Nosso Lóki no Municipal, na Virada Cultural desse ano, via Babee.
De chorar (e vejam logo, porque o Arnaldo pede pra tirar os vídeos do YouTube).
Fora o fato de ele ter saído do armário (situação que, por si só já o tornaria importante, devido ao machismo na cena hip hop / R&B), o cara mais legal da trupe do Odd Future está com um disco novo que já subiu bons degraus rumo ao pódio de melhor disco de 2012. Channel Orange habita a mesma faixa R&B que une alguns dos principais nomes da música da segunda década do século 21 – Weeknd, Xx, JJ – mas a coloca na árvore genealógica do groove norte-americano, soando como filho da cena que deu ao mundo Pharrel, Andrew 3000 e Timbaland e neto do gangsta rap por parte de pai e do R&B dos anos 90 por parte de mãe. Talvez seja o disco com a textura sonora certa para 2012. Ouve aí embaixo:
O Bruno Paes Manso propõe uma leitura sobre uma das músicas novas dos Racionais:
Como se não houvesse muito mais a rimar e declamar, as músicas dos Racionais minguaram e nenhum álbum relevante foi lançado em dez anos. No mesmo período, as periferias foram dominadas pelo funk e pelo pancadão, celebrando o consumo e o prazer em excesso proporcionados pelo sexo casual e pelas drogas. Os anseios da geração de jovens das periferias ficaram mais próximos aos dos jovens da classe média paulistana.
O “sistema”, contudo, continuava a produzir camadas sociais que se movimentavam em sentidos opostos, como placas tectônicas na iminência de produzir terremotos. Brown, o cronista, estava atento e conseguiu compreender que era falsa a sensação de paz que a cidade experimentava. O subterrâneo se movimentava e a opção pelo crime crescia. Sem nenhuma gota de hipocrisia, neste ano descreveu em uma nova canção as sensações e o espírito dos jovens que ingressam e seguem a carreira criminal. Trata-se do rap Marighella, em homenagem ao guerrilheiro comunista, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN).
Gravado em maio em uma ocupação no centro de São Paulo, o clipe de Mariguella é a metáfora de Brown para explicar o crime e o criminoso. Brown usa trechos do manifesto do guerrilheiro, transmitido em 1969, para convocar os operários e trabalhadores nas favelas a se armar e a aprender a atirar.
Na voz de Brown, não se trata de Marighela, “assaltante nato”, nem do comunismo, nem dos operários. Mas da revolta, da raiva contra o sistema, dos “correrias”, perseguidos e descriminados, mas com procedimento, devotos do ódio, protagonistas de uma vida sem sentido, que criam meios violentos para suportar a vida na sociedade violenta.
A íntegra do texto tá aqui. E eu filmei a faixa quando eles se apresentaram em abril no Sesc Pompéia, vê só:
Mais uma música nova do Shins…
Bem bonita.
Sério, esse moleque tem talento:
Gente Bonita à toda na Noite Trabalho Sujo da sexta passada – sinta o drama nas fotos da Bárbara, logo abaixo. E nessa sexta tem o lançamento do livro do Arnaldo em São Paulo – com o próprio discotecando do meu lado. Imperdível!
Não é à toa que o Dinâmica de Bruto do Bruno Maron é um dos melhores quadrinhos no Brasil hoje.








