
Agora já pode contar: vamos comemorar um ano de Inferninho Trabalho Sujo em grande estilo na semana que vem, trazendo ninguém menos que os grandes Boogarins, que armam mais um ritual de cura e libertação na próxima quinta, dia 25, no palco da noite que incinera corações e quadris com a fina flor da melhor música produzida no Brasil hoje, epicentro do caos em Pinheiros que também está fazendo aniversário — seis anos de Picles! E depois dos goianos, eu e Fran assumimos mais uma vez a madrugada, desfilando hits e fazendo todo mundo dançar. Os ingressos já estão à venda! Viva o Inferninho Trabalho Sujo e viva o Picles — e essa é só a primeira novidade deste primeiro aniversário. Outras virão! Queima!

Quem toma conta das segundas de julho no Centro da Terra é o mestre e compadre BNegão que aproveitou a deixa para convidar três artistas que ele vem acompanhando há um tempo na temporada BNegron Convida. Na primeira segunda-feira, dia 15, ele recebe o trio carioca Disstantes, fazendo sua primeira apresentação em São Paulo. Misturando linhas eletrônicas e sintetizadores como bases para o canto falado, o trio formado por Gilber T, Homobono e Feres lançou um single com a participação do anfitrião e se autodenomia um grupo de kraut-rap! No dia 22, Bernardo recebe o baiano Freelion, pseudônimo atual do produtor e multiinstrumentista Sandro Mascarenhas, que já tocou com artistas como Afrocidade, Majur e Léo Santana, e agora mistura pagodão baiano, música latina e reggae neste projeto que existe desde 2018. A temporada termina dia 29 com a presença de Dabliueme, produtor e poeta que mescla jazz, rap e raggamuffin com samples de músicas brasileiras de todas as épocas. BNegão estará em todos os espetáculos, que começam pontualmente às 20h e cujos ingressos podem ser comprados na bilheteria ou no site do Centro da Terra.
#bnegaonocentrodaterra #bnegao #disstantes #freelion #dabliueme #centrodaterra2024

“A câmera de vídeo deu algo que a caneta, o lápis e o papel ou o pincel e a tela não deram: a habilidade de olhar para o mundo real com o olho aberto e gravar os eventos enquanto eles iam acontecendo – e esse tipo de conexão direta com a vida me libertou demais”, disse o recém-falecido artista norte-americano Bill Viola, pioneiro da vídeo-arte que nos deixou nesta sexta-feira no programa do entrevistador Charlie Rose em 1995. Ele começou a experimentar com o vídeo como uma forma de expressão no final dos anos 70, anos depois de formar-se em artes na faculdade de Syracuse, nos EUA, uma das primeiras a tratar novas mídias como estudo artístico, e trabalhar com performance, música e arte contemporânea. Seu principal feito foi recriar uma experiência de quase morte que teve ainda quando criança na série de vídeos que batizou de The Reflecting Pool, que deu a tônica do resto de sua carreira, sempre misturando registros em vídeo com uma experiência quase espiiritual ou religiosa. Isso vinha de sua educação junto à igreja, o que fez com que obras do Renascimento fossem referências recorrentes em seu trabalho. Morreu depois de complicações devido a um Alzheimer, que começara a desenvolver há pouco tempo.

Começamos as comemorações de um ano de Inferninho Trabalho Sujo nesta sexta-feira ao reunir duas jovens deusas do rock que estão começando a mostrar seus trabalhos e colocar as garras de fora. A carioca Janine apresentou-se pela primeira vez fora de sua cidade com um convidado na segunda guitarra Marco Antônio Benvegnú, o homem por trás do codinome Irmão Victor, e mostrou que sensibilidade e peso podem caminhar lado a lado e mesmo que sua aparência frágil parecesse indicar ao contrário. Além de Marco, ela contava com sua banda habitual (Bauer Marín no baixo e Arthur Xavier na bateria) e alternava seus vocais entre um microfone e um gancho de telefone, que distorcia sua voz, fazendo uma apresentação concisa e na mosca.
Depois de Janine foi a vez de Luiza Pereira (ex-vocalista da banda Inky) mostrar toda a força de seu novo projeto solo, Madre. Formando um trio ao lado da baixista Theo Charbel e do baterista Gentil Nascimento, ela aumentou consideravelmente o volume e transformou seu trio em uma usina noise que ia pro extremo oposto da leveza de sua voz, rugindo eletricidade como se sempre tivesse feito isso da vida. E só quando passou da meia-noite – e quando comecei mais uma pista daquelas com a comadre Francesca Ribeiro – que alguém veio me cumprimentar pela escolha de duas bandas pouco convencionais para comemorar o dia do rock – e eu nem me lembrava que tinha isso! Mas quando o assunto é comemoração, aguarde que a próxima edição do Inferninho, dia 25, será épica e histórica! Aguarde e confie.
Assista abaixo: Continue

Arrasado com a notícia da morte do Chagasm que chegou como uma bordoada no fim desta terça-feira, não só pela perda de um caubói do jornalismo cultural, de um dos compositores mais subestimados de sua geração e de um samurai da guitarra elétrica, mas, principalmente, de um amigo, mistura de mestre zen e cúmplice cultural, que, mesmo nos encontrando rapidamente, era uma fonte de causos, anedotas, ensinamentos e lições de vida, muitas vezes tudo ao mesmo tempo, posto como quem conta uma piada ou revela um segredo, olhando por cima dos óculos com um olhar ao mesmo tempo sério e cínico, e em muitas vezes guardando um sorriso pro final, pra quando a ficha caísse do lado de cá. Sim, ele cobriu cultura em plena ditadura militar, foi guitarrista do Itamar Assumpção e parceiro de tantos monstros sagrados do underground de São Paulo, autor de uma das minhas músicas favoritas (a gigantesca “Às Vezes”), pai da Tulipa e do Gustavo, marido da Mônica e compadre de tantos compadres e comadres, mas a lembrança que fica é de uma das pessoas mais gente boa que conheci na vida, um dos raros “meu” ditos por um paulistano (na verdade, goiano, mas não espalha) que não doía nos meus ouvidos, que por vezes engrenava em papos que duravam horas, à mesa de alguma longa reifeição, passeando pelas ruas do centro, pelos arredores da Paulista ou indo de um lado para o outro de metrô. Não importava o assunto, podia ser uma música nova, uma história velha dos Beatles ou uma fofoca envolvendo alguém famoso da época em que era apenas jornalista – um assunto puxava o outro e era sempre um prazer estar em sua presença. Fico feliz de ter conseguido realizar alguns shows com ele – especialmente a temporada que fizemos no Centro da Terra em agosto de 2019, ao redor de seu ainda não lançado Música de Apartamento – e de ter podido ter umas dicas de guitarra quando comecei a levar mais a sério esse papo de tocar um instrumento: “os Beatles são óbvios, ou melhor, simples. Copiam todo mundo, ótimo para aprender”, disse citando nossa paixão comum como luz para a guitarra elétrica. Lamento imensamente ter perdido sua festa junina de aniversário, há exatamente um mês, mas sei que o Belo estará sempre olhando pela gente, lá do alto. Vai em paz, professor!
Assista abaixo à íntegra dos shows que fiz com ele (cinco no Centro da Terra e um no Estúdio Bixiga), três deles ao lado de sua eterna amiga Suzana Salles e à entrevista que fiz com ele durante a pandemia, em que ele conta parte de sua trajetória. Continue

O Primal Scream está vindo com novidades por aí ao postar, como quem não quer nada, um curto clipe sem som e em preto e branco em suas redes sociais em que nos perguntam, depois de falar sobre “tempos maniqueístas”, se ouvimos falar sobre os rumores de guerra, seguido de uma hashtag chamada “Come Ahead”. Chuto que pode ser o nome do primeiro single de um trabalho que, só por esse pequeno teaser, parece ecoar lembranças do clássico XTRMNTR, lançado num ano 2000 tão tenso politicamente quanto os tempos que vivemos hoje – e isso bem antes do 11 de setembro e dos EUA terem invadido o Afeganistão. Veja abaixo: Continue

“Temos tudo a postos”, escreve o diretor Drew DeNicola sobre seu novo projeto, o filme Sun Ra: Door of the Cosmos, descrito como um documentário sobre o Omniverso de Sun Ra e as raízes do afrofuturismo, ao lançar uma página de financiamento coletivo para finalizar sua produção. “Com o inestimável apoio e colaboração dos produtores de arquivo Irwin Chusid e Michael D. Anderson, do Sun Ra Estate, apresentaremos músicas, poesias e trechos nunca antes ouvidos de entrevistas de Sun Ra ao longo de décadas. Ao construir relacionamentos com cineastas e fotógrafos, já garantimos e licenciamos acordos muito favoráveis através de acordos de participação nos lucros para apresentar a incrível variedade de material de arquivo ao longo das décadas. Temos uma lista de entrevistas essenciais para reunir pessoas cuja referência remonta aos anos 50 e 60. Temos uma equipe pequena e ágil, pronta para sair e se encontrar com essas pessoas para criar uma história oral completa e cheia de nuances para o filme. Isso, é claro, envolve custos de viagens, aluguéis e suporte à produção.” Diretor do excelente Big Star: Nothing Can Hurt Me, lançado em 2013, DeNicola prepara um filme sobre o monstro sagrado do jazz cósmico com a benção de Marshall Allen, o centenário baluarte e atual maestro da Sun Ra Arkestra, força criativa musical que carrega os ensinamentos seculares do visionário músico norte-americano. O filme tem menos de dez dias para conseguir atingir sua meta a partir de sua página no Kickstarter e terá sua trilha sonora, repleta de material inédito, lançada pela clássica gravadora californiana de hip hop Stones Throw. Assista ao trailer do documentário e saiba mais sobre o financiamento coletivo neste link.

O que você vai fazer nesta véspera de feriado? É, nesta segunda-feira não tem Centro da Terra e aqui em São Paulo os caras têm um feriado dedicado à famosa avenida 9 de julho, digna de ser homenageada com um dia sem trabalho. Por isso, vamos pra mais uma Trabalho Sujo All-Stars no Bar Alto, com o famoso plus a mais adicional: o quarto show do conjunto musical Como Assim?, da qual faço parte ao lado dos comparsas Carlão Freitas, Pablo Miyazawa e Mateus Potumati. A noite começa às 20h, o grupo não-autoral toca a partir das 21h e depois sigo discotecando com convidados surpresas – não tão surpresas se você for um tico perspicaz – até às quatro da madruga. O Bar Alto fica no número 194 da rua Aspicuelta, na Vila Madalena, e não precisa pagar pra entrar – é só chegar! Vamo nessa?

Ainda passando nos festivais e sem data de estreia comercial, eis o trailer do documentário generativo Eno, dirigido por Gary Hustwit. O cineasta norte-americano é autor de uma trilogia de documentários sobre design que começou por investigar tipografia (Helvetica, 2007), seguiu pelo design industrial (Objectified, de 2009) e terminou com o desenho das cidades (Urbanized, 2011) e resolveu contar a história do não-músico mais importante da história da música do século 20 ao desenhar um programa que ajudasse-o a editá-lo continuamente, gerando inúmeras versões aleatórias geradas por inteligência artificial a cada nova exibição. Uma leitura futurista e ímpar, bem como é característico a esse personagem, que começou mixando a banda glam Roxy Music ao vivo (tocando sintetizador e a própria mesa de som no palco, como um integrante do grupo) para abraçar a carreira de produtor e provocador criativo, inventando a música ambient enquanto ajudava diferentes ícones da música pop a se reinventar – de David Bowie aos Talking Heads, passando pelo U2, Devo, Coldplay, Peter Gabriel, Laurie Anderson, Grace Jones, Damon Albarn, entre muitos outros. O documentário de Hustwit mistura cenas dessa história a diferentes trechos de entrevistas com seu objeto de estudo, fazendo com que Brian Eno seja a única voz e, portanto, o narrador do filme. O salto criativo do filme, no entanto, veio quando o diretor associou-se ao programador e artista digital Brendan Dawes, que criou o software Brain One (Cérebro Um – e também anagrama óbvio do nome do protagonista) para recortar diferentes partes da entrevistas ilustradas com cenas de arquivo do próprio Brian editadas em tempo real. Há marcos pré-estabelecidos no filme e segundo seu diretor 75% dele é visto por todos os espectadores. Os 25% restantes é que são publicados aleatoriamente e em ordens que, como no filme, não seguem cronologia, cogitando diferentes surpresas a cada vez que você assiste ao filme. Embora ainda não tenha previsão de estreia nos cinemas para além dos festivais, o teaser criado para Eno dá uma boa ideia do que poderemos ver…
Assista abaixo: Continue

Yann Dardenne, Otto Dardenne, Thales Castanheira e Martin Simonovich ainda não sabem se sua atual banda é formada só pelos quatro ou se terá mais integrantes nem sequer qual é o nome deste novo projeto, mas usando o epíteto Protoloops – e contando com uma ajudinha dos amigos – colocaram em pé uma transformação musical que vêm acalentando desde antes da pandemia, quando começaram a desconstruir o projeto anterior que tinham – a banda psicodélica Goldenloki – em algo que soasse brasileiro, eletrônico e dançante, mas sem perder o gostinho lisérgico que é característico de quando tocam juntos. E assim apresentaram o espetáculo inédito Protoloops nesta terça-feira no Centro da Terra, mostrando poucas faixas já fechadas, que flertam com a bossa nova internacionalista de Sergio Mendes e Marcos Valle, com os experimentos político-eletrônicos do Stereolab e uma dance music de fim de século que abraça tanto a lounge music como o drum’n’bass. E a partir dessa vibe boa, reuniram outros amigos – como o videoartista Danilêra, que trouxe TVs e mais TVs para o palco do teatro, trazendo um clima retrô VHS para a noite, a dupla ténica Retrato (Beeau Gomez no som e Ana Zumpano na luz), as vozes de NIna Maia e Marina Reis, o violão de Felipe Vaqueiro e os synths Valentim Frateschi, todos comparsas de vida e com links diretos com seu próprio selo, o Selóki Records, enquanto revezavam-se entre instrumentos elétricos, acústicos e eletrônicos, forjando uma nova sonoridade à medida em se sentiam mais à vontade no palco. Uma noite astral.
Assista abaixo: Continue