
Mais uma segunda-feira atordoante dentro da temporada Curadoria do Medo que a dupla Test está fazendo no Centro da Terra – e se na primeira noite, João e Barata passearam sua avalanche de ruído acompanhada da surra de imagens aleatórias proposta pela VJ Carol Costa, na segunda sessão foi hora de transitar entre a iluminação, por vezes etérea e difusa e por outras frnética e energizante, conduzida por Mau Schramm e pelos ruídos manipulados por Douglas Leal, que começou a noite com gravações da própria banda antes mesmo de ela subir no palco, para depois misturar e remixar outros ruídos emitidos pela dupla enquanto os dois tocavam, funcionando como um eco de outra dimensão. Foi intenso.
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E era isso mesmo: o anúncio que David Lynch havia programado para fazer no dia 5 de junho foi o novo disco em parceria com a atriz e cantora Chrystabell (que viveu a agente do FBI Tamara “Tammy” Preston na terceira temporada de Twin Peaks e já havia trabalhado com o diretor anos antes) e como previsto, além do anúncio, também surgiu dirigindo o clipe do primeiro single do disco, “Sublime Eternal Love”, que não muda a vida de ninguém, mas conta com aquele clima tenso característico das obras do diretor – além de teclados além-túmulo do eterno Angelo Badalamenti, colaborador frequente de Lynch, que morreu em 2022 (veja o clipe abaixo). Mas não é a única novidade de Lynch: nosso amado diretor está aproveitando o aniversário de 15 de seu David Lynch Interview Project para lançar todos os 120 episódios em alta definição em seu canal do YouTube. Durante 70 dias em 2009, Lynch atravessou os Estados Unidos entrevistando pessoas comuns que encontrava pela estrada, num road movie existencialista dividido em capítulos em que perguntava às pessoas que abordava questões como “você tem algum arrependimento?”, “quando você experimentou a morte pela primeira vez?”, “o que você tem mais orgulho” e “como você gostaria de ser lembrado?”. Veja o trailer deste projeto abaixo: Continue

Ano passado comentei que a RTP, o canal público de TV em Portugal, havia disponibilizado em seu site a íntegra do clássico programa Discorama que em 1969 recebeu os Mutantes em Lisboa, um dos principais registros audiovisuais de uma das principais bandas da história do Brasil, que já circulava por outros meios em versões de baixa qualidade. Além de tocar ao vivo quatro músicas (“Panis et Circensis”, “A Minha Menina”, “Caminhante Noturno” e “Banho de Lua”, além de uma versão criminosamente cortada pela metade de “Trem Fantasma”), o programa ainda acompanha o grupo passeando pela capital portuguesa ao som de músicas do disco Tropicália ou Panis et Circensis, além de entrevistar Arnaldo Baptista e Rita Lee. E era inevitável que o programa fosse parar no YouTube, como dá para ver abaixo: Continue

E ao que tudo indica, o anúncio que David Lynch agendou para este cinco de junho não é de uma obra propriamente sua, já que parece antecipar apenas o novo disco da cantora e atriz Chrysta Bell, produzido pelo próprio Lynch. Cellophane Memories é o sexto disco da cantora norte-americana, que conheceu Lynch em 1998 e só foi colaborar com ele quase dez anos depois, quando o diretor incluiu uma parceria dos dois na trilha sonora de seu Império dos Sonhos. Depois, em 2011, Lynch produziu um disco em parceria com ela (This Train), em que a cantora musicou seus poemas, colaboração que continuou quando ela cantou “Sycamore Trees”, da trilha de Twin Peaks, na abertura de uma mostra australiana em homenagem ao diretor em 2015, chamada David Lynch: Between Two Worlds, e depois no EP Somewhere in the Nowhere, em 2017. Seus discos seguintes foram produzidos por John Parish e Chris Smart, mas a parceria com Lynch continuou quando ele a convidou para participar da terceira temporada de Twin Peaks fazendo o papel da agente do FBI Tamara “Tammy” Preston. O novo disco de Bell, que agora assina Chrystabell, é mais uma parceria com Lynch e será lançado no dia 8 de agosto e um link para o serviço de streaming da Apple na Nova Zelândia acabou entregando que o disco será anunciado nessa quarta-feira, provavelmente com o anúncio do primeiro single, que parecer ser a última faixa do disco, “Sublime Eternal Love”. Além da data de lançamento, também apareceram a capa do disco, o nome das músicas e um link com o áudio do primeiro single, que mantém aquele climão típico das cenas de encerramento de alguns episódios-chave da série. Resta saber se o single terá um clipe e se este será dirigido por Lynch, que prometeu na semana passada que algo que estava vindo para ser visto e ouvido. A capa do disco, o nome das músicas, Bell cantando “Sycamore Trees” e o link para “Sublime Eternal Love” podem ser vistos abaixo: Continue

A primeira noite da temporada que o Test está fazendo no Centro da Terra durante este mês foi só um aperitivo da experiência sônica que a dupla formada por João e Barata irão proporcionar neste mês de junho. Sem participações musicais, a rigor foi um show semelhante aos que a banda vem fazendo, mas a convidada da noite deu um tempero extraordinário para a apresentação. A vídeo-artista Carol Costa cobriu o show dos dois com um amálgama de imagens que misturava filmes educativos de antes da Segunda Guerra Mundial, comerciais dos anos 70, documentários sobre a natureza e cenas de cirurgias criando uma colagem visual aparentemente díspare que ia criando um sentido à medida em que era sincronizada com as cadênciais em que os dois alternavam intensidades de velocidade e ruído. E ao fazer isso num teatro, com o público sentado, o trio criou uma sensação de cinema imersivo que deixou a plateia emudecida por quase uma hora sem parar, vítima de um impacto fulminante. E se pensarmos que os próximos shows terão a presença de outros músicos e manipuladores de som, o céu da experimentação é o limite para eles. Impressionante.
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Baita prazer receber no palco do Centro da Terra o Test, projeto musical que já transcendeu os limites do grindcore e do death metal para abraçar a plenitude do barulho extremo, tratando os limites do ruído como fronteiras a serem desbravadas por sua vanguarda noise. A dupla formada por João e Barata toma conta das segundas-feiras de junho em uma temporada chamada de Curadoria do Medo, em que, a cada nova apresentação traz diferentes formatos a partir de seu disco mais recente, o Disco Normal. Na primeira segunda, dia 3, recebem a videoartista Carol Costa, que traduz em imagens a sonoridade do grupo. Na segunda, dia 10, recebem a iluminadora Mau Schramm, o vocalista Carlos James e Douglas Leal, que dispara efeitos e recombina o som, para manipular o ruído da dupla em tempo real. No dia 17, a terceira segunda, eles destróem as paredes do barulho numa noite que contará com uma orquestra noise formada por Leandro Conejo, Rayra Pereira, André Damião e Fabio Gianelli. A última segunda do mês é dedicada ao elemento mais livre de sua música, quase free jazz, quando recebem os músicos Miazzo, Bernardo Pacheco, Sarine, Flavio Lazzarin, Tomas Moreira, Alex Dias e Chris Justtino. As apreentações comeeçam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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Que maravilha ver esses meninos decolando. Neste fim de semana, a banda Sophia Chablau & Uma Enorme Perda de Tempo fez seu primeiro show internacional ao tocar na escalação do Festival Primavera deste ano, em Barcelona. É o primeiro de uma série de shows que eles fazem na Europa e o jovem maestro Vicente Tassara me contou sobre a experiência, que compartilho abaixo, junto com a íntegra do show, segura! Continue

“Estarei na Nova Zelândia, Austrália, Singapura e Japão sozinho no palco tentando um novo tipo de show solo tocando versões das minhas músicas do meu passado recente e não tão recente” – assim Thom Yorke avisou que irá fazer uma série de shows no segundo semestre sem nenhum outro músico ao seu lado, diferente de todos os trabalhos que fez até hoje. Serão 15 datas nos quatro países entre outubro e novembro e é a primeira vez que ele faz shows solo desde 2019. As datas seguem abaixo e os ingressos começarão a vender em breve, com os links anunciados já no quartel-general online do Radiohead. E se ele tá experimentando no outro lado do mundo, é bem provável que no ano que vem traga algo pro lado de cá – vir pro Brasil, no entanto, são oooooutros quinhentos…
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Quando reuni a sofrência pernambucana ao dance desconstruído paulistano no último Inferninho Trabalho Sujo de maio sabia que, por mais díspares que fossem as experiências ao vivo dos novos discos do Tagore e do Lauiz, havia um ponto em comum nessa formação. Algo que misturava uma sensibilidade fora do comum à necessidade de explorar novos caminhos sonoros atrairia públicos distintos (inclusive no quesito etário), mas prontos para aceitarem-se mutuamente. Dito e feito. Tagore começou a noite celebrando lembranças de sua juventude no início dos anos 90, mostrando principalmente as novas canções do disco Barra de Jangada, feito em homenagem a duas figuras importantes em sua formação que o deixaram recentemente: seu pai, o artista plástico Fernando Suassuna e o guitarrista Paulo Rafael, que tocou no Ave Sangria e acompanhou boa parte da carreira de Alceu Valença. Acompanhado de uma banda formada pelo guitarrista Arthur Dossa, o baixista e principal parceiro musical João Cavalcanti e pelo baterista Arquétipo Rafa, Tagore não só passou o disco recém-lançado como visitou pérolas de seu repertório como a já clássica “Movido a Vapor” e a bela “Olho Dela”, tocada num bis improvisado, como convidou o vocalista do Mombojó, Felipe S, para dividir os vocais do maior hit do mestre Alceu Valença, “Morena Tropicana”. Que vibe boa.
Depois foi a vez de Lauiz mostrar – a caráter, vestido de caubói – o repertório de seu disco lançado nessa sexta, Perigo Imediato. Cantando canções irônicas que perdem o cinismo ao serem desconstruídas num formato indie dance, o produtor dividiu-se entre piadas sem graça (como de praxe), vocais com vocoder e um keytar enquanto seu dupla, o DJ Marquinhos Botas-de-Ferro, disparava bases e tocava guitarra, sempre mantendo a seriedade que contrapunha à autodepreciação promovida pelo vocalista. Com timbres sintéticos que soam simultaneamente cafonas e modernos, os dois mantiveram o público sempre animado, mesmo quando zoavam da própria postura no palco. O show só pecou por ser curto e durou apenas meia hora. Mas o foi o suficiente para deixar o Picles em ponto de bala para que eu e Bamboloki, que estava completando seu primeiro aniversário como DJ, fizéssemos um dos nossos melhores sets, misturando Kasino e Siouxsie & The Banshees, Yo La Tengo e Arrigo Barnabé, Gang of Four e Jonata Doll e os Garotos Solventes. Quem foi sabe.
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Sempre chega essa época do ano e dá aquela saudade de Barcelona, quando o festival catalão Primavera reúne artistas de diferentes vertentes numa mesma semana realizando sonhos ininterruptos. E por mais que a escalação desse ano não tivesse ninguém que tivesse feito brilhar meus olhos (grandes shows, mas nada que me fizesse sair de São Paulo), confesso ter sofrido um pouco ao ver que o querido trio Yo La Tengo dedicou um show inteirinho na sala Apolo às canções de seus ídolos nessa terça passada, misturando Velvet Underground com Sun Ra, Temptations com Neil Young, Bob Dylan com Daniel Johnston, Kinks com Black Flag, Who com Jackson Browne, Dream Syndicate com Sandy Denny. E felizmente não tínhamos apenas um, mas dois heróis em ângulos diferentes, apontando suas câmeras para o palco e registrando esse momento único para posteridade. Os vídeos seguem abaixo, bem como o repertório.
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