lançado no ano que vem. Ainda sem título, o novo disco é uma homenagem a Alceu Valença que o grupo começou há pouco tempo ao mostrar o primeiro single do novo trabalho, “Estação da Luz”. O próximo passo é o single “Amor que Vai”, que será lançado na próxima sexta-feira, dia 8, e que estreará em primeira mão no dia anterior, aqui no Trabalho Sujo. “Alceu é o principal cantor vivo de Pernambuco”, explica o vocalista da banda, Felipe S. “É um artista que está transitando num público jovem que está recém descobrindo ele. Até por isso pensamos em gravar as músicas da fase 80 que não fossem as mais famosas. Pra reafirmar um repertório incrivelmente forte. Alceu ele conseguiu como ninguém simbolizar o nosso estado. Fortalece um pouco o nosso laço tocar essas músicas.” Felipe continua explicando a importância de sua banda gravar um disco celebrando Alceu. “Para nós que já temos mais de vinte anos só compondo músicas autorais, bateu a vontade pelo desafio de interpretar algum artista e a Mombojó tem muitas afinidades com Alceu, seja nas letras curtas ou por falar da natureza e principalmente dos cenários nordestinos. Acho que ele me influenciou nesse sentido da escrita.”

Quando a quinta-feira termina com Arrigo Barnabé, é que foi daqueles dias. Perdi o André Prando, que esquentou o Inferninho Trabalho Sujo no Picles logo cedo, abrindo terreno para as tradicionais duas horas de Xepa Sounds, quando o Thiago França encara hits pop de todas as épocas ao lado dois terços da percussão de sua Charanga, os compadres Samba Sam e Wellington Pimpa, passeando entre novos clássicos da dance music e aquela pagodeira que todo mundo canta junto. Depois que eu e a Fran assumimos a pista ainda começou a chegar uma quantidade absurda de gente que vai saber como é que as coisas terminaram…
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Encerrando as comemorações dos 28 anos do Trabalho Sujo, o último Inferninho Trabalho Sujo deste novembro mágico acontece nesta quinta-feira, quando mais uma vez Thiago França traz a fina esculhambação de seu Xepa Sounds para o sobrado interdimensional que abre novas dimensões no meio do canteiro de obras que muitos conhecem como bairro de Pinheiros. Antes da Xepa quem toca é o André Prando e depois dela eu e a Fran derretemos a pista com aqueles hits que você conhece – e outros tantos que você nunca imaginou ouvir no Picles! O Inferninho acontece no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde e a noite vai até…

Chegando aos finalmentes do ano, vamos à época mais curta de shows no Centro da Terra pois temos apenas duas semanas de atividades no teatro. Isso, no entanto, não diminui a importância das apresentações, muito pelo contrário. Em vez de termos as temporadas nas segundas-feiras, são cinco espetáculos de quatro artistas que acabam funcionando como conclusão desse ano intenso que todos tivemos. O mês começa dia 5, com a estreia paulistana do espetáculo Andarilho Urbano, de Tatá Aeroplano, que sobe sozinho no palco para voltar em canções de diferentes fases de sua carreira e contar suas histórias. Depois, dias 6 e 7, temos ninguém menos que Arrigo Barnabé no palco do Centro da Terra fazendo sua homenagem a Itamar Assumpção no espetáculo Arrigo visita Itamar. Na segunda seguinte, dia 11, Caçapa começa a sair da toca e mostra suas novas composições na apresentação Eletrodinâmica e o ano encerra com o espetáculo PSSP apresentando pela Filarmônica de Passárgada. Nossas noites começam sempre às 20h e os ingressos para as apresentações podem ser comprados neste link.

E o velho Paul não estava pra brincadeira, olha esse setlist do show que ele fez nesta terça à tarde no Clube do Choro em Brasília, que o cara abriu com nada menos que “A Hard Day’s Night?”
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Minha homenagem a esse deus de seu instrumento. Viva Lanny!
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Na terceira noite de sua temporada Prémistura no Centro da Terra, Chicão Montorfano adentrou em suas raízes progressivas e invocou o espírito prog para o teatro, reforçando a seriedade do gênero. A noite começou com o grupo formado por Marcela Sgavioli, Gabriel Falcão, André Bordinhon, Fernando Junqueira e Filipe Wesley puxando a clássica “Armina” do seminal disco A Matança do Porco, do grupo Som Imaginário, que completa 50 anos em 2023, e que Chicão aproveitou para misturar lindamente com a música de abertura de seu primeiro disco solo, Mistura, que lança ainda em dezembro. Além de chamar Marcela para três canções de seu segundo disco (o cara nem lançou o primeiro e já tem o segundo pronto) apenas no formato voz e violão – e depois, piano – para finalizar a apresentação tocando dois clássicos extensos do prog mais clássico: “Starless” do King Crimson e “Closer to the Edge” do Yes. Foi de cair o queixo.
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Depois de três anos fora de combate por motivos pandêmicos, o clássico festival de rap com base no Sesc Santo André volta à ativa no fim deste ano trazendo ninguém menos que o mestre Freddie Gibbs para duas apresentações. O evento, que começou como DuLoco e depois foi Indie Hip Hop por anos, volta a acontecer no meio de dezembro ao trazer o bamba pela primeira vez ao Brasil. Em cada noite, um time diferente de rappers abre o inesperado show: no sábado, dia 16 de dezembro, o evento começa com Febre 90’s seguido de Rodrigo Ogi e no dia seguinte, 17, a noite conta com MC Luanna e o show que o Síntese está fazendo com o Marechal. Nos dois dias, quem começa os trabalhos é o DJ Nato Pk, acompanhado da Stephanie no sábado e do Max B.O. no domingo. Os ingressos começam a vender online neste link a partir do dia 5 de dezembro. Vai ser foda!