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Loki

Wilco no Brasil!

O C6Fest do ano que vem na tá pra brincadeira e acaba de soltar para a coluna do Gilberto Almêndola, do Estadão, que o Wilco é a terceira atração anunciada do festival, que acontece em maio de 2025. A terceira vinda da banda de Jeff Tweedy para o país vem somar-se às vindas dos Pretenders e do Air (tocando o Moon Safari!) no mesmo evento, o que já torna o festival um dos grandes acontecimentos do ano que vem. E tem mais: dia 22 eles anunciam a programação completa, nos dois dias seguintes a pré-venda é aberta para os clientes do banco que patrocina o festival e dia 25 os ingressos são vendidos para todos. A coisa tá ficando séria…

Geral tava esperando, mas agora tá vindo: os Boogarins acabam de anunciar Bacuri, seu quinto álbum de inéditas ao mostrar a curta “Crescer”, que você escuta na íntegra abaixo. Não há informações sobre data de lançamento, o que significa que pode ser A QUALQUER MOMENTO.

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Lost completou 20 anos há pouco tempo e de vez em quando alguém me pergunta se vale a pena rever a série. Eu digo que vale, ela segue boa, mas se você nao viu a série em 2004 em diante, você nunca terá noção de como ela foi boa. Lost encapsula um contexto que trabalha com várias camadas daquela nova contemporaneidade, que desconectava a TV da grade de programação fixa, abria margem para especulações sobre diferentes futuros para os personagens e transformava o público em analistas de narrativa. Elementos transmídia, pontos de vista contraditórios, erosão de gêneros, personagens aprofundados e enigmas que misturavam toda sorte de mitologia, politica, teorias da conspiração e questões espirituais levados ao mercado de massas. Se você nao viveu o tempo de Lost, uma boa comparação é o disco-fenômeno que Chali XCX lançou no meio desse ano (a versão de remixes que é a terceira encarnação de uma mesma obra) e se firma como o grande produto cultural de 2024. Brat tem tantas camadas que reúnem conceitos que são a cara do nosso tempo: discussões sobre relacionamentos, sobre o peso que a fama exerce na arte, a onipresença online, a manipulação da própria imagem, a separação entre vida e trabalho. Tudo isso envelopado numa dance music cabeçuda e pós-moderna, eletrônica séria equilibrada com refrães pop e ganchos grudentos que pouco vem desfilando um elenco de convidados que praticamente mapeia quem é quem na música pop deste ano. A nova versão do disco ousa ainda mais e estica a temporada Brat para além do verão no hemisfério norte. Ouvir esse disco daqui a 20 anos não vai dar a sensação de agora que sentimos hoje, enquanto ele pulsa cada vez mais. Um golpe e uma joia ao mesmo tempo.

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Entre fronteiras


(Foto: Julia Milward/Divulgação)

“Esse disco é a impossibilidade de dar uma resposta em palavras”, me explica a produtora e multiartista Sue, falando sobre seu segundo álbum, que chega às plataformas digitais nesta quinta-feira, mas que ela antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. O disco sucede seu disco de estreia, Soundtracks for Photographs, lançado em 2019, pouco antes da pandemia, em que ela usava a desculpa de compor, como o título entrega, trilhas sonoras para fotografias, como uma forma de mostrar como vinha sendo sua adaptação ao Brasil, uma vez que nasceu na França e mora aqui desde 2013. O período pandêmico acelerou o fim de sua banda anterior, o grupo de trip hop Ozu, e logo ela viu-se imersa em novas produções instrumentais que começavam a ditar o rumo de seu novo trabalho solo, que finalmente vem à tona. O disco é batizado de Quando Vc Volta?, pergunta que ela cansou de ouvir de seus conterrâneos sobre sua estada em nosso país. O resultado é um hipnótico conjunto de transes instrumentais que passeia tanto pelo trip hop quanto pelo hip hop instrumental quanto por variações ambient, num disco ao mesmo tempo experimental e reconfortante, que conta com participações de Desirée Marantes, com quem dividiu a instigante temporada Mil Fitas, no Centro da Terra em junho do ano passado, e Dharma Jhaz em faixas com títulos em diversos idiomas: de sua língua-pátria (“Je Fais Ce Que Je Peux”) a títulos em inglês (“Morning Tears”, “Pulse” e “First Steps”), português (“Colo”, “Araucária”, “Vida Morte Vide”, “Gigantesca”, “Complemento”) e palavras no meio do caminho (como “Anton” e “Alias”). Quando perguntei para ela sobre o porquê de um disco que discorre sobre essa impermanência territorial não ter texto, ela responde sucinta: “Diante da falha das palavras, seja em francês ou em português, quem fala é o som.”

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Que o Mudhoney está vindo pra cá ano que vem você já sabia – a novidade é que agora liberaram as datas em que a banda mais barulhenta de Seattle estará na América do Sul em 2025. Dia 21 de março (uma sexta) tocam em São Paulo no Cine Joia (ingressos aqui), no dia seguinte tocam no Rio de Janeiro no Circo Voador (ingressos aqui) e no domingo 23 tocam em Belo Horizonte na Autêntica (ingressos aqui), para encerrar a volta pelo continente no dia 26 (uma quarta-feira) com show na Argentina. Vai ser fogo!

Apesar de conhecido e reconhecido como um dos grandes nomes da cena musical brasileira deste século, Curumin ainda é um talento a ser descoberto. Por mais que tenha hits tatuados no inconsciente coletivo da noite paulistana, ele ainda não é reverenciado como o gênio que é – e por caprichos próprios, que prefere cultivar amizades e a conexão com o público do que fazer o jogo do mercado da música ou dançar conforme o algoritmo das plataformas. Seu Pedra de Selva, um dos grandes discos de 2024 e talvez seu melhor disco, foi lançado quase na surdina há pouco mais de um mês e, mesmo sendo seu primeiro trabalho lançado em sete anos, é mais um exemplo da forma como conduz sua carreira. Como fez em outros álbuns antes, prefere construir uma coleção de canções que conversa entre si do que a ceder para eventuais apelos pop. E os dois shows que fez neste fim de semana no Sesc Pompeia foram ótimas amostras de sua grandeza. Num palco psicodélico-vegetal (cenário maravilhoso de Rodrigo Bueno, iluminado lindamente por Cris Souto), criou uma versão tropical do assalto dos sentidos do Funkadelic com uma banda transnacional da pesada, que reunia os pernambucanos Jessica Caitano e Maurício Badé, a baiana Aline Falcã, a mineira Josy.Anne (dona da irresistível “Mexerica Mineira”), o paraense Saulo Duarte e os paulistas Fred Prince, Funk Buia, Iara Rennó, Arlete Salles e Lelena Anhaia. Pilotando essa usina sonora com sua bateria em primeiro plano, o músico, cantor e compositor hipnotizou o público com pedradas hipnóticas (“Pira”, “Pisa”, “Água Fria em Pedra Quente”, “Meu Benni” e a deliciosa “Estado de Choque”) e levadas macias (“Paixão Faixa Preta”, “Jacarandá”, “Flecha do Dedo”, “Cigana Cigarra”, “Tempo de Sal” e a já citada “Mexerica..”) num show composto quase unicamente pelo disco novo, reforçando a magia deste encontro recente. Abriu exceção para três de suas pérolas imortais: “Selvage”, “Mistério Stereo” (que puxou no bis sozinho à guitarra, sendo acompanhado pelo tamborim de Prince) e “Samba Japa”, esta última fundida com “Não Adianta” do Trio Mocotó (em reverência ao recém-falecido Fritz Escovão), estas últimas cantadas em uníssono pelo público extasiado pela força da natureza que é este band leader. Eu acho é pouco! Vem mais!

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Oruã na KEXP!

Heróis do indie brasileiro, o quarteto carioca Oruã tirou o período pós-pandemia para desbravar o mercado internacional: já fez mais de 120 shows fora do país nos últimos três anos e atualmente atravessa uma residência artística em que passa por cinco diferentes cidades do estado da Califórnia, dentro da turnê que estão fazendo pelos Estados Unidos. Neste período também gravaram mais uma participação na festejada rádio da região de Seattle KEXP, quando mostraram músicas do disco que lançaram esse ano, Passe, em meia hora de programa. Formado pelo ícone do underground carioca Lê Almeida (nos vocais e guitarra), desta vez acompanhado por Phill Fernandes (bateria), João Casaes (sintetizadores) e Bigú Medine (baixo), o Oruã está vivendo o sonho que boa parte das bandas indies brasileiras só cogita e sua participação nesta rádio é só mais um degrau na construção internacional de sua reputação. E é tão foda ver o Lê se explicando em inglês para a apresentadora argentina do programa Albina Cabrera sobre a história e as influências da banda, bem como falando sobre a cena brasileira dos últimos anos – como estava reprimida e como está em plena ebulição, listando bandas como Glote, Economic Freedom Fighters, Tem Mas Acabou, Gueersh, Brita, Caxtrinho, Retrato e outras bandas que estão acontecendo agora. Grande Lê, avante!

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Miragem à vista

Prestes a lançar seu disco de estreia, Muitos Caminhos Prum Lindo Delírio (que sai de forma independente no próximo dia 16), a banda Miragem, daqui de São Paulo, é mais uma integrante da safra promissora de novas bandas que estamos vendo nascer durante esta década. Liderada pela multiinstrumentista. vocalista e compositora Camilla Loureiro, a banda viaja por paisagens bem diferentes de suas contemporâneas ao fundir músicas pop introspectivas com baladas épicas com temperos improváveis como música brasileira dos anos 70, rock progressivo e pós-punk, e começa a mostrar esse disco nesta quinta-feira, quando lança o primeiro clipe, “Não Aguento Mais Sonhar Com Você”, “uma balada ao piano com tema onírico-romântico”, como a própria vocalista explica, e que estreia em primeira mão no Trabalho Sujo.

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Não dá pra ficar parado…

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A banda mais barulhenta de Seattle volta ao Brasil depois de 11 anos: é o que promete o André Barcinski, que publicou um vídeo do grupo Mudhoney anunciando quatro shows no país e um na Argentina, que devem acontecer em março do ano que vem. E segundo o próprio Barcinski, que está trazendo ótimos shows para o Brasil ao lado do Leandro “Emo” Carbonato, da Powerline, na próxima quarta-feira eles anunciam as datas, os locais e quando começam a venda dos ingressos. Que notícia boa!

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