
O que você vai fazer no próximo dia 14 de agosto? Herbie Hancock conseguiu marcar um encontro com seus compadres dos Head Hunters para revisitar o clássico disco funk composto em 1973 que finalmente o livro da sombra de Miles Davis e colocou-o em seu próprio sistema solar. O aniversário de 50 anos do disco ao vivo acontecerá a princípio apenas no Hollywood Bowl, em Los Angeles, mas não duvide se começarem a pintar outras datas por aí. Ele postou um vídeo nesta terça-feira em sua conta no Instagram convidando os chapas Harvey Mason, Bennie Maupin e Bill Summers para reviver aquele delírio musical meio século depois e de todos os responsáveis por aquela joia, apenas o baixista Paul Jackson (que morreu em 2021) não estará presente, sendo substituído pelo grande Marcus Miller, outra lenda do instrumento. Os ingressos já estão à venda no site do Hollywood Bowl – e se você não conhece esse disco, faça-se esse favor agora mesmo!
Ouça abaixo: Continue

Morreu o maior baixista da história do reggae – o que não é pouca coisa, uma vez que o instrumento é praticamente a âncora do gênero. Aston Barrett já teria seu lugar na história só pelo fato de ter tocado nas primeiras formações montadas pelo papa do dub, Lee “Scratch” Perry, quando ele começou a experimentar em seu estúdio na virada dos anos 60 para os anos 70. Mas a partir de 1974, quando foi convocado por Bob Marley para assumir o instrumento em sua banda, os Wailers, ele passa a dirigir musicalmente a banda do velho Bob, gravando em todos seus discos até sua morte, em 1981. É o integrante mais constante da banda de Marley ao lado de seu irmão, o baterista Carlton (que também tocou com Lee Perry). Além de Marley, também gravou discos clássicos de Bunny Wailer e Peter Tosh, ex-integrantes da banda de Bob que ganharam sua própria magnitude, além de ter sido mentor do segundo maior baixista da história do reggae, Sly Dunbar, da dupla Sly & Robbie. O apelido – homem de família – vinha da extensa prole que havia feito desde a adolescência, contabilizando mais de quarenta filhos. Um deles, justamente o Junior, primogênito, foi quem anunciou, via Instagram, que o pai havia morrido após “uma longa batalha médica”, sem especificar qual seria a causa da morte. Vai em paz, mestre!

Show dos Boogarins é sempre um acontecimento transcendental – a liga desenvolvida entre os quatro filhos do Centro Oeste transforma qualquer momento de entrosamento musical dos quatro em um delírio particular que pode ser esticado por horas se eles quiserem. Às vésperas da primeira turnê pelos EUA desde o período pandêmico, o grupo passou pelo Sesc Vila Mariana neste fim de semana celebrando os dez anos do aniversário de seu disco de estreia, Plantas Que Curam, que finalmente ressurgiu em vinil após anos fora de catálogo, e assistir a Dinho, Benke, Rapha e Ynaiã passeando por um repertório que já tem uma década não só reforça a importância do grupo na história da psicodelia brasileira como mostra que sua evolução é coesa, intensa e ampla, fluindo quase organicamente. A apresentação deste domingo contou com a íntegra do disco de 2013 – em ordem diferente -, trazendo ainda faixas que não entraram na edição original e que ressurgem nesta nova versão (como “Resolvi Ir”, que, como faziam há dez anos, fazia o show começar já engatado, “Olhos”, “A Sua Frente” e “Refazendo”), “Foi Mal” e uma faixa inédita, do próximo disco (“Cais dos Olhos” – é isso, Benke?). Por uma hora e meia de transe, o quarteto do cerrado nos submeteu a uma hipnose sonora auxiliada pelo time-família titular para além do palco (Renatão e Alejandra no som, Chrisley como roadie, Rolinos nas imagens e Igor na luz) que expandia minutos por horas psíquicas. O final da primeira parte do show, em que “Infinu”, “Fim”, “Doce” e “Eu Vou” se fundiram em uma só, foi só um dos vários exemplos que eles colocaram em prática a natureza psicodélica de seu som. Uma viagem pesada.
#boogarins #sescvilamariana #trabalhosujo2024shows 12
Assista abaixo: Continue

Nossa musa Kim Gordon acaba de anunciar seu segundo disco solo, sucessor de No Home Record, que ela lançou em 2019. O álbum The Collective também foi produzido pelo mesmo Justin Raisen que trabalhou com ela no disco anterior (produtor de artistas pop como Sky Ferreira, Charli XCX e Lil Yachty), e será lançado em março, mas ela antecipa o disco já com o primeiro single, “Bye Bye”, um trap com grunhidos de guitarra e sintetizador, em que a musa da juventude sônica rima com sua voz sussurrada enquanto faz sua mala para sair de casa, numa versão pós-moderna e em primeira pessoa para “She’s Leaving Home” – e com o clipe estrelado por Coco Gordon Moore, sua filha. Dá pra ver a capa do disco, o nome das músicas e o clipe completo abaixo: Continue

Em fevereiro Manu Chao vem mais uma vez para São Paulo fazer shows e como os ingressos para as duas datas anunciadas anteriormente (dias 1° e 3) evaporaram logo que foram anunciados, o Cine Joia anunciou mais uma data com o camarada clandestino, que agora também toca no dia 6 de fevereiro – e os ingressos começam a ser vendidos nesta terça-feira, a partir das 11h, neste link. Não dê mole!

Às vésperas do lançamento de seu terceiro álbum (se contarmos o disco ao vivo gravado em Montreux), o trio The Smile lança mais uma música de seu próximo trabalho, Wall of Eyes, que será lançado no próximo dia 26 (e está em pré-venda faz tempo). A balada “Friend of a Friend” leva a experimentação sonora do grupo formado pelos líderes do Radiohead Thom Yorke e Jonny Greewood (ao lado do baterista Tom Skinner, do grupo Sons of Kemet) para outros horizontes e o clipe abstrato e fluido, dirigido, mais uma vez, pelo cineasta Paul Thomas Anderson, reforça esse novo lugar sonoro dos três, com cores tingidas pela Orquestra Contemporânea de Londres e pelo saxofonista Robert Stillman. O novo single vem junto com o anúncio de uma pré-estreia do novo trabalho que acontece em cinemas de onze países. Wall Of Eyes, On Film é uma sessão de cinema que trará os clipes para “Friend of a Friend” e “Wall of Eyes”, além de clipes do Radiohead (“Dadydreaming” e duas gravações de Jonny e Thom na época do A Moon Shaped Pool, tocando “Present Tense” e “The Numbers” – podia ter os dois tocando “The Rip” do Portishead, da mesma época, hein…) e do Anima de Thom Yorke, todos dirigidos por Paul Thomas Anderson em versões em 35 milímetros e som surround. O evento ainda terá uma audição na íntegra do segundo disco de estúdio do grupo e imagens que o cineasta fez durantes as gravações do disco – e quem for ainda pode comprar merchandising exclusivo da banda, como fitas cassetes, camisetas e um fanzine. Infelizmente a sessão não passa pelo Brasil – o mais perto da gente é a Cidade do México… A relação dos locais que receberão essa sessão e o clipe da nova música você pode ver abaixo: Continue

Um dos fundadores de um dos principais focos de experimentação artística da cena psicodélica pernambucana do início dos anos 70, Aristides Guimarães morreu vítima de um infarto fulminante na última quinta-feira de 2023. Um dos fundadores do Laboratório de Sons Estranhos, que realizava happenings hippies que funcionavam como um contraponto ao tropicalismo baiano-paulista, Aristides era um grande agitador cultural daquele período e, além da música, também era artista plástico.

Há duas semanas Patti Smith nos deu um susto ao passar mal durante sua turnê europeia e cancelar apresentações por recomendações médicas. Ela até postou no Instagram que estava melhor, agradecendo aos funcionários do hospital em Bolonha, na Itália, em que esteve internada. Felizmente foi só um susto e nossa matrona comemora seu aniversário de 77 amos com dois shows no Brooklyn Steel, em Nova York. E o segundo está acontecendo neste sábado, que e a data de seu aniversário. No show de sexta ela já mostrou estar ótima, como dá pra ver pelos vídeos que alguma boa alma filmou da plateia, olha só:

Em 2023 tive o privilégio de assistir ao encontro ao mestre Jards Macalé ao vivo por cinco vezes: uma delas com o saudoso Donato, outra com o Metá Metá, mais uma sozinho com seu violão e duas vezes com seu velho camarada Tutty Moreno e a presença do mestre baterista eleva a performance de Macau a outro patamar. Não foi diferente nesta quarta-feira, quando os dois voltaram a se apresentar juntos, mais uma vez escudados por Guilherme Held e Pedro Dantas, na Casa de Francisca. Passeando pelos clássicos de Jards e as composições de seus discos mais recentes, os quatro hipnotizaram o público que lotou o Palacete Tereza, tantra musical conduzido pelo groove da mão direita de Jards e pelo corpo de Tutty, um dos maiores bateristas deste país até hoje, sempre solando contido, mesmo quando o band leader não sublinha estes momentos. Uma noite mágica.
Assista aqui: Continue

Mais uma noite no Centro da Terra regida pela aura de Itamar Assumpção, que Arrigo Barnabé de novo invocaria ao início do espetáculo misturando gravações da própria voz com uma máquina de escrever. Logo depois, ele assume os vocais à frente da banda Trisca, trio formado por integrantes da banda Isca de Polícia (Jean Trad, Paulo Lepetit e Marco da Costa), visitando músicas comuns aos dois, entre elas versões de sambas clássicos de diferentes autores, seja Nelson Cavaquinho (“Quando Eu Me Chamar Saudade”), Marisa Monte (“De Mais Ninguém”) ou Ataulfo Alves (“Na Cadência do Samba”), todos revisitados à luz negra dos sambas do velho Ita. Que noite!
Assista aqui: Continue