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Loki

Enorme satisfação de receber pela primeira vez a dupla formada por Juçara Marçal e Cadu Tenório, que apresentam sua obra Anganga nesta terça-feira no Centro da Terra. O espetáculo foi inspirado nos vissungos (cantos de trabalho) resgatados pelo linguista Aires da Mata Machado Filho nos anos 1920 em São João da Chapada, município de Diamantina em Minas Gerais, em 65 partituras publicadas no livro O Negro e o Garimpo em Minas Gerais. Essas partituras transformaram-se num disco chamado O Canto dos Escravos, gravado em 1982 por Clementina de Jesus, Geraldo Filme e tia Doca da Portela. São esses cantos que Juçara e Cadu revisitam desconstruindo-os eletronicamente em uma versão ainda mais pesada do que suas versões originais. O espetáculo começa pontualmente às 20h e ainda há ingressos disponíveis neste link.

Há quase duas décadas sem lançar nada de novo, o rapper André 3000, metade da histórica dupla Outkast, abriu essa terça-feira anunciando que seu primeiro disco solo, New Blue Sun, estará entre nós na próxima sexta-feira, dia 17. Mas antes de mais nada, ele já abre uma série de considerações na extensa entrevista que deu ao site da NPR em que quebrou o silêncio e finalmente falou sobre sua produção musical: “Eu não quero zoar as pessoas, não quero que as pessoas pensem que ‘o disco novo do André 3000 está vindo!’ e quando você o toca, oh cara, não tem versos. Está escrito no disco: ‘atenção: sem compassos’.” O nome da primeira faixa resume suas intenções: “I Really Wanted To Make A Rap Album, But This Is Literally The Way The Wind Blew Me This Time” (“Eu realmente queria fazer um disco de rap, mas isso é literalmente a forma como o vento soprou dessa vez”). E a analogia ao vento não é só poética: New Blue Sun é um disco em que André toca… flautas! Na mesma entrevista ele contou que tem entre 30 e 40 flautas de todos os lugares do mundo e o disco são sessões de improviso com novos compadres como o tecladista Surya Botofasina, o guitarrista Nate Mercereau e o percussionista Carlos Niño. A capa do disco é essa aí em cima, ele não soltou sequer um trecho de uma das músicas e só anunciou, até agora, o nome das nove faixas que compõem o disco e os títulos são tão inacreditáveis e gigantescos quanto o citado acima. Veja abaixo: Continue

Que tal uma segunda-feira com um sorriso no rosto? O grupo The Smile, formado pelo baterista Tom Skinner e por dois cérebros mais fritos do Radiohead, Thom Yorke e Jonny Greenwood, acaba de anunciar o lançamento de seu terceiro álbum (se contarmos o segundo disco ao vivo, The Smile Live at Montreux Jazz Festival July 2022) para o início do ano que vem. O anúncio de Wall of Eyes, que chega completo no dia 26 de janeiro (e já em pré-venda), vem acompanhado do clipe da bossanovinha que é a faixa-título do disco, mais uma vez dirigido pelo compadre da banda Paul Thomas Anderson, que além de fazer o filme Anima junto com Yorke também dirigiu o clipe de “Daydreaming”, primeiro single do disco mais recente (último?) da banda inglesa, A Moon Shaped Pool. A faixa traz ecos do Radiohead ao reaproveitar uma estrofe inteira (“Let us raise our glasses to what we don’t deserve or what we’re not worthy of”) do jornalzinho que o grupo distribuiu junto com a versão em vinil de seu disco de 2011, King of Limbs. Assista ao clipe abaixo e veja tanto a capa do disco quanto a ordem das músicas do novo álbum, que inclui o épico single “Bending Hectic”, lançado no ano passado: Continue


(Foto: Maria Cau Levy/Divulgação)

Saiu nessa sexta-feira o terceiro volume da série Broovin, que consolidou o nome do compadre Bruno Bruni como um dos novos talentos da atual cena paulistana. Acompanho seu trabalho desde o início dessa trilogia, quando ele começou praticamente sozinho a construir células de groove que viravam canções e aos poucos foi engrossando o caldo, primeiro ao vivo e depois nos discos. Broovin 3 encerra essa trilogia de início de carreira e pela primeira vez ele pode gravar com uma big band completa – e me chamou para escrever o texto de apresentação do álbum, que também marca sua ida para os Estados Unidos, onde foi estudar arranjo e composição de jazz.

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Sessão atordoo

O Inferninho dessa quinta-feira foi uma sessão atordoo vindo de dois lugares extremos do ruído. A noite começou com o show inacreditável do Monch Monch, overdose de barulho elétrico concentrado e atirado em cima da plateia num ventilador de sujeira, caos cavalgado pelo carisma irrefreável do mentor da bagaça, Lucas Monch, despedindo-se do Brasil antes de embarcar numa temporada sem passagem de volta pra Portugal – e de lá vai saber pra onde. Depois veio a versão quarteto do Test – o QuarTest – e se Barata e João sozinhos já cimentavam uma parede de som extremo apenas com guitarra, vocal e batera ouvido adentro, juntos do Berna no baixo e do Sarine na percussão criavam duas novas camadas de densidade pra apresentação, cada um deles frequência sonora distinta. Depois e eu Fran seguimos na pista, abrindo os trabalhos com a nova dos Beatles e emendando Gilberto Gil com Dua Lipa e terminando a noite só no forró (é, pois é…).

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E vamos ao primeiro Inferninho Trabalho Sujo deste novembro de aniversário dos 28 anos do Trabalho Sujo (serão três, vai anotando) quando reúno duas atrações incendiárias. A primeira é o último show da Monch Monch, liderada pelo geniozinho Lucas Monch, que vai sair do Brasil ainda este mês sem previsão de retorno breve. Depois vem o Test, a banda mais barulhenta do Brasil, em sua versão quarteto, com Berna no baixo e Mariano na percussão. E há a possibilidade de encontro de forças antes do fim da apresentação das duas bandas. Depois dessa colisão é a vez de retomar a pistinha com a comadre Francesca Ribeiro e vocês sabem o que acontece quando ocorre essa conjunção, né? O Inferninho acontece quinta sim quinta não no melhor buraco de São Paulo, nosso querido Picles, ali no coração moribundo do canteiro de obras chamado Pinheiros, no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde. Vem com a gente!

Chegou novembro e com ele as comemorações de aniversário do Trabalho Sujo e o primeiro evento para celebrar este 28 anos (!) acontece nesta quarta-feira, quando realizo mais uma festa Trabalho Sujo All Stars no Bar Alto. O clima você já sabe qual é: músicas de todos os gêneros, épocas e lugares do mundo que partam da premissa de manter todo mundo dançando sem parar. E como reza essa festa, seguro discotecando a noite toda, das 19h até pra lá da meia-noite, sempre dividindo as picapes com amigos queridos. Meus parceiros dessa vez são uma tríade daquelas: Luiz Pattoli, com quem eu discotecava nas Noites Trabalho Sujo desde os tempos do Alberta #3 (mas a parceria no set vem de muito tempo antes); Marcelo Costa, o senhor Scream & Yell, que sempre segurava metade da Trackers em festas homéricas que dávamos há uns dez anos, e a querida Camila Yahn, que também conheço de outros carnavais mas só neste 2023 começamos a tocar juntos, fazendo a festa Desaniversário. Cada um com seu cardápio musical, cada um com seu rosário de hits e uma meta: deixar todo mundo cansado de tanto sorrir e dançar. A festa acontece no Bar Alto (Rua Aspicuelta 194) a partir das 19h e não precisa pagar pra entrar. É só chegar! Vamos?

Erma paisagem

Paula Rebellato encerrou sua temporada Ficções Compartilhadas nesta segunda-feira no Centro da Terra com uma apresentação tão maiúscula quanto sua ousadia: reler o clássico Desertshore que Nico gravou nos anos 70 quase meio século depois, com camadas eletroacústicas que transpassavam as diferentes fases musicais da soturna diva alemã. Para isso, chamou os camaradas Mari Crestani, João Lucas Ribeiro e Paulo Beto, este último agindo como maestro da banda a partir de seus sintetizadores, enquanto Mari começou primeiro no sax para depois assumir o baixo, e João Lucas ficou na guitarra, ambos segurando vocais de apoio para o canto tenso de Paula recebendo Nico. A dona da noite, com seu timbre grave e usando poucos efeitos sobre a voz, abria, a cada canção, porteiras infinitas de ruído horizontal, que espalhava-se pela plateia como um enxame invisível de abelhas. Numa apresentação tão ritualesca quanto hipnótica, os quatro integraram diferentes camadas instrumentais que passeavam do noise ao rock clássico, passando pela música eletrônica, o noise, o industrial e o ambient, todos a serviço da ampla e erma paisagem desenhada pelas imagens invocadas por Nico, seja em inglês, francês ou alemão. Foi menos que uma hora de apresentação, mas o estado de suspensão parecia ser para sempre.

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Mais uma segunda-feira com Paula Rebellato no Centro da Terra e desta vez a noite de suas Ficções Compartilhadas foi ao lado de sua nova banda, Madrugada, tocando pela primeira vez num teatro. O fato do transe krautrock das apresentações do grupo partir do ritmo fez com que a performance ganhasse nova conotação naquele palco, colocando o grupo em uma hipnose central tensa e densa à medida em que o groove ia ganhando corpo. A cozinha formada pelos irmãos Dardenne (capos do selo Selóki) e pelo percussionista Thalin determinava diferentes rumos para o grupo, que fazia com que o noise do teclado de Paula e da guitarra de Raphael Carapia se desprendessem soltos criando camadas de interjeições elétricas que às vezes eram temperados pela fala em loop do baixista ou pelos devaneios solo dos vocais de Paula. Uma noite memorável.

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E a felicidade de ter ninguém menos que Yma como atração da edição desta semana do Inferninho Trabalho Sujo? Um dos grandes nomes da cena independente paulistana, a cantora e compositora está aos poucos burilando o que deverá ser seu segundo disco solo, mas mostra músicas do excelente Par de Olhos e outras novidades nesta noite de quinta-feira, que tem entrada livre até às 21h. O show deve começar pelas 22h e logo após a apresentação da Yma eu e a Fran atacamos uma saraivada de hits para não deixar ninguém parado! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, na meiota de Pinheiros, e a noite vai longe… Vamos?