
Chegando aos finalmentes do ano, vamos à época mais curta de shows no Centro da Terra pois temos apenas duas semanas de atividades no teatro. Isso, no entanto, não diminui a importância das apresentações, muito pelo contrário. Em vez de termos as temporadas nas segundas-feiras, são cinco espetáculos de quatro artistas que acabam funcionando como conclusão desse ano intenso que todos tivemos. O mês começa dia 5, com a estreia paulistana do espetáculo Andarilho Urbano, de Tatá Aeroplano, que sobe sozinho no palco para voltar em canções de diferentes fases de sua carreira e contar suas histórias. Depois, dias 6 e 7, temos ninguém menos que Arrigo Barnabé no palco do Centro da Terra fazendo sua homenagem a Itamar Assumpção no espetáculo Arrigo visita Itamar. Na segunda seguinte, dia 11, Caçapa começa a sair da toca e mostra suas novas composições na apresentação Eletrodinâmica e o ano encerra com o espetáculo PSSP apresentando pela Filarmônica de Passárgada. Nossas noites começam sempre às 20h e os ingressos para as apresentações podem ser comprados neste link.

E o velho Paul não estava pra brincadeira, olha esse setlist do show que ele fez nesta terça à tarde no Clube do Choro em Brasília, que o cara abriu com nada menos que “A Hard Day’s Night?”
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Minha homenagem a esse deus de seu instrumento. Viva Lanny!
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Na terceira noite de sua temporada Prémistura no Centro da Terra, Chicão Montorfano adentrou em suas raízes progressivas e invocou o espírito prog para o teatro, reforçando a seriedade do gênero. A noite começou com o grupo formado por Marcela Sgavioli, Gabriel Falcão, André Bordinhon, Fernando Junqueira e Filipe Wesley puxando a clássica “Armina” do seminal disco A Matança do Porco, do grupo Som Imaginário, que completa 50 anos em 2023, e que Chicão aproveitou para misturar lindamente com a música de abertura de seu primeiro disco solo, Mistura, que lança ainda em dezembro. Além de chamar Marcela para três canções de seu segundo disco (o cara nem lançou o primeiro e já tem o segundo pronto) apenas no formato voz e violão – e depois, piano – para finalizar a apresentação tocando dois clássicos extensos do prog mais clássico: “Starless” do King Crimson e “Closer to the Edge” do Yes. Foi de cair o queixo.
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Depois de três anos fora de combate por motivos pandêmicos, o clássico festival de rap com base no Sesc Santo André volta à ativa no fim deste ano trazendo ninguém menos que o mestre Freddie Gibbs para duas apresentações. O evento, que começou como DuLoco e depois foi Indie Hip Hop por anos, volta a acontecer no meio de dezembro ao trazer o bamba pela primeira vez ao Brasil. Em cada noite, um time diferente de rappers abre o inesperado show: no sábado, dia 16 de dezembro, o evento começa com Febre 90’s seguido de Rodrigo Ogi e no dia seguinte, 17, a noite conta com MC Luanna e o show que o Síntese está fazendo com o Marechal. Nos dois dias, quem começa os trabalhos é o DJ Nato Pk, acompanhado da Stephanie no sábado e do Max B.O. no domingo. Os ingressos começam a vender online neste link a partir do dia 5 de dezembro. Vai ser foda!

Não é a primeira vez que o Kevin Shields encontra-se com J Mascis no palco – suas respectivas bandas excursionaram juntas no auge de suas carreiras e o Shields já apresentou-se algumas vezes com a banda de Mascis –, mas a aparição do líder do My Bloody Valentine no terceiro dia da residência que o Dinosaur Jr. está fazendo na casa noturna Garage em Londres tem um quê de histórico. Mesmo porque ao subir no palco com seus velhos amigos, Shields não apenas tocou uma música de sua banda (“Thorn”) e outra da banda norte-americana (“Tarpit”), como se uniram para tocar uma versão de uma banda que talvez seja o vórtice original que enviesou as duas bandas do barulho rumo à doçura, o Cure. E escolheram justo aquela “Just Like Heaven” imortalizada pelo Dino Jr. nos anos 80, uma canção tão barulhenta quanto pop, marcando a primeira vez que os dois guitar heroes tocam juntos essa música, sente só aí embaixo: Continue

Enorme satisfação de receber pela primeira vez a dupla formada por Juçara Marçal e Cadu Tenório, que apresentam sua obra Anganga nesta terça-feira no Centro da Terra. O espetáculo foi inspirado nos vissungos (cantos de trabalho) resgatados pelo linguista Aires da Mata Machado Filho nos anos 1920 em São João da Chapada, município de Diamantina em Minas Gerais, em 65 partituras publicadas no livro O Negro e o Garimpo em Minas Gerais. Essas partituras transformaram-se num disco chamado O Canto dos Escravos, gravado em 1982 por Clementina de Jesus, Geraldo Filme e tia Doca da Portela. São esses cantos que Juçara e Cadu revisitam desconstruindo-os eletronicamente em uma versão ainda mais pesada do que suas versões originais. O espetáculo começa pontualmente às 20h e ainda há ingressos disponíveis neste link.

Há quase duas décadas sem lançar nada de novo, o rapper André 3000, metade da histórica dupla Outkast, abriu essa terça-feira anunciando que seu primeiro disco solo, New Blue Sun, estará entre nós na próxima sexta-feira, dia 17. Mas antes de mais nada, ele já abre uma série de considerações na extensa entrevista que deu ao site da NPR em que quebrou o silêncio e finalmente falou sobre sua produção musical: “Eu não quero zoar as pessoas, não quero que as pessoas pensem que ‘o disco novo do André 3000 está vindo!’ e quando você o toca, oh cara, não tem versos. Está escrito no disco: ‘atenção: sem compassos’.” O nome da primeira faixa resume suas intenções: “I Really Wanted To Make A Rap Album, But This Is Literally The Way The Wind Blew Me This Time” (“Eu realmente queria fazer um disco de rap, mas isso é literalmente a forma como o vento soprou dessa vez”). E a analogia ao vento não é só poética: New Blue Sun é um disco em que André toca… flautas! Na mesma entrevista ele contou que tem entre 30 e 40 flautas de todos os lugares do mundo e o disco são sessões de improviso com novos compadres como o tecladista Surya Botofasina, o guitarrista Nate Mercereau e o percussionista Carlos Niño. A capa do disco é essa aí em cima, ele não soltou sequer um trecho de uma das músicas e só anunciou, até agora, o nome das nove faixas que compõem o disco e os títulos são tão inacreditáveis e gigantescos quanto o citado acima. Veja abaixo: Continue

Que tal uma segunda-feira com um sorriso no rosto? O grupo The Smile, formado pelo baterista Tom Skinner e por dois cérebros mais fritos do Radiohead, Thom Yorke e Jonny Greenwood, acaba de anunciar o lançamento de seu terceiro álbum (se contarmos o segundo disco ao vivo, The Smile Live at Montreux Jazz Festival July 2022) para o início do ano que vem. O anúncio de Wall of Eyes, que chega completo no dia 26 de janeiro (e já em pré-venda), vem acompanhado do clipe da bossanovinha que é a faixa-título do disco, mais uma vez dirigido pelo compadre da banda Paul Thomas Anderson, que além de fazer o filme Anima junto com Yorke também dirigiu o clipe de “Daydreaming”, primeiro single do disco mais recente (último?) da banda inglesa, A Moon Shaped Pool. A faixa traz ecos do Radiohead ao reaproveitar uma estrofe inteira (“Let us raise our glasses to what we don’t deserve or what we’re not worthy of”) do jornalzinho que o grupo distribuiu junto com a versão em vinil de seu disco de 2011, King of Limbs. Assista ao clipe abaixo e veja tanto a capa do disco quanto a ordem das músicas do novo álbum, que inclui o épico single “Bending Hectic”, lançado no ano passado: Continue

(Foto: Maria Cau Levy/Divulgação)
Saiu nessa sexta-feira o terceiro volume da série Broovin, que consolidou o nome do compadre Bruno Bruni como um dos novos talentos da atual cena paulistana. Acompanho seu trabalho desde o início dessa trilogia, quando ele começou praticamente sozinho a construir células de groove que viravam canções e aos poucos foi engrossando o caldo, primeiro ao vivo e depois nos discos. Broovin 3 encerra essa trilogia de início de carreira e pela primeira vez ele pode gravar com uma big band completa – e me chamou para escrever o texto de apresentação do álbum, que também marca sua ida para os Estados Unidos, onde foi estudar arranjo e composição de jazz.
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