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Loki

LCD Soundsystem, Charli XCX, Stereolab, Kim Deal, Haim, Spiritualized, Jesus Lizard, Wet Leg, TV on the Radio, Salif Keita, Floating Points, Magdalena Bay, Jamie Xx, Idles, Chappell Roan, Cat Power, Fontaines D.C., Caribou, Parcels, Clairo, Beach House, FKA Twigs, Sabrina Carpenter, Beabadoobee, John Talabot, Destroyer… OLHA A ESCALAÇÃO DO PRIMAVERA DE BARCELONA DO ANO QUE VEM… Os ingressos começam a ser vendidos na próxima semana através desse link.

Há duas semanas, os Boogarins oficializaram que seu disco novo estava pronto e que seria chamado de Bacuri, ameaçando soltá-lo a qualquer momento – e até agora nada. Enquanto não sabemos a data de lançamento do próximo álbum, os heróis da psicodelia do cerrado acabaram de anunciar que o show de lançamento de seu próximo álbum acontecerá no Cine Joia, no dia 6 de dezembro – e os ingressos já estão à venda neste link. Alguma dúvida que vai ser apoteótico?

Como quem não quer nada, o LCD Soundsystem de James Murphy soltou uma música inédita no programa Soup to Nuts da DJ e apresentadora inglesa Anu Ambasna na rádio online NTS. “X-Ray Eyes” é a segunda música que o grupo lança desde seu último álbum, American Dream, de 2017 – antes disso, a única música inédita foi “New Body Rhumba”, escrita para a adaptação para o cinema que o cineasta Noah Baumbach fez do romance de Don DeLillo Ruído Branco, em 2022. A nova faixa, que é melhor que a anterior, no entanto, não parece estar vinculada a nenhum novo projeto e, segundo a DJ, deve ser lançada em breve. Será que tem disco novo dos caras vindo aí? Escute a música nova do grupo nova-iorquino a partir do minuto 20 do programa abaixo: Continue

Corro dali pro centro de São Paulo pra participar da comemoração de um ano do Matiz, bar no terraço do Edifício Carlos Rusca, na Martins Fontes. Com um dos melhores equipamentos de som da cidade, o lugar tem seu foco nos drinks e na audição e eventualmente chama músicos para apresentações ao vivo, como foi o caso desta terça-feira de aniversário, quando contaram com Arto Lindsay em show solo na abertura, seguido do trio MTZ, liderado por um dos responsáveis da noite, Rodrigo Coelho, que assume o baixo e que iria receber Marina Lima, mas hoje sabemos porque ela não foi, sendo substituída por Fernanda Abreu. Não consegui ficar no segundo momento da noite, mas pude ver mais uma apresentação do americano-brasileiro Arto Lindsay, que novamente apenas com sua guitarra no wave, transformou o terraço do Matiz em uma câmara de ruídos elétricos, disparando microfonia, efeitos e seu toque frenético sobre composições próprias e até uma do sambista Batatinha. Surreal poder ver esta apresentação do ângulo que vi, entre uma pequena multidão de descolados modernos paulistanos e o horizonte cinza noturno de fachadas de prédio aparentemente sem alma, algo que casou bem com as frequências soltas disparadas pelo guitarrista noise.

Assista abaixo: Continue

Saindo o CØMA

Estreia intensa do grupo CØMA nesta terça-feira no Centro da Terra. O grupo surgiu a partir do encontro da baterista Bianca Godoi com o guitarrista Guilherme Held – e este, que vinha ficando obcecado com sons pós-punk desde que descobriu uma playlist de pérolas obscuras e contemporânea do gênero nascido na virada dos anos 70 para os anos 80, passou essa obsessão para a nova amiga e com isso passaram a reunir músicos que pudessem expandir a ideia original. Assim, reuniram Otto Dardenne, Rubens Adati, Joana Bergman e Danilo Sansão para uma noite curta e intensa de baixos pulsantes, baterias febris e guitarras dissonantes, reunidos com teclas pontuais e as letras improvisadas e aparentemente nonsense (embora não sejam) proferidas pelo vocalista Otto. O grupo ainda contou com a participação das inusitadas taças do músico Tomas Gleiser, que toca no grupo Mustache e os Apaches, e por pouco menos de uma hora, induziram o público do teatro a um transe dissonante e metronômico. Só não pode deixar esse fogo morrer em uma única apresentação – que venham outras!

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CØMA: TAO

Mais uma atração que estreia no Centro da Terra, temos o prazer de receber nesta terça-feira a primeira apresentação do grupo CØMA, idealizado por Bianca Godoi e Guilherme Held a partir de uma playlist de pós-punk e disco-punk obscuro organizada pelo DJ brasileiro residente Alemanha chamado Cosmic Pulses. Os dois convidaram outros amigos músicos para encorpar essa apresentação e além de dividirem-se entre synths e programações, Bianca e Guilherme, que tocam bateria e guitarra respectivamente, chamaram Otto Dardenne para fazer os vocais, Rubens Adati para tocar baixo, Joana Bergman nos teclados e piano e Danilo Sansão, que vai fazer projeções enquanto toca. O espetáculo batizado de Tao marca o nascimento deste pequeno coletivo e começa pontualmente às 20h, além de já estar com ingressos à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Trilha em transe

O concerto O Canto de Maldoror: Terra em Transe em Transe, apresentado no Theatro Municipal de São Paulo neste fim de semana pela Orquestra Sinfônica Municipal e pelo Coro Lírico Municipal, foi um arrebatador ataque aos sentidos que, a partir da dissolução das fronteiras entre som, sentido e ruído, converteu-se em um dos grandes acontecimentos artísticos do ano. Concebido e idealizado por por Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, a apresentação recriava a trilha sonora e os diálogos de Terra em Transe, magnus opus do cinema nacional, forjada por Glauber Rocha em 1967, como uma única obra. E assim, à frente da orquestra regida por Gustavo Petri e do coro regido por Érica Hindrikson, os atores Georgette Fadel e Marat Descartes recriavam, ao lado do contrabaixo de Marcelo Cabral, as falas dos protagonistas do filme apresentadas em quatro diferentes sintonias, cada uma representada pela mudança de frequências e velocidades de cada instante. Em quatro tempos diferentes, estes diálogos foram reprocessados eletronicamente e entregues aos compositores Piero Schlochauer e Rodrigo Morte, que escreveram partituras para estes diferentes momentos distorcidos serem recriados analogicamente pelas vozes dos intérpretes e assim Fadel e Marat liam diálogos como se ouvíssemos um disco em diferentes rotações, cada uma delas referida a um dos três personagens do filme: sem distorção representavam o delírio do intelectual Paulo Martins (vivido no filme por Jardel Filho), em uma distorção mais lenta traziam o personagem ao presente, numa outra ainda mais lenta mostravam o passado do político populista Felipe Vieira (personagem vivido por José Lewgoy) e numa versão aceleradíssima davam voz ao passado do politico conservador Porfírio Diaz (vivido por Paulo Autran). As falas ditas pelos dois atores tornavam o português dito meramente sonoro e elas eram perseguidas pelo baixo de Cabral, que acentuava a musicalidade dos diálogos à direita do palco. Na outra ponta, à esquerda, a solista Marcela Lucatelli soltava sua voz animalesca entre o canto e o rugido (além de surgir impávida e serena ao cantar “Olá”, de Sergio Ricardo), enquanto a orquestra e o coro passeavam entre sambas, pontos de macumba, O Guarani de Carlos Gomes, trechos de obras de Villa-Lobos e Verdi, jazz e gritos de protesto, colocando o coro inclusive para solar com minicornetas de brinquedo. As partes cantadas pelo Coro Lírico, O Canto de Maldoror que batizava a peça, inspirado no título da obra clássico do uruguaio vertido francês Conde de Lautréamont, haviam sido escritas a partir de improvisos vocais de Juçara Marçal, criando mais uma camada de distorção na apresentação, que ainda contava com os quatro pêndulos imaginados pelos cenógrafos Laura Vinci e Wagner Antônio, que representavam os quatro tempos dos cantos mostrados, cada um deles movendo-se numa velocidade distinta. A contraposição destas distorções de tempo, sobrepostas ao caráter épico da apresentação e aos diálogos alegóricos – e infelizmente sempre atuais – escritos por Glauber abria janelas com novas dimensões temporais que tornavam Terra em Transe ainda mais atual do que em seu tempo, em pleno 2024. Um acontecimento de tirar o fôlego.

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Não bastasse a Caroline Polachek regravar “True Love Waits” numa versão deslumbrante em frente a telas de Monet, o grupo californiano Phantom Planet puxou, de improviso, na quarta-feira passada, uma versão para “Paranoid Android”, também do Radiohead, quando apresentou-se no White Eagle Hall, em Nova Jérsei, nos EUA. Não custa lembrar que não é a primeira incursão do grupo no tema, já que seu vocalista Alex Greenwald foi convidado para regravar “Just” no disco que projetou a carreira do produtor inglês Mark Ronson, Versions, no longínquo 2007. Ficou demais, veja abaixo: Continue

Uma sexta-feira com um coração imenso: assim foi a edição de outubro do Inferninho Trabalho Sujo no Picles. A noite começou com a usina de força que é a banda Tietê. Ancorada no reggae, o novíssimo septeto paulistano tempera sua mistura de ritmos com funk, soul, grooves latinos e música brasileira e a energia que transborda no palco inevitavelmente contagia o público. Atiçados pelo carisma inacreditável da vocalista e saxofonista Dodô, os integrantes da banda trocam de instrumentos enquanto passeiam por diferentes vibes, sempre carregando a expectativa do público junto, seja nos momentos mais introspectivos ou na fritação completa. E eles estão só começando: acabaram de gravar o segundo disco (no estúdio Abbey Road, em Londres, olha só) e o repertório da noite ficou por conta destas músicas ainda inéditas, que deverão vir a público apenas em 2025.

A banda deixou o o caminho pronto para a estonteante Soledad enfeitiçar o público com o repertório de seu novo trabalho, chamado de Desterros, que misturas suas composições às da geração clássica do cancioneiro cearense, como Fagner, Fausto Nilo, Ednardo (revisto em uma versão apaixonante para “Beira Mar”), Rodger Rogério, entre outros. Seu terreiro é encantado com a ajuda de bruxos da música, com Davi Serrano e Allen Alencar revezando-se entre o baixo e a guitarra, Xavier e Clayton Martins trocando lugares entre a bateria e a percussão (acústica e eletrônica), enquanto Paola Lappicy serpenteava pelos teclados e sintetizadores. E entre estes hinos, ela ainda contou com as participações de Julia Valiengo (com quem dividiu “Santo ou Demônio”, de Fagner) e de Fernando Catatau, que ainda puxou duas músicas próprias, “Completamente Apaixonado” de seu primeiro disco solo e a clássica “Homem Velho” do grupo Cidadão Instigado. No centro de tudo, a voz e a o corpo de Sol, completamente entregues à emoção e à música, hipnotizava o público, que embarcava naquela viagem intensa de sentimentos e sons. Quando eu e a Bamboloki assumimos o som depois de seu show – e fomos de dance music a rock clássico, passando por clássicos da disco music, do funk e aquela mistura de summer eletrohits com o disco novo da Charli. E depois eu contei pra Bam o que o público que não estava na pista tinha mais… Que noite!

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Segura essa pedra: o Diiv, os heróis contemporâneos do shoegaze que acabaram de passar pelo Brasil, fizeram essa versão absurda para “Cream of Gold” do Pavement em sua recente ida aos estúdios da rádio SiriusXM, em Washington, nos EUA, e o resultado ficou foda demais. Muito bom ver que a banda de Stephen Malkmus está sendo finalmente reconhecida como uma das principais bandas de rock da história.

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